Fluminense

Pra Fiorentina, pode!

É uma lógica simples. Ainda nem é oficial, mas o Fluminense deve vender o Pedro pra Fiorentina nas próximas horas.

Logo alguém fará a pergunta clubista, polemica e boba. “Se vai vender, porque não vendeu pro Flamengo?”.

Eu não tenho expectativa de que todo mundo possa entender. Mas quem tem algum senso de marketing, posicionamento de mercado e do orgulho de um torcedor para com seu clube, entenderá facilmente.

Pra Fiorentina é venda. Negócio. Tendência. Pro Flamengo é atestar um patamar menor que, embora seja real, jamais pode ser reconhecido ao seu torcedor.

Trata-se de paixão. Não é racional e se um dia for perde todo sentido.

O Fluminense não tem condições hoje de ter em seu elenco um jogador valioso com propostas pra sair e recusar. Simples assim.  Ele sabia que antes da janela fechar a oferta viria e que venderia.

É necessidade.

E aí vem a segunda etapa. Vender pra um clube não tão grande na Europa e ter um % ainda com você. Se lá ele for bem, vai pro gigante. E lá, amigo, entre o médio e o gigante não se paga 10. Se paga 100 de euros.

Ou seja, além da óbvia questão de rivalidade, há também um fator importante de venda futura. O Flamengo o valorizaria até a página 2. Pagam menos da metade pra cá do que entre eles lá.

Pra Fiorentina, pode. É isso.

RicaPerrone

Taças e mulheres

O Fluminense estava apaixonado. O Corinthians interessado.

Elas nunca dão bola pra quem as supervaloriza. Preferem aquele que é capaz de dizer que “nem queriam mesmo” do que os braços de quem não a negaria jamais.

São assim. Sempre foram.

Parecem escolher pela postura. Tem que desejar com uma dose de merecimento. Não pode parecer um sonho, tem que parecer natural. Elas gostam assim, fazer o que?!

Só na Disney que o magrelinho pobre rouba do bonitão. Na vida real ela quase sempre acaba nos braços do bonitão.

Querer muito é critério, mas não decide a escolha. Quanto mais grandioso você cria na sua cabeça, mais longe ela fica.

O Fluminense sonha com a Sulamericana. O Corinthians só acha que pode conquista-la e aposto que se acha até favorito.

Ela pode estar sendo injusta. Mas previsível.

Nunca entendemos as mulheres, imagina as taças.  Embora a gente saiba exatamente o que elas vão fazer em 90% dos casos.

RicaPerrone

Rumos


O que fode o futebol brasileiro é a troca de poder nos clubes. Fossem empresas com dono teriam direção, não sendo se tornam um avião sem plano de vôo.  Hoje pra leste, amanhã pra oeste, a gasolina nunca acaba embora seja mal administrada.

Na real esse avião é movido a paixão e por isso nunca cai. Caso contrário, meus caros, já teriam caído (e não me refiro a divisão) os 300 aviões que nosso futebol ostenta.

Flu manda Diniz embora. Quer Oswaldo.  Troca brutal de conceito. Questionamos. E a resposta é óbvia: o conceito Diniz não foi uma opção dessa diretoria. Logo, não há incoerência pessoal embora seja brutal a institucional.

O Flu? Não. Pessoas. É assim que o futebol brasileiro funciona.

Entre a dúvida do novo e o limite conhecido do antigo, sou sempre a favor do novo. Prefiro pegar um treinador da série B do que um medalhão. Mas a gente conhece o Celso e o Mário de longa data. Se eles pudessem o Flu estaria em campo hoje com Marcão, Thiago Neves, Thiago Silva e Fred.

Ele tem a idéia de que o medalhão é quem garante resultado. Justa, foi assim que ele ganhou 2 brasileiros. Desatualizada, na medida em que hoje o Flu não tem um time capaz de decidir na técnica individual.

Gosto do Oswaldo, um puta sujeito. Não acho que seja o cara que o Flu precisa. Nem compreendo o escandalo da torcida já que as outras opções pra mim são muito parecidas: Mano e Dorival. Mais do mesmo.

Não compreender a mudança brutal de direção do Flu é não compreender como funciona o futebol brasileiro. E se der certo, amanhã entra outra diretoria e contratam o Parreira. E 6 meses depois outro diretor chama o técnico da base. E assim seguimos, sem entender nada nas mãos de quem muito entende mas pouco se alinha.

Pra mim a única chance de um time mediocre fazer algo diferente é através de um comando inovador. Caso contrário, na certeza da mediocridade técnica e e também do estilo já conhecido técnico, nada de diferente acontecerá. E talvez seja essa segurança que o Fluminense esteja querendo.

Boa sorte a ambos. Vão precisar.

RicaPerrone

Não há “zebra” grande

Não é difícil, basta observar o futebol. Em janeiro Diniz chegou a um Fluminense que só pensava em não cair. Implementou um estilo de jogo, tornou o time uma atração nacional mesmo sem resultados expressivos.

Pois bem.

Passou o tempo, o clube mudou a diretoria, passou a pensar diferente. Foi buscar Nenê, surgiu JP, mantiveram Pedro, Wellington Nem e portanto o discurso de “vamos pra não cair” não entra mais na cabeça do torcedor.

A empolgação com a Sulamericana, somada aos altos da era Diniz e a chegada de reforços, mudaram o patamar de cobrança no clube.

E agora, veja você, não basta mais ser diferente. É preciso não ser o time da zona de rebaixamento sob nenhuma hipótese.

Talvez seja mais fácil o Diniz se adaptar ao futebol com um ajuste pequeno em sua filosofia do que tentar fazer todo clube se ajustar ao que ele acredita. Eu gosto, gosto muito. Especialmente quando o time não tem nada a perder.

Mas o Fluminense de janeiro não tinha, esse tem. Diniz não pode mais ser uma tese, precisa ser também um resultado. Sua queda ficou óbvia na medida em que o rebaixamento foi se aproximando.

Lamento. Mas compreendo. Time grande quando pisa na lama afunda cada vez mais exatamente pelo seu tamanho. Pequenos pousam na lama e saem com naturalidade.

O Flu sabe o que significa dormir na zona de rebaixamento e o que isso causa no torcedor, no ambiente e no elenco.

A troca é compreensível. Eu não sei se faria ou se insistiria mais um pouco. Compreendo, porém, que quem trouxe a idéia não é necessariamente quem hoje comanda o clube. Portanto não é obrigado a banca-la até o fim.  Também compreendo o ambiente insustentável após perder pro Goiás, empatar com o Ceará e perder pro CSA no Maracanã.

Diniz é uma atração.  O Fluminense, uma paixão. Quando os dois entram em conflito…

RicaPerrone

Entre o espaço e a posse

Outro dia estava conversando com o Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter. Ele me disse uma frase que resumiu algo que eu não conseguia separar tão bem em palavras:  “no futebol você tem a bola ou o espaço”.

Sim, é isso.

O Fluminense opta pela bola. Todo time grande opta por ela. Mas tendo o tempo todo o adversário estará quase sempre organizado defensivamente. Pra passar por isso hoje em dia ou você tem um Messi ou um puta time. O Flu não tem nem uma coisa, nem outra.

A posse de bola no Brasil é defensiva. Pra não dar a bola pro rival. Mas é retomando e usando velocidade que você encontra espaços. O Fluminense tem um estilo de jogo que não lhe deixa qualquer espaço.

Sufocar o adversário é bom até a página dois. Ele está plantado. Posicionado. Não a toa das lendas do futebol a maior delas se chama “escanteio”. O lance de perigo menos perigoso do mundo estatisticamente e que ainda causa alguma expectativa quando acontece.

Zaga postada é muito difícil de superar. O Fluminense é lento, não toca a bola rápido pro gol pois isso lhe dá a chance de perder a posse mais rapidamente. Logo, me faz pensar se não é mais uma “posse defensiva” disfarçada de pressão.

Fato é que em casa, desse jeito, a história será repetida sempre. O rival se posta atrás, o Flu tem a bola e não fará nada com ela. Num contra-ataque ainda periga perder o jogo.

Ou mais veloz, ou menos posse e mais contra-ataque. O Fluminense joga bem, eu gosto de ver, mas é preciso reconhecer que pra usar esse sistema e ganhar ou você “obriga” o adversário a sair de trás, ou você tem um timaço.  Nos pontos corridos ninguém é obrigado a sair de trás.

Então… talvez seja hora de mudar um pouquinho a estratégia sem mudar a característica. É a bola ou o espaço. Os dois, só jogando contra crianças.

RicaPerrone

Quando a bola entra

Se o resultado foi muito bom, a atuação não.  E se você puxar os últimos jogos rapidamente na cabeça verá que o SPFC sofre com a lentidão de Pato e Hernanes em péssima fase.

Não porque não prestam. Mas porque parecem estar jogando de favor. Seja lá pelo motivo pessoal que for, o SPFC com qualquer garoto é mais perigoso do que com eles.

No Maracanã o Fluminense foi bem melhor. O que não significa vencer, já que é especialidade do Flu jogar melhor e também tem sido sair do jogo perdendo.

Penalti? Sim. Bateu.

Eu não gosto dessa “nova regra”. Preferia a simples da mão na bola e bola na mão. Mas… a regra é essa. Penalti, portanto.

E segue o enterro.

O curioso é que ontem o Maracanã viu o time que mais “merece” e não faz o gol perder, e o time que ontem não jogou quase nada fazer o gol e vencer.

Estatísticas. O biquini do futebol. Mostram tudo, menos o que todo mundo quer ver.

RicaPerrone

Grande vitória

A mania brasileira de menosprezar adversários acaba desmerecendo nossos feitos. O Fluminense, que vive uma fase complicada no Brasileirão, continua “encantando” em algumas partidas, dando raiva em outras. Mas em todas elas sabendo o que quer do primeiro ao último minuto.

Se há uma carência no futebol brasileiro é de método. O Flu tem uma proposta e insiste nela.

Gosto.

Ontem foi ao Uruguai bater no Peñarol lá.  Pra alguns, “o Peñarol é fraco”. Mas é o mesmo time que lidera o campeonato uruguaio, que fez a mesma campanha de Flamengo e LDU no grupo da Libertadores (eliminado por saldo) e que empatou uma e ganhou outra do mesmo e galático Flamengo.

Além de historicamente eu não precisar contar o que representa tal camisa. Ou preciso?

Grandes times são construídos com insistência no trabalho e convicção do que está fazendo.

Pode ser que não se sustente. Pode ser que dure. Pode sair dessa campeão e ao Flu a Sulamericana tem um valor diferente do que teria aos times protagonistas da temporada.

Pra quem entrou pra ser campeão da América é consolo. Pra quem entrou no ano pra não cair, é título.  E tal qual em 2018, o Flu é disparado o time que mais quer a Sulamericana.

Que assim seja, então.

RicaPerrone

Noite (in)feliz

Bom público, surpreendendo até mesmo os otimistas.  Saudades misturada com expectativa.

Nenê contratado, e não o faria com salários em dia, imagine atrasados. Não vem bem, faz bico quando contrariado. Contratação de alto risco num elenco que já tem um “meia técnico e lento” e que não recebe em dia.

O gol bem validado do Flu.

O gol bem anulado do Ceará. Indiscutível uso do impedimento no lance.

O massacre. A bola que não entra. As vaias a nova falta do “detalhe”.

“Cria” do Flu, Parreira criou a frase mais mal interpretada e mentirosa do futebol ao mesmo tempo. É fácil entender o que ele quis dizer, e mais fácil ainda entender porque passou a carreira sendo demitido. Detalhes.

Diniz tem uma idéia. Ela funciona, mas nem sempre o resultado final indica que foi bem feito.

Falta um “detalhe”. Justo o que decide a porra toda.

Se pelos números ou pela idéia, não sei o que vai decidir a nova diretoria do Flu. Sei que eu manteria, até porque é um time com salários atrasados e isso atrapalha qualquer processo para um líder.

Eu gosto da entrega, do conceito, da forma de jogar e não vejo alternativa melhor. Não me refiro ao Diniz, mas ao Fluminense que tenta ser protagonista pela forma e não pelo título, que obviamente com esse cenário financeiro dificilmente virá.

Enfim. Vaias. Numa noite em que faltou “o detalhe” para ser muito feliz.

RicaPerrone

Quem voltou melhor?

Dos 12 grandes, vi alguns. A tal parada de 30 dias normalmente gera expectativa de melhora e quase nada acontece na prática. Mas dessa vez, parece, não será bem assim.

Flamengo – Melhorou consideravelmente. Apesar do jogo contra o CAP ter sido normal e com riscos de eliminação, houve melhora. No Maracanã, um baile contra o Goiás.

Vasco – Melhorou bastante também. Jogou uma boa partida contra o time reserva do Grêmio e não fosse a arbitragem provavelmente teria vencido ao fazer 2×0. Após esse lance o time mostrou fragilidade e tomou a virada. Mas melhorou do primeiro semestre.

Fluminense – Joga hoje.

Botafogo – Melhora leve. É um time dentro de um limite apertado.  Contra o Cruzeiro é difícil porque a proposta dos dois é a mesma. Então ficou aquele jogo horrível. Mas é um time bem treinado.

São Paulo – Melhorou. Nada absurdo, mas brigou em campo e se mexeu mais. As saídas parecem mais importantes do que os treinamentos durante a Copa América.

Palmeiras – Igual. Ou seja, ganhando. O futebol não é lindo de ver, mas é altamente competente.

Corinthians – Não vi.

Santos – Não vi.

Cruzeiro – Mesmo futebol. Um time forte que não quer ter a bola pressionar 0 adversário. Espera uma chance e faz. Eu gostaria de ver mais desse time, mas inegavelmente funciona.

Atlético MG – O que se viu quarta-feira é de uma apatia assustadora.

Grêmio – Melhorou. Voltou a tocar a bola, ter um padrão e criar chances. Um jogo com reserva, outro com titulares. Ainda falta o último passe. Mas melhorou com a parada.

Inter – Não vi.

RicaPerrone

Flu não pode “vender” o Pedro pro Flamengo

Quando o Flamengo foi comprar o Dourado, que na época era o melhor jogador do Fluminense, eu escrevi que a venda pelo valor que fosse machucava o Tricolor por outro aspecto.

Pedro é ainda pior.

Jogador bom você vende pra um time maior. Quando o Flamengo vai ao Fluminense e compra um jogador (a não ser que pague a multa) ele está se distanciando do rival e abrindo vantagem.

O Flamengo não pode ser uma etapa pra quem joga no Flu. Deve ser o rival. A etapa é Fluminense -> Europa. Sem Flamengo no meio.

O poder de compra é maior, as dívidas sem fim do Flu idem. Mas algumas coisas tem que ser preservadas. Negociações entre clubes rivais podem existir se ambos estiverem dispostos. Troca de jogadores que não estão rendendo, algo assim. Mas um grande ir no rival e comprar um jogador fundamental pra ele torna a relação desigual.

Quando isso acontece duas vezes em seguida, carimba uma nova realidade. Há um “maior” e um “menor” nessa rivalidade. E isso não é bom nem mesmo pro maior.

O Flamengo querer comprar tá na dele. Mérito dele poder comprar. O Fluminense é que não pode vender. Que arrume outro, que venda 20% mais barato, mas que dê ao seu torcedor o gesto simbólico esperado de dizer “pra você, não”.

Ou assume um posto inferior ao seu maior rival e então começa a institucionalizar o apequenamento.

RicaPerrone