O Vasco se complicou. Em qualquer hipótese ele precisará vencer o Red Bull na última rodada.
Ora, vamos ser justos. Se não bate no Goiás, no Corinthians em crise, o Red Bull é favorito? Não.
Eu me recuso a aceitar que o Vasco não seja favorito quando em casa, esteja ele na condição que for. Simplesmente porque fui o adversário do Vasco a vida toda como torcedor e sei o que significa “O Vasco lá”.
E por mais emblemático que seja São Januário, sinto dizer ao vascaíno que isso é uma ligação interna. Só vocês tem essa imagem de ter mais força lá do que no Maracanã. O Brasil tem o Vasco do Dinamite pra 100 mil pessoas na mente quando se fala no “Vasco lá”.
Quantas vezes perdemos pra times sulamericanos muito inferiores por ambiente? E não, não é esse papo bobo de “ambiente hostil”. É ambiente de domínio completo e grandeza.
Você vai intimidar o Corinthians em São Januário. Mas vai intimidar a cidade inteira se for no Maracanã. São 70 mil, camisas pela cidade toda, mobilização, grandiosidade.
São Januário é um patrimonio. Mas não é condizente com o tamanho do Vasco. Estamos falando de um estádio mal localizado com capacidade pra 20 mil pessoas. Que seu coração me perdoe, mas qual time grande joga pra 20 mil pessoas no máximo?
O Santos. Que é o único time grande de uma cidade que não é capital no Brasil. Se fosse o ideal não haveria conversa de reforma pra ampliação há 40 anos.
O Vasco é maior no Maracanã. Intimidador, remete a um passado poderoso e sim, isso impacta.
Joguem de branco. Joguem no Maracanã. Joguem pra 70 mil pessoas.
A camisa preta é linda, São Januário é místico, mas o Red Bull não pensa nisso quando dorme imaginando “o Vasco lá”. Ninguém cria esse cenário na cabeça. E se criar é recente, e se for recente é pouco intimidador, convenhamos.
Pode morrer. Mas morre atirando. E atire com o máximo de armas que você tiver, ainda mais quando você já está pra morrer e não tem nada a perder.
Se eu fosse presidente do Vasco eu levaria esse jogo pro Maracanã custe o que custar. E lá, quem sabe, o sobrenatural resista a tanta incompetência. Se você tem um último tiro, vai dar de pistola ou de bazuca?
Nunca escondi minha torcida pelos clubes grandes e meu honesto desprezo por ações que fingem ajudar times pequenos quando na verdade só os transformam em clubes de empresários pra esquemas.
Dito isso, nunca dei a mínima pro Bragantino. Então aqui não vai qualquer sentimento pessoal.
Eu acredito em SAFs. Acredito que tudo deva ter dono. Mas acredito que no caso do futebol o maior ativo de um clube é a sua torcida. Se isso ficar fora da equação é só um mercado de compra e venda de jogadores e nada pode ser mais nocivo ao futebol do que esse objetivo ser único ou principal num clube.
Explico.
Se você comprar o Cruzeiro você tem milhões de pessoas pra dar satisfação. Pode vender jogador a vontade, mas seu grande objetivo é ganhar títulos, vender pra toda aquela gente e, por consequencia, vender jogador, fazer melhores negócios, etc. O título é seu fim. Por diversos motivos, mas é seu objetivo.
Quando você compra um time sem torcida o título é meio e não o fim. Ele quer vencer pra valorizar jogador, não pelo clube ou pela torcida. Nunca haverá direitos de tv caros pra time sem torcida, nem mesmo venda de ingressos, camisas e patrocinadores. Portanto, seu único grande objetivo ali é vender jogador e/ou fazer esquema.
No caso da Red Bull, empresa enorme, é pra ganhar dinheiro e fazer marketing. O marketing mais inteligente que existe. Ao invés de comprar a camisa do Flamengo ele joga contra o Flamengo. É brilhante!
Mas pro futebol, é ruim. Muito ruim.
Mas não seria melhor ter times fortes e bem treinados como o Red Bull? Sim, não fosse o risco.
Quando o Red Bull compra o Bragantino ele conta uma mentira. Ele nunca comprou o Bragantino, tanto que acabou com ele. O Bragantino não existe mais. É vermelho, com touro, o nome da marca e nada do clube. Só a sede, nada mais.
Entenda isso pela média ridícula de público de 5 mil pessoas de um time que faz uma das melhores campanhas de sua história. Simplesmente porque não há história. É um novo clube.
Um clube que nunca comprou o Bragantino. Comprou a vaga do clube na série B do Brasileirão pra antecipar feitos. E logo trocou cores, logo, nome, e fim. É o Red Bull, não mais o Bragantino.
Ficou sendo o nome pra TV não falar Red Bull quando não quiser. Ou pra dizer que tem história e tradição. Mas é mentira.
Trabalho bem feito, marketing brilhante, nota 10 pra Red Bull. Mas eu amo futebol mais do que cases de marketing e quero que a Red Bull se dane se o contraponto do seu sucesso for o bem do futebol.
Não é uma corrida de F-1. É paixão por um clube que move o futebol. Identificação. Ninguém ama uma lata de energetico.
Amanhã podemos ter 15 clubes na série A disputando o Brasileirão com jovens pra revender pra Europa e fazendo marketing pra 10 mil pessoas no estádio. Sequer os medalhões que trazem público eles buscam pois não dá pra revender.
Em 2030 podemos ter Red Bull x Bradesco na Arena Herbalife. 5 mil pessoas, uma vitrine de jovens, a tv obrigada a dar 2 horas de marketing pra eles pelo Brasileirão e o objetivo alcançado. Mas e o futebol?
Quem chora pelo gol do Bradesco? Que pai vai com o filho mostrar a história do banco Itau? Futebol é um entretenimento ligado a paixão. Não a resultados.
A Disney jamais colocaria seus personagens com a roupa do Bank of America, justamente porque o que move aquilo é nossa identificação e sonho, não um negócio simples de compra e venda.
Você tem que conhecer seu produto melhor do que todos pra vende-lo. A CBF é seguramente a entidade que menos entende o significado do futebol no Brasil. E portanto não podemos contar com ela pra evitar a colonização do futebol brasileiro.
Mas também não conte comigo pra achar normal uma empresa engolir um clube, mudar logo, nome, cores e se passar por ele pra não ser rejeitada como uma intrusa fria num ambiente movido por paixão.
A Red Bull foi brilhante em seu negócio. Mas o meu negócio é futebol. E por tudo isso eu torço muito pra que o Red Buil ganhe muito dinheiro e nenhum título.
Um gol do Red Bull nunca será 1% do que um gol do Palmeiras. Pode colocar o dinheiro que for. Nem tudo está a venda.
O Volei não gerou paixão até hoje por clubes embora seja um esporte popular porque?
Porque ninguém torce pro Rexona, embora ele ainda divida o nome e não tome pra ele. Mas ainda assim, o Sociedade Esportiva Crefisa não ajudaria o Palmeiras. O mataria.
Mas aí você dirá: “Rica se o clube está quebrado é melhor que alguém o compre e faça direito”. Sim, mas se você soubesse o tanto de clube pequeno que já está nas mãos de empresários com a mesma intenção você ficaria em pânico.
É subir, vender jogador e a vaga na série A ou B. Está acontecendo. E pior: nesse mar de incompetentes, basta ser um gestor médio pra conseguir o feito.
Até que Red Bull e Tim façam a semifinal da Copa do Brasil pro interesse de ninguém, sem rivalidade ou paixão alguma. Nesse dia você vai entender do que eu estou falando.
O pau que bate em Chico deveria ser o mesmo que bate em Francisco. Nunca foi, e por mais que o mundo moderno clame por hipocrisia, nunca será.
A punição ao Vettel no Canadá mostrou que Francisco pode apanhar também. Embora não tenha merecido.
A da Áustria mostrou que Francisco está sem moral com o pai.
Outro Chico, outra dúvida, a mesma decisão. Ambas contra Francisco.
Preocupa a quantidade de decisões fora da pista. Todas elas poderiam ter seguido sem interferência externa, são lances de corrida. Mas a partir do momento que Francisco apanhou há 15 dias por um motivo, é justo imaginar que ele verá Chico apanhar também agora.
Não viu.
E na mais completa inversão de papéis que o ditado sugere, Chico leva vantagem e Francisco prejuízo.
Uma hora alguém terá que lembrar que além de injusto e desnecessário, uma coisa é errar contra Chico, outra contra Francisco.