Fluminense

Madeirada

Aos gritos de “Ei, Eurico, vai tomar no cu!”, o Vasco assistiu o primeiro tempo do Fluminense.  2×0, poderia ter sido 4. Era um passeio.

Na segunda etapa, mais vontade, menos apatia, alguma “pressão” e os contra-ataques ali para lembrar que não basta sufocar, é preciso saber como fazer isso.

Poderia ter sido 5×0?  Poderia. O Fluminense teve a goleada nas mãos toda vez que retomava a bola na intermediária e não fez.  Por exagero, por gracinha ou erro mesmo, a bola não entrou. O que não isenta o time do Vasco de ter dado a um grande rival uma oportunidade de golea-lo la primeira rodada do campeonato.

Orejuela é um volante incrível. Corre, marca, sai jogando, antecipa meia adversário e se apresenta para o contra-ataque. Talvez tecnicamente não seja um fora de série, mas sabe exatamente tudo que precisa fazer em campo.

O Sornoza vai levar mais fama. Joga adiantado, e habilidoso, bom jogador. Mas olhe 20 metros atrás dele. Tem um equatoriano sem tanta grife jogando uma barbaridade.  Hoje, pra mim, o melhor em campo.

E segue o enterro. Ou o baile. Tanto faz.

O Vasco do Eurico tem a sua cara, e o time do Cristóvão a cara do treinador.  O Fluminense, nada com isso, deus as caras e fez o que quis no Engenhão.

abs,
RicaPerrone

É tudo “nosso”?

O cenário é ridículo. Chega a ser engraçado. O Governo do Rio de Janeiro tem um estádio parado nas mãos de uma empresa atolada na merda até o pescoço e por política força Flamengo e Fluminense a pensarem em criar seus próprios estádios e transformar o problema atual em eterno.

A burrice é gritante. É quase o caso do Engenhão que foi interditado sem explicações aceitáveis para forçar nego a aceitar o Maracanã em acordo com a máfia da Odebrecht. Paga o Botafogo, paga o torcedor, a população, as contas públicas, o estádio, a cultura, o patrimonio, Flamengo, Fluminense e…. a gente faz no máximo uma  hastag no twitter.

O mau do brasileiro é brigar contra a obra e não contra o mau uso dela. O Maracanã não é um “elefante branco” e nem foi ruim te-lo reformado. O que fazem com ele é o problema.  Nós somos da burra filosofia de que é melhor não fazer uma ponte porque o governo vai roubar ao invés de querer a ponte e tentar impedir o roubo.

O Maracanã tem que ser tomado por Flamengo e Fluminense como um traficante toma uma boca de fumo.  Nós, torcedores, amantes do futebol, devíamos nos mobilizar por isso e fazer algo grande até que se resolva.

Mas convenhamos, e é claro que tem sua lógica, se a gente não faz isso por hospitais, o que dirá por um estádio abandonado.

O que me agride a inteligencia não é nem o fato da política parar o estádio, mas sim o governo abrir mão de ter um entretenimento para a população aos finais de semana e se blindar das outras mil bobagens que faz. Ou seja, além de ruins são burros.

É o típico ladrão de bancos preso porque urinou na rua de madrugada.  Ou porque comprou pedalinhos… tanto faz.

abs,
RicaPerrone

 

Não faz sentido

Poucas vezes uma negociação no futebol me deixou tão confuso. Cícero deixa o Flu, onde não tem nada melhor que ele, e o clube pagará pra ele reforçar um rival?

Não estamos falando de um jogador sem mercado. Estamos falando de um jogador de bom nível, que neste elenco do Fluminense é uma perda, que tem mercado pra sair e o clube o empresta pagando 40% do que ele ganhava por 2 anos?

Aos 32 anos, Cícero não será “vendido” tão fácil. Mas aos 34, após o empréstimo, não será nem a pau. Porque o Fluminense pagará o salário desse jogador por mais 2 anos?

O São Paulo arruma um bom jogador e barato. Faz um ótimo negócio.  Mas do lado do Fluminense, confesso, não entendi nada.

abs,
RicaPerrone

Se não tem remédio, remediado está

Governo do Rio de Janeiro, pare de se fazer de idiota. O cenário é tão claro que chega a dar pena de existir ainda uma discussão.  Flamengo e Fluminense sustentam o Maracanã, logo, eles são não os maiores interessados mas sim os únicos que podem dizer “sim” ou “não” pra alguma coisa.

Se os clubes soubessem que o show é deles, deles seriam o show e também a receita do show. Mas fingem não saber por interesses menores e quando alguém precisa se fazer de “maduro” e ter bom senso, é tão novo que o futebol nem sabe como reagir.

Não tem discussão. Se Flamengo e Fluminense disserem que não jogam no Maracanã da operadora X, a operadora não pega o estádio. Porque não é burra, nem maluca de querer levar prejuízo. E veja você que os clubes estão fazendo joguinho, fechando com estádio merda, enfim. Tentando dizer pro governo que querem participar, sendo que é OBVIO que eles devem participar do processo.

É brutal a estupidez de se inutilizar um estádio no centro da cidade, na porta do metrô e sugerir que dois clubes façam outros estádios após a reforma que estuprou o Maracanã e o jeanwillyzou. Esse Maracanã só serve pra casa meio cheia, e se Fla e Flu disserem “não”, ele não serve pra nada.

É inaceitável que essa discussão esteja sendo feita através de ações, jogo de ameaças, cartinhas e terceiros. É um dos cenários mais claros do mundo: O Flamengo e o Fluminense sustentam o Maracanã. E os dois “precisam” do estádio. Hoje, o estádio procura quem o administre e os dois únicos e maiores interessados nele tem uma oferta.

Pelo amor de Deus!!! O Maracanã tem mais do que dono. Ele tem razão de ser.

abs,
RicaPerrone

Os treinadores

Após a infeliz idéia de Eurico Miranda em anunciar um treinador no dia da maior tragédia do esporte nacional, Fluminense e Galo fizeram o mesmo, só que com um dia a mais pra “aliviar”.

Vamos ao que penso sobre os três nomes:

Roger – Melhor escolha do momento. Fez do Grêmio um time coletivo e moderno, com toque de bola, contra-ataque ensaiado e uma boa noção do que é o futebol hoje.  Gosto muito do nome. Embora não seja ainda um campeão, esse Grêmio finalista é muito dele também.  Ótima escolha.

Cristovão – O Vasco pega um time “velho” e cheio de marra e dá nas mãos de um cara que tem por característica a peda do vestiário. Eu juro que tento, mas é muito difícil entender o Eurico as vezes.  Não faria.

Abel Braga – A volta ao Flu é uma dose de relacionamento com falta de ousadia.  Abel não é um nome da “nova safra” de treinadores que entende o futebol de uma nova maneira. É antigo, mas é um sujeito vencedor, querido, bom no que faz. Eu, novamente, não contrataria. Mais pela óbvia renovação tática que o jogo exige hoje do que qualquer outro motivo.

Acho que é isso. Menos do mesmo e mais ousadia com firmeza. Não adianta contratar jovens nomes pra demitir na primeira crise. É preciso força, comando e confiança.  Os velhos métodos vão gerar sempre os velhos resultados.  Hora de variar.

abs,
RicaPerrone

Scarpa não mantém cargo de Levir

Porque há algum tempo dá pra olhar pro campo e notar que o Fluminense não tem grande coisa. E se não tem no papel, tem menos ainda no coletivo treinado.

O time em 8 meses de Levir é a mesma coisa: Scarpa.

Ele cobra, ele cruza, ele acha um lance. Quando não acha, um drible qualquer desequilibra.  O Fluminense é uma vítima dos sorrisos simpáticos que blindam um treinador de criticas no Brasil.

Costumo dizer, até porque já cansei de ver:  Seja simpático com jornalistas e 80% do trabalho estará feito e reconhecido. Os outros 20%, só sendo bem ruim pra não conseguir manter.  Levir é muito simpático, e por isso seu trabaho durou até aqui sem grandes contestações.

Olhando pro Galo nas mãos do Marcello Oliveira, notamos talvez que não seja o Levir, mas sim o Galo. Afinal, troca o treinador, mexe no time e os caras se mantém fortes e brigando por tudo.

Levir fechou duas pontas importantes: a imprensa e o chefe.  Ajudou a derrubar Fred, desejo antigo do Peter, e só lhe faltou um time bem treinado. Após 8 meses os bonus pelas duas relações favoráveis acabaram e, enfim, foi cobrado pelo tosco futebol apresentado.

É tarde. Talvez não adiante mais.

No saldo, Fred saiu, Levir ficou, o time não foi a lugar algum e começa 2017 buscando um novo projeto, porque desse aqui nada se leva. Uma demissão mais do que justa.  Levir não apresentou nada no Fluminense.

abs,
RicaPerrone

Somos menores porque somos iguais

Eu vou morrer repetindo a mesma coisa e provavelmente mesmo sabendo que estou certo, não verei a mudança. Nosso futebol é menor do que deveria hoje porque somos todos iguais.

Cobramos da CBF e jogamos nela toda a responsabilidade que é dos clubes. Mas amamos os clubes, logo, os defendemos. E portanto criamos rivalidade até no caráter, onde nos tornamos responsáveis apenas pelas últimas horas de nossas vidas, sem passado.

O Fluminense entrou na justiça, com justiça. O Flamengo acha injusto. Mas há 3 anos, não achou e fez o mesmo. Se fosse o contrário, faria novamente em 2016. Simplesmente porque somos todos iguais.

O Peter não vai deixar o Mário dizer “eu teria anulado o jogo” na campanha dele. Então, fará o processo.  E amanhã vai rachar com o Flamengo quando assinar com a Globo escondido e foder a Liga. Liga? Quem liga?

A merda que fizeram enchendo de time pequeno tornando a alternativa ao estadual… um grande estadual.

Eles são políticos representantes de torcedores e, portanto, tão torcedores quanto. Nunca um clube sem dono pensará no futebol. Nunca sentarão na mesma mesa e de fato poderão fazer algo juntos pelo melhor de todos. São cegos, pequenos, apaixonadamente burros.

Não há nada errado no Flu ter pedido anulação do jogo. Simplesmente porque se o fosse o Flamengo teria feito exatamente o mesmo, como aliás, os fatos comprovam em 2013.

Se nós quisermos um futebol menos no stjd e mais claro com times mais fortes e mais dinheiro, só os clubes podem sentar numa sala fechada e fazer. Mais ninguém.

E eles não vão fazer. Porque tal qual eu e você, são torcedores. E quando convém, mudam de opinião e de lado.

O Fluminense é o Flamengo. E o Flamengo é o Fluminense.

abs,
RicaPerrone

Mais um Fla Flu para sempre

Era um jogo polêmico desde o seu primeiro gol. Rever e Pierre se encostavam e no fim o zagueiro do Flamengo desloca o goleiro e sai o primeiro gol.  Foi empurrado? Não foi?  O juiz entendeu que tudo ok (eu também) porque o Rever só trombou com o goleiro em virtude do Pierre ter jogado ele ali.

Jogo tenso, decisão pro Flamengo que viu o Palmeiras empatar antes do clássico. Decisão pro Flu, só que menor, já que o G6 continua possível.

Numa alternância irritante de controle da partida os dois times tiveram seus momentos.  E quando o Fluminense mais produzia, tomou o segundo gol num erro individual.  Ali, morreu. Era o Flamengo quem chegava com mais perigo até que, num momento onde o Flu não fazia um bom jogo, uma bola parada encontrou Henrique, que encontrou o gol, que viu o bandeira, que chamou o juiz, que eternizou o clássico num “erro” corrigindo o “acerto”.

Já viu isso? Mas tem.

O que é mais justo? Sair da regra pra se fazer justiça em campo ou se manter na regra para que o erro seja validado?  A dúvida é cruel, mas o veredicto é fácil: ou pode ou não pode.

É mentira que o bandeira deu impedimento e manteve. Foi ele quem fez sinal pro juiz mudando de idéia dizendo que o Henrique não, quando Meira Ricci invalidava o gol. E aí então vem a discussão mais inconclusiva do mundo:  Foi ajuda externa? E se foi, como se prova?

Anula-se um jogo porque um gol ilegal foi validado e depois invalidado com interferencia externa?  É razoável que o erro de ter havido uma mudança de opinião formada por uma imagem dê ao Flamengo a perda de um jogo que ganharia?

Foda. Muito foda. Qualquer simplicidade na conclusão disso é vazia.

Mas o que é fato é que mais um Fla Flu não terminará jamais. O de hoje, em 2074 será lembrado e discutido:  “Mas na época não podia!”. “Vergonha!”. “Mas foi impedido!”….  e segue o jogo.

abs,
RicaPerrone