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Alguém vai ter que fazer

Eu não sei se é claro pra vocês quanto é pra mim que o futebol brasileiro começa a pedir união, profissionalismo e liberdade.  Sei que o que CAP e Coxa fizeram ontem foi um passo importante, mas que não me convence pela estrutura.

Explico.

Coxa e CAP são rivais. E a Federação, a tv, seja lá mais quem for, sabe que em algum momento seus dirigentes vão soltar as mãos e rachar. Simplesmente porque os dois lados tem torcedores apaixonados comandando seus clubes, não gestores isentos de paixão.

A Liga prova isso quando em 86 foi criada em 2007 renegada por um de seus criadores (meu time) pela taça escrota de bolinhas. E em 2015 mais uma vez, quando o Flamengo fez tudo que fez pela Primera Liga e entrou com time reserva na semifinal dela pra priorizar o estadual.

Ou seja, todos tem um indício de revolução, mas esbarram no clubismo.  Ontem eles foram “fortes” e não jogaram. Mas se amanhã a tv der 200 pro CAP e 180 pro Coxa, o CAP deixa de jogar por achar que os dois merecem o mesmo? Sabemos que não. E sabendo disso a TV e as federações deitam e rolam nas nossas costas.

A única saída possível é a venda dos clubes. Simplesmente porque onde se privatiza algo o dono zela pelo NEGÓCIO dele e não pela vontade de ser campeão apenas.  Não há profissionalismo com paixão acima da razão. E estatutariamente o futebol brasileiro impede o profissionalismo.

Quem tinha que fazer o que Coxa e Cap fizeram ontem era Flamengo, Corinthians, Galo… os que ganham muito mais. Os que “podem”  dizer “foda-se” e bancar isso. Óbvio que CAP e Coxa não podem e nem tem mídia pra segurar isso muito tempo, o que aumenta a dignidade da postura e da coragem de ambos.

Mas tem que ser todo mundo.

Enquanto um fizer e os outros assistirem, nada muda. A TV e a Federação sabem que tem vocês nas mãos no momento em que vocês apertam um calendário de um ano pra jogar um torneio falido como o estadual de 20 datas.  Eles sabem que pagando vocês aceitam tudo e que o máximo que farão é mentir pra torcedor reclamando em novembro do calendário que você assinou em janeiro.

Só os clubes podem mudar isso. Não tem CBF, Federação e Globo. Apenas os clubes grandes do Brasil pode sentar numa mesa e dizer: “agora é assim”.

Mas não vai acontecer. Porque eles morrem brigando por uma fatia maior de um bolo pequeno, ao invés de brigarem pelo aumento do bolo todo.

abs,
RicaPerrone

A descoberta

Acho que há alguns anos tenho uma guerra contra “meus colegas” sobre o que penso de esporte e como ele deve ser tratado. Pelo fato de não ter como exemplificar, sempre tive dificuldade em explicar pro “não jornalista” qual era meu ideal. Agora conseguirei.

Quando você vê o comentarista chorando, o narrador perdendo a voz, o repórter se perdendo diante de um ídolo, você está vendo transmissão esportiva.

Todo o resto, inclusive o que se julga “jornalismo”,  não passa de uma grande mentira a partir do momento que emissoras e profissionais de imprensa estão envolvidos com as compras ou não de direitos de transmissão. Não há imparcialidade. E se não há, não há jornalismo.

E sendo esporte um lazer de quem assiste, o entretenimento deve estar acima do jornalismo sim. Pois é disso que se trata esporte: entretenimento.

Quando os profissionais do Sportv ou da Foxsports perdem o irritante terno e gravata pra chorar feito criança diante de um momento esportivo, estão mostrando que são sexólogos que ainda gozam. Quando com futebol, especialmente o nosso, se mostram frígidos.

Não há qualquer possibilidade de um dia eu aceitar que um dos vários colegas jornalistas que estavam na abertura da Copa, e não se levantou no gol do Neymar contra a Croácia, tenha seu emprego no outro dia.  Parece exagero, mas se eu sou editor de um site, de um canal, de qualquer coisa, ao ver um jornalista esportivo não reagir emocionalmente ao que está levando pro torcedor, ele está demitido.

Simplesmente não se leva paixão sendo uma pessoa frustrada, fria, realista e pragmática.  A função de transmitir paixão, seja ela fazendo um circo, sendo carnavalesco de uma escola ou meramente narrando jogos de futebol, cabe apenas a pessoas cujos olhos ainda brilham.

A maioria não brilha. E hoje, nessa olimpíada deliciosa que chuta longe a postura azedinha da maioria, vemos o quanto se tem paixão ali dentro encubada por valores editoriais toscos de 1930, formados por intelectuais dinossauros do esporte que hoje se arrastam no ar em troca de favor dos ex colegas.

Jornalismo se faz na guerra. Jornalismo se faz em dopping. Jornalismo se faz quando necessário no esporte. O dia a dia, a transmissão do evento e a paixão que fomentamos em você se faz como estamos fazendo nas olimpíadas. Sem “poréns”.

Um colega um dia chorou no ar por ver o fim da geração espanhola. Este mesmo colega é incapaz de chorar com seu time campeão. Porque nem assumir o time dele, ele consegue.  E uso esse exemplo não porque não gosto do cara, sequer o conheço, mas porque aquele momento me deu a exata dimensão do quanto somos ingratos ao esporte que é a razão das nossas vidas.

Mais paixão, menos razão. É disso que se trata o esporte e, porque não, a vida.

abs,
RicaPerrone

Esporte Interativo comprova a culpa dos clubes

Todo santo dia alguém diz na tv que a culpa do futebol brasileiro ser tão atrasado é “da CBF” ou “da Globo”.  Na verdade essas pessoas pouco percebem que o discurso repetido é baseado em informação quase nenhuma, mero comodismo de procurar a verdade.

Pois a verdade vos libertará. E é hora dela ser explícita.

A Globo, na dela, fazendo seu papel claro de empresa que busca lucro e ponto final, oferece e compra os direitos de tv dos clubes brasileiros há 200 anos.  É assim, e ponto.  Em nenhum momento da história os únicos interessados e capazes de mudar isso abriram o bico. Sempre disseram “amém”, assinaram, anteciparam e se fizeram reféns para manter a porra dos mandatos de seus presidentes ao longo dos anos.

Vale 50.  Mas eu mando só até dezembro. Então antecipa 20, eu assino por 30, salvo meu ano, foda-se o próximo. Clubes quebrados. Dívidas enormes. E mais do mesmo.

Então chega ao Brasil Fox e Turner, duas das maiores empresas do planeta no ramo. E então a Globo perde a Libertadores no cabo, que é onde as empresas atuam, e em menos de 3 anos vê o Brasileirão ser ameaçado.

Agora vem comigo, vou simplificar:

A Globo faz uma proposta unificada pros clubes. Ela oferece X para ter PPV, TV fechada e TV aberta. Eles assinam, todo mundo sai feliz.  Quanto é? Depende. Tem clube que ganha 150, outros ganham 50.  Concorde você ou não, sendo as negociações individuais desde o fim do clube dos 13, o seu clube concordou e assinou.

Porque?

Porque deve. Precisa de adiantamento. A Globo dá, joga o jogo falando em “audiência”, porque de fato no cabo era Sportv contra o vento, já que a Espn e o Band Esportes nunca deram audiência.  Agora tem Fox e EI.  A audiência virá, é fato. Um tem a Libertadores, o outro a Champions. Não haverá traço.

Quando a Globo compra os direitos de tv ela faz os clubes, bobos ou se fazendo de, acreditarem que não há outra saída.  Eles nunca pensaram, por exemplo, em vender os direitos coletivos com primeira escolha, segunda escolha. Simplesmente porque não há “coletivo” no futebol brasileiro. E enquanto não venderem os clubes, não haverá.

Quando o EI vai aos clubes e oferece 550 milhões por ano de TV fechada, a ficha cai.  “Se a Globo paga 1,1 bi pros 20 clubes nos três (tv, cabo e ppv), como pode o cabo pro EI valer 550?

Simples. Você vende mal o produto.  Agora tem quem pague 550 por um dos três, que conforme o CADE deve ser vendido separadamente.

E então seu clube fica na dúvida.

A Globo joga com o que tem. Faz o que eu, você ou até a EI faria. Ameaça com menor exposição na aberta, lembra o acordo de anos e anos, antecipa cotas e etc.

O EI, esperto, mandou pros clubes uma proposta com a mesma antecipação da Globo.  Pra alguns, não adiantou. Assinaram mesmo assim, perdendo a chance de ganhar 9x mais a troco de que? Vai saber. Ou melhor, sabemos.  É um misto de burrice com política.  Um pensamento raso sobre dinheiro e como fazer o produto crescer.

Você, sócio torcedor, dá seu dinheiro pra sustentar um time que normalmente deve até mesmo os salários. E quando um dinheiro aparece pra inflacionar e dar ao clube poder de barganha, a política atrapalha e mostra o quanto o jogo não é claro.

O direito de tv no Brasil só funciona quando os dois clubes do jogo tiverem vendido pra mesma emissora. Ou seja, ao assinar com o Santos (e outros que já assinaram) o EI impede que o Sportv transmita qualquer jogo do Santos e vice-versa, quando o rival não for da emissora.

Quem ganha? Ninguém.

Perde a Globo, que terá meio evento. Perde o EI, que terá comprado parte dele. Perde o evento que terá vetos de exposição. Perdem os clubes que não foram atrás da maior receita.

Sócio, seja ao menos honesto com o seu dinheiro.  Se seu clube optar por A ou B, pergunte a ele os motivos. Não a CBF ou a boa vontade da Rede Globo. Entenda: O que se negocia é o direito de TV FECHADA. Na Globo continua passando, não há concorrência.

Aguardem. Essa novela está só começando.

abs,
RicaPerrone