toluca

Entendendo Bauza

É um São Paulo estranho, sem dúvida.  Capaz de golear e ser goleado. De jogar como se não houvesse amanhã e como se não tivesse nem aí pra nada.  Capaz de ser campeão? Talvez.  De ser eliminado num vexame épico? Idem.

Bauza tem em seu histórico de Libertadores classificações na bacia das almas e uma constante: ganha em casa, sofre fora. Regulamento na mão, postura de time pequeno. Importa o resultado.

Eu não concordo com isso nunca, o que não quer dizer que não funcione. É um Muricy bom de mata-mata.  Mas a grande diferença entre LDU, San Lorenzo e São Paulo é que pela primeira vez ele não vai surpreender ninguém.

Aqui, ele dirige o time protagonista, não a surpresa. Aqui, ele tem que ganhar. Aqui, o favorito é ele.  Não que LDU e San Lorenzo sejam pequenos, mas jamais foram favoritos  de véspera e sequer cotados as Libertadores que ganharam.

Não dá pra ignorar o show de bola do Morumbi, nem a piaba do Audax e o jogo sonolento desta noite.  O São Paulo é bipolar e isso não é exatamente um defeito no mata-mata, desde que o lado brigador e bom de bola apareça numa proporção maior que o sonolento.

Mata-mata é isso. Você tem que ser suficiente melhor num dos jogos para não ser tão bom no outro. E Bauza arma o time pra isso: pra ter o resultado.

Repito: Essa mentalidade foi o maior problema do futebol brasileiro desde 1986. Colocamos o resultado acima do bem e do mal, não avaliando nada além disso. Não gosto.

O que não quer dizer que não funcione.

abs,
RicaPerrone

Tchau!

Foi-se! Não tem o que fazer nem na altitude do Everest. O massacre visto hoje no Morumbi é digno dos maiores bailes já registrados em partidas oficiais na história do clube e da competição.

Em 45 minutos havia 20 chutes a gol contra nenhum do adversário. E 2×0 no placar.  Era 75% de posse de bola, números Barcelonisticos contra um Tolouca Getafeante.

Ganso, descaracterizado pela roupa de jogo enquanto deveria estar de terno e gravata, lembrou o menino que em 2010 achamos que seria melhor que Neymar.

Os renegados Michel, Thiago e Centurion resolveram a parada e fizeram as pazes com a torcida. O goleiro que não inspirava confiança não jogou, e o provável titular no restante do ano pegou a vaga sem esforço.

O Morumbi viveu mais uma noite perfeita de Libertadores que só o saopaulino consegue entender. Tudo funciona. É inexplicável, mas eu diria que se o mesmo jogo fosse domingo a tarde por outro torneio seria um duríssimo 2×1.  Mas na Libertadores, num meio de semana a noite, o Morumbi brilha sem refletor.  É dia.

Dia de São Paulo. Aliás, poderia ser decretado que todo domingo é dia de futebol, todo sábado dia de missa, toda quarta, feijoada. Mas toda noite de quarta ou quinta-feira no primeiro semestre é dia de São Paulo.

A diferença entre as primeiras 5 rodadas e as últimas 2 partidas é simples:  Agora é pra valer.

abs,
RicaPerrone