técnico

Aguirre: tanto faz


Não há suspiros entre os tricolores. Aguirre não causa revolta, não gera problemas, muito menos cria expectativas. Não é nem de longe o que a torcida queria, nem passa perto de ser alguém que ela odiaria ver ali.

Tanto faz. É mais uma tentativa de buscar algo novo onde não há novidade.

O Aguirre fez um trabalho no Inter que considero “ok”.  Pra mim o responsável pela eliminação naquela Libertadores, inclusive, foi ele. No Atlético foi um horror. Mas é gringo, e ao contrário da vitimização da semana do Romero, ser gringo no Brasil é um puta elogio.

Pode ter evoluido? Deve. A vida evolui todo mundo. Ou quase todo mundo.

O Tite chegou ao Corinthians em 2010 cheio de dúvidas. Taí.

Vai que…

Mas não. Eu não gosto muito do trabalho dele, não.   Pra mim tinha umas 10 opções melhores sendo umas 3 ou 4 delas arriscar em algo de fato “novo”.  Como o Jardine, porque não?

O que tem de novo nessa escolha é que trata-se da primeira grande decisão do trio Raí, Ricardo Rocha e Lugano.  O resto eles herdaram mais do que escolheram.

Se tem um na reta com essa escolha não é o do Aguirre. Mas sim de Ricardo, Raí e Lugano.

Que saiam todos ilesos. Amém.

abs,
RicaPerrone

Nada agradará o Corinthians hoje

Pode tentar, inventar, sugerir. Ninguém hoje preencherá o vazio no cargo de treinador do Corinthians e quem sentar ali sabe que, no máximo, estará “dando pro gasto”.

Porque? Porque não tem outro Tite hoje no Brasil. E não tendo, não adianta procurar.  O Corinthians acaba de sair de uma relação com a Cléo Pires. Pode dar qualquer atriz de malhação pra ele que não vai substituir.

Venha quem vier, é um “pós Cléo”.  É desfilar depois do Paulo Barros, é ser companheiro de equipe do Schumacher, ou a irmã da Gisele Bunchen.  Fodeu!

Quanto mais antigo, pior. E por isso Oswaldo não deu certo. Ele não representa e sequer sugere o novo, e portanto logo é rejeitado. Qualquer escolha que não seja alguém que causa ao menos a sensação de um “novo Tite” ao torcedor, já começa demitido.

Marcello Oliveira? Meu deus! É trocar a Cléo pela Dilma.

Vamos pra um meio termo. Talvez não haja duas Cléos, mas com certeza tem opções próximas a ela, basta olhar onde pouca gente olha: Lá na base onde se estuda e não se vive de só de status.

abs,
RicaPerrone

A blindagem da superação

Você nunca vai ver um comentarista contestar o desempenho de um atleta paralímpico.  Porque? Simplesmente porque pessoas que são exemplos de superação não merecem ser avaliadas.  Funciona assim.

Ninguém cobra de um nadador sem um braço que ele melhore ou piore seu tempo. O fato dele estar ali é absolutamente maior do que isso.  E o mesmo cenário se aplica algumas pessoas no esporte. Ricardo Gomes, que é uma pessoa incrível, exemplo de superação e amor ao futebol, atingiu esse patamar.

As contestações ao seu trabalho como treinador são previamente intimidadas pelo fato dele ter tido dois AVCs e ser um exemplo de cara guerreiro que faz questão de estar onde está.  Como você desmerece o trabalho desse cara?

É difícil. Mas eu parto sempre do princípio que se eu estivesse do outro lado ia gostar do reconhecimento e odiar a “pena”.  Eu avalio aqui o Ricardo treinador, antes e depois do AVC.  Aliás, minha idéia sobre o trabalho dele pouco mudou.

Acho comum.  Fez alguns bons trabalhos, outros horríveis, mas a média é baixa. Nada credencia Ricardo a blindagem que tem tido hoje de criticas.  Seu trabalho no São Paulo é ruim, e o que o Botafogo fez após sua saída também deixa duvidas.

Eu não serei o “médico” a julgar se é possível ou não trabalhar após os 2 avcs. Se os médicos dizem que sim, então segue o jogo e vamos ao que podemos de fato avaliar: o trabalho.

Ricardo não é culpado pelo São Paulo estar onde está. Mas passa longe de ser a solução pra isso. E é preciso ser dito.

abs,
RicaPerrone

Dunga, o prato cheio

É foda falar da volta de Dunga.  Não pela contratação em si, ainda nem confirmada, mas pela circunstancia bizarra em que acontece.  Na verdade tudo foi colocado de forma tão precipitada após o 7×1 que qualquer decisão que não fosse Leonardo e Caetano na diretoria e Tite ou Guardiola como treinador seria tomada como “errada”.

Dunga mexe em 3 lados de uma mesma história, mas que precisam ser muito bem separados.

O futebol brasileiro –  A seleção, no máximo, reflete alguma coisa do futebol brasileiro. Nunca foi termômetro de merda nenhuma pois ela só tem como ser a consequência de qualquer problema e não a causa. Não será um cara treinando um time de jogadores que atuam na Europa uma vez a cada 2 meses num treino escroto de 20 minutos que fará alguma diferença nos conceitos básicos do futebol brasileiro.

Se você realmente está preocupado com o nosso futebol e entende que precisamos mudar, entenda também por onde. Não é pela ponta do iceberg. A seleção é a mais tosca forma de avaliar este resultado já que os jogadores que lá estão não fazem parte do ‘futebol brasileiro’.

Portanto, com Dunga, Mourinho, Guardiola ou Joel Santana, nada disso teria qualquer impacto no futebol praticado no Brasil. E portanto, não seria nada além de um time europeu treinado de vez em nunca pra ganhar amistosos.

O treinador – Dunga merece?  Não. Não tem feito nada pra isso.  A vez era de Tite ou Cuca.  Mas Dunga fez um trabalho ruim na seleção?  Não. Nem mesmo o Alex Escobar pode dizer isso.

Ele venceu todas as competições que participou, goleou a Argentina 2 vezes, arrebentou nas eliminatórias e na Copa perdemos pra Holanda por meio tempo ruim e por falhas individuais que “acontecem”. Isso numa geração anterior a esta que era tão fraca ou pior do que essa.

Seu trabalho na seleção foi muito bom.  Mas ele não sabe lidar com a mídia.

A escolha –  A decisão de quem será o treinador não tem relação com o que eu ou você achamos do Dunga como pessoa.  Mas é óbvio que para o bom andamento da coisa é também importante que seja um cara que consiga dialogar com a mídia, se é que alguém no mundo ainda consegue ter uma relação não animalesca com a imprensa sendo técnico da seleção brasileira e carregando no ombro birras da mídia com a CBF transferidas pro campo de jogo.

Mas tendo que ser assim, Dunga não é o cara. Não porque brigou com o Escobar, mas porque não tem paciência, tem muita magoa da mídia desde 1990 e não é o tipo do cara que vai permitir festinha no treinamento. Sabe aquelas que toda emissora usa, entra ao vivo e quando perde diz que não concorda? Então. Essa aí.

O técnico da seleção não tem absolutamente NADA a ver com a renovação do futebol brasileiro. Isso diz respeito a base, dirigentes, clubes, diretorias e mentalidade. A parte tática é o último dos nossos problemas, ainda que seja um deles.

A conclusão?

Que Dunga pode até ser o cara certo mas na hora errada. Que é um cara que não devia ser escolhido pelo momento e não pelo que foi feito quando lá esteve.  A idéia de colocar alguém que confronte brutalmente a mídia num momento desses é uma estratégia de marketing estúpida justamente na hora em que, mesmo perdendo como perdeu, o povo se reaproximou da seleção.

É um anúncio infeliz. Que eu não faria. Mas que não faria pela situação, não pelo trabalho que Dunga entregou até 2010.

E se for confirmado na terça, desejo sorte. A ele, a quem for fazer dos próximos 4 anos um inferno a cada amistoso e aos idiotas que farão disso motivo pra torcer mais ou menos pela nossa seleção.

O que tem de bom nisso tudo?

O fundo do poço é o exato momento em que você coloca os pés no chão. E é dali que você dá impulso pra subir de volta. Talvez estejamos colocando o pé e sentindo o fundo do poço.

Talvez.

Abs,
RicaPerrone