serie a

Me abandonaste, “João de Deus”?

São 4 jogos chave. Goiás, CSA, Avaí e Ceará. Os 4 no Maracanã, 3 derrotas por 1×0 e um empate em 1×1.

Você pode imaginar que sejam números de um time que não consegue jogar futebol e por isso está flertando cada dia mais seriamente com a série B.  Mas tem coisas no futebol que são tão apaixonantes quanto inacreditáveis.

Hoje foram 26 chutes a gol. Talvez lhe pareça um acaso.

Nos jogos citados somam-se 97 finalizações, um gol. Eu vou repetir. Talvez não esteja claro o quão absurdo é esse número: 97.

Time que joga mal não finaliza muito, é quase regra de leitura. Os objetivos do jogo passam fundamentalmente por criar oportunidades de marcar gols e sofrer poucas contra si.

Ao mesmo tempo que finalizou 97 vezes, teve 29 contra. Ou seja, houve domínio, chances e poucas ameaças proporcionalmente às investidas.

Falamos de 11 pontos. Sem contar jogos contra grandes onde também merecia maior sorte. Contra meu SPFC, por exemplo.

É comum jogar bem e perder, tanto quanto jogar mal e ganhar. Incomum é repetir esse resultado diversas vezes.

Não é treinador, nem falta de qualidade. Ali já virou confiança. Se preferir, até “macumba”. Poucas vezes eu vi um time repetir tantas jogadas próximas do gol adversário e não conseguir colocar no gol.  Talvez eu nunca tenha visto.

Só tem uma coisa pela frente pior pro Fluminense do que os gols perdidos: a tabela.  O que hoje é um drama deve piorar. Vem aí Palmeiras e Fortaleza fora. Corinthians, Santos e Internacional.

E eu nem sei o que sugerir. O técnico já mudou. A diretoria também. E agora?

RicaPerrone

Eu escolho vocês

Desde o começo do ano eu tenho dificultado para entrar lá, sido mais fácil de entrar cá.  É minha forma de protesto.

Eu não gosto de clube que judia de sua gente. Eu não gosto de diretorias que amam mais o poder do que o futebol. Eu não suporto ver quem eu consagrei ser destruído por gente mesquinha e disposta a tudo pelo ego.

Eu pensei em te derrubar, não vou negar.

Foi aos 49 contra o Grêmio, aos 50 contra o Inter, eu estava em tanta dúvida que deixava pro final a decisão de entrar ou não. Era duro escolher entre vocês, vascaínos, e eles, dirigentes.

Como clube, merecia. Como Vasco, nunca.

Contra o São Paulo vocês me convenceram. Mostrar que fraude é pra ser limpada e não jogada pra debaixo do tapete era função de outra área, não minha. Eu estava querendo fazer justiça e acabaria atingindo os maiores e mais dignos interessados: vocês, torcedores.

O Vasco não se dá ao respeito e por isso passa pelo momento que passa. Mas vocês o dão o devido respeito, e por isso ele não deixa de ser grande.

Eu não entrei hoje por vocês. Mas até a minha paciência tem limites. E por mais que vocês achem que desde o Diego Souza eu sempre escolho te prejudicar, na verdade eu só queria premiar um Vasco que merece, não um que se arrasta.

O foda é que vocês merecem. Eles não. Mas entre você que será Vasco pela vida toda e eles, que ficarão no poder um período, escolhi vocês.

Até 2019.

Ass: a bola

Fique, mas fique grande

O Fluminense conseguiu se segurar pelas mãos de Julio César na série A do Brasileirão. Quando o jogo estava 0x0 fez uma defesa absurda e pegou um pênalti. É o herói da permanência.

Os vilões da possível queda você sabe bem quem seriam. Mas não é porque o Julio foi espetacular que os responsáveis deixam de ser “vilões”.

Que fique o Fluminense, que fez esforço pra cair e não conseguiu. Mas que fique pelos jogadores que correram e tentaram mesmo com meses sem receber. Que fique pela torcida que foi lá acreditar até mesmo depois do soco no estômago que levou na quarta.

E que fique grande. Porque se repetir a receita mediocre de quem se olha como um nanico a tendência é seguir brigando como pequeno. Pra muita gente é preciso explicar que um time grande não se faz do faturamento, pra garotada é preciso explicar até o que é futebol, imagine como se separa grandes de pequenos.

Mas pra diretoria do próprio clube?

Não, meus caros “sócios”. O Fluminense não economizou um real vendendo o Fred. Perdeu muito dinheiro e tamanho. Você não salva um grande o apequenando, mas sim planejando e sendo pontual nas decisões que mantém acesa a chama dentro do torcedor.

Tem que ter ídolo, referência, peso, respeito. Você ficou sem nenhum deles e terminou o ano devendo do mesmo jeito. O Cruzeiro apostou na camisa, contratou, meteu um caneco no bolso e sai do ano maior do que era em janeiro.

Futebol não se faz com calculadora. O Fluminense é muito maior do que o próprio clube acredita ser.  É hoje uma espécie de Flamengo as avessas.

Se vocês só conseguem carregar X, não tentem diminuir o peso pra conseguir levar. Troque quem o carrega.

RicaPerrone

Planejada do Vasco

O fato de ser difícil não torna nada impossível. O Vasco segue firme na luta para evitar a queda e a Planejada que fiz na virada do turno ainda mostra um resultado bem positivo.

Por ela, o Vasco fez 94% dos pontos que deveria para escapar já considerando o cenário até a derrota pro Figueirense.

Agora, conforme a planejada, vem as decisões. Em casa, vencer ou vencer. E nesse bolo tem Grêmio e Corinthians.  Fora de casa, só perder ponto pro Palmeiras. E ganhar os 2 confrontos diretos.

Dificil? Sem dúvida. Impossível, jamais.

abs,
RicaPerrone

Recado dado; missão cumprida

De todos os grandes que “conquistaram” a volta a série A, não me lembro de uma reação tão inteligente quanto a da torcida do Vasco neste sábado.

Claro que haveria aplausos com 3×0. Não sou tolo de achar que foram lá com essa intenção. Mas não tendo motivos, podendo escolher, optaram pelas vaias de alívio e não os aplausos pelo mínimo necessário.

O Vasco não conquistou nada. Fez a sua obrigação e de forma burocrática, mal feita, nas coxas.  Vascaínos tem muito mais noção do tamanho do clube que torcem do que o time e a diretoria. Por isso os lembraram aos berros, já na série A, que não achavam aquilo suficiente.

Encheram um Maracanã e fizeram todo barulho de um time de série A que disputa título. Mas com o passar do tempo os fatos foram sobrepondo a paixão e o Icasa quase virou a partida.

Assisti ao jogo do lado do Eurico Miranda, que me disse: “Eu não queria voltar. Mas precisou”.

E o curioso é que por mais que eu deteste a idéia dele estar lá novamente, o conceito de “precisar” não é infiel aos fatos.  Como os quase 60 mil que lá estavam, o sentimento é de resgate, não de festa.

E é importante que seja.

Missão cumprida. O fórmula 1 está no podium numa corrida de Stock Car.  É o mínimo do mínimo, mas é o que precisava.

Ao menos o vascaíno conseguiu conter a paixão e dizer pra esse time que o considera “sem vergonha”. E pelos nomes que tem e os resultados que tiveram, sim, eles tem razão.

abs,
RicaPerrone

 

O circo da Lusa

Sabemos há muito tempo que o futebol brasileiro é um circo fora de campo. Conhecemos alguns dos artistas, os leões, os vendedores de ingressos e quase sempre nos sentimos os palhaços.

Mas para a sorte de alguns, nosso país tem uma seqüela incurável de sua raiz como colônia e, até hoje, não aceita muito bem o vencedor.

Aqui, basta ser fraco ou estar morto pra ser exaltado. Enorme, vencedor e forte para ser pixado.

No caso da Lusa no Brasileirão, nada melhor do que ser Lusa.  Qualquer outro clube, fizesse metade do circo que a Portuguesa está fazendo, seria cobrado e não vitimizado.

Afinal, a Portuguesa pode ser qualquer coisa nessa história. Menos “coitadinha”. Pra quem duvidou no começo, o passar dos meses e as inúmeras mudanças de opinião do clube parecem não deixar muita dúvida que há um erro que ela não quer assumir pro seu torcedor.

Politica a parte, o que a Lusa está tentando fazer é fingir que não aceita e, quando nota que gritou alto demais, recua e diz que “entende”. Pra torcida, não para os fatos.  Diante deles, ela tem tirado o pé sempre que surge uma dividida.

Não tenho muita dúvida que a Portuguesa está pagando merecidamente por um erro interno grosseiro. Ou, conforme sugeriu o Ministério Público, uma possível corrupção dentro do clube.

Seja lá qual for a verdade, nenhuma delas isenta a Lusa. Só que ela dá margem pra manchetar polêmica sobre Fluminense e Flamengo, possíveis interessados em seu “erro”.  É muito mais negócio manter dois grandes sob suspeita do que matar o caso pisoteando um pequeno.

As atitudes da Portuguesa são tão incoerentes e sem critério que nos faz perder a linha do que era para ser apurado. Afinal, se alguém errou, é tão difícil assim o clube saber quem foi e afasta-lo?  Se sente-se lesada, porque foge da justiça depois de prometer as últimas conseqüências?

Porque a FIFA não quer? Medo da CBF? Então porque ameaça fazer? Pra enganar seu torcedor que acredita ser vítima de uma conspiração internacional que prejudica seu clube ?

Tá fácil ser Lusa. A mais incoerente da história toda e a menos cobrada. Afinal, vendemos muito mais com Fla e Flu sob suspeita do que uma crise interna numa Portuguesa.

abs,
RicaPerrone