Você conhece minha opinião, a de outros comentaristas, talvez a regra. De qualquer maneira, quero saber a sua. Você expulsaria?
[socialpoll id=”2444238″] [socialpoll id=”2444239″]Fluminense
A vida como ela é

Tricolores do Rio gostam de Nelson Rodrigues e portanto sabem que as vezes nada mais simples do que a vida como ela é. Complicamos para termos o que discutir no outro dia, mas nem precisávamos.
O Grêmio foi ao Maracanã na condição de favorito porque é melhor e porque tem 3×1 no placar. Simples assim. E com 4 minutos um zagueiro do Flu deu um carrinho por trás numa chance clara de gol. Expulsão. Ponto.
Nogueira não teve intenção de machucar. Nem machucou. Mas a regra diz que uma falta impedindo um lance claro de gol é para cartão vermelho. E se 3 jogadores do Grêmio sem zagueiro, na direção do goleiro e o campo todo pela frente não for uma situação de gol, eu desisto.
Durante o jogo, dois pênaltis não marcados pro Grêmio. E reclama o Fluzão de uma não expulsão do Kannemann, que deu uma entrada forte, fora da área, sem direção a gol, de lado, com encenação e tudo mais. Lances completamente diferentes. Mas que pela óbvia revolta da derrota iminente virou argumento.
Abel não é burro. Fez o certo.
Não porque “ele podia virar”, mas porque ele tirou um jogador que está bem abaixo fisicamente desde que voltou num jogo onde o time teria que compensar a correria. E ali, naquele momento, era pra evitar uma goleada. Não pra equilibrar o jogo. Entendi o que ele fez.
O Grêmio não tem nada com isso. Viu o jogo dar a ele a oportunidade de matar, e matou. Classificado com todos os méritos, com toda justiça e dentro da perspectiva de favorito que lhe acompanhava ao Maracanã.
Sem choro. O arbitro não determinou o resultado. Talvez, no máximo, tenha evitado uma goleada. E as vezes o futebol é simples ao ponto de uma expulsão ter decidido o jogo todo. E sim, dela ser justa.
abs,
RicaPerrone
Tudo pode quando é “só futebol”

Veja você, torcedor do futebol não caramelizado e sem flocos crocantes, como ainda é fácil reviver uma legítima tarde de futebol.
Mesmo que longe do meio a meio do Maraca, que é meu cenário ideal para clássicos, os dois times se enfrentaram sob a dignidade mínima exigida do bom futebol que é permitir a entrada das duas torcidas no estádio.
E assim, com o mandante recebendo o visitante com deboche, sem bombas e pontapés, tudo volta a ser como gostávamos. “Ah, mas é homofobia!”. Não fode. Brincadeira é brincadeira e normalmente o errado quando alguém se ofende é o ofendido.
No saudável Vasco x Fluminense raiz, o futebol se fez presente porque é assim que ele gosta de aparecer.
Os dois pênaltis aconteceram. O Fluminense, embora não criasse chances de gol, virou o jogo em 2 lances que nem seriam de tanto perigo, talvez. Mas virou com justiça porque os pênaltis aconteceram.
E o Vasco que “briga pra não cair”, se viu diante do cenário infernal das contestações novamente. Era levar o jogo pra São Januário e perder que tudo viraria problema. Desde o ônibus.
Aliás, agora, com a vitória, lhes pergunto: Que ônibus?
Seria capa se Nenê não tivesse saido do banco pra buscar o que é dele. Jogadores como Nenê não estão bem o tempo todo, mas tem uma qualidade especial não identificada pela ciência que é de seduzir a cena pra si. Nos acréscimos, como quem escreveu o próprio roteiro da volta, Nenê vira o jogo e dá a merecida vitória ao Vasco.
Marcou melhor, anulou os principais jogadores do Fluminense e teve mais intensidade o tempo todo. Foi melhor, e talvez nem mesmo um 3×0 fácil faria desde jogo tão especial ao Vasco quanto o sofrido 3×2 com gol do ídolo no fim.
Teve zoeira, drone, onibus quebrado, chegada de taxi, bom público, jogão, lance polêmico e gol no fim.
Dizem que “é preciso limites para brincar com futebol”. Então me promete que eles não estiveram sob risco hoje, porque o que vi das 10 da manhã até o fim do jogo foi futebol em estado puro em São Januário.
“É preciso cuidado porque esse tipo de brincadeira gera violência”. É só bla bla bla protocolar de uma geração que acha que time vencedor é o que tem banheiros de mármore, contas em dia e não bola na rede.
Hoje, ao Vasco, tudo. Amanhã a gente discute o que tá ruim. Porque hoje vascaíno que achar defeito é burro.
Abs,
RicaPerrone
Flu letal

Não precisa da posse, nem mesmo de muita pressão. O Fluminense tem sua proposta pronta e bem definida. Joga com velocidade, por um lance de contra-ataque e não se arrisca a querer ser dono da bola e empurrar o adversário.
O Galo é um dos times que mais se posta com posse de bola e em cima do adversário. O encaixe dependeria muito do primeiro gol. Dois em seguida, então… letal!
É bem complicado falar de um jogo que o juiz tentou evitar. Foram 40 faltas, menos de 40 minutos de bola rolando. Uma vergonha, um jogo que não existiu. Os dois times cheios de recursos e sem o direito de encostar no adversário. Uma aula de como se estragar uma partida.
Mas dentro do que ainda teve de jogo, o Fluminense se defendeu bem, postou seus jogadores de frente de forma a impedir o Galo de se atirar com os laterais e volantes pra cima e não recuou na escalação. Dois gols decisivos em sequência, uma vitória rara e empolgante.
Ninguém, ou quase ninguém, ganha no Horto. O Flu ganhou. E por mais que o Galo tenha tido uma tarde ruim, o foco na Libertadores e todos os demais “poréns” possíveis que não anulam o fato dele ser um dos favoritos ao título, a vitória do Fluminense dá uma perspectiva ao torcedor que nem ele esperava.
Agora o teste é propondo o jogo, em casa, talvez contra alguém disposto a só se defender. Esse eu imagino ser a grande dificuldade do Fluminense. Não for essa, não resta muita alternativa a não ser aceita-lo na listinha de possíveis protagonistas do Brasileirão.
abs,
RicaPerrone
Diferentes. Muito diferentes.
Se um time comandado por alguém de terno, jovem, estudioso e de bom trato com a mídia tocasse a bola como o Grêmio toca e construísse as jogadas que ele constrói, falariam maravilhas do sujeito. Sendo o Renato, “só o Renato”, ídolo dos dois em campo ontem, pouca gente fala.
O Grêmio não tem um timaço. Mas sabe exatamente o que fazer com o que tem. Não fosse a incapacidade do Pedro Rocha em finalizar, o jogo estaria resolvido. Mas por um vacilo no começo e os gols perdidos pelo citado, o Fluminense respira.
Fluminense que propõe o oposto. A objetividade, a bola enfiada para buscar o gol e ponto. O Grêmio trabalha, segura a bola, tenta converter em aproximação. O Fluminense em velocidade. Duas propostas completamente diferentes. Mas que não se anulam. Até encaixam.
O problema é a inversão. Agora o Fluminense vai ter que construir com a bola nos pés, o Grêmio contra-atacar. E esse cenário só não é claro porque como avaliamos um jogo decisivo tão grande onde os dois times tratam como “plano c”?
Sim, pois nos dois casos há dois campeonatos acima da Copa do Brasil para eles. No caso do Flu a escolha bastante “estranha” em priorizar a Sulamericana. No do Grêmio, a natural de escolher a Libertadores. Ambos no Brasileiro, a terceira competição, embora seja enorme, não será a prioridade de nenhum deles.
O Grêmio joga melhor. Mas como jogar melhor no futebol não significa muita coisa no resultado e o gol fora de casa vale dois… aguardemos. Ainda tem jogo.
abs,
RicaPerrone
A torcida do…

Passada a euforia e o desespero pós finais, podemos conversar. Talvez para alguns seja “má fé”, e para esses eu entrego meu completo desprezo. Mas para quem está disposto a questionar antes de julgar, aí vai o critério.
“Porque você não fala que a torcida do X faz isso e aquilo?”.
Eu faço isso há 20 anos. O blog tem 10. Procura aí no histórico, vai encontrar uns 200 posts onde eu me RECUSO a chamar um grupo da torcida de “torcida do” por considerar injusto.
Pois bem. Acho que ninguém concorda que quando uma organizada do Clube X mata alguém, a “torcida do time X seja violenta”. Quando daqueles milhões, 3 ou 4 mil pessoas são organizados de má fé. Não “a torcida do”.
E assim fiz, coerentemente, por 10 anos.
O conceito que faço de “torcida do” é geral. Não se limita a um grupinho, seja ele violento, festeiro, bonito, feio, amarelo, azul, pouco importa. Eu nunca rotulei uma torcida por um grupo. E a coerência me faz andar nessa linha.
Se a Jovem X agride alguém, não faz da torcida do time X violenta. Se a Jovem X canta o jogo todo, não faz da torcida do time X uma torcida que canta o jogo todo.
O que eu considero “torcida do” é o todo. E isso engloba as organizadas, mas não dá a elas o poder de representar milhões. Ou você está representado quando quebram o CT? Quando matam alguém? Espero que não.
Mas por lógica, a representação não pode vir nem pro bem, nem pro mal.
Então, se 5 mil pessoas da torcida Jovem X cantam o jogo todo e vão a todo jogo, não pode significar que “a torcida do time x canta o jogo todo e vai a todo jogo”.
Não. A torcida do time X não vai ao jogo se nele tiverem 10 mil pessoas. Há dentro dela um grupo que vai, que canta, empurra e que seria do caralho não fosse minoria. Mas é. E assim sendo, por lógica e coerência, eu não posso rotular a favor o que me nego a rotular contra.
Eu jamais generalizei você por um ato violento de um dos seus. E não faria desses caras melhores torcedores por um ato seu.
É bastante simples a linha. Basta não ter má fé para interpreta-la. E olha que nem citei nomes pra não gerar mais e mais mimimi.
abs,
RicaPerrone
A tolerância que já pedi um dia

Era uma vez uma turminha de torcedores bastante diferente dos tradicionais organizados. Formada por gente mais estudada, claramente com outras intenções, jovens, organizados via web. Essa turminha clamava por tolerância. Eles brigavam cheios de razão porque o restante da torcida do clube não aceitava eles ali fazendo da maneira deles.
Veja você. Eles cresceram, juntaram, mudaram de nome, viraram a referência e não mais o juvenil querendo espaço. E então alguém diz que não concorda muito com a filosofia de “cantar o jogo todo”. É uma simples forma de ver o impacto, não tem nada demais.
Eu entendo que quando uma torcida SE OBRIGA a cantar os 90 minutos e apoiar seja qual for o resultado, ela deixa de ser termometro e também de mexer com o time. Ela está repetindo o que se propos a fazer, não reagindo ao que está acontecendo exatamente.
Apenas isso.
Acho que não há nenhum absurdo em pensar assim, embora você discorde, talvez. Mas, enfim. É o que ouço da maioria dos jogadores que pergunto. Eles acham legal que apoiem, mas não acham impactante porque sabem que aquilo é uma proposta combinada de atuação.
Eu não gosto da forma, adoro a causa e o fim.
Mas a tolerância a idéias contrárias que um dia motivou a existência e a luta dessa gente, sumiu. Bastou eu dizer isso para ser massacrado pela torcida do Fluminense, que aliás, nem foi referenciada no twitter em questão. Curiosamente os mesmos caras que há alguns anos lutavam para que houvesse respeito e tolerância por uma simples diferença na idéia de torcer.
Curioso, mas me dá a mesma sensação das organizadas há 30 anos. Começa-se pelo clube, cria-se então amor pela torcida, e então essa torcida se torna mais importante para seus membros que o clube. E aí sabemos o final.
Vocês, barras bravas, que vieram fazer diferente, façam. Vocês que tanto brigaram por uma filosofia de torcer que a maioria discordava, respeite quem não concordar com a sua.
Seja o que você disse que seria e brigou um dia com quem não era.
Eu gosto da sua causa, da sua festa, da sua existência e do seu objetivo. Não gosto APENAS de uma característica sua. A de imitar argentinos, descaracterizar o nosso ritmo e de considerar “apoio” aplaudir goleada, por exemplo.
Mas eu gosto de 90% do que você faz. Se não for 100%, não serve? Então eu não gosto de vocês. Porque vocês são a mesma coisa que lutaram contra um dia.
abs,
RicaPerrone
Ai, Jesus!

Esperei até terça pra escrever do jogo. Queria ter certeza de que o silêncio quebraria o tradicional ritual rubro-negro do otimismo extremo em virtude das cores que se postam do outro lado.
Eu sei que o rubro-negro talvez renegue o respeito por puro despeito, mas que tem, tem!
Fosse contra Botafogo ou Vasco os flamenguistas estariam cantando vitória mesmo se tivessem perdido o primeiro jogo. É parte do rubro-negrismo a megalomania, a auto confiança extrema e o bullyng de véspera. Contra o Flu, não. Aí, não.
É de um respeito mútuo o Fla-Flu que me espanta. Na terra mais debochada do país, nem mesmo o mais abusado dos torcedores arrisca se dizer campeão embora o empate lhe sirva no próximo domingo.
Porque? Porque é Fla-Flu. O maior dos jogos, o mais didático jogo para quem acha que grandeza é torcida, títulos, algo palpável.
Abel Braga viu na não goleada do Flamengo sua melhor oportunidade. E disse, abertamente: “Eles perderam a chance de matar”. É verdade. E quarta-feira tem Libertadores pra um deles, o que pode pesar muito no domingo.
A vitória do Flamengo contra a Universidad dá ao time total liberdade de perder domingo sem “crise”. E isso é tão raro na Gávea que deve ajudar. Mas um empate, um milímetro de pressão, e sabemos como o Flamengo reage quando “obrigado” a confirmar um resultado.
A decisão começou domingo, termina só no próximo. Mas tem Fla-Flu na quarta-feira. E como todo Fla-Flu, é melhor não comemorar nada antes do apito final.
abs,
RicaPerrone
Sobre meninos, lobos e bobos
Meninos que correm por prazer, lobos que já não sabem porque correr. Meninos atrevidos, imprevisíveis e que mereciam mais gente.
Lobos que não merecem o chefe da matilha, e que talvez nem mesmo aquele tanto que os acompanha.
Os meninos bailaram, pintaram um quadro no segundo gol e só não fizeram ainda pior porque não forçaram.
Bobos, seus torcedores não foram ver. Aliás, como é difícil convencer a torcida do Fluninense a ir ao estádio acompanhar seu time. É na festa ou na tragédia, não há meio termo.
Talvez agora os meninos tenham dado a festa que eles esperavam e portanto lá estejam na próxima semana. Mas hoje, bobos, não foram.
Voltemos aos lobos. Que alternam entre a perspectiva do que já foram seus jogadores e o que são hoje. O chapéu no Rodrigo, o destempero do Nenê, a inutilidade do Luis Fabiano e a ainda rara contribuição do Wagner são casos simples: barriga cheia.
Não tem ali um time formado para ir buscar algo que nunca tiveram, mas sim para empurrar o final bem abaixo do que se acostumaram a ter. Nenhum ator da Globo encerra a carreira feliz no SBT dando pouco ibope. Esses caras são campeões, não jogadores que brigam pra não cair.
Errado desde o presidente, e principalmente por ele, o Vasco tomou um baile tático. As chances criadas vieram de talento, lances isolados, não de um coletivo forte. O Fluminense, não. Jogou muito bem os 90 minutos, sabia exatamente o que fazer e quando fazer.
Não fosse o erro do arbitro teria feito 1×0 no começo, no pênalti, e seria ainda mais fácil. Mas mesmo permitindo dificultar, não foi difícil.
É menos glamouroso no papel, não está se colocando como favorito a nada no grito, mas o que apresenta é de encher os olhos.
O que te falta pra abraçar esse time, tricolor?
abs,
RicaPerrone
Quem são vocês pra reclamar?

Na história fica a verdade e para a história fica o que vocês quiserem contar. Um dia os clubes TIVERAM que se unir para fazer um Brasileirão e formaram nossa primeira e sonhada Liga.
A Copa União de 87 foi seguramente o melhor campeonato brasileiro que já tivemos. Durante o processo político com a CBF, os clubes se uniram e disseram “não” a um documento assinado por Eurico Miranda, que é um dos que também reconhecem o título óbvio, claro e pouco discutível do Flamengo.
O ponto aqui não é o Flamengo. Podia ser o Inter, podia ser o Vasco, tanto faz. Naquele ano os clubes apertaram as mãos e feito homens disseram que estavam juntos e não jogariam o cruzamento político que a CBF pedia para autenticar a taça. Natural, nem condeno a entidade, pois é um conflito juridico.
Pra ser oficial, tem que ser seguindo os rebaixados e promovidos do ano anterior. E a CBF só poderia fazer isso criando essa fórmula. Só que o campeonato não era dela, e os clubes bancaram isso. Foi lindo. Um momento raro que não mais se repetiu de união e caráter.
Passados 30 anos, onde vocês estão?
Se escondendo pra evitar polêmica, rasgando documento para fingir que não viram ou com vergonha da época em que foram homens de prometer e cumprir mesmo podendo passar a rasteira no outro de madrugada?
Cadê os 12 dos 13? Porque vocês estão se omitindo diante de algo que todos vocês criaram juntos e, porque só um ganhou, perderam o interesse em bancar?
Meu São Paulo, enorme, criador da Copa União, um dos pilares daquele acordo… você vai rejeitar pra pedir taça de bolinhas? É sério? Agradar um bando de conselheiro fanático é mais importante do que honrar sua história, seus feitos e sua assinatura?
É mais importante e melhor pro seu marketing ter uma taça idiota sem sentido dentro da sua sede do que pega-la e mostrar palavra e postura pro mundo levando pro dono?
O clubismo das pessoas é aceitável, porque o futebol é isso. A gente enxerga qualquer merda pra ver nosso time certo e o rival fodido. Mas quando pedimos caráter, postura, um país mais honesto e transparente, a gente vai apoiar que se vire as costas pra tudo que foi feito e acordado em troca de tacinhas, birrinhas e memes?
Eu não sei bem quem se posiciona de que lado nisso. Mas sei que esses clubes não podem reclamar da CBF, das Federações, da Globo, da puta que pariu.
Nós fizemos o campeonato! Nós não temos o direito de rejeitarmos o campeão do que criamos. Sejam maiores. Tá na hora da gente crescer.
abs,
RicaPerrone