sociedade

“Ódio do bem”


Imagine um cachorro latindo descontroladamente e fazendo xixi no lugar errado. O dono, humano, vai até ele, late de volta e urina em sua caminha para “educa-lo”.

Não faz o menor sentido, faz?

Pois então.

A reação ao machismo com frases liberadas como “morte ao penis”, “macho escroto”, “odeio macho”, entre outras é exatamente uma mulher incomodada com um problema, sentindo-se superior ao outro lado, agindo de forma tão idiota quanto ou pior.

Um negro que reclama do racismo e o reverte é a mesma coisa. Se capaz de detecta-lo, condena-lo e disposto a impedi-lo, porque cometeria o mesmo erro?

Trata-se de educação, justiça ou vingança?

Faz dias que estou notando na web uma autorização bizarra para que feministas radicais usem esses termos e simplesmente preguem o ódio contra o homem sob o argumento do “machismo”. Mas ué?! Resolve-se uma cultura equivocada com uma outra em tese evoluída incapaz de agir diferente?

O que o negro vai conseguir pregando ódio ao branco? O que uma mulher vai conseguir agredindo o homem?

Em tese esse lado, o atingido, é o que busca tolerância, educação e evolução. Se ele regride ao ponto de entender o erro e comete-lo igualmente estamos diante de dois cachorros latindo um pro outro e não de um educador o corrigindo.

Diria mais. Um homofóbico de 60 anos tem justificativas culturais para cometer esse erro. Um jovem gay de 20 não tem nenhum para retribuir o ódio. O jovem é capaz de entender o contexto histórico que o levou àquilo. O idoso terá bem mais dificuldade de entender o contrário. Isso sim é tolerância.

Há um ódio autorizado, portanto? Seria o ódio por ordem de chegada?

Que diabos estamos fazendo encurralando lados em discursos semelhantes em busca de uma igualdade? Qual será a igualdade? A de todos poderem agredir a todos ou de ninguém agredir ninguém?

Saudades do meu cachorro. Ele aprendia mais rápido que nós.

RicaPerrone

Andando ou empurrados para trás?

DF - SENADO/BOLSONARO - POLÍTICA - O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) é visto no plenário do Senado, em Brasília (DF), nesta terça-feira. 11/02/2014 - Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O facebook nos explica a eleição do Trump, o fenomeno Bolsonaro, a entrada facil do Doria, a ridicula votação do Freixo e a queda do PT.

Basta 10 minutos na rede social e você nota que quem destrói a esquerda é a “burrice” dela mesma. Eles se acham deuses, os intelectuais, os informados, os fodas. Quem não pensa como eles é ignorante, machista, etc.

Gera raiva. Porque entre o discurso e o que de fato o ser humano é ha um abismo chamado hipocrisia.

Trump e Bolsonaro não são salvadores de nada. Ninguém, nem quem votou neles, adora eles. São um tapa na cara de Jean Willys, Freixo, Psol, essa turma “meio maluca” que quer fazer de um sistema que JAMAIS funcionou a solução pro mundo e nos obrigar a acreditar nisso.

Essa turma delirante que acredita num livro de Harry Potter e acha que o mundo vai sentar em circulo e conversar pra ser melhor; que procuram medidas fofas pra sociedade sem entender que quem manda é dinheiro e ou encontra-se uma solução através dele pra diminuir a desigualdade, ou vao passar a vida pagando mico e de intelectual derrotado no facebook.

Vocês sao o cancer de voces mesmos.

A possibilidade de considerar votar num candidato de vocês morre com o radicalismo, o ar superior intelectual e a raiva que vocês geram das suas idéias e dos seus salvadores da pátria.

Continuem! A tal “direita” nunca vai ganhar nada. Mas vocês perdem como ninguém. Bolsonaro vem ai. E não porque é solução. Mas porque é CONTRA voces.

Não há um mundo de “direita” contra os seres evoluidos. Há uma vontade de mandar vocês pararem de encher o saco. E isso está sendo feito (errado ou não) votando em quem vocês não suportam.

Tem uma lição nessa história toda. Podemos perceber o que isso quer dizer e tentar melhorar, ou ignorar e continuar cuspindo um de cada lado achando que vamos encontrar algo bom pra todos…

Não se trata de política. Trata-se da forma de “reeducar” o mundo. Uns acham que invadindo e quebrando resolve, outros que evoluindo e explicando.

Toda vez que um negro agride um branco para pedir o fim do racismo, ele não fez do branco uma pessoa melhor e mais tolerante. Fez do cara um monstro oprimido que continua odiando o negro, só que agora tem vergonha de falar.

Adianta? É isso que chamamos de evolução?

É causando MEDO em homofobico que vamos incluir os gays? Ou refazendo a cultura que os exclui?

Eu não apoio Trump, não apoio Bolsonaro. Mas eu sou o típico cara que votaria nos dois só pra ir contra um Jean Willys. E pelo jeito so que me diferencia da maioria é que estou dizendo isso abertamente…

Sim, eu sei: “Volta a falar só de futebol, Rica!”. Afinal, se não te agrada, não presta. Mas eu não estou falando de política. Estou falando de gente. De comportamento. De ação e reação.

Porque de política, como 99% de vocês, eu não entendo nada.

abs,
RicaPerrone

Hipocrisia

HIPOCRISIAO “viado” ofende. O “bola” não.

Com nordestinos não pode. Com gaúchos, tudo bem.

Com “aborto” não se brinca. Com bêbado sim, afinal, cirrose não mata.

Aids é coisa séria. Mas piada com leproso, tá liberado.

Pessoas públicas que não se manifestam são covardes. As que se manifestam deviam saber que são pessoas públicas e não se manifestar.

Você não aceita opinião contrária quando rebate minha crítica. Logo, aceitar críticas na verdade é “ignorá-las”.

O BBB é uma merda. Mas o Cake Boss é do caralho. Afinal, acrescenta uma cultura ímpar na sua vida.

Luto pela democracia, desde que sua opinião seja igual a minha. Não sendo, acho um absurdo que você a diga.

Cada um deve fazer o que quiser com seu corpo! Desde que não seja meu filho.

Acho vergonhosa a falta de segurança no país, mas compro maconha de traficante pra me divertir com os amigos.

Se meu time é prejudicado, o adversário me roubou! Quando meu time é favorecido, o juiz que errou.

A camisa 100% negro não é racista. Uma que se diga 100% branco seria crime.

Ter dinheiro e não passar dificuldade é o sonho de todo cidadão. Mas se você realiza-lo não sabe o que é o mundo real. Coxinha!

Posto a vida no facebook, mas odeio que se metam na minha vida.

“Tem branco no samba” é piada. O contrário é racismo.

São Paulo pode ser uma cidade “feia pra caralho”. Manaus, não. É preconceito.

Deus limitou a inteligência. Não fez o mesmo com a burrice.

abs,
RicaPerrone

A terceirização do caráter

bxp137715h

Uma vez meu avô me disse que “ser homem é saber dizer não”. Eu demorei um tanto pra entender o que ele queria dizer, mas acho que aprendi.

Claro que sua intenção era que eu soubesse que é muito mais “firme” aquele que recusa a maconha na escola do que o que faz o que todos fazem. Mas seu conselho ia além, mesmo que involuntariamente.

Hoje mais um jogador de futebol foi alvo de racismo. Um imbecil qualquer gritou, em meio a milhares: “Macaco!”. Pronto, tornou-se um anônimo terceirizando crime.

Quem paga? O clube. O estádio. A torcida. A história. Mas ele, não.

É como quando um jovem mata 10 pessoas num shopping e a culpa é do video game, não mais dele e de seus pais, que eventualmente não notaram o serial killer que criavam em cativeiro.

Ou quando inventaram as justificativas psicológicas para todo e qualquer fracasso humano. Ser um imbecil era motivo de punição, hoje é motivo de estudo. Mais importa o que o levou a fazer merda do que mandar que ele limpe.

Torcidas respondem por marginais. Partidos por políticos ladrões, clubes por torcedores, empresas por funcionários e seguimos escondendo nosso caráter atrás de algo maior.

Ninguém é responsável por nada. É a era dos poréns.

Ele matou, “porém”… a culpa é do preconceito, do racismo, da sociedade, da polícia, da mãe dele, do tio, do amigo que fez bullyng na terceira série, do pai ausente e, por fim, também dele.

“É a influência da mídia”. “Os games violentos”. Como se todas as crianças do mundo estivessem atirando passarinhos em porcos verdes entre tábuas.

Nos eventos de grande porte pessoas bebem além da conta e as vezes cometem erros. Culpa da bebida. Então, a proibimos.

Como algumas pessoas não conseguem controlar o impulso de jogar até ir a falência, proibimos o jogo.

Num cenário moderno um tiro é culpa da arma, não de quem apertou o gatilho. Afinal, sem a arma, ele jamais atiraria. Mas e sem o autor? Ela seria disparada?

Somos tratados como imbecis, e assim nos acostumamos.

Se eventualmente você achar que escrevo um monte de absurdos neste blog, me ofenda numa rede social qualquer. Não é você que é estúpido e mal educado.

A culpa é da internet.

abs,
RicaPerrone