rio 2016

A rampa do ouro

Todo torcedor que se preze tem alguma superstição.  Eu tenho as minhas e conforme o jogo vai ficando mais complicado elas vão aumentando.

Pois vou contar a história da medalha de ouro que dei ao Brasil no dia 20 de agosto, no Maracanã.

Estavamos em 3. Aníbal, um amigo mexicano, Nivinha, uma amiga carioca, e eu.  Antes de entrar no Maracanã eu comentei que tinha dúvidas sobre ir ao jogo porque eu vi a estréia (0x0), a eliminação das meninas pra Suécia, e deixei de ir com ingressos no dia do ouro no salto com vara.  Estava numa fase conturbada pessoal, estive no 7×1…Porra, havia um pé frio ali!

E eu não acredito em “pé frio”. Acredito que tem momentos na vida em que você não deve estar em momentos felizes porque você está numa fase onde a vida quer apenas  te foder.  Logo, você lá significa que haverá tristeza.

Eu disse: “Se a Alemanha fizer 1×0, eu saio do estádio”.

Não fizeram. Fomos nós que fizemos.  E tudo caminhava bem até que o maldito gol de empate, somado aos insuportáveis minutos que andavam rápidos demais levaram o jogo para a prorrogação.

Ali, pra mim, era claro: Ou comigo ou com o ouro. Os dois não estariam naquele Maracanã no final do jogo. Pensei: “Eu já negociei com Deus a vitória da Alemanha na final da Copa, porque não sair de canto e negociar esse ouro?”.

Lá fui eu pra rampa do Maracanã, sozinho.  Me sentei e comecei a discutir com um Deus que na maioria das vezes eu sequer acredito. Argumentei que eu já tinha saído, que não precisava mais segurar o gol da vitória.  Pedi, implorei, disse que era importante ganhar deles após o 7×1.

E nada…

Veio o segundo tempo e eu ali fora, só ouvindo a torcida e sem saber o que estava acontecendo. Notava, porém, que não acontecia nada, já que poucos gritavam.

Fim de jogo. Pênaltis.  E eu desci mais a rampa como quem tenta afastar a zica pra mais longe do campo.

Vaias, silêncio.  Silêncio, gol!  Vaias, silêncio. Silêncio, gol!

Eu não conseguia contar. Eu sabia que nada de absurdo tinha acontecido a nosso favor, pois so ouvia o silêncio após as cobranças. Foi quando intimei Deus e o convenci.

“Olha aqui, Cara! Se você quiser que eu saia, eu saio! Vou até a rua.  Mas se eles ganharem eu vou pregar a ateísmo até o último dia da minha vida! Porra!”.

Falei! Não diria que “na cara” porque não sei se ele tava em cima, do lado, enfim.  Mas falei!

E 10 segundos depois, as vaias…. e a explosão!  “Erraram!”.

Mas e ai? Empatou? Diminuiu? Estamos na frente? Não sei! Corro pra dentro do estádio e encontro policiais (meio estranhos, diga-se. Eles estavam trabalhando e não vendo o jogo. Gente louca).  Perguntei: “Quanto tá?”.  Ele disse: “Se a gente fizer ganha”.

Eu tinha, portanto segundos para me afastar o máximo possível do gramado. E corri essa rampa até lá no fim. Agachei, fechei os olhos e…. “GOOOOOL!”.

Subi a rampa querendo ver, confirmar, abraçar os amigos.  Eu precisava ver pra acreditar. Mas tinha um detalhe: Aquele gol foi o exato momento em que algumas mil pessoas correram para fora do estádio. E só uma pessoa estava correndo de fora pra dentro.

Apanhei. Mas apanhei feito argentina em final.  Mas cheguei. Já mais calmos pelos minutos que levei até chegar ali, eles comemoravam a medalha com lágrimas nos olhos.  Lágrimas que também tinham nos meus, e que contestavam todos os analistas de alegria alheia o quanto valia aquele ouro.

Valeu demais.

E Deus, se liga… temos que conversar sobre novembro no Mineirão. Brasil x Argentina.

abs,
RicaPerrone

Tá escrito

“Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer”

Já diria um amigo meu, “tá escrito”.  E se não estiver, escreva!

Sofremos desproporcionalmente a decepção de dois empates como se fossem duas goleadas. Hoje, com uma goleada, é nosso dever cívico viver a euforia como se fosse um show de bola.

Não foi. Mas não precisava.

Eu nem queria ver esses caras jogando bem. Eu queria ver o Neymar sorrir, como pedi no último texto. E vi.

Queria ver alegria, chapéu, caneta, e teve.

Queria ir pras quartas de final, e vou. Tem gente que só ganha afago por aqui e não vai.

O ouro olímpico é um desejo que aumenta na medida em que não vem. Se tivesse vindo antes, convenhamos, sequer o listaríamos em nossa vasta coleção de títulos não roubados.

Mas pós Copa, em meio a crise, tudo que esse país viveu e está vivendo, a seleção representa muito mais que um time de futebol. E é por isso que estamos tão frustrados.  Nós esperamos de vocês, sempre, aquele motivo de alívio pra nossa alma verde-amarela.

A bola entrou. Faltam 3 jogos.

Volto a citar um amigo meu.

“Erga essa cabeça mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar”

abs,
RicaPerrone

O brasileiro e o “aborto de recém nascidos”

Aborto é um tema polêmico.  Eu particularmente sou a favor, já que não levo em consideração qualquer crença ou orientação religiosa para discussões práticas. Mas poderia ser contra, também teria meus argumentos.

O que acho que ninguém concordaria é com o “aborto de recém nascidos”.  Ou seja, a criança nasce, você desiste dela, e a mata.  Isso não faria sentido, seria estúpido, covarde, cruel. Ninguém concordaria.

O brasileiro é adepto deste aborto.

As Olimpíadas do Rio vivem hoje o que viveu a Copa em 2013/14. Passamos 10 anos de gestação assistindo para, no dia do parto, dizer que “não vai ter filho”.

Ora, seu covarde! Você teve todo esse tempo pra poder pensar em eliminar um feto. Ainda que uma vida, a favor ou contra, era discutível sua posição. Mas agora? No berço, enquanto chora, você acha que matá-lo ainda é um “aborto”?  Isso é assassinato. Além de burrice.

Torcer contra ou pra dar errado é de uma idiotice ímpar. Porque “quanto pior, melhor” é a mania nacional que menos funciona e mais se repete há séculos.  Tá aqui, vai ter, então que seja um sucesso.  Não há NENHUM beneficio em fracassarmos nas Olimpíadas.

Realengo não vai melhorar, Duque de Caxias não se tornará Orlando, a violência não acabará, o dinheiro das obras não vai voltar e ir pra hospitais e escolas. Portanto, caro rebelde de efeito retardado, agora não faz sentido.

O que você quer/sugere é bater num recém nascido. Você pode até matá-lo, mas não vai desfazer a gestação, o parto, a cicatriz, as dores, nem mesmo o quarto do bebê que está pronto.

“Ah não deveria ter tido!”. Ok, é um argumento.  Mas vai ter. Então, irmão, não seja o terrorista cretino que por uma crença pessoal destrói a vida alheia.  O turista que juntou dinheiro por anos não tem NADA a ver com os seus problemas internos. Você o convidou pra vir, e não faz o menor sentido fazer da visita dele uma tortura para dizer que mudou de idéia.

Agora recebe, serve o café, faz de boa família, tenha modos e, quando eles forem embora, a gente se fecha na porrada e resolve. Na frente de visita casal nenhum tem DR. E a idéia de que “mostrando ao mundo” que somos pobres vamos salvar o Brasil é de dar pena. Ou você acha que a ONU vai ver seu protesto, ligar pro Obama e chegar em Nova Iguaçu com uma grana pra ajudar?

Uma coisa não tem relação com outra. Se você não queria esse filho, usasse camisinha. Se furou, usa a do dia seguinte. Se com tudo isso ainda houver uma gravidez, lute pelo aborto. Mas tentar matar um recém nascido é de uma estupidez sem tamanho.

Agora cria. E cria direito.

abs,
RicaPerrone