peter

Scarpa não mantém cargo de Levir

Porque há algum tempo dá pra olhar pro campo e notar que o Fluminense não tem grande coisa. E se não tem no papel, tem menos ainda no coletivo treinado.

O time em 8 meses de Levir é a mesma coisa: Scarpa.

Ele cobra, ele cruza, ele acha um lance. Quando não acha, um drible qualquer desequilibra.  O Fluminense é uma vítima dos sorrisos simpáticos que blindam um treinador de criticas no Brasil.

Costumo dizer, até porque já cansei de ver:  Seja simpático com jornalistas e 80% do trabalho estará feito e reconhecido. Os outros 20%, só sendo bem ruim pra não conseguir manter.  Levir é muito simpático, e por isso seu trabaho durou até aqui sem grandes contestações.

Olhando pro Galo nas mãos do Marcello Oliveira, notamos talvez que não seja o Levir, mas sim o Galo. Afinal, troca o treinador, mexe no time e os caras se mantém fortes e brigando por tudo.

Levir fechou duas pontas importantes: a imprensa e o chefe.  Ajudou a derrubar Fred, desejo antigo do Peter, e só lhe faltou um time bem treinado. Após 8 meses os bonus pelas duas relações favoráveis acabaram e, enfim, foi cobrado pelo tosco futebol apresentado.

É tarde. Talvez não adiante mais.

No saldo, Fred saiu, Levir ficou, o time não foi a lugar algum e começa 2017 buscando um novo projeto, porque desse aqui nada se leva. Uma demissão mais do que justa.  Levir não apresentou nada no Fluminense.

abs,
RicaPerrone

Entreguem!

O torcedor não precisa ter vergonha de pedir que seu time faça o que qualquer pessoa não hipócrita gostaria de vê-lo fazer. E se possível, de forma escancarada, que é pro deboche ser ainda maior.

Mas o torcedor não pode ser levado a sério quando se administra algo que envolve dinheiro.

Fosse o Brasileirão uma liga composta por clubes com donos ou algum raciocinio lógico, o Fluminense entraria domingo pra ganhar de qualquer forma.  Entenderiam os organizadores do campeonato, tal qual a diretoria do Flu, que a perda de um grande rival para o ano seguinte apenas serve para diminuir o interesse, o impacto, as vendas e o nível do campeonato.

Quem se importa com o campeonato?

Eu, torcedor, também ia querer derrubar de sacanagem.  Mas o problema é que aqui o dirgente é um torcedor de gravata. Entre a birra pessoal dele com o outro dirigente e o bem maior, adivinha o que mais lhe interessa?

O Fluminense tem em suas mãos duas oportunidades.  A de ouvir sua torcida e fazer a mesma gracinha que SPFC e Palmeiras fizeram para que ele fosse campeão e que fatalmente alguém amanhã fará para tirar um título dele. Ou usar a imagem mal construída de “clube do mal” para ser o exemplo do clube que se dá ao respeito e faz diferente.

Pro Flu, o Vasco é fundamental. Como o Inter pro Grêmio, como o Palmeiras pro Corinthians.  O futebol respira rivalidade e sem ela não faz sentido. Se não cabe a você entender isso, caberia a alguém envolvido com seu negócio.

E de quem é esse negócio?

De torcedores. Nada mais.

Logo, não sendo o último e nem o primeiro, a tendência não é que alguém lhes diga: “Entreguem!”.

Mas que ninguém lhes explique o que está em jogo além da risadinha de segunda-feira.

Não quero convencer você, torcedor, de que deseje ganhar o jogo.  Mas sim que entenda o porque os pontos corridos não podem existir no Brasil e a necessidade que temos de transformar os clubes num negócio com donos.

Enquanto isso, vamos ser menores do que gozar com o pau dos outros. Vamos apenas rir da broxada alheia.

abs,
RicaPerrone

Seis por uma dúvida

Cristovão caiu e confesso que teria feito o mesmo se fosse diretor do Flu.  Mas entendo que toda troca deve ser feita por algo que, em tese, funcione melhor que o atual.

Quem é Ricardo Drubscky?

Você pode se empolgar e dizer:  “é um treinador da nova safra! Uma aposta!”.

Mas não é. Ele tem 55 anos e faz turnê por times médios e pequenos do país desde 1996. Sim, são quase 20 anos, um Galo no currículo, demissões a rodo e nenhum título conquistado.

Mentira, ele ganhou o campeonato paraibano há 13 anos com o Botafogo local.

Mas enfim, entre as precipitadas conclusões que estou louco pra chegar e a consideravel torcida pra que esteja errado, Ricardo pode até vir a ser o campeão brasileiro. O que hoje ele não tem é credencial pra dirigir o Fluminense.

Não consigo imaginar a reunião de diretoria que terminou nesse nome. Qual foi o argumento? Uma aposta? Então aposte em algo nunca testado antes.

Não entendi. Acho que ninguém entendeu. Deve haver um motivo, mas minha imaginação não o encontrou.

Sorte ao Flu. Por mais que ele facilite a vida do azar as vezes.

abs,
RicaPerrone

Sobrou pro treinador

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Eu detesto política no futebol, especialmente levá-la ao torcedor. Acho que promove quem não interessa, tira uma dose de mística da coisa e joga muita verdade no que é mantido por sonho e paixão.

Não ignoro. Apenas não exploro.

Renato Gaúcho foi demitido hoje pela manhã e discute-se desde então se ele dava treinos ou rachão. Se era melhor com Sobis ou sem, e se o treinador dava o rumo tático ideal pra equipe.

Porra nenhuma.

A demissão do Renato é mais uma no natural processo de troca de ciclo que Flu e Corinthians se recusam a entender.  Todo time campeão após alguns anos pára de ganhar e não há treinador que arrume. Chama-se “acomodação”.

Não tem nada a ver com nada. Na real este grupo só não tem a mesma fome que tinha há 4 anos e nada os fará sair da zona de conforto natural que o ser humano entra após conquistar muita coisa.

Justifica a série B? Não.

Mas passa pela sua cabeça, torcedor, que o Fluminense tenha perdido de 3 pro Horizonte por algum problema tático?

Acho que não, né?

Abel, Luxemburgo, Renato. Pode trocar quantas vezes quiser.  Um departamento de futebol desgasta naturalmente e nenhum time, tirando o Santos de Pelé, ganhou mais de 5 anos (em média)  sem haver uma queda natural até encontrar um novo grupo disposto a recomeçar toda esta fase.

Não são “irresponsáveis”. É natural. Você talvez não tem idéia do que é um ambiente de grupo de futebol, com ego, treino, pressão, mídia, resultados, troca de diretoria, interesses de empresários, etc.  Não é o BBB. Há um desgaste muito forte.

O ciclo talvez tenha terminado. Talvez esteja passando por uma troca de líderes e referências, enfim.

Não é o Cristovão, o Joel, o Renato ou a puta que pariu que vão chegar com uma varinha mágica e resolver desde o problema de relacionamento entre Unimed e clube até a zaga que não se encaixa e o ataque que não se movimenta.

A demissão de Renato é fruto, também, – e eu diria que principalmente –  de uma pressão interna forte para que o Flu se posicione contra as intervenções impostas pela patrocinadora.

É um “recado”. Um posicionamento. Um “basta”.

Não é o rachão. É mais do que isso.  A demissão de Renato Gaúcho é uma ação política interna necessária para estabelecer limites de um dos lados.  Também normal. Acontece em toda co-gestão.

O sensacionalismo com que isso é tratado nem é maldoso.  As pessoas formadas para levar notícia até você não tem idéia do que é gerenciar empresa, negociar situações, gerir marcas, e principalmente administrar paixão.

Nada do que está acontecendo no Fluminense é estranho, pouco previsível e incomum. Ao torcedor vai parecer o fim do mundo, como aliás, toda derrota domingo parece.

Mas o torcedor não pensa, só torce. Quem deve pensar são os que administram. Quem entra no futebol tem que saber que ninguém vence o tempo todo e que nem todo problema é facilmente identificado e solucionado.

Ja faz mais de um ano que o Fluminense está tentando entender porque parou de funcionar. Desconfio não ser o treinador.

E apostaria alto que, no fundo, eles também.  Mas antes de tudo isso há uma satisfação a ser dada entre parceiros, um recado a mídia e uma justificativa pro torcedor.

Essa é tua, Renato.

abs,
RicaPerrone