Fluminense

Se todos fossem iguais a vocês…

… que maravilha seria torcer! Ah, Cruzeiro! Em domingos assim chego a lamentar por ser um dos nossos e não falar outro idioma numa liga européia qualquer.

Quando entra no Maracanã sem suas principais peças e joga de igual pra igual com o Fluminense, criando até mais possibilidades de vencer o jogo e não mudando seu padrão, como eu fico curioso.

Se fosse azul/grená, catalão, hoje discursaríamos sobre sua base.  Inventariam absurdos e mais absurdos para justificar o que é simplesmente um time bem treinado.

Diriam que as crianças mineiras treinam com chip na orelha, que desde os 6 meses já brincam no berço trocando passes no 442, entre outros delírios vira-latas que adoramos ter quando vemos algo bem feito em outro idioma.

Porra, Cruzeiro!  Porque diabos foste fundado aqui?

E você, Fluzão? Que joga pra frente, troca passes e se preocupa tanto com o ataque que muitas vezes se complica na defesa?  Porque diabos não és francês?

Esse Maracanã tão gringo, cheio de gente de várias cores diferentes, num dia de sol, vaias, aplausos e surpresas não os merece.  É jogo pra Camp Nou, torcida única, de cachecol e que não enlouquece a cada gol perdido.

A cota de TV do Cruzeiro é responsável pela desproporção técnica… ops, não!  Então, o que é?

Esse Flu que mantém ídolos e ainda contrata, como consegue?  Com dinheiro de patrocinador, é claro!  E veja você, que absurdo! O tal patrocinador nem arrendou o clube, menos ainda é acusado de contrabando de armas russas.

Ó, senhor! Me salve! Estou afundando num mar de mentiras que se sustentam muito pelo complexo dessa gente.

Sim, nós temos Cruzeiro!  Marcelo não atende por Pepe, nem fez curso na NASA pra aprender a trabalhar.  Apenas teve tempo pra isso.

Podemos! Como vimos hoje no Maracanã, fazer o que esperam de nós.  Digo, no caso, o que ELES, gringos, esperam. Porque nós mesmos, não.

Afinal, o foco é o juiz! Onde errou? Arbitragem brasileira é fraca? E o gramado? Estava 100%?

Ah, se fosse “lá fora”…

abs,
RicaPerrone

 

Tudo “quase” igual

O juiz! Ninguém melhor pra explicar um empate onde dois times queriam muito ganhar do que o juiz.

Mas mesmo que queiram e consigam justificar a “não vitória”  com algum lance polêmico, há mais 90 minutos pra serem avaliados de forma bem simples.

O Fluminense é mais bem treinado que o Corinthians. Sabe o que fazer com a bola e tem controle do que pretende.  O Corinthians dependeu o tempo todo de alguma jogada individual.

O desfalque do Cícero poderia ter prejudicado muito a saída de bola do Fluminense. Mas o Guerrero não é o cara que vai fazer uma jogada brilhante e o gol sozinho.

A bola tem que chegar. E chegou mais pro Fred que pro Romarinho. Desfalques a parte, o Fluminense soube lidar melhor com a perda.

Se houve um momento em que o Timão conseguiu equilibrar a coisa e até estar melhor na partida foi quando sua torcida se inflamou. Mais pelo “vamo porra!” do que por qualquer ordem tática, o time ficou perto de virar o jogo.

Mas poderia também ter perdido, não fosse o único erro indiscutível da arbitragem no jogo.

Os pênaltis você pode chorar pra lá ou pra cá. Eu acho que ele foi bem nos dois. Mas o lance do gol anulado, como mostra a imagem, o bandeira errou. Difícil! Mas errou.

O 2×0 ali dificilmente daria ao Corinthians condições de reagir. O Flu esteve bem mais perto da vitória por isso.

Porque controlou a bola e queimou menos no chutão. Porque o Jean, volante, conseguiu ter mais qualidade no passe que o Jadson, meia armador. E porque o Renato Augusto entrou tarde demais na partida.

Um grande jogo. Dois grandes candidatos ao título. Mas hoje o Fluminense se mostrou mais pronto que o Corinthians.

abs,
RicaPerrone

Sobrando o que faltou

Contra o América RN o Fluzão deixou de ter medo de ser eliminado e brincou de tomar gols.  Acabou fora, numa das mais ridículas páginas da história do clube entre 4 linhas.

Hoje, depois de um grande primeiro tempo onde os dois times buscaram o toque de bola, poucas faltas e belas jogadas, o Fluminense teve que escolher.

Estava 2×0 quando Kléver fez a falta violenta mais aceitável do mundo.  Era quase um pontapé necessário, se é que existe isso.  Expulso, com toda justiça, deixou Cristovão em situação difícil.

Ele já havia trocado Cícero por Wagner no intervalo. Até a hora que escrevo este post não entendi ainda porque.

Para o goleiro reserva entrar, optou por tirar Sóbis. Normal.  Ainda havia um jogo onde o Fluminense poderia oferecer algum perigo ao Goiás.

Até que ele tirou o Fred, colocou um zagueiro e deixou Conca e Wagner na frente esperando uma luz divida.  Eu gosto do Cristovão, mas ele faz alterações que não entendo bem.

De qualquer forma, o Fluminense optou por ter muito medo, já que faltou contra o América.

Tanto que chamou o Goiás e tomou o gol. Merecido, diga-se.

Agora 1×0 elimina o Tricolor. E lá, por isso, vai precisar fazer gols. E então Cristovão vai poder fazer o que faz de melhor, que é armar o time pra agredir.

Quando colocado em situação de administrar, até agora, não se saiu muito bem.

abs,
RicaPerrone

Torcedores

Saiu uma nova pesquisa de torcidas no Brasil. Elas mudam, matam pessoas, fazem surgir em outras, mas o que de fato temos como certo é que Flamengo e Corinthians tem muita gente. Temos também, por questões de mercado, que os 12 grandes são os mais relevantes clubes do país e ponto final.

Mas não temos números tão inteligentes assim.

O Flamengo tem lá seus 35 milhões de torcedores.  O Corinthians tem 30. E assim por diante. Mas sejamos razoáveis ao determinar o termo “torcedor”

Você acha que alguém que não sabe quando joga, não assiste e nem quem joga no seu time é mesmo um “torcedor”?

Não precisa comprar a camisa oficial. Vamos trata-lo como “torcedor premium” este caso. Mas no mínimo saber como está, contra quem foi, quanto foi, quem joga no time faz do sujeito “torcedor”.

Na Beat, onde tenho programa toda segunda-feira, é muito comum ligar alguém pra ganhar prêmio e se dizer, por exemplo, Vascaíno.  Então eu pergunto ao ouvinte se ele acha que o Carlos Germano deve jogar domingo pela Libertadores. Ele diz que sim.

Esse cara entra na estatística?

Pode até entrar. Mas a leitura correta e de mercado que se deve fazer disso não pode constar esse sujeito como “torcedor”. Ele não é. Ele simpatiza, diz que tem um time, mas não está nem ai pra futebol.

Todo brasileiro, por cultura, tem que ter um time. Isso eleva os números a cenários absurdos.  Um clube com 35 milhões de torcedores não se mata em campanha por 2 anos pra juntar 60 mil sócios. Nem mesmo atinge a marca de 15 ou 20 pontos no ibope.

O de 1,5 milhões, idem. Sem diferença entre o maior e o menor, mas o ponto é quantos % dos torcedores de fato torcem pra seus times?

Estamos sempre vendendo a idéia de que temos X milhões de “clientes em potencial”, mas sabemos que não é verdade.  Essa pesquisa fará algum sentido mais impactante no mercado quando de fato descobrir quantas pessoas “torcem” por seus clubes, não o total de pessoas que escolhem um pra chamar de “meu time” meramente por obrigação cultural.

Não é preciso ter dinheiro e comprar a camisa de 200 reais pra ser torcedor. Mas é fundamental saber como está, quem joga e onde estará domingo que vem seu time para se dizer “torcedor”.

Essas pesquisas me soam como um simples e superficial dado para comprovar a força dos 12, o tamanho da necessidade brasileira em ter um time, e nada mais.

abs,
RicaPerrone

Te pegou

Fred é tudo que um ídolo pode ser.  Artilheiro, vilão, herói, piada, vítima, perseguido, polêmico, vencedor.   O torcedor do Fluminense odeia ter que amar o Fred, mas ama.

Até mesmo aquele mais rebelde Young Flu que se nega a aceitar estar diante de um dos maiores nomes da história de seu clube, no fundo, adora o Fred.

Porque ele não joga sempre. Mas quando joga, sempre resolve. E quando resolve raramente é num jogo qualquer. Fred é protagonista de todas as semanas do Fluminense desde que chegou. E por consequencia, do futebol brasileiro.

Não há segunda-feira sem Fred.

Hoje, acho que pra quem é de fora, não há um Fluminense sem pensar no Fred.  Pra eles, lá dentro, sei que Conca ocupa mais espaço no coração tricolor. Mas é mais fácil ser Conca, convenhamos.

Regular, firme, bom jogador, quase mudo, pouco contestável e imune a qualquer conflito.

Fred é Renato Gaucho moderno. Fala o que pensa, faz o que quer, assume a condição de capitão, lidera um grupo, divide a torcida, resolve jogos, se faz fundamental até pra que o descartaria facilmente.

Você pode não gostar do Fred. Mas tem que, no mínimo, reconhecer que nem todo mundo consegue sair do inferno na sexta pra ser ovacionado no domingo.

Ele te pegou, de novo.

abs,
RicaPerrone

Quando todos erram

Caro amigo tricolor, eu entendo seu estado de irritação em ver seu time mudar de “novo Barcelona” pra “Getafe”  em 2 semanas. Mas acho que também é preciso entender bem o que está por trás disso tudo para avaliar os culpados, as vítimas e as soluções.

Há um acordo entre empregador e empregado desde 1840 antes de Cristo que diz que o empregador paga, o empregado trabalha. A partir do momento que eu, empregador, devo algo a meu funcionário, a situação se torna confusa.  Eu não posso cobrar de alguém se devo a ele. E se não posso cobrar, fico a mercê da boa fé alheia.

Eu não conheço o Fred pra saber se é um tremendo mau caráter ou um sujeito que casaria com a minha filha. Acho também que 99% dos torcedores não conhecem, portanto, quando jogam nas costas dele a posição que foi “assinada” pelo time todo, estão sendo meio injustos, já que ele é o capitão pra festas e também pra problemas.

“Mas é certo fazer corpo mole?”.  Não, claro que não!  E nem sei se estão fazendo.

Parece? Parece. Vamos ser francos.  Mas imagine a segunda-feira de uma empresa onde o chefe reúne o grupo pra cobrar sendo ele o devedor.  Não tem ambiente pra essa parceria ser vitoriosa. Pode ser, como no Botafogo, uma coisa de superação e tolerancia.  Você joga pra não cair.

Quando o time chega no aeroporto e marginais atiram pedras nos caras, a burrice supera a discussão inteligente e a razão cai no colo do agredido.

Não há nada que tire a posição de vítima dos caras quando agredidos. Cobre, proteste, vá lá, vaia, faz a porra toda. Mas agrediu, perdeu.

Agora vítimas de um acordo não cumprido e de violência da torcida, quem vai tirar a razão dos jogadores do Fluminense?

Sejamos inteligentes, pelo amor de Deus! Se é uma tentativa de equilibrar o que se deve de um lado e de outro, se um terceiro entrar pra atirar pedras, acaba qualquer tentativa de entendimento saudável.

Não tem santo nessa história. O Fluminense errou ao não cumprir o prometido desde o prêmio de 2012, os jogadores em talvez terem refletido sua insatisfação em campo, parte da torcida em ter reagido de forma ignorante e fora do local adequado.

Fred e sua turma usaram o momento pra protestar e aí, com o time jogando mal, todo mundo fica contra. Outro dia, quando a bola entrava, a organizada fez igual e a torcida comum ficou do lado do Fred.

É simples. Infelizmente, no futebol, só existe uma coisa: Ou a bola entra ou não.

O resto é mera consequência.

Mas eu prefiro uma gente disposta a tentar ganhar a vontade do time gritando a favor e indo aos jogos do que a base de ameaças físicas.

O que o Fred tentou dizer, acho, é que não dá pra acreditar que todo clube tenha que conviver com seus 20 marginais de estimação sem que a polícia e o clube jamais tomem uma posição que nem é pra aplaudir. Mas o mínimo que se espera deles.

abs,
RicaPerrone

Zebras ou escolhas?

No mais estúpido pesadelo clubes grandes abririam mão da Copa do Brasil que teria 12 grandes entre os 16 finalistas para fazer recordes de público e audiência nos próximos meses para jogar a quase falida Sulamericana em troca de uma vaga mais fácil na Libertadores.

Mas não é possível que um time entregue um jogo para escolher um campeonato mais fácil e menos lucrativo. Ou pior, algo que enfraqueça o futebol nacional a troco de bater em bêbado em outro campeonato.

O São Paulo não tem crédito pois Muricy e mata-mata não se falam. Penapolense e Ponte Preta não levariam o time a outro torneio. Então…

Mas na mesma noite cai o Inter. E pior, o Fluminense que fez 3×0 no América RN lá, consegue perder de 5 no Maracanã e sair do torneio.

Eu não posso sugerir uma má vontade em ganhar o jogo. Mas eu também não posso achar normal que numa noite 3 times muito inferiores eliminem 3 favoritos a título no Brasileirão sendo 2 deles fora de casa e virando um placar pouco provável.

O que foi isso?

Se foi o futebol, que maravilha.  Se não, que vergonha de vocês.

Mas vou acreditar. Por mais bobo que possa parecer nesta noite, vou me esforçar ao máximo pra dormir acreditando ter visto uma noite de zebras. Não de covardes.

abs,
RicaPerrone

O que pode acontecer na próxima rodada?

Lauro Araújo, o matemático, te mostra o que você pode esperar do seu time na próxima rodada. E também, dependendo, te prepara pro pior…

– A Briga Pelo G4

– Não haverá alteração nos 4 times que hoje estão no G4. Cruzeiro, Internacional, Corinthians e Fluminense vão ficar mais uma rodada no grupo dos 4 primeiros.

– São Paulo, Atlético-MG, Atlético-PR, Sport, Santos, Goiás e Grêmio não conseguirão chegar no G4 e não correm riscos de parar na zona do rebaixamento.

– A novidade na 15ª rodada é que o Cruzeiro pode perder a liderança para o Internacional – 11.0% de chances. Caso o Cruzeiro empate com  o Santos – jogo no Mineirão – e o Internacional vença o Goiás – fora de casa -, a definição será pelo saldo de gols.

– O Fluminense pode até chegar na 2ª colocação, mas as chances são pequenas: 14.9% apenas.

– A Briga Para Escapar da Zona De Rebaixamento

– Figueirense (56.5%), Botafogo (60.6%), Bahia (64.8%), Flamengo (67.9%) e Coritiba (77.2%) estão com percentual acima de 50% e o risco de permanecer na zona de rebaixamento é grande.

– Outro time que começa a se complicar no campeonato é o Palmeiras. O clube contratou um técnico argentino, mas parece que não está dando certo: já são 8 jogos sem vencer (6 derrotas e 2 empates), a última vitória foi na 6ª rodada (Palmeiras 1 x 0 Figueirense, no dia 22/05), e as chances de entrar na zona do rebaixamento na 15ª rodada são de 20.8%.

– Confira a pontuação e o percentual de chances de escapar da zona do rebaixamento na próxima rodada:

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Quanto custa um gol?

Você paga X para entrar num estádio e ver um jogo de futebol.  Ele tem 90 minutos e você pode não ver nenhum gol como uma grande goleada.  Mas Lauro Araújo, o Matemático, fez um calculo interessante para os leitores do blog.

Quanto custa ver um gol do seu time?

Este número é um calculo simples atrelado ao valor do ticket médio de cada clube e a média de gols deles no Brasileirão. Mas que pode significar muita coisa.

Você, rubro-negro, sabia que paga quase 64 reais pra ver um mísero golzinho?

E você, tricolor, tá barato esse gol hein?

abs,
RicaPerrone

Um domingo especial

Não é pelo Goiás, pela liderança ou por uma promoção de ingressos. Era pelo futebol apresentado, pela perspectiva e pela noite de homenagens.

Era dia de Assis, Washington e Fred. Três dos maiores ídolos que o Flu teve em sua história.  Dois já se foram, um voltou.

E num Maracanã com 40 mil torcedores prontos para aplaudir, as homenagens antes do jogo os levaram as lágrimas.  No telão, gols do passado glorioso com o casal 20 de uma história já escrita.  Em campo, as famílias. E no vestiário, a história que ainda se escreve.

O Fluminense precisou de pouco pra mostrar, de novo, um grande futebol e resolver o jogo.   Podia ter sido três ou quatro a zero. Mas não foi, pois o placar de hoje tinha que ter “20”.

E veja você que destino caprichoso.  Enquanto choravam a perda de 2 ídolos, aplaudiam outra partida brilhante de Conca e a volta de Fred, dois ídolos muito mais “tricolores” do que brasileiros. Tal qual Assis e Washington.

O Flu, o Maracanã, os ídolos juntos e “só deles”.

Parecia uma substituição qualquer quando Fred entrou em campo. Mas não era só isso. Saiam Washington e Assis, não o Sóbis. E entrava Fred.

O 2×0 no Goiás foi a coisa menos importante da noite.  Até mesmo do que  recado bem dado ao Cruzeiro: “Não é só você que sabe jogar bola”.

abs,
RicaPerrone