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O dia de Victor

Victor Leandro Bagy, ou, Victor. Hoje, 30 de maio, comemora-se o dia de Victor.  Nesta data, há 4 anos, ele jogava seu pé esquerdo contra a bola para fazer o maior milagre da história de Minas Gerais. Talvez um dos maiores da história da América do Sul, porque não?

Entre o sofrimento, a fé e a frustração de uma multidão, Victor não se revoltou quando o arbitro apontou para a marca do pênalti. Ele saiu andando em outra direção, calmamente, com a bola nas mãos.  De longe parecia não acreditar, mas hoje sabemos que era só uma ansiedade natural para seu processo de canonização.

O processo é simples, requer o milagre e a morte. Victor não está canonizado apenas pelo segundo item.  Em algumas décadas será “São Victor”.

Naquele dia eu vi torcedores de diversos outros clubes do pais comemorarem uma defesa que nada lhes dizia a respeito. Vi em minha própria casa gente que nem sabia que ia ter jogo pular do sofá quando o milagre aconteceu.

Eu chorei. E nem sei bem se por emoção, alegria, dó daquela gente que se frustrava de novo, ou pela glória que é trabalhar com isso. Mas Victor foi protagonista de um dos momentos mais religiosos da minha vida.

Hoje é 30 de maio.

Dia do futebol. Dia da explicação do porque somos loucos por ele. Dia do Galo. Dia de Victor.

abs,
RicaPerrone

Partiu Riascos…

Eu tenho uma certa paixão por lances que decidem títulos e não são necessariamente gols. Óbvio, portanto, que a defesa do Victor no pênalti do Tijuana é uma das coisas mais sensacionais que vi no futebol.

Me lembro bem. Estava na sala de casa, assistindo ao jogo já meio levantando pra escrever sobre a classificação do Galo. O árbitro marca pênalti e eu pulo do sofá acompanhado de um sonoro “Puta que pariu!”.

Minha mulher corre na sala pra ver o que houve e eu estou com as mãos na cabeça de boca aberta olhando pra tv.  “Penalti pros caras. O Galo vai ser eliminado….”, digo a ela.

Ela olha o relógio na tv e ele indica 46 e alguma coisa.  “Inacreditável!”, ela diz. E se senta no sofá pra ver o desfecho trágico de uma campanha até então empolgante.

Me lembro que não havia envolvimento naquele cenário. Ela, saopaulina, nem via o jogo. E eu apenas chateado de ver um time brasileiro sendo eliminado, além dos bons amigos atleticanos que viviam intensamente aquela Libertadores.

Os dois minutos entre a marcação do fim para o renascimento do Galo são intermináveis.  Mas se pra mim, que nada tinha com isso, era tenso e angustiante, não consigo imaginar o que foi aquele apito para um atleticano.

Quando Victor pegou eu e minha esposa nos abraçamos na sala e gritamos. Foi ridículo, interessante, justo.  Em 2 minutos ela estava absolutamente envolvida com o jogo e eu me lembro apenas de ter profetizado:

“O Galo será campeão da Libertadores! Não é possível que isso tenha acontecido em vão.”

Pois bem.  Neste sábado fui convidado pela ótima Cariogalo a ver este curta metragem chamado “Quando se sonha tão grande a realidade aprende”, de Lobo Mauro, vencedor do Oscar de curtas esportivos.

Assisti também ao não menos emocionante “O dia do Galo”, que mostra diversos personagens no dia da decisão, que também é épica, aos 40 do segundo tempo e com pênaltis no final.

Mas esse, do Tijuana, não sei se pelo texto, pela simplicidade ou se pela falta de imagens do jogo, mexeu demais comigo.  Foram 15 minutos de muita emoção, entendendo o que sentia o atleticano naqueles intermináveis minutos entre o apito e os pés de São Victor.

Recomendo a todos que puderem ver, que vejam. Atleticanos ou não, o futebol merece um registro daquele lance.

E agradeço aqui ao pessoal da Cariogalo, que é uma turma incrível de atleticanos no Rio, pelo convite, recepção, pela parceria e pelo evento foda realizado em Copacabana. São por pessoas como eles que eu já cansei mas ainda não parei de fazer o que faço.

abs,
RicaPerrone