seleção feminina

Pra imprensa e nada mais

Aqui vai uma crítica via futebol feminino mas que nada tem a ver com isso. É apenas gancho. Eu honestamente pouco me importo se a seleção feminina será treinada por Vadão, Mourinho ou Joãozinho. Me importo com um conceito dentro do esporte que precisa ser repensado.

O que é um campeonato entre seleções? Qual o sentido em juntar seleções e representando seus países disputar torneios?

Simples: Mostrar o que há de melhor naquele país e portanto até onde ele pode ir com o melhor que tem. A brincadeira é essa, só essa. Se a Nova Zelandia tem um futebol de merda, que tenha resultados de merda na seleção. É exatamente isso que se espera.

Se isso se tornar algo onde você compra de outro país profissionais de impacto no resultado você está camuflando a verdade e tentando estruturar um sistema do topo pra base, o que é meio idiota.

Se o futebol feminino no Brasil é uma porcaria, porque nós estamos eufóricos com a chance da seleção mostrar alto nível e omitir isso em campo através de uma treinadora?

A briga, no caso, é por uma melhora real e por consequência a seleção em melhor nível ou por um time que vença amanhã e cale a boca da imprensa?

Óbvio.

Mas não se apegue ao futebol apenas. Qualquer seleção de qualquer esporte ao colocar um estrangeiro tira o valor da idéia básica que é o confronto entre seleções e a “seleção dos melhores” de cada país.

Ah mas o futebol feminino no Brasil precisa de uma reformulação. Sim, e é com a técnica da nata do futebol feminino dando a quem já tem oportunidade, estrutura e condições uma metodologia inaplicável nas estruturas inferiores que você muda algo?

Não. Mas é ali que a imprensa presta atenção.

Se quisessem de fato melhorar teriam ido buscar a diretora de base de alguma liga americana. Mas ninguém ia ver, não daria mídia, portanto, não valeria de nada.

Sou contra. Do técnico da seleção de futebol feminino ao treinador brasileiro que comanda a seleção da Arábia.

Simplesmente porque a idéia não é essa. E se for pra ser quem pode pagar mais, que mantenham os clubes e acabem com as olímpiadas. Pois é só um negócio, não a representação de um país através de sua modalidade.

RicaPerrone

Matemática não lacra

Muitas  reclamam da diferença de salários no futebol entre homens e mulheres. Eu odeio ter que ser o “não lacrador” que diz isso, mas estão levantando uma bandeira absolutamente sem sentido.

Não é uma ONG. É um negócio. O futebol masculino gera 700 bilhões, distribui 700 bilhões. O feminino gera 50 milhões, distribui 50 milhões.

A culpa do interesse das pessoas ser maior não é de entidade alguma. Talvez, do jogo ser ruim. Mas dizer isso é um crime. Eu pago por ele, sem problemas. O futebol feminino paga mal porque o jogo é ruim, não gera interesse, portanto não gera rendas compatíveis com os salários do futebol masculino.

Embora seja lacrador ir reclamar e vitimizar a mulher na mídia, neste caso estamos falando de matemática, não de direitos.

O nado sincronizado masculino também não deve ganhar igual as mulheres. Tal qual modelos masculinos não ganham como a Gisele. Existem mercados e a libertação de um país melhor passa pela aceitação natural de competição dele.  Se vende mais, ganha-se mais. Se vende menos, ganha-se menos.

O caminho pro futebol feminino ganhar mais não é gritar, nem forçar um interesse midiático mentiroso num torneio. Menos ainda dar feriado pra parecer simpático politicamente as mulheres. É melhorar o jogo até que ele se torne interessante. Simplesmente isso.

Mais fácil usando a possível discriminação num discurso? Claro! Dá mídia.  Mas não é justo, nem real. Menos ainda possível. Matemática não lacra. Ela simplesmente segue a lógica.

Enquanto o futebol feminino for mal jogado o público não vai assistir. Especialmente esse bando de hipócrita que está usando a seleção pra lacrar em rede social e não assiste a um jogo de mulheres o ano todo. Faz 25 anos que existe Copa do Mundo feminina. Só agora descobriram ou só agora fizeram um movimento pra usa-la pra parecer engajada?

Ganha-se menos e vai ganhar por muito tempo, talvez pra sempre. Simplesmente porque o esporte tem muito do interesse no “limite físico”. E o limite físico do homem é maior por questões naturais.

Essa  briga não existe. É causa de influencer, não de mercado. E se duvidar, espere o mercado responder. Em 10 dias ninguém, nem quem anda brigando por ele, estará assistindo futebol feminino. Nem as emissoras que brigam por isso hoje estarão transmitindo.

E então a resposta estará lá, gritante: Não paga igual porque não gera receita igual.

Matemática. Sem machismo, causas nobres ou algo parecido. Apenas matemática. Meu patrocinio é mais barato que o do programa do Sportv. Ele fala pra 500 mil pessoas, eu pra 50 mil.  Simples assim.

RicaPerrone

O Maracanã tem alma

Times tem alma, torcidas tem alma. Porque imaginam que estádios não tenham?  O Maracanã foi palco de mais uma derrota dolorosa pro Brasil, e mais uma vez surgem as manchetes dos fantasmas.

Você sabia que na final de 1950 contra o Uruguai havia milhares de convidados que jamais foram a um jogo de futebol e, por isso, cometeram a indelicadeza e o absurdo de parabenizarem a seleção pelo título ANTES do jogo?

Sabia que muito do povão apaixonado por futebol ficou de fora daquela partida porque surgiram milhares de interessados na final com ingressos nas mãos e que isso, na época, gerou muito comentário?

Pois saiba.

Hoje, mais uma vez, como quase sempre acontece quando a seleção brasileira joga, turistas foram lá apoiar e ver a vitória das meninas.  Eu nunca terei nada contra pessoas novas no estádio, pelo contrário. Quero que cada dia mais gente vá até um estádio de futebol se converter ao óbvio.

Mas o Maracanã é um estádio de personalidade forte. Não gosta de festas onde os donos da casa não estejam ali. Gosta dos seus, é um sujeito “de raizes”.

Quando não tem povo, ele chora. E se você não notou, nunca chora sozinho. Faz todo mundo chorar.

É do povo que ele gosta. Lhe tiraram a geral, os anéis e o acesso popular. Não podem lhe tirar a alma.  O Maracanã rejeita plateias e as faz sofrer. Ele quer o povo, e lá o povo não pode mais estar.

abs,
RicaPerrone