Fluminense

O jogãozinho de Volta Redonda

 

A diferença brutal entre o Fluminense e o Botafogo, hoje, é que apenas um deles sabe o que tem em campo.

Enquanto o Fluminense toca a bola esperando que um de seus talentos resolva o jogo, o Botafogo assume o papel de um time tecnicamente mediocre e faz o básico do básico, compensando com “noção” o que lhe falta nos pés.

Não fosse Emerson e sua personalidade de veterano, diria que não tem nada além do coletivo que chame atenção. Tirando o goleiro, é claro.  E então entra Ricardo Gomes.

Eu não sou fã do que vi ele fazer até hoje por onde passou. Mas neste Botafogo fadado ao sofrimento ele faz um trabalho diferente.  Talvez porque seja uma situação “nova” e curiosa ser treinador de um time grande que não é possível cobrar. Talvez por mero amadurecimento profissional. Talvez seja só um estadual.

Mas parece, pelo pouco que se testou, que o Botafogo joga perto do seu limite. A “altura” dele não é problema do treinador.

Já o Fluminense fica pouco contestável já que o treinador chegou outro dia. Vai cobrar dele o que? Mas do time, poderiamos.

Parado, previsível, esperando passe nos pés. Monojogada, dependendo de lampejos e tendo que ver seu até ontem vilão virar herói num lance isolado aos 47 para empatar um jogo que merecia perder.

Merecia. Porque Renato poderia ter sido expulso ainda no começo da partida, não fosse a falta de coragem do árbitro, que viu ali uma clara oportunidade de gol ser interrompida pela falta.

Um jogo que foi corrido e interessante até o gol do Botafogo. Depois disso o Fluminense se viu obrigado a armar, e não consegue. O Botafogo a se defender, e não era difícil faze-lo.

Um jogãozinho em Volta Redonda.

abs,
RicaPerrone

Queiram muito!

Quanto vale a conquista da “Primeira Liga”?

Um título que merece volta olímpica? Festa na cidade? Torcedor emocionado?  Ou mais uma Copa Conmebol que vai ensaiar e morrer em breve?

Nem eu, nem você, nem mesmo os clubes sabem o que será da Primeira Liga.  Fato é não sabiam o que seria o Robertão, e virou Brasileirão, com enorme justiça atrelando os títulos dos dois campeonatos.  O mesmo não digo da Taça Brasil, que deveria ser atrelada a Copa do Brasil e não ao Brasileirão.

Seja lá como for, o primeiro campeão da Liga não tem idéia da importância do que estará ganhando. É um título de gaveta. Talvez, em 10 anos, você seja o grande campeão de 2016 da Liga. Talvez, um torneio de verão que deixou de existir.

Eu faço todos os votos do mundo pra que os paulistas se juntem a isso e acabem de vez com federações e esse sistema antigo e que nos prende a velhas jogadas políticas ao invés de evoluirmos pro óbvio.

Mas não sei. Nem ninguém sabe.

Na dúvida, o queiram muito! Você pode estar perdendo tempo, ou ganhando um título que hoje você não sabe nem como comemorar, mas em 10 anos saberá como jogar na cara de todo mundo se conquista-lo.

abs,
RicaPerrone

Agora, aos indícios

Tudo que vimos até aqui foi mero ensaio. Os times grandes que disputam campeonatos estaduais pouco se importam com o desempenho e sim com o dever de vencer jogos.

Desmotivados pelo tosco objetivo que tem a frente, as vezes até conseguem tropeçar, mas raramente saem da rotina de decidirem os estaduais.

Agora, com 8 clubes, 7 rodadas e 6 delas com clássico, os indícios do que de fato está havendo ficarão mais claros.

Primeiro pela necessidade de vencer para não ficar fora das semifinais. Depois porque carioca nenhum está na Libertadores e portanto é preciso focar.  A Primeira Liga tem jogos únicos no “mata-mata”, é rápida e consome pouco dos clubes.  Embora seja mais valiosa no meu entender.

A campanha do Botafogo, por exemplo, não me surpreende. Nem me engana.  Acho um time jogando bem motivado um estadual e por isso liderando. Mas longe de ter qualquer condição de levar só isso a campo na série A se quiser continuar nela.

O Vasco manteve a base do bom segundo turno de 2015 e faz um campeonato mais consistente.  Na verdade é o mais regular de todos até aqui.

O Fluminense desistiu do planejamento em 1 mes, trocou de treinador, diretoria e ninguém sabe o que vai acontecer. Até agora, futebol que é bom, nada.

E o Flamengo alterna partidas sofríveis com goleadas.  Não é um time ainda que cause suspiros, nem que cause revolta.  É um time que, muito de acordo com o que o post sugere, será testado exatamente agora, contra times melhores numa disputa onde perder faz diferença.

Se o Carioca 2016 é claramente um dos últimos suspiros dos estaduais no Brasil, é bom lembrar que não se mede a conquista e o interesse do torcedor apenas a partir do título em questão.  Como no Grenal de domingo, onde um clássico pode ser maior que um campeonato e, portanto, daqui até o final podemos ter 9 clássicos decisivos que tendem a gerar um novo olhar sobre o Carioca 2016.

Vejamos. Porque até aqui, deu sono.

abs,
RicaPerrone

Nunca seremos!

Sabe quando eu digo que o futebol brasileiro jamais será o que esperamos meramente por ter um sistema que impede isso? É do que estou falando quando o presidente do Fluminense decide, em fevereiro, com um time todo contratado para a temporada, desmontar o comando do futebol.

Porque?

Porque tem eleição, porque é de fato um puta argumento. Mas e o Simone? Porque não funcionou? De fato, embora eu entenda diversas decisões tomadas pela dupla, o resultado não é bom.

Mas então, meu santo Deus, demita em dezembro e comece o ano preparando algo pra temporada.

“Ha algum tempo tenho essa idéia de tirar o Mário”.  Porra, Peter! O cara que contrata, que escolhe jogador, que demite treinador você afasta em dezembro, não no segundo mes do ano.

Porque?

Porque tem eleição. E se não tivesse, talvez Mário e Peter estivessem falando a mesma lingua em busca de prioridades que não fosse um time urgente para ser campeão.

Os treinadores testados deram errado. Se eu escolher 3 ou 4 gerentes pro meu setor e nenhum der jeito, o diretor que cai.  O afastamento do Simone e do Mário, por questões técnicas, não é absurdo. É uma escolha.

Mas em fevereiro, Peter?

Errados estão todos.  Mário em realmente ser o responsável pelo futebol em ano de eleição. Há conflito de interesses e, sim, faz sentido o argumento do Peter.

Simone porque como dirigente do futebol está apresentando resultados ruins em cima de apostas que eles ousaram e que a grande maioria não respondeu.

E o Peter em fazer tudo isso em fevereiro com o trabalho em andamento e não em dezembro quando poderia, de fato, mudar os rumos com calma e sem tantos feridos.

Essa zorra chama-se Clube de futebol sem dono, como são todos os times brasileiros em pleno 2016 onde o futebol é um negócio globalizado e pra nós ainda uma simples paixão.

Não tem saída. Estatutariamente, somos uma bagunça.

abs,
RicaPerrone

Se vira, Eduardo!

Eduardo Batista está com problemas claros na formação do Fluminense. Cheio de peças e com um elenco impossível de reclamar, ele não consegue dar padrão ao time e nem encontrar uma formação tática que encaixe.

Fiz 5 alternativas para o elenco atual do Fluminense.
formacao1
formacao2

time3
time5

time6

E você qual prefere? Qual resolve o problema do Flu?

[socialpoll id=”2336096″]

abs,
RicaPerrone

Esporte Interativo comprova a culpa dos clubes

Todo santo dia alguém diz na tv que a culpa do futebol brasileiro ser tão atrasado é “da CBF” ou “da Globo”.  Na verdade essas pessoas pouco percebem que o discurso repetido é baseado em informação quase nenhuma, mero comodismo de procurar a verdade.

Pois a verdade vos libertará. E é hora dela ser explícita.

A Globo, na dela, fazendo seu papel claro de empresa que busca lucro e ponto final, oferece e compra os direitos de tv dos clubes brasileiros há 200 anos.  É assim, e ponto.  Em nenhum momento da história os únicos interessados e capazes de mudar isso abriram o bico. Sempre disseram “amém”, assinaram, anteciparam e se fizeram reféns para manter a porra dos mandatos de seus presidentes ao longo dos anos.

Vale 50.  Mas eu mando só até dezembro. Então antecipa 20, eu assino por 30, salvo meu ano, foda-se o próximo. Clubes quebrados. Dívidas enormes. E mais do mesmo.

Então chega ao Brasil Fox e Turner, duas das maiores empresas do planeta no ramo. E então a Globo perde a Libertadores no cabo, que é onde as empresas atuam, e em menos de 3 anos vê o Brasileirão ser ameaçado.

Agora vem comigo, vou simplificar:

A Globo faz uma proposta unificada pros clubes. Ela oferece X para ter PPV, TV fechada e TV aberta. Eles assinam, todo mundo sai feliz.  Quanto é? Depende. Tem clube que ganha 150, outros ganham 50.  Concorde você ou não, sendo as negociações individuais desde o fim do clube dos 13, o seu clube concordou e assinou.

Porque?

Porque deve. Precisa de adiantamento. A Globo dá, joga o jogo falando em “audiência”, porque de fato no cabo era Sportv contra o vento, já que a Espn e o Band Esportes nunca deram audiência.  Agora tem Fox e EI.  A audiência virá, é fato. Um tem a Libertadores, o outro a Champions. Não haverá traço.

Quando a Globo compra os direitos de tv ela faz os clubes, bobos ou se fazendo de, acreditarem que não há outra saída.  Eles nunca pensaram, por exemplo, em vender os direitos coletivos com primeira escolha, segunda escolha. Simplesmente porque não há “coletivo” no futebol brasileiro. E enquanto não venderem os clubes, não haverá.

Quando o EI vai aos clubes e oferece 550 milhões por ano de TV fechada, a ficha cai.  “Se a Globo paga 1,1 bi pros 20 clubes nos três (tv, cabo e ppv), como pode o cabo pro EI valer 550?

Simples. Você vende mal o produto.  Agora tem quem pague 550 por um dos três, que conforme o CADE deve ser vendido separadamente.

E então seu clube fica na dúvida.

A Globo joga com o que tem. Faz o que eu, você ou até a EI faria. Ameaça com menor exposição na aberta, lembra o acordo de anos e anos, antecipa cotas e etc.

O EI, esperto, mandou pros clubes uma proposta com a mesma antecipação da Globo.  Pra alguns, não adiantou. Assinaram mesmo assim, perdendo a chance de ganhar 9x mais a troco de que? Vai saber. Ou melhor, sabemos.  É um misto de burrice com política.  Um pensamento raso sobre dinheiro e como fazer o produto crescer.

Você, sócio torcedor, dá seu dinheiro pra sustentar um time que normalmente deve até mesmo os salários. E quando um dinheiro aparece pra inflacionar e dar ao clube poder de barganha, a política atrapalha e mostra o quanto o jogo não é claro.

O direito de tv no Brasil só funciona quando os dois clubes do jogo tiverem vendido pra mesma emissora. Ou seja, ao assinar com o Santos (e outros que já assinaram) o EI impede que o Sportv transmita qualquer jogo do Santos e vice-versa, quando o rival não for da emissora.

Quem ganha? Ninguém.

Perde a Globo, que terá meio evento. Perde o EI, que terá comprado parte dele. Perde o evento que terá vetos de exposição. Perdem os clubes que não foram atrás da maior receita.

Sócio, seja ao menos honesto com o seu dinheiro.  Se seu clube optar por A ou B, pergunte a ele os motivos. Não a CBF ou a boa vontade da Rede Globo. Entenda: O que se negocia é o direito de TV FECHADA. Na Globo continua passando, não há concorrência.

Aguardem. Essa novela está só começando.

abs,
RicaPerrone

2×1 foi pouco

Usarei aquela frase irritante sobre os “7×1” para o clássico deste domingo. Não porque tenha acontecido um baile ou qualquer coisa do tipo, mas porque a soma dos méritos pela vitória e do quanto o Flu mereceu perder me fazem chegar a essa conclusão.

Se havia uma coisa que deixaria o jogo do jeito que o Flamengo queria era sair na frente.  Seu esquema é formado para tiros rápidos e não pra chegar em bloco tabelando. O adversário tendo que se adiantar é o paraíso pro time do Muricy. E foi.

O primeiro tempo não terminou com o jogo resolvido porque o Flamengo não conseguia fazer o último passe sem transforma-lo numa tentativa apressada de encontrar o finalizador.  Fosse mais calmo, trabalhasse a bola melhor, resolveria ali mesmo.

O inexistente Fluminense  dos primeiros 45 minutos voltou cheio de idéias. Mas, de novo, um gol fez tudo ir pelos ares.  O Flamengo então recuou, sentou no resultado e não abriu mão dos 3 homens de frente.

Você pode – e deve – se perguntar porque saiu Mancuello e não Emerson.  Mas na cabeça do Muricy o fato de ter 3 jogadores na frente, sendo 2 abertos, é uma forma dos laterais do Flu apoiarem menos e portanto cruzarem menos bolas pro Fred.

O jogo estava nas mãos, e o Mancuello era uma arma para criar e fazer mais gols. Não era prioridade.

O Fluminense pesado, parado, previsível e sem nenhuma inspiração assistiu a derrota como poucas vezes num Fla-Flu.  Até que Scarpa achou um gol de falta e deu ao final do jogo uma dramatização que não cabia.

Foi pouco.

O Flamengo até jogou para ganhar por 2×1. Mas o Fluminense, pra perder de bem mais do que isso.

abs,
RicaPerrone

Quem compra e vende melhor no Brasil?

Este levantamento foi feito de forma simples e objetiva.  Considerando os valores em euros das negociações entre clubes para compra e venda de jogadores de 2010 até 2016.

Ou seja, se um clube contratar um jogador sem contrato ou em fim de contrato, não considera-se compra.  Apenas os valores que foram trocados entre clubes para compra e venda de jogadores (e empréstimos remunerados) estão sendo computados.

Os dados levantados são do site TransferMarkt.

A ser notado: 

  • Apenas Palmeiras e Flamengo sairam do perfil de exportador e tiveram prejuízo nas compras e vendas
  • Santos e Internacional tem a melhor relação compra e venda do país.
  • Botafogo, Vasco, Flu e Grêmio foram os que menos compraram.
  • Pato foi a maior compra de um time brasileiro no período. 15 milhões de euros.

abs,
RicaPerrone

Um péssimo resultado

Pouco importa a atuação quando nela faltam tantos titulares e o melhor do time surta e vai expulso. Fica difícil avaliar qualquer coisa relevante nesse cenário.

O que importava, então, era o jogo e o campeonato. Em “casa”, num grupo onde deu o azar de enfrentar o grande fora (Cruzeiro)  o Fluminense tinha esse jogo como chave.

Era vencer o CAP, tentar algo com o Cruzeiro e vencer o Criciuma, também em casa.  É curto, tipo Copa do Mundo, daquelas onde a Costa Rica passa no grupo da Itália e Inglaterra, sabe?

Pois é.

Sem Fred, suspenso, o Fluminense volta a jogar pela Liga no Mineirão contra o Cruzeiro, onde pode selar sua eliminação ou encontrar forças para retomar a condição de um dos favoritos.

Hoje, a pior das estréias deixaria o Flu sem pontos, o Criciúma vivo e o Fred fora do próximo e mais difícil jogo do torneio.

E foi exatamente o que aconteceu.

abs,
RicaPerrone

Um CT é mais urgente

Henrique, Diego Souza e provavelmente Wellington Nem.  Enquanto todo mundo vende o time, o Fluminense se reforça e monta um time de 30 anos pronto pra disputar títulos. Talvez eles venham, talvez não. O que me parece relevante é a discussão do que quer o torcedor do Flu.

Se é que ele sabe…

Porque se contrata tá ruim. Se não contrata tá ruim. Se vende a base, não pode. Se aposta nela, “até quando?”.  Se compra o R10, não vai ao jogo porque choveu. Se é líder, porque tava caro.

O Fluminense tem nas mãos a chance de fazer o futuro ou de apostar num título a curto prazo.  Eu não preciso dizer o que faria com os 30 milhões do Gérson, exato valor da construção do CT… preciso?

A diretoria parece confusa entre tentar agradar a “inagradável”  torcida tricolor e apostar em seu futuro próximo.  A cada acerto com jogadores de 30 anos fica mais claro que a urgência por um título sem Unimed parece mais sedutora.

Eu discordo. Mas entendo. E mesmo entendendo, não faria.

O time atual já tem peças suficientes pra disputar campeonato. O Wellington Nem é caro, não joga nada há 3 anos e por mais que eu goste do futebol dele, não é um dinheiro que eu gastaria.

Claro que sua chegada faz do Fluminense um protagonista de véspera de 2016. O time fica, no papel, fortíssimo.  Mas… honestamente, eu colocaria todo dinheiro possível no CT.

Porque?

Porque é o que diferencia hoje times do Sul, Minas e SP dos do Rio.  E quer mais? Porque o Flamengo tá fazendo.

E quando fizer, com a receita que tem, será bastante difícil alguém no Rio fazer frente a ele no que diz respeito a investimentos. Logo, se a grande briga do Flu há décadas é pra se posicionar como “o grande rival” do Flamengo (contra o Vasco), acho que estrutura neste momento faria melhor do que um título.

Talvez você também ache. Talvez até os dirigentes achem. Mas todos nós sabemos que, se a bola entrar, tudo terá valido a pena e o CT… ? Depois pensamos nisso.

abs,
RicaPerrone