reflexão

Nunca foi tão bom

É esporte nacional, mais do que futebol, procurar defeitos e reclamar de tudo. Mas com todos os problemas que nosso futebol tem  – e são muitos – você já parou pra pensar que nunca foi tão bom e ainda assim achamos que está ruim e temos saudades do que era pior?

Quando se fala em futebol, esquece o campo. Estou falando de administração.  Dentro do campo o mundo reduziu a qualidade do jogo brutalmente, não apenas nós.  Num planeta de 40 craques hoje jogamos com 3. Isso diz tudo.

Mas olha aqui pra dentro…

  • Nunca a CBF foi tão honesta e com tantos profissionais qualificados
  • Nunca os estádios foram tão bons
  • Nunca se ganhou tanto dinheiro
  • Nunca tivemos gramados tão bons
  • Nunca as regras foram tão claras
  • Nunca se atrasou tão pouco salário nos clubes
  • Nunca se teve tanta estrutura quanto hoje em CTs
  • Nunca se ganhou tanto das Tvs
  • Nunca houve coragem para abrir concorrência entre emissoras. Hoje tem.
  • Nunca tantos profissionais fizeram parte das diretorias dos clubes
  • Nunca vendemos jogadores tão bem e caros como hoje
  • Nunca tivemos um campeonato tão organizado e com a mesma fórmula há tantos anos
  • Nunca deixamos 2 ou 3 times virarem monstros e afundar os outros em outro patamar

E aí, com todas as indiscutíveis frases acima, eu lhes pergunto: Já imaginou se nós estivéssemos com nosso futebol como os vizinhos de continente?

O que faríamos das nossas críticas se fossemos de fato tão ruins, quando na verdade mesmo atrasados ainda somos um mar de prosperidade em meio a um continente falido esportivamente.

Você calcula o que seria dos clubes grandes da Europa se não houvesse um continente forte e os torneios continentais? Imagina que Real e Barcelona seriam o que são batendo em Getafe o ano todo?

Então imagine fazer isso e ser a terceira ou quarta força de campeonato nacional do mundo estando onde estamos, sem continente forte, com as bases econômicas instáveis e ainda assim ser competitivo?

Nem tudo é a “merda” que adoramos repetir no nosso dia a dia.

Tem coisas boas acontecendo. Basta querer enxerga-las.

abs,
RicaPerrone

Andando ou empurrados para trás?

DF - SENADO/BOLSONARO - POLÍTICA - O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) é visto no plenário do Senado, em Brasília (DF), nesta terça-feira. 11/02/2014 - Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O facebook nos explica a eleição do Trump, o fenomeno Bolsonaro, a entrada facil do Doria, a ridicula votação do Freixo e a queda do PT.

Basta 10 minutos na rede social e você nota que quem destrói a esquerda é a “burrice” dela mesma. Eles se acham deuses, os intelectuais, os informados, os fodas. Quem não pensa como eles é ignorante, machista, etc.

Gera raiva. Porque entre o discurso e o que de fato o ser humano é ha um abismo chamado hipocrisia.

Trump e Bolsonaro não são salvadores de nada. Ninguém, nem quem votou neles, adora eles. São um tapa na cara de Jean Willys, Freixo, Psol, essa turma “meio maluca” que quer fazer de um sistema que JAMAIS funcionou a solução pro mundo e nos obrigar a acreditar nisso.

Essa turma delirante que acredita num livro de Harry Potter e acha que o mundo vai sentar em circulo e conversar pra ser melhor; que procuram medidas fofas pra sociedade sem entender que quem manda é dinheiro e ou encontra-se uma solução através dele pra diminuir a desigualdade, ou vao passar a vida pagando mico e de intelectual derrotado no facebook.

Vocês sao o cancer de voces mesmos.

A possibilidade de considerar votar num candidato de vocês morre com o radicalismo, o ar superior intelectual e a raiva que vocês geram das suas idéias e dos seus salvadores da pátria.

Continuem! A tal “direita” nunca vai ganhar nada. Mas vocês perdem como ninguém. Bolsonaro vem ai. E não porque é solução. Mas porque é CONTRA voces.

Não há um mundo de “direita” contra os seres evoluidos. Há uma vontade de mandar vocês pararem de encher o saco. E isso está sendo feito (errado ou não) votando em quem vocês não suportam.

Tem uma lição nessa história toda. Podemos perceber o que isso quer dizer e tentar melhorar, ou ignorar e continuar cuspindo um de cada lado achando que vamos encontrar algo bom pra todos…

Não se trata de política. Trata-se da forma de “reeducar” o mundo. Uns acham que invadindo e quebrando resolve, outros que evoluindo e explicando.

Toda vez que um negro agride um branco para pedir o fim do racismo, ele não fez do branco uma pessoa melhor e mais tolerante. Fez do cara um monstro oprimido que continua odiando o negro, só que agora tem vergonha de falar.

Adianta? É isso que chamamos de evolução?

É causando MEDO em homofobico que vamos incluir os gays? Ou refazendo a cultura que os exclui?

Eu não apoio Trump, não apoio Bolsonaro. Mas eu sou o típico cara que votaria nos dois só pra ir contra um Jean Willys. E pelo jeito so que me diferencia da maioria é que estou dizendo isso abertamente…

Sim, eu sei: “Volta a falar só de futebol, Rica!”. Afinal, se não te agrada, não presta. Mas eu não estou falando de política. Estou falando de gente. De comportamento. De ação e reação.

Porque de política, como 99% de vocês, eu não entendo nada.

abs,
RicaPerrone

O perrengue é fundamental

Ontem estive no Fluminense. Mário Bittencourt lançou a candidatura dele a presidente e e fui abraçar o amigo neste dia especial pra ele. Antes de qualquer coisa, quero registrar que sequer conheço os candidatos do Fluminense, não estou nem aí pra disputa eleitoral, e me senti sim na “obrigação” de prestigiar um amigo. Portanto, se você acha que eu não deveria ter ido, foda-se.

Esclarecido este ponto, vamos ao que importa.

 

Eram centenas. Senhores, jovens, mulheres, torcedores fanáticos, amigos dos candidatos que talvez nem fosse tricolores.  No salão nobre, cercado de história por todos os lados e de gente que briga, discute e perde horas por semana tentando melhorar aquilo que ama.

Eu olho em volta, vejo exatamente o mesmo cenário de qualquer clube grande do país. Mudam as cores, o local, mas as pessoas são quase as mesmas. Senhores que ajudaram a fundar o clube, netos entrando na política, turma jovem engajada, esposas que fizeram turmas, gente de terno, gente de camiseta. Todos apaixonados por aquele clube.

E naquele cenário caótico onde disputa-se um cargo não remunerado que destruirá sua vida pessoal, eu tenho mais e mais certeza de que os clubes, hoje, deveriam ter dono. Sim, ser vendidos como empresas. Embora odeie a idéia, é o que tenho hoje como sustentável.

E então eu no mesmo momento que penso isso com a razão, meu coração olha para aquelas pessoas todas e se pergunta “o que as moverá se alguém que não elas puder gerir este clube?”.

A razão logo me diz que torcedor quer ganhar e, portanto, se estiver ganhando ele não quer saber de nada. Mas eu fui um torcedor desses. Nas mais diversas esferas desde os meus 93 dias de vida, onde entrei no meu clube pela primeira vez e nunca mais sai.

Eu costumo defender uma tese racionalmente indefensável. Mas que todo torcedor de arquibancada acima de 30 anos me entenderá. “O perrengue é fundamental”.

A fila, o caos, o aperto. A participação, a oposição, a perda de tempo. A briga com a esposa, a dificuldade de estacionar. Sem isso, não suamos para vencer. Apenas assistimos alguém fazer isso por nós. O que nos faz parte é exatamente “o perrengue”.

Como isso pode coexistir? Profissionalismo é o fim do perrengue.

Mas quem disse que eu não quero pegar a fila? Que graça tem se esses caras não tiverem que ser voluntários numa campanha que acreditam numa terça-feira a noite na cidade? Será que é mesmo um problema pra mim essa dificuldade de estacionar meu carro?

Ser “parte” é o que move muita gente. A crença de que o clube “precisa de você” é o que nos faz passar o perrengue, e toda vez que invertemos essa lógica para algo “teatral” onde devemos ir se “o espetáculo for bom” e ponto final, estamos minando essas pessoas e dando espaço a um futebol que funciona, que dá lucro, mas que não sei se eu amaria.

abs,
RicaPerrone