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Viagem: Paris é um “case”

Não, eu não achei Paris uma merda. Gostei de lá.  Mas sabe quando as pessoas fazem tanta propaganda de um filme que invariavelmente você sairá do cinema esperando mais? Então.

Cidade cheia de encantos, charme e história. Mas como cá, são pedaços. Eu comparo muito ao que fazem com Salvador na glamourização de Paris.

A mídia brasileira coloca Salvador como um ponto turístico foda. Algo quase indispensável.  É impressionante como adoramos Salvador.

Mas aí você cria na sua cabeça uma cidade que não existe.  E quando vai lá, volta dizendo que não era o que esperava.

Não, Salvador não é bonito. O melhor da Bahia está fora da capital. A capital tem praias “ok”, lugares muito sujos, e encantos brutalmente menores do que a mídia pinta.  Mas é “Salvador”, então pronto.

Paris se basta também.

Tem um Rio que passa pela cidade quase toda, é caríssima do metrô ao jantar e sim, os pontos turísticos são legais. Mas ir a Paris é como ir a Sapucaí. Ou você vai sabendo do enredo ou vai ficar sem entender a graça.  Eu não tenho cultura pra achar divertido passear no Louvre.  Acho aqueles quadros feios e carrego comigo a convicção que 90% das pessoas acham lindo e param pra olhar porque alguém disse que era pra ser assim. Arte obrigatória. Não sei como definir. Parece que se você não gostar daquilo você está errado.

Não sou fascinado por igrejas e tenho sempre muita dúvida da história que nos contam. Portanto a glamourização de monumentos cheios de ouro enquanto o povo local era jogado nas catacumbas doente me irrita mais do que me encanta.

Aliás, as catacumbas são pichadas por dentro. Qual ponto turístico histórico fechado e com visitação controlada e cobrada é pichado?

O metro é incrível. Pega a cidade toda. Mas é sujo, cheira urina e as pessoas também entram antes de você sair do vagão.

Sim, o banho lá não parece comum. Basta respirar pra notar.

É uma bela cidade em trechos específicos. E há uma questão cultural histórica de enorme impacto. Tu gosta? Vá. Eu não ligo pra nada disso. Odeio museu, não tenho saco pra nada religioso e portanto 60% do que tinha lá não me impactava.

Faria com 60 anos essa viagem. Hoje, não repetiria tão cedo.

Aprendi no Rio que as melhores coisas da cidade não estão onde o turista procura. E desconfio que em Paris seja a mesma coisa.

Eu por exemplo gostei mais da cidade de Versalhes do que de Paris. Mais charmosa, sei lá. Talvez esteja em Angra o que turistas procuram em Copacabana. Talvez não esteja exatamente na torre o que se espera de Paris.

Mas, como adoro viajar e escrever, cá está o que achei de lá.

RicaPerrone

Arena Congonhas

Sabe o que tem de tão especial nas imagens de Congonhas com o Palmeiras partindo pra Belo Horizonte? A liberdade.

A liberdade do torcedor em ser torcedor sem se tornar um cãozinho adestrado por um país que pune a arma e não quem atirou.  A liberdade de festejar, agitar uma bandeira e até usar fogos para deixar mais bonito o espetáculo.

Uma área livre, próxima ao seu time e com o direito de poder dizer do ladinho deles que “confio em você”.

Congonhas foi o que gostaríamos de ser nos estádios. Foi a casa do palmeirense sem regras estúpidas de “segurança”.  O saldo? Ninguém se feriu.

Quando tratado feito um idiota, a tendência é agir feito um.  Quando tratado como adulto, o ser humano tende a agir como adulto.

Isso que vocês viram em Congonhas é o que está dentro de nós, torcedores apaixonados por futebol, que nos foi tirado porque a justiça no Brasil tem vídeos, fotos e até o endereço de quem comete os crimes, mas prefere punir todos nós, que no fundo somos vítimas.

O Palmeiras viajou conhecendo uma torcida plena, sem proibições. E teve que fazer isso só no final do ano e, pasmem, tendo um estádio incrível, foi ver num aeroporto.

O abraço foi dado. O time viaja muito mais forte do que se encontrasse esse saguão vazio.  Torcida não ganha jogo, dizem.

“Só se for a sua”.

abs,
RicaPerrone