voltou

E quem não quer ver o milagre?

Aos 30, fora de forma, era um risco. Aos 32, uma última chance. Aos 35 anos, sem se cuidar há muitos deles, Adriano e a bola flertam, tem todo o apoio dos lados necessários, até a vontade, mas talvez dessa vez não seja mais suficiente.

Quando esse cara sorri alguma coisa nele transmite sinceridade. Não há um ser humano sensível capaz de ignorar a pureza que há no Adriano.

Eu não o via pessoalmente desde 2008, quando trabalhamos no SPFC.  Encontrei há 2 ou 3 semanas num restaurante no Rio. Ele estava com Carlos Alberto e eu não sabia se ele sequer se lembraria de mim. Parei do lado e arrisquei: “Imperador?”

Cara, ele não é daqui.

Levantou, me abraçou, me deu um beijo, perguntou como eu tava, por onde andei, foi carinhoso ao extremo.  Falou da derrota pro Flu em 2008, que foi uma das ultimas vezes que nos vimos.  Mas independente da educação, a pureza.  Eu sou jornalista. Ele tava bebendo.  Eu podia ser um dos milhões de babacas que cobrem a vida pessoal dele como novela. Que garantia ele tem?

Ele parte do princípio que as pessoas são boas a volta dele. E isso o prejudica muito, mas também faz dele um puta cara diferente. Gostar do Adriano é uma questão de bom senso. Confirmar o que ele transmite é uma oportunidade rara que tive o privilégio.

É o Imperador da favela. O cara que jogava na Inter ainda sendo um moleque que empinava pipa.  Ele nunca saiu da favela, nunca fez mais do que 19 anos, e o corpo dele não acompanha. A cobrança idem.

Ele quer voltar.  Mas aos 35, sem ser um “Zé Roberto”, tudo que ouço dos preparadores físicos é a palavra “milagre”. Todos que consultei falaram em “milagre”.

É realmente muito difícil. Improvável. Talvez, um milagre.

Mas imaginar a volta de Adriano aos gramados pode até parecer um milagre. Não sorrir com essa possibilidade é quase um desvio de caráter.

Viva o Imperador! Com ou sem chuteiras, tanto faz.  Desconfiar dos motivos que levam o povo a adora-lo é um atestado de falta de sensibilidade e, porque não, burrice.

abs,
RicaPerrone

118 anos em 90 minutos

O fundo do poço não havia chegado.  As quedas não foram suficientes para levar o vascaíno ao mais constrangedor momento de sua história, que foi ver um Maracanã lotado pedindo por um clube pequeno de São Paulo salva-lo de um vexame.

Naquele momento misturava-se a raiva, a paixão, a frustração e o medo. Guardado no peito estava o orgulho que por motivos óbvios não podia ser exposto ali.

O time do Vasco fez um primeiro tempo para selar o pior momento dos seus 118 anos. Apático, andando em campo, perdendo, dependendo de terceiros para voltar a série A.  Torcida xingando, gritando por ídolos do passado e sem nenhuma perspectiva de ídolos futuros em campo.

O intervalo será um segredo eterno da história desde 118 anos. Mas alguma coisa ali aconteceu, e em poucos minutos o Vasco viu o Maracanã vermelho de vergonha se tornar alvi-negro de orgulho novamente.

O jogo virou, o orgulho saltou da garganta incontrolavelmente e toda a raiva ficou escondida pelo amor. Torcedor de futebol é a coisa mais bonita que existe. Ele consegue tirar de onde ninguém mais consegue um sentimento puro e incondicional.  Este sim, incondicional. O dos seres humanos entre eles mudam conforme atos, situações, oportunidades. Esse não muda.

E o semblante dos vascaínos retratava tudo que podia ser dito sobre on Vasco em 2016.  O cara que com as veias saltadas de ódio xingava no intervalo chorava abraçado à camisa e fazia juras de amor ao clube.

Ele sabe, racionalmente, que o Vasco fez o básico do básico e fez muito mal feito. Mas racionalizar futebol é como enxugar gelo.  Além de não fazer sentido, não tem motivos para tal.

O jogo acabou, o sentimento não para, o Vasco voltou. Os problemas continuam, a administração tosca idem. Os jogadores talvez em sua maioria também sigam ali. Mas também tudo que foi construído em 118 anos se mostrou intacto no Maracanã.

Enquanto houver essa quantidade de pessoas com aquele sentimento pelo Vasco, é inabalável sua grandeza. Embora brinquem com ela, ainda passa longe de vê-la derrotada.

O Vasco é enorme.  E se muita gente ali não merecia subir, aquela gente toda que não faz parte DESSE Vasco mas são a razão dele existir, sim. Essa gente merece.

abs,
RicaPerrone

Como não gostar?

Eu não sou a favor. Tenho medo, acho que temos aí mais a perder do que a ganhar. Mas eu sou jornalista, eu vivo de futebol e eu sou sãopaulino.  Eu não tenho como negar que rever o meu capitão ali é especial. E se ele quer, se se sente pronto pra isso, quem é o maluco que vai dizer não pra ele?

Rogério tem duas características decisivas na sua carreira: Ele é louco por resultado, louco por ter razão.  Quando você ganha, você tem razão. E por isso Ceni viveu anos dourados no SPFC ultimamente.  Quando se perde, és o vilão. E por isso ele foi taxado de líder negativo antes da boa fase.

Rogério é corajoso. Eu no lugar dele talvez fosse também tão obcecado quanto em querer mais e mais.  Mas, por outro lado, é um risco enorme e não tão necessário. Há desgaste, derrotas, talvez seja parte ainda dos anos de crise.  Ceni não pode sair vaiado do Morumbi. E hoje assume esse risco e assina o documento. É real. Pode acontecer.

Gosto? Adoro! Respeito muito quem corre riscos desnecessários, até porque ser incrível não é necessário, logo, limita-se aos que correm o risco.

Rogério na beira do gramado do Morumbi é épico. Se dirigente fosse, tentaria convence-lo a não fazer isso agora. Mas se eu fosse Rogério Ceni tentaria assumir e fazer do SPFC campeão outra vez.

Sendo o que sou, torço pelo meu capitão, pelo meu time e pra que isso tudo desgaste o mínimo possível a imagem do “mito”, agora, “professor Rogério Ceni”.

abs,
RicaPerrone

Ela voltou

Senhores, a Copa está mais bonita.  A bandeirinha mais falada do mundo está de volta e vai comentar a Copa direto no seu celular.

Lembra da Fernanda Colombo? Aquela do Cruzeiro… então.  Ela não vai pousar nua, pelo menos não agora, mas vai falar de Copa com exclusividade para quem for usuário do Movile Stadium, o melhor app sobre futebol que há!

Tem tempo real, notícias, chat, comunidades, além da nossa comentarista/musa/bandeirinha né?

Ah, achou pouco?! Então tá. E se eu disser que durante os jogos do Brasil ela estará disponível num chat?

Aqui, ó!  http://bit.ly/1khRTW4