sao bernardo

Um Palmeiras mais leve

Pra mim só há uma forma de jogar futebol: sorrindo.  Qualquer tentativa de levar esse esporte como obrigação, mero dever profissional ou uma ciência exata é perda de tempo.

Times campeões sorriem enquanto jogam. Se divertem enquanto driblam e tem prazer em jogar bola.

O time do Marcelo era bastante pragmático, parecia jogar pelo mínimo necessário. E embora as vezes funcionasse, faltava alegria e tesão pelo gol.

Cuca não deu ainda um padrão, nem mesmo ajustou o Palmeiras ao nível que se espera dele a médio prazo. Mas fez o time gostar do jogo.  Não se omite mais, tenta algumas jogadas de efeito, sorri com facilidade após um grande lance e faz a torcida vir com ele.

Até pra ser “guerreiro” tem que se divertir com o que faz. Com aquela bola retomada na lateral, aquele pique que supera o adversário, ou até mesmo o carrinho duro que o derruba.  Quem tem tesão no que faz, sorri quando faz.

O Palmeiras não atropelou o São Bernardo. Não é zebra nem favorito contra o Santos, mas é um time completamente diferente do que vinha sendo na proposta, na personalidade e na vontade de jogar bola.

Jogador de futebol gosta de jogar bola. Quando um time cria menos do que destrói, o jogador não tem prazer em estar ali. O Palmeiras é protagonista e deve, perdendo ou ganhando, buscar o gol mais do que tentar evita-lo.

E Cuca concorda com isso. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

O que não falta é vergonha

Não na cara, mas em nossa história. Talvez não a quem faça, mas a quem assiste ou conta pra alguém.  O São Paulo “soberano” levou a brincadeira a sério, se tornou “soberbo”, ficou pra trás, hoje é um clube grande que não consegue suportar o próprio peso.

Escândalos administrativos, salários atrasados, falta de patrocinador e nem mesmo podendo usar seu próprio estádio, o São Paulo começa 2016 dez anos atrás do que começou 2006.

“Traga um gringo”, brada a imprensa brasileira como se a qualidade estivesse atrelada ao fato de não ser brasileiro. Taí, o gringo, a mesma porcaria de sempre, porque não ensinam mágica na Argentina.

Um time qualificado, com alguns bons jogadores acima da média, mas sem nenhum compromisso com nada.  Todos de barriga cheia, ou pouco preocupados em ir além.  Bruno, Carlinhos, Michel, o próprio Lugano, jogadores que não precisam de mais nada na carreira. Então misture isso aos garotos e teremos um time equilibrado.

Pânico, pressão, torcida organizada de merda que nem criar músicas de exaltação ao clube consegue, quanto mais fazer alguma diferença no estádio.

Um time perdido, um clube que não se reconhece mais.

Perdeu mais uma. Foda-se.  Tanto faz. A cara de “tanto faz” de alguns deles é de tirar qualquer um do sério.  Pouco importa o jogo, o resultado, a tabela.  Nada disso é mais importante do que ver o São Paulo em campo digno e atuando feito time grande que é.

abs,
RicaPerrone