rogerio

A “quase” tragédia

Não me diga que não pensou.  Todo saopaulino vivo olhou pro cronômetro da TV aos 35 do segundo tempo e pensou: “Puta que pariu, eles vão achar um gol no contra-ataque…”.

E não há nada de errado em pensar isso. Errado estava eu quando há uma semana ignorei o fato de ser uma Libertadores e falei em jogo resolvido, goleada, entre outros de quem vive disso e ainda não aprendeu que lógica e futebol não andam juntos.

Um São Paulo respeitador, quase um “mocinho” no baile. E ela ali, a vaga, louca pra se definir.

Uma hora ela olharia pro outro lado, e quase aconteceu. Sem firmeza, pouco decidido e cheio de medinho de botar a bola no chão e bailar sobre o timeco do Vallejo, o Tricolor conseguiu dar esperanças a quem não tinha.

Foram 2 jogos, 180 minutos, nenhum indício de futebol no Vallejo.

Não precisava de tanto “respeito”. Mas se teve, que assim seja quando de fato precisar. Quando o contra-ataque for mesmo um perigo e não apenas quando o medo de perder e virar piada for maior do que a vontade de golear um adversário insignificante.

Era “obrigação”, eu entendo o peso. Agora não é mais.

abs,
RicaPerrone

Entrevista Rogério Ceni 2006

Em 2006 nós tinhamos um site chamado Estação Tricolor.  Nós faziamos um programa de rádio online, um dos primeiros da época, e um dia entrevistamos o Ceni.

A rádio era formada por mim, pelo Daniel Canto e Marcelo Murro. Foi uma fase incrível da nossa vida e da minha carreira. Mas esse dia foi especial porque tinhamos 20 minutos pra falar com o Ceni.  Mas ele acabou falando 80 minutos conosco.

É antiga, mas eu considero a melhor entrevista que já vi o Ceni dar.

abs,
RicaPerrone

Como será o amanhã?

…Responda quem puder.
O que irá me acontecer?
O meu destino será como Deus quiser”

Vazio.

Assim ficarei as 23h desta sexta-feira 11, que por uma indelicadeza do calendário não é 13.

Eu sempre fui o centro das atenções. Mas por uma vida eterna sempre me quiseram derrotada e não defendida.  Nasci pra ser alvo, fui odiada sempre que não me atingiram.

Muita gente tentou me defender, mas embora eu já tivesse sentido o prazer de ser também protegida, nada se compara aos anos de glória que passei ao seu lado.

Você mudou meu valor. Disse ao mundo que quem ao meu lado fica não apenas evita como também realiza.  Dá pra ser protagonista perto de mim.

Mesmo tendo feito boa parte do seu incrível sucesso me deixando sozinha, eu entendia que era pra retornar mais forte.  Você nunca demorou a voltar.

Sabe, nós nos falamos pouco. Sou quieta, mas você me entende. E pelo olhar, quantas vezes nos agradecemos por um salvar o outro nessa longa jornada.

Achei que passaria esses anos todos ao lado de outro. Já estava apaixonada, flertando descaradamente com aquele negro de futuro promissor mas quis a vida que fosse você.

Ainda viúva de um casamento quem nem começou, te encontrei e demorei pra entender porque diabos eu deveria amar um parceiro que me usava para se promover.  Porque aquele que me defende ora ou outra me agredia?

De que lado você estava, afinal?

Demorei. Mas entendi que seu lugar nunca foi exatamente ao meu lado, nem a minha frente, menos ainda dentro de mim. Quem você realmente amava era aquele que esteve literalmente ao meu lado esse tempo todo e eu não percebi.

Talvez você tenha se aproximado de mim meramente pra ficar mais perto dele.  E mesmo na condição de uma “garota de recados” dessa relação, você me fez muito feliz.

Agora você já o tem todo pra você. E eu vou ficar aqui pra tentar encontrar um novo amor que, se não pode superá-lo, que ao menos me faça aguentar a dor de ter te perdido.

Vai com Deus, meu capitão! Obrigado por tudo.

“E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zoadiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz, sempre feliz”

Eu te amo,
Ass: A trave do Morumbi 

Futebol é uma benção

São raros os momentos em que cometemos erros em sequência e a vida nos dá uma segunda chance antes de pagarmos por esses erros.

O futebol é uma benção.

Este time do São Paulo é uma das coisas mais frígidas que vi, um dos mais sem alma e ambição que tive notícias e um dos que eu menos tive prazer de ver jogar.

É morno, lento, desinteressado.  É o oposto extremo do estereótipo de um campeão da Libertadores.

Mas as vezes a vida é teimosa.

Contra o San Lorenzo, quase foi.  Aconteceu um milagre.

Hoje, quase. Aconteceu outro.

Esse time morto e que causa profunda irritação aos tricolores até os 46 do segundo tempo teima em respirar quando todos já viram as costas pro corpo no chão.

É tão contestável, tão óbvio que vai acabar mal, que o roteiro começa a despertar uma desconfiança sobre o final trágico e infeliz.

O São Paulo parece não querer a Libertadores. E ela parece não abrir mão dele.

abs,
RicaPerrone