Fluminense

Pedro, o menino do Flu

Eu gosto de moleque. Eu gosto de molecagem. Eu tenho paciência com jogador novo e entre comprar e fazer, prefiro sempre fazer.

Se diz o Flu que faz tão bem, então confie no que é feito.

Pedro é um atacante que tem algumas coisas interessantes pro torcedor refletir.  Começando pelo fato de aguentar a desconfiança e cobrança de uma posição pós Fred e pós artilheiro do Brasileirão 2017.

Passando pelo fato de não ter nome. Encontrando com o perfil oposto dos dois anteriores, pois reverencia a torcida ao invés de “te pegar” ou “ceifar”. É um menino bom, um “Caio Ribeiro” carioca.

Se há um clube pra esse perfil é o Fluminense. O time da elite, e que não rejeita isso ao contrário de todos os demais no país.

Pedro se esforça como um “favelado” e tem a postura de um garoto do Leblon. É mais um caso de onde a noção do treinador, quando não atormentada pelos entendidos de torcida organizada, prevalece.

Pedro é a cara desse Fluzão que não encanta, nem cansa. Que não enfeita, nem se acovarda.  Um Fluminense guerreiro, pobre, nobre, feito em casa e que olha sua gente de frente.

Quantos podem dizer o mesmo?

abs,
RicaPerrone

O medo e a obrigação

O Fluminense tem por característica principal e distante da segunda colocada a superação. Esse time tenta com o que tem, o que não tem. Corre, luta, briga e camufla a sua fragilidade com dedicação e a não cobrança da camisa que veste.

Eu explico.

Se o Fluminense tivesse sendo cobrado pra ser campeão com esse time estaria em crise e perdendo jogos. Exatamente o descrédito está dando a eles o espaço para serem surpresas embora num time grande.  É difícil “surpreender” em time grande. Ele sempre carrega com ele a esperança de títulos.

Esse Fluminense “ganhou” o direito de jogar como der desde que corra. O outro lado, não.

O São Paulo tem time, investiu pesado e tem por obrigação que jogar mais do que joga. Não tem obrigação de vencer o Flu no Rio. Não é isso. Mas tem por vocação e elenco que não se acovardar.

Um primeiro tempo bem desenhado pelo que deve ser de véspera. O melhor time peitando mesmo fora de casa e ganhando o jogo até. Aí vem o segundo tempo e a gente precisa conversar sobre ele.

O Abel Braga mandou o time pra frente gradativamente na medida em que via que o SPFC não teria nenhum problema em não jogar os últimos 45 minutos.

O Aguirre tem uma característica uruguaia detestável:  Se tiver que se defender, ele enfia os 11 atrás e que se dane. É curioso porque uma das críticas que eu mais fazia a ele no Inter da Libertadores 2015 era exatamente essa. Ele abria mão de jogar sem cerimônias quando ganhando.

É comum o perrengue no Uruguai. Mas não é necessário aqui, ainda mais num pontos corridos.

O Fluminense jogou um ataque x defesa o segundo tempo todo e fez o gol merecidamente. Não se abre mão de jogar futebol impunemente.

Segue o Fluminense empolgando pela luta, o São Paulo tentando convencer seu torcedor de que não será mais um ano a toa.

E o Fluminense anda argumentando bem melhor que o São Paulo com sua torcida.

abs,
RicaPerrone

Está acontecendo. Vá!

O Fluminense entra em 2018 pra ser coadjuvante. O torcedor quando para pra pensar encontra fórmulas malucas de imaginar seu time campeão mesmo nessas condições. E encontra.

No imaginário tricolor, se esses meninos dão certo, encaixam, o time abraça a alma de guerreiros e seguem firme dá pra sonhar com a Sulamericana e não passar sufoco no Brasileirão.

A tabela do campeonato dará ao Fluminense 5 jogos no Rio nos primeiros 7. As duas fora são Corinthians (perdeu na estréia) e Vitória.  Está bem claro o cenário. É pra vencer, pontuar e afastar o sufoco logo de cara, em nome de um ano tranquilo e dando paz pros meninos funcionarem.

O espírito baixou. Primeiro na Sulamericana onde o adversário fez um jogo virar guerra pela cera. Agora pela burrice e violência do Gilberto que transformou um jogo em outra apresentação monumental de superação.

Sob eufóricos aplausos o Fluzão deixou o Maracanã como não era previsto em 2018: forte, fechado com a torcida e criando expectativas.

Vá! Quando tem Deco, Fred, Conca qualquer um vai. Vá agora, que não é pelo show, é pelo clube.  O ano do Fluminense pode ser redesenhado nas próximas 4 semanas.

Não tem milagre é na vida. No futebol tem sim, ele só aparece pra time grande e vocês estão cansados de saber disso.

abs,
RicaPerrone

Com raiva é mais gostoso

Que graça teria bater no pobre Nacional de Potosí?  Nem 7 mil pessoas quiseram ver porque sabiam que o Flu venceria. Mas ninguém previa que seria com tanta raiva.

Tem jogos que, não pela importância ou pelo adversário, mas pelas circunstancias em 90 minutos vão nos dando raiva. Ontem o Fluminense entrou em campo pra bater em bêbado e acabou espancando um sóbrio muito do sem vergonha.

O Nacional não queria jogar bola. Time irritante, covarde, 90 minutos de cera e pontapés. O juiz pior ainda. Permitiu, não controlou o jogo e conseguiu deixar o time do Fluminense com vontade digna de decisão, tamanha raiva que foi sendo gerada pelo cenário.

Foi no mínimo divertido. Um jogo de importância baixa virando sangue nos olhos dos jogadores e da torcida, que entenderam a partida como uma guerra em determinado momento e a venceram com sobras.

Os gols comemorados como Copa. E o que não entrou do Pablo Dyego, mais lamentado ainda. O Maracanã merecia aquele gol.

Na altitude eles vão correr. O Flu tem todo alvará do mundo para se jogar no chão, fazer cera, evitar o jogo e até retribuir umas faltas desnecessárias. Nosso mal é ser sempre o otário da América do Sul.

Se pode, então faça também. É uma pena que o juiz permita, e sempre contra nós.  Mas nós também sabemos “não jogar” quando preciso.

Jogar é que a gente sabe mais que os outros.

abs,
RicaPerrone

Relatório completo de público no Brasileirão de 2012 a 2017

Uma das coisas que o torcedor mais gosta de discutir é o desempenho dele mesmo perante seu clube na arquibancada.

O ADMKT é o Grupo de Pesquisa e Extensão em Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Fundado em 2012 pelos docentes e pesquisadores Marcos Severo e Ricardo Limongi, professores efetivos da UFG, o grupo foi criado com o objetivo de promover atividades da área de marketing realizadas no âmbito da instituição de ensino.

Pois este grupo fez uma incrível pesquisa sobre o público do futebol brasileiro dos campeonatos brasileiros de 2012 até 2017.

A comparação começa com a Premiere League, na Inglaterra. E logo se tem a discrepância de público dentro dos estádios.

Dessa forma, o objetivo deste relatório é responder diversos questionamentos relacionados ao Campeonato Brasileiro de Futebol, não somente aqueles que tratam do público pagante e da taxa de ocupação nos estádios, como também os que se relacionam ao desempenho das equipes de futebol.

O contexto brasileiro é particularmente marcado pela existência de 12 grandes clubes, que concentram 53 dos 59 títulos dos campeonatos brasileiros disputados desde 1959, época da primeira edição da Taça Brasil.Conhecer detalhes da dinâmica do principal campeonato de futebol do País é importante, principalmente se for considerado que os principais clubes brasileiros ainda se veem diante de problemas estruturais e organizacionais crônicos, como más condutas de gestão.

Dirigentes e profissionais de marketing que atuam nessa realidade pouco sabem dos fatores que determinam a presença de público nos estádios ou o desempenho das equipes no campo.Poucos são os clubes realmente prossionalizados que organizam ações administrativas baseadas na racionalidade da análise de dados. Entretanto, esse cenário começou a mudar nos últimos anos, com isoladas iniciativas de prossionalização e responsabilidades scal e administrativa. A apresentação do “Relatório ADMKT de Presença de Público nos estádios brasileiros”acompanha esse movimento e se apresenta como fonte de informação para gestores de clubes, prossionais de gestão esportiva e da imprensa especializada

O primeiro gráfico mostra o público médio e também o “desvio” padrão. O “desvio” é como uma margem de erro. É a média de público oscilando pra cima e pra baixo perante o público médio.

A seguir temos um gráfico para mostrar em ordem essas médias de público ao longo deste período.

A seguir a taxa de ocupação, que está sempre diretamente ligada ao público médio em virtude da capacidade de cada estádio.

Temos, então, outro gráfico interessante. A comparação entre começo e final de campeonato, para verificar se as torcidas se comportam regularmente, só nas finais ou só num começo empolgante.

Em seguida uma série de gráficos que indicam o comportamento do torcedor para ir ao estádio no Brasil, e até a sua relação com o resultado.

Esse trabalho detalhado e muito interessante para discussão sobre o futebol brasileiro foi feito pela equipe abaixo, a quem agradeço pela preferencia em ter disponibilizado a este blog primeiro.

Roda gigante

Algumas coisas no futebol acontecem para manter a ordem. Algumas partidas parecem ser jogadas como que num roteiro para que não se quebre a escrita, a tradição e as mentiras bem contadas que movem o futebol.

É claro que o Flamengo empolgado pela Libertadores seria o ideal pro Fluminense. Que auto-afirmação haveria em bater no rival cambaleando? Eles gostam assim.

Do centenário, favorito, em maioria. Se há uma receita para o Fluminense vencer o Flamengo é a inferiorização de véspera. E não, ela não pariu do rubro-negro. Partiu dos fatos. E contra eles, azar deles.

Só há um clube no mundo que faz a megalomania rubro-negra desaparecer. Está no hino, no ar, na cidade inteira. O Flamengo ostenta uma marra deliciosa de assistir. Ela está presente contra o Barcelona no Camp Nou. Mas nunca está presente no Fla-Flu.

É o dia do ano que rubro-negro olha de frente e não pra baixo. Seja quem for do outro lado, se com aquele uniforme, eles respeitam. É uma das relações mais bonitas do futebol mundial. E toda vez que o Fluminense ameaça se apequenar, é diante do Flamengo que ele se reafirma.

Pois se és tão grande, poderoso e independependente, porque tanto lhe incomodo? E incomoda. É fato. Nem mesmo Zico recusa.

Há no Fla-Flu um ingrediente sobrenatural. E ele com certeza veste 3 cores.

Se ser o Fluminense do Flamengo não é um sinal de grandeza infinito, não sei o que pode ser.  E sim, pro Flamengo só há um Fluminense. O resto ele esnoba, com ou sem razão.

abs,
RicaPerrone

O que de fato importa

É claro que o tricolor está feliz. Eu também estaria se fizesse 4×0 num rival, mesmo so a óbvia condição incomum da partida.  Eu honestamente não esperava. Mas mesmo que fosse 6×0, haverá sempre o porém do adversário ter entrado com time reserva e sem meter o pé porque tem algo infinitamente maior pela frente do que o estadual.

O meu ponto é que o menos relevante é vencer 3 jogos por goleada e querer zoar os rivais, até por dois deles nem existirem. Mas sim pela coragem do sujeito da foto aí.

Quem no Brasil desses treinadores todos tem coragem de sair da porra do esquema de linha de 4, 1 centroavante, dois abertos, com variações apenas no meio e sendo 99% deles com 2 mais recuados e um de armação?

Quem é que joga no 352?  Ninguém. E não porque é ruim, mas porque somos um país massacrado pela idéia de que as pessoas não podem discordar de você.

Se um técnico brasileiro vai lá e escala um time num formato “antigo” e perde, vocês sabem o que iam ler dos intelectuais da bola sobre “lá fora”, “europa”, “estudar”, “ultrapassado”, etc, né?

Então. O Flu encontrou um jeito de jogar, e mais do que isso, ser surpreendente.

Times mediocres como esse do Flu (e vai ler o que é mediocre antes de dar surto na internet) precisam ou de altíssima noção de limitação e assumir uma condição inferior, como fez o Botafogo em 2017, ou surpreender fazendo algo diferente.

É muito difícil optar pelo segundo. E o Abel fez isso. “Inventou” voltando pro que já fez lá atrás. O que pra muito imbecil é chamado de “retrocesso”, as vezes é uma simples correção de rumo.  Você pode voltar atrás numa decisão sem estar cometendo um erro.

O 352 do Abel é mais interessante que as 3 goleadas em sequência.  Duas delas poderiam vir mesmo sem novidades no time, já que os adversários são fracos. E a outra vai ser sempre usada com o “porém” que voltará à pauta a cada resultado. Note, a partir de hoje:

Fluminense ganhando:  Vem de 3 goleadas, um grande momento.

Fluminense perdendo:  Vem de 3 resultados, mas…. dois times pequenos, o Flamengo reserva desinteressado.

O diagnóstico vai sempre ser dado conforme o tamanho do sangramento, não necessariamente conforme a profundidade do corte.

A goleada sábado é, pra mim, menos relevante do que estar jogando bem, ter encontrado uma forma de atuar e estar classificado na Copa do Brasil.

abs,
RicaPerrone

Dourado e seus impactos

Talvez seja uma questão de tempo, talvez seja de mentalidade.  Mas quando vejo o Dourado negociar com o Flamengo eu sinto o que muito tricolor esta sentindo: um Fluminense menor.

Eu sei que a diferença de valores é grande. Que naturalmente o Flamengo tende a ter mais dinheiro, mas por outro lado você vender um jogador que não queria vender ao seu maior rival gera algum impacto na cabeça do torcedor, na imagem do clube e na postura do time.

Sim, o Flamengo é hoje subir um passo na carreira do jogador. O Fluminense jogará um ano pra não cair, o Flamengo olhando pra títulos. Um paga em dia e ganha cada vez mais, o outro vive um caos político e um racha com a torcida.

Mas daí a ver até a “birra” ser engolida pela necessidade, machuca.

Nem mais o “pra você, não!”, que o torcedor adorava, dirigente mais ainda.  E obviamente o tricolor se dividirá em dois. O que assume o cenário e o que brigará dizendo que “não me importo. Por 4 milhões eu acho que negócio é negócio”.

O segundo é mentiroso. Mas foda-se.

O Flamengo contrata (se confirmado) um atacante muito bom, que cobra penaltis como ninguém. Será uma bela opção ao Guerrero. E o Fluminense aceita que seu time não tem mais nenhum grande jogador. Todos foram vendidos.

“Ah mas a Chapecoense com time sem estrela faz bom campeonato e sobrevive há anos”….

A Chapecoense não tem pressão. Tudo que ela faz é surpresa. O Fluminense é o Fluminense.

Eu entendo que pagar dívidas é fundamental.  Mas o rico, quando vê que a conta não fecha se vira e ganha mais.  O pobre economiza.

Essa mentalidade diz muita coisa sobre um cidadão, uma empresa e um clube.

O Fluminense hoje não acredita em seu próprio poder de manter o status de gigante. O Peter pensava assim quando dizia ao conselho que eram o Fulham do Brasil. E o Abad, pelas atitudes, idem.

É um bom negócio pro Flamengo. Emblemático pro Flu.

abs,
RicaPerrone

Afinal, que diabos é o Flu Samorin?

Uma das perguntas mais comuns ao tricolor é “Porque diabos o clube foi investir num time na Eslováquia?”. Então, lá vai.

O motivo do projeto

A idéia começa em 2011, com a Unimed ainda no clube. Era muito difícil dar oportunidade aos meninos no time principal. Muitos talentos não tinham espaço para jogar e no Brasil não tem um torneio B ou um sub-23 decente como em toda a Europa. Foi criado um projeto no Flu (Plano de Carreia Internacional) de emprestar as jovens promessas, que não estavam tendo oportunidades imediatas no primeiro time, para equipes de fora do Brasil.  A ideia era simples: O menino se destacava lá fora e voltava melhor ou era vendido por lá mesmo.

Xerém teve jogadores emprestados para Itália, Espanha, Portugal e Espanha e percebeu que estes meninos pouco jogavam nestas Ligas. Acabavam ou não atuando, ou jogando em Times B.  O foco mudou e o Flu começou a emprestar para Bélgica, República Tcheca, Áustria, Bulgária, EUA, etc… Nestes centros mais fracos os meninos começaram a atuar e voltaram muito melhor para o clube. Então o Flu achou que este seria um caminho.

“Melhor pessoa, melhor jogador”

Mais do que atuar em Ligas com uma intensidade de jogo diferente e sistemas táticos melhores do que o que encontramos na base brasileira e nas séries inferiores do Brasil foi percebido em Xerém que os meninos que voltavam do exterior estavam diferentes, mais confiantes, com uma postura mais profissional. Algo tinha mudado ali. Em debates com as psicólogas, assistentes sociais e técnicos de Xerém chegou-se a conclusão de que ao fazer o menino se afastar do péssimo ambiente em que vivem a maioria dos jovens do Brasil, apresentar uma nova cultura, outra língua, uma rotina mais profissional, estava fazendo aqueles meninos evoluírem não só como pessoas, mas também como jogadores.

Flu internacional

Com isso, o Plano de Carreira dando o retorno esperado, o próximo passo era simples. Era preciso achar um clube parceiro fora do Brasil para conseguir, o Flu mesmo, cuidar da evolução destes jogadores. Controlar a vida deles fora e dentro de campo, ensinar uma nova lingua e dar mais oportunidade para eles atuarem. Acompanhar o projeto, ser uma evolução, a fase final da formação dos atletas de Xerém. Algo que já é realizado em outros clubes pelo mundo, como os dois Manchesters, o Ajax, o Chelsea, Zenit, Monaco, etc. Inicialmente se pensou nos EUA. O Flu chegou a ficar muito perto de fechar com um clube nos EUA. Só que os custos, na época, já eram muito altos . O pensamento era vamos para a Europa, um continente com um futebol forte e com a UEFA e a ECA que dá suporte aos clubes.

Além de evoluir os jogadores, o Fluminense vê neste projeto a oportunidade de capacitar os profissionais de Xerém. Hoje, infelizmente, não existem no Brasil, grandes cursos para isso. Tem apenas os da CBF, que ainda não são reconhecidos pela UEFA e são muito caros.

STK Samorin

A base do Flu sempre disputou muitos torneios na Europa. Com uma grande rede de contatos, por conta destas participações em torneios, o Flu começou a procurar um lugar e um clube para fincar a sua bandeira. Surgiram alguns clubes, mas ou eram em ligas caras como Portugal e Alemanha, ou o clube tinha dividas e queria alguem para ajudar, ou eram clubes duvidosos, comandado por pessoas duvidosas, etc.

Em 2015 em um torneio na Republica Tcheca surgiu a oportunidade do Samorin. O presidente e dono do clube estavam no torneio e conversaram com a diretoria do Flu. STK Samorin é um clube pequeno, na época da terceira divisão da Eslováquia, sem dívidas e que queria uma parceria para poder crescer. O dono é um cidadão de Samorin, com uma vida confortável, que gastava dinheiro do próprio bolso com a sua paixão, que era o time da cidade dele. Só que com o que ele podia investir, o time jamais sairia da terceira divisão.

O Fluminense foi ao local, conheceu o clube, a estrutura, conversou com a federação eslovaca, com dirigentes do Zenit e com uns investidores holandeses.

O Fluminense gostou e viu uma grande possibilidade ali. Primeiro emprestou alguns jogadores e mandou um auxiliar tecnico, apenas para conhecer a Liga, mapear o local, etc. Posteriormente indicou um treinador, que havia ministrado cursos da UEFA para os treinadores da base de Xerém, ele assumiu o time e o clube subiu para a segunda divisão.

Mas por que a Eslováquia serviria para o projeto?

– O Flu entende que é uma liga em evolução e que exige curso de treinador da UEFA.

– Baixo custo do futebol no país: possibilidade grande de crescimento esportivo com baixo investimento. Hoje o Fluminense gasta quase nada para ter controle total de um clube na Europa. Menos de 8% do dinheiro investido em Xerém é dedicado a todo o Samorin.

– Dimensão reduzida do país: diminui os custos operacionais e facilita a logística para locomoção da equipe por conta de distâncias pequenas que podem facilmente ser percorridas de ônibus.

– Possibilidade ilimitada de estrangeiros no elenco: cinco jogadores de Xerém em campo no primeiro time, mais cinco na equipe sub-19. Conseguiram colocar pelo menos 10 jovens jogadores por final de semana em campo.

– Liga eslovaca é de jovens atletas: a Eslováquia tem uma das ligas com mais jovens na Europa. Isto facilita a adaptação dos Moleques de Xerém.

– Possibilidade de captação de atletas europeus baratos para compor o elenco, dentro da região que engloba quatro países (Eslováquia, Rep. Tcheca, Austria e Hungria).

– País sem histórico de racismo. Os eslovacos estão muito acostumados com estrangeiros pela forma que seu país foi construído.

– Localização geográfica: a Eslováquia fica localizada no centro da Europa e fica próxima das principais cidades do Velho Continente. Áustria (40km), Hungria (50km), República Tcheca (62km), Croácia (280km), Polônia (330km), Alemanha (350km), Itália (500km), Ucrânia (550km) e Suíça (600km). Em 1h30, chega-se a Samorin de qualquer grande cidade da Europa.

– Infraestrutura de apoio de boa qualidade: STK Samorin tem estádio próprio com custo anual bancado pela prefeitura e parceria com a Xbionic Sphere, um dos maiores CTs da Europa.

Xbionic Sphere

Por força do destino, em Samorin, foi construído o maior Centro Esportivo do leste europeu e o terceiro maior da Europa. O Xbionic Sphere, que hoje é a casa do Comitê Olímpico da Eslováquia, e também parceira do Fluminense Samorin. Os jogadores de xerém treinam e utilizam as instalações de um nível que não existe na América do Sul. É um complexo esportivo de 1 milhão de metros quadrados.

Em apenas uma temporada e ainda na segunda divisão, o Samorin já proporcionou ao Fluminense o acesso a UEFA e a ECA (Flu hj tem um treinador de Xerém fazendo o curso UEFA) e o Samorin, assim como qualquer clube europeu, tem acesso a todo acervo de estudos da UEFA e da ECA.

4 jogadores já retornaram ao elenco principal do Fluminense

6 jogadores já retornaram para Xerém (dois deles hoje são titulares no Sub-20)

4 treinadores de Xerém já estiveram pelo menos seis meses acompanhando de perto o trabalho de um treinador que tem a UEFA Pro.

Hoje o Flu tem 10 jogadores lá no Samorin, 1 treinador (como auxiliar) e 1 fisioterapeuta.

Então, meus caros, acho que não resta mais dúvidas sobre o projeto Samorin.  Goste ou não dele, ele está explicado acima.

abs,
RicaPerrone

Vocês precisam entender a Florida Cup

Há no Brasil um erro grotesco de interpretação quanto ao torneio norte-americano.  “Não vale nada”, diz o torcedor.  Mas é óbvio que não! E nunca foi intenção do torneio que valesse algo, tanto que nem tem final.

A idéia é muito mais simples e mais interessante do que a disputa de um torneio.

Ninguém quer disputar título com 5 dias de treinamento. Mas treinar a 20 graus ao invés de 35, com estrutura de primeiro mundo, onde as famílias dos jogadores curtem os parques enquanto eles trabalham, com 5% de imprensa por perto pra perturbar e ainda jogar dois amistosos maneiros contra times de fora é um problema?

Tudo que fazem no futebol brasileiro é criticado.  É quase um hábito. Mas as vezes eles conseguem boas coisas, como por exemplo o Florida CUP.

Nao é pra dar audiência, público, título. É pra ser uma pré temporada diferenciada, em paz, aproveitando para fazer negócios e relacionamentos com clubes do mundo todo e dezenas de personalidades do esporte que estão aqui de férias e vão ao evento.

A sala vip da Florida Cup é surreal. Tem desde os craques do passado até os donos de empresas gigantes do mundo. E ali se faz negócios, enquanto os times em campo jogam amistosos e treinam pro ano que vem aí.

Parem de discutir o quanto vale o torneio. Ele não é feito pra valer título, mas sim pra valer a pena. E vale. Eu lhes digo de perto, após alguns anos, que vale!

Não há perda. Se ganha em todos os sentidos. E quando o Galo manda o sub 23, por exemplo, apenas comete mais um dos mil erros que cometemos no Brasil ao desvalorizar um negócio que estamos dentro. E depois não sabemos porque nos falta dinheiro…

abs,
RicaPerrone