Fluminense

Que situação

Imagine você se um dia o Fluminense decidir que o treinador não está bem e não deve continuar. Esse treinador é o Abel, símbolo hoje de algo maior do que um cargo. A diretoria do clube pode considerar, como todas as demais, que é preciso trocar.

E aí? Como ela faz isso?

Existe um sujeito indemitível no futebol mundial hoje. Chama-se Abel Braga. Por tudo que fez de bom, por tudo que passou de ruim. Por tudo que representou há pouco. Abel é o que a torcida respeita.

Você pode me dizer que o Abelão está 100% ali. Nem o conheço pessoalmente, mas duvido. E se estiver, trata-se do super-man.  Ele quis ficar, é digno, lindo, interessante. Mas suponha que pro Flu não seja o ideal.

O que você faz? Demite o Abelão?

Não. Não dá. A saída numero um para crises está descartada. Ele além de estar blindado por todo o enredo triste que passou, é o único cara que a torcida respeita.

Mas torcedor é foda. Ele vai esquecer o drama do Abel assim que o Flu pisar no Z4.

E aí vai sobrar em quem? Qual a saída que terá o Fluminense para “tomar alguma medida” para tentar interromper a ladeira abaixo?

Que situação.

Eu não tenho o diagnóstico, e nem essa intenção. Tenho por mera curiosidade a idéia de que seja qual for a ” doença”, vai ser muito difícil o Fluminense achar a cura por meios convencionais.

Que a sorte guie o Flu por onde quem deveria não puder guiar.

abs,
RicaPerrone

A copa do Fluminense

Talvez o Fluminense não seja o campeão da Sulamericana. Talvez tenha sido só mais uma tentativa frustrada de conquista de um torneio sulamericano.  Talvez seja pela vingança de 2009, algum resto de 2008, tanto faz.

Fato é que desde a estréia do torneio existe um clube que o deseja de fato e este clube é o Fluminense.

São 35, 45 mil pessoas em cada jogo pra ver um campeonato que quase ninguém prioriza. Quase ninguém, porque o Flu, empurrado pela motivação involuntária de sua torcida por essa taça, fez dele o objetivo do ano.

Joga sua própria Libertadores num torneio bem menor. Mas faz dele maior do que de fato é, o que deveria fazer com que a Sulamericana agradecesse o Flu pelo traço de grandeza que o clube tem dado a ela, não o contrário.

A LDU vive uma puta crise, o resultado é bom, poderia ser bem melhor. Pouco importa. É tão envolvente o clima de decisão que a torcida do Fluminense está fazendo na sulamericana que até o adversário joga mais do que jogaria se encontrasse um cenário comum.

Esse torneio mal feito e que respira por aparelhos a anos ganhou duas chances de sobreviver. Uma foi o acidente da Chapecoense, que fez da sua final algo muito mais importante do que de fato seria como jogo apenas. E agora um grande clube do Brasil o escolhendo como prioridade.

Se eu fosse a Sulamericana me jogava no colo do Fluminense. Mas ela é tão burra, tão cega, tem tanta vocação pra não vingar, que é capaz de cair no colo de alguém que nem se importe.

abs,
RicaPerrone

Muita calma

Há algumas horas meu e-mail, instagram, twitter e facebook estão sendo bombardeados por torcedores mais diversos pedindo uma opinião sobre a denúncia de que o Fluminense teria dado propina para liberar o uso do estádio Giulite Coutinho.

Clubismo a parte, há de fato a denuncia, o que também não determina a culpa.  Mas já se mobilizam tricolores sob o argumento de “todo mundo faz”, os não tricolores sob o argumento de “o time do tapetão não tem limites”.

Os rótulos vão rolar solto. Não tem como evitar. Mas nós, jornalistas, devemos ter calma e não é hora de opiniar até que isso seja de fato esclarecido.

Porque?

Porque em jogo está mais do que uma denuncia de um possível dirigente de um clube ou do sistema de propinas que todos nós conhecemos cada dia mais.  Mas porque a imagem do Fluminense em virtude de diversas inverdades é manchada nacionalmente, e uma “verdade” em cima disso traria consequências comerciais terríveis pro clube.

É difícil pra uma criança crescer vendo tudo que se está vendo no Jornal Nacional todo dia e escolher pra torcer um time que eventualmente apareça cometendo algo assim.  É difícil pra um pai explicar. Será difícil pro Fluminense vender sua camisa e marca.

Então, pela gravidade do assunto, calma.

E eu nao acho “grave” que tenham pagado pro bombeiro, se é que pagaram. Eu vi mais de 20 amigos abrirem negócios no Rio de Janeiro e vi que as obras só são liberadas com a propina. É quase institucional, o que não retira deles a responsabilidade de terem aceitado o sistema.

Mas há um sistema. E se depois de tudo que está sendo exposto nesse país você ainda duvidar, interne-se.

Um clube no Brasil não pode ter seu nome ligado a nada nesse sentido e esse clube é o Fluminense. Seu rótulo, injusto, insisto, já é esse. E confirma-lo com um fato e não mais uma lenda urbana seria bastante perigoso por todos os motivos que citei acima.

Então, de novo, calma.

abs,
RicaPerrone

A interminável prova de Fred

Fred vive um momento ruim. Ainda assim, é um dos 3 artilheiros do país na temporada, lembrando que em 2016 ele foi o artilheiro do campeonato brasileiro, tal qual 2014 e 2012.

Prestes a completar 34 anos, mais uma vez ele precisa “provar” que não é um cone, uma mentira, blá, blá, blá.

Ao perder o pênalti hoje imediatamente o aposentam, o colocam como “ex jogador forçando a barra” (33 anos, Top 3 atuais artilheiros do país na temporada).  E logo me lembro do Romário.

Em 2005, após a mídia ter dado Romário como morto, aposentado e “forçando a barra”, ele foi artilheiro do Brasileirão.

Sem argumentos plausíveis para aceitar o óbvio, inventaram que Alex Dias era craque e tinha consagrado Romário. Tire um minuto para repensar a frase: “Alex Dias consagra Romário”.

….

Pronto.  Pensou? Então….

Ele foi contratado pelo São Paulo campeão do mundo. Em meses era claro que o Romário era o Romário, o Alex só o Alex.

Jogar uma vida tendo que lembrar quem você é toda semana sob a ameaça de ser novamente menosprezado é um inferno. Mas é o preço que se paga no Brasil por ter sido eleito um dos vilões de uma Copa.

E talvez por não ter jogado em São Paulo, nem no Flamengo.

Quando a mídia escolhe um herói, carrega até o fim. Quando um vilão, é mais fiel ainda ao massacre. E ainda que hoje não forme a opinião popular em 100% como em outros tempos, ainda a influencia muito.

Fred voltará a marcar. É óbvio.  É assim há 15 anos, 3 artilharias, 2 Copas do Mundo, alguns títulos, trocentos prêmios…

abs,
RicaPerrone

Os “Freds” e os “Magnos”

Sim, eu acho um absurdo xingar um dos maiores (se não for o maior) ídolos de um clube.  Eu jamais xingaria o Raí, estivesse ele no Grêmio, no PSG ou no Nautico.  Eu jamais xingaria o Rogério, e seria ainda mais grato se tivesse menos títulos do que os casos citados.

O Fluminense tem 4 brasileiros, e estes são seus maiores títulos. Fred lhes deu dois. Metade.

Ele saiu do Fluminense contra sua vontade. Disse isso na cara do presidente na coletiva, que não reagiu.  Saiu porque o tiraram, não o queriam mais lá.

E então ele vai ao Maracanã sem esperar aplausos, porque brasileiro não suporta seus ídolos. Talvez uma vaia se fizer um gol. Sei lá.

Ouve um coro de “vai se fuder”.

O Magno Alves jamais ouviria isso. Simplesmente porque não joga nada. Porque é um ídolo de um momento mediocre do clube, e especialmente porque se posiciona muito.

Xingar o Fred é desconhecimento de causa. É colocar 3 pontos acima da história do próprio clube e especialmente ignorar que hoje você está ali no Maracanã cobrando título e Libertadores muito por causa dele.

Os hábitos eram outros. Eram de Magno pra não cair. Lembra?

Não lembra. Ninguém lembra do que não quer se lembrar.

“É zoeira”.  Zoeira é vaia. Dizer que o Dourado é melhor. Tanto faz. Mas um coro ofendendo o ídolo, acho que só no Brasil é normal. “zoeira”.

O Fluminense não precisa do Fred. É óbvio que não.

Mas o Dourado também viu. E quando aparecer uma oferta, talvez como a da China que o Fred recusou meses antes de sair, ele se lembre do quanto vale um ídolo antes de dizer não.

Precisamos amar mais nossos ídolos.  Uma salva de palmas ao apito final faria mais efeito do que o coro hostil.

abs,
RicaPerrone

Sobre Abel e a Chape

“A violência no futebol”. “A homofobia no futebol”. “O machismo no futebol”.  “O racismo no futebol”. Talvez essas sejam algumas das frases mais fáceis de se encontrar sobre “futebol” hoje em dia.

Mas a violência é social. Reflete-se no futebol. A homofobia idem. O machismo, mais ainda. O racismo, um problema mundial, até mais grave em países mais civilizados que o nosso. Quem diria?

Tudo que há de ruim no futebol é reflexo do planeta, não o contrário.

E o contrário, então?

 

E se o mundo fosse como o futebol?

Talvez a Copa do Mundo explique isso.  É seguramente o maior evento, o mais pacífico, onde mais se confraterniza, único onde religiões e países se toleram independente de qualquer coisa.

O sucesso e a loucura pelo futebol são absolutamente simples de serem explicados a quem o ama. Impossível pra quem vê de fora e nos considera um bando de malucos.

Não é um esporte. Esporte é basquete, vôlei, natação. Com todo respeito, o futebol é outra coisa.

Futebol une. Futebol cria laços entre pais e filhos, carrega o DNA de uma família, move pessoas numa mesma direção pela deliciosa ilusão de nos fazer sentir-se parte da vitória ou da derrota.

Temos nossos bandidos de estimação, é claro. Quem não tem? Mas até uniforme eles usam. É só não se misturar. Já pensou se os criminosos do mundo usassem uma camiseta indicando quem é quem?

Poxa, ninguém seria assaltado mais.

Somos maioria. Demos certo ao ponto de criarmos uma língua para surdos, mudos e de todo e qualquer idioma. Aponta pra marca do pênalti tu vai ver se alguém tem dúvida do que você está dizendo?

Aceitem. Os que não amam futebol são pessoas estranhas, não nós.

Nós somos os caras que fazemos terapia aos domingos no estádio e não numa sala fechada com alguém.  Nós fazemos festa, nós estragamos e salvamos semanas por algo que não temos controle. Nós usamos o futebol de pretexto para juntar amigos, família e ser patriotas, mesmo que a cada 4 anos.

Nós somos loucos. Mas nós somos bons.

Nós aplaudimos, xingamos, perdemos o controle, mas em nossa enorme maioria, somos capazes de atos que o ser humano imune ao futebol nunca foi.

Ira e EUA trocando flores? Só no futebol.

Chapecoense, Abel Braga e a torcida do Sport…  o mundo precisa do futebol. Muito mais do que o futebol precisa do mundo.

Porque se o mundo acabar, tanto faz. Mas se o futebol acabar um dia, o que será do mundo?

abs,
RicaPerrone

 

Onde o Flamengo está, os 11 podem estar

Talvez pra muita gente de fora seja novidade, mas sim, é verdade: temos um clube carioca levado a sério administrativamente.  E obviamente isso não implica em “perfeição”, portanto, dizer coisas como “é sério mas erra aqui, ou ali” é apenas mais do mesmo.  Diferente é o que está acontecendo lá.

Mas pouco me importa o que você acha do Flamengo e seu futuro. O meu ponto aqui é que hoje o Flamengo fatura alto, paga em dia, monta estrutura, paga dívidas e tem um grande time.  E isso sem o estádio como fonte de renda.

Onde quero chegar?

Quero que você note que aqui, onde o Flamengo sequer atingiu 60% do seu potencial, dá pra todo mundo chegar. E chegando, está bom pra todos.

Se todos os 11 grandes tivessem 100 mil sócios (e podem ter), uma receita de TV alta, uma diretoria de fora pra dentro sem muitos vícios e vinculos com politica do passado, uma direção um pouco mais profissional e focada em regularizar a situação financeira, teríamos o melhor campeonato do mundo.

E então logo alguém diz que “o Flamengo ganha mais da TV”, e eu lhes digo que não importa. Quanto mais o Flamengo ganhar, mais o seu time pode ganhar.

E se seu time hoje não ganha bem, acredite, a culpa é inteiramente dele. Porque as vendas são individuais, logo, repito, insisto, até cansar: se os 10 insatisfeitos dizem “não”,  Flamengo e Corinthians não jogam sozinhos o ano todo. Portanto, a decisão está sempre nas mãos de quem prefere chorar do que agir.

O patamar Flamengo atual, que não é o seu limite, mas é um avanço, é atingível por todos os grandes. E é extremamente importante que você, torcedor, entenda que tudo que há de bom hoje no Flamengo deve acontecer no seu time. E você deve esperar e cobrar por isso.

Não há nenhum resultado do Flamengo inatingível ainda. Todos os grandes podem sonhar com 100 mil sócios, com diretorias focadas e responsaveis financeiramente. Todos, portanto, podem ter em seus times com salários em dia, um time com Diego, Diego Alves, Everton Ribeiro, Conca, Guerrero e etc.

Talvez em 5 anos não possam ter. Aí estamos falando de um Flamengo que almeja Neymar. E sim, ele pode. Ele é maior que o PSG, que o City, que o Chelsea.  O seu time também é.

Ali, naquele momento, você não poderá ser Flamengo por não ter o número de torcedores dele. Mas será que o patamar atual de gestão dele não é suficiente para que o equilíbrio seja no alto e não permita que seu dinheiro a mais (merecido por ter mais gente)  seja tão determinante?

Dá.

O Flamengo atual é sucesso e é possível. Para qualquer um dos 12 é possível.

O de daqui alguns não será. Então corram atrás desse, ou a “espanhonalização” acontecerá mais por incompetencia alheia do que pelo Flamengo ter descoberto a roda.

abs,
RicaPerrone

Chatos pra caralho…

De todas as coisas boas e ruins que a internet nos deu, uma das que não contribuem é a velocidade com que se cobra uma opinião de alguém.  Você tem um lance, 5 segundos pra pegar o celular, 5 pra escrever e postar. Nem o replay se foi, mas você já acha coisa pra caralho.

E depois de achado, agredido, confrontado e devolvido, você vai morrer achando aquilo. Não porque acha, mas porque já entrou na briga. Talvez eu nem odeie algumas das pessoas que eu mais “odeie”. Mas eu aposto que tive que brigar com muita gente pra ir contra essas pessoas, logo, passei a odia-las.

O problema raramente é a banda. O difícil de aturar é o fã clube.

O jogo foi bom. Não concordo com a situação em que o torcedor do Flu se coloca comodamente quando não vence de dizer que “torcida menor”, “menos dinheiro”, “menos time”, e portanto surpreendemos. Porque se você acha isso, você acha que o clássico é de um time maior contra um menor. E não, você não acha isso. Então não enche o saco.

Também não concordo com o rubronegrismo de achar que é pra ir pra cima e engolir o Fluminense, clube do qual o Flamengo tem historicamente dificuldade de vencer. Logo, falta de noção de realidade, tambem conhecida como megalomania, não é algo pra se colocar em pauta na hora de avaliar.

O Zé Ricardo é culpado de todos os problemas do país. Talvez do Mercosul.  Eu nem concordo com as últimas escolhas dele, mas calma lá! Tem muito nego ai jogando bem menos do que pode.  E nas mãos dele, nos últimos meses, muito jogador nota 5 jogou nota 7.  Se o time vocês chamam de “frouxo” é porque vocês botam tudo na bunda de um só. Então, que responsabilidade esperam deles se o culpado é o lado mais fraco como sempre?

Aí vem o gordo e convida a mulher que ele está afim pra ir na praia.  É o torcedor do Fluminense após os clássicos com o Flamengo.

Gordo, porra! Tu sabe que praia não te ajuda. Leva no bar! Não se boicota.  O que tem de constrangedor no Flu nos clássicos recentes? A torcida. O que ele quer se vangloriar?  Da torcida.  Jesus! Tua barriga é grande, gordo! Vai no cinema! Não fala em dieta nesse encontro. Tu ta pedindo pra notarem seu ponto fraco.

É o Botafogo fazendo campanha na tv com o Seedorf dizendo que veio “pela magia da torcida”, o São Paulo tentando encher estádio na crise segunda a noite, o Flu querendo falar de torcida com 5 mil pessoas num clássico e 10 numa final.  Daqui a pouco vem o Flamengo e faz campanha dizendo que é vergonhoso pra um clube ter um de seus membros presos.  Me ajuda a te ajudar!

Olha, eu amo futebol. Amo a magia que envolve. Mas o Cristiano Ronaldo não tem caspa, o Seedorf nunca saiu do Milan falando: “To louco pra pegar aquele Engenhao lotado”.

A Globo não é consultada pra ajudar o Flamengo. O Fluminense não faz tapetão porque cai todo ano, nem o Palmeiras é um clube corrupto por ter hoje mais dinheiro que o seu. Se o Corinthians tivesse “roubado o povo” pra ter estádio, ele não estaria fodido de dívida pagando o estádio e ainda sendo lesado com possível super faturamento e não ajudado.

Não vamos chamar o próximo Brasileirão de Taça Jean Willys, vamos?

abs,
RicaPerrone