Lendas do futebol

Pouco “delicado”

Um dia, após perder um jogo pela Libertadores, Telê disse aos jornalistas que “o time não foi mal”.

Sentado numa mesa com diversos dirigentes em volta, o treinador foi surpreendido pela chegada do Presidente, Pimenta, que entrou na sala dizendo, em tom de bate-papo:

“Oooo Tele, hoje eu discordei de voce viu. Eu disse pra imprensa que o time foi muito mal…”.

Nada delicado, Telê respondeu ao seu patrão:

– E dai? Não faz diferença. Você não entende porra nenhuma de futebol mesmo…

Viram? Era verdade: Muricy é um aluno de Telê. Mas só nisso… rs

abs,
RicaPerrone

Não sabe? Então está fora!

Aconteceu faz pouco tempo. Um grande clube do pais tinha um jogador já com pinta de craque quando seus empresários resolveram vende-lo por ai.

Um assinou com um, outro com outro, o jogador ficou igual um babaca no meio da historia sem saber pra onde ia.

O tecnico, diferente da maioria, não quis saber se ele era craque ou não. Sentou com o sujeito e teve um dialogo de poucas palavras:

– Filho, quem é seu empresario?
– Tem o XXX e o XXX…
– E quem responde por você?
– Os dois…
– E você quer ir pra onde?
– Não sei, professor…
– Você assinou com o clube X ou foi o empresário?
– Foi ele! Juro que não tive nada a ver com isso.
– Que bom, então você está fora do time.
– Porque? Eu não assinei, foi o empresário!
– Querido… se você não é homem nem pra saber quem responde por você, imagine pra vestir a camisa 10 do … Aqui você não joga até que aprenda a conduzir sua vida sozinho.

O jogador voltou em 20 dias. Hoje é craque, com C maiúsculo.

abs,
RicaPerrone

Duvida? Então tá…


Libertadores 2004. Um time brasileiro fazia compras num shopping que havia dentro do hotel da delegação quando um “negão” ouve um comentário da vendedora.

Com sotaque, claro, o comentario dizia algo como:
“Falam que todo negro tem pinto grande, mas pra mim é mentira! Eu não acredito nisso”.

O jogador olhou, deu risada e a mocinha continuou argumentando. Discreto, pegou uma roupa e foi para o provador. Lá de dentro, fez “psssssiu”  pra mocinha olhar e abriu a cortina, com o “menino” a mostra.

A moça começou a gritar na loja, morrendo de vergonha (ou susto) e os jornalistas em volta rolavam no chão de rir do que havia feito o “negão”.

Ah, o apelido do jogador entre seus companheiros era “Big Coke”.

abs,
RicaPerrone

Fica, professor!

Essa historia eu confirmei no ar com o Rogério e outros jogadores, portanto, vai com nomes.

Em 2005, após a conquista da Libertadores, Autuori passou por problemas pessoais e ficou meio dificil trabalhar. Não vou ficar entrando em detalhes porque não acho legal, mas, mexe com a vida da pessoa uma separação tendo filhos.

Enfim, no meio do Brasileirão, se não me engano após SPFC x Juventude, o treinador entregou o cargo e ia embora antes do mundial, alegando não ter condições de trabalhar, pois estava nervoso e sem conseguir focar no clube o que deveria.

A notícia correu nos jogadores antes de ir para a imprensa. Rogério, Amoroso e Lugano foram até o quarto do treinador e simplesmente o “proibiram de sair”. Disseram para ele ficar tranquilo que eles seguravam a bronca no Brasileirão, mas que no Mundial precisariam muito dele. Comovido, o treinador mudou de idéia e ficou, sem que isso sequer vazasse na mídia na época.

Em dezembro, em Tóquio, Autuori deu a maior preleção da sua vida (segundo jogadores) e mudou o cenário de um jogo. Dizem que o time sentia medo no dia anterior, que ouviram demais sobre o Liverpool e que seria muito difícil ganhar naquele clima.

Paulo mostrou um vídeo com todas as jogadas do adversário, conversou com o time na noite anterior e fez enfiar na cabeça de cada um que o SPFC não devia nada pros ingleses e que venceria o jogo se fizessem o que foi dito.

Me lembro até hoje que o Rogério me disse assim um dia: “Eu entrei na preleção achando que perderíamos. Saí tendo certeza que seríamos campeões. O Paulo foi foda!”.

E o Sérgio, preparador físico no clube há 29 anos, me disse: “Autuori me deu uma lição que eu jamais imaginei ainda ter no futebol. Me ensinou que respeito nem sempre se ganha com gritos e broncas. Ele não dá bronca, não grita. Mas, quando fala A, o time faz A. E se faz, ganha o jogo. “

abs,
RicaPerrone

Comentários brilhantes


Três boas histórias de rádio. Não vou dar nome de todas porque não lembro mesmo, mas as histórias são conhecidas no meio e talvez alguém me lembre os nomes.

Comentarista de morte
Numa rádio de Minas, se não me engano em Muzambinho, tinha um jornalista esportivo e um programa de notícias pela manhã. Um dia o apresentador de notícias ficou doente e chamaram o esportivo pra fazer o programa.

Em determinado momento ele tinha que anunciar, com musica triste de fundo, os falecimentos do dia anterior. (isso é comum em cidades do interior até hoje).

E ele foi seco:
– Morreu José, da padaria.  Morreu ontem dona Joana, da farmácia. Morreu dna Ofélia, 78 anos, ex-professora.
E no final do texto, por hábito, ele chamou o comentarista! O coitado, desnorteado pelo chamado e sem ter o que dizer num bloco informativo desses, soltou:
– É, é verdade. Está morrendo gente que nunca morreu antes né…

Silêncio no ar. E comerciais.

Copa América
Era Brasil x Paraguai no Maracanã. O comentarista estava com sono e pouco prestava atenção no jogo. No intervalo, o narrador chamou sua opinião sobre o primeiro tempo e, assustado, ele soltou:
– Bom, aí o primeiro tempo. O Brasil fez um gol né… o Paraguai não. O Paraguai não fez nenhum. Um a zero pro Brasil.

Mirtão
Milton Neves era rádio escuta da Jovem Pan. A função era ouvir os gols pela rodada e ir dando no ar. José Silvério narrava o jogo e o Milton entra no ar:
– Olha o gol!
– Gol aonde?
– Maracanã, Madureira 1×0 Flamengo.
Minutos depois…
– Olha o gol!
– Gol aonde?
– Maracanã, Madureira 2×0 Flamengo.

E assim foi até estar 5×1 pro Madureira. Mas, na época o Flamengo era o maior time do país, não tinha como perder um jogo desses. E o Silvério desconfiado do, até então, novato Milton Neves.

Até que o Milton recebe a notícia: “Maracanã, Zico. 1×0 pro Flamengo”.
Ele ficou desesperado e não sabia o que fazer. Mas, ao tentar esconder que errou, que deu resultado de juniores, o Silvério perguntou e complicou a vida dele.
– Olha o gol!
_ Gol aonde?
– No Maracanã, Zico abre o placar. Flamengo 1×0 Madureira…
– Ué Milton? Mas não estava 5×1 pro Madureira até agora ha pouco?
– Sim, sim, é que o jogo foi passando e o juiz foi anulando os gols todos!!!

Silêncio… porque ninguém anula gols na sequencia da partida. O conserto ficou pior do que erro.

abs,
RicaPerrone

O nosso é maior!

torcida Essa eu ouvi hoje e é fantástica! Final do estadual 2009, não conto em que estado e nem qual clube, óbvio. Um dos técnicos, achando que o time dele era menos “forte” que o outro, preparou um “fator motivacional”.

A imprensa previa um jogo duro, mas apontava o rival como favorito por ter melhores jogadores. Preocupado, ele toma uma decisão e resolve “motivar” o elenco com belas palavras.

Ainda na concentração, aquele clima tenso pré jogo, ele reune o grupo pra uma preleção.

Todos sentam, ele fica em pé e diz pro time:

– Eles tem mais time que a gente, não tem?
– Sim…. (jogadores respondendo)
– Eles tem uns caras que foram pra seleção já e tem nome e isso pode fazer a diferença, certo?
– Sim….
– Mas esqueçam isso tudo! Nosso caralho é maior que o deles! Vamo pro jogo porra!!!!!

Virou as costas e saiu.

Essa foi sua preleção.

O time perdeu. Se eu contar de quanto todo mundo descobre quem é o treinador. Ops, o asno! rsss

abs,
RicaPerrone

Lendas do futebol – Lolinha, o craque!

Hoje, numa churrascaria com um amigo, lembrei de uma história sensacional. Como não tenho o que postar, vai ela mesmo. rs

1998, Palestra Italia. Estreariam Paulo Nunes, Arce e Arilson, o trio do Gremio. Palmeiras x CSA, acho que era Copa do Brasil, algo assim.

Em minutos, 2×0. Dois cruzamentos do Arce e o Verdão tinha o jogo nas mãos. Veio o segundo tempo e o terceiro gol. Perdeu a graça. Sem ritmo, o time cozinhava o jogo e o CSA, coitado, não conseguia dar 3 passes em sequencia.

A casa estava com cerca de 5 mil pessoas, por ai. Aqueles jogos que a torcida mais se diverte do que torce, sabe?

Então…

Quando começou o jogo o placar e a “voz do palestra” deram os 11 e o banco do time alagoano. Quando deram um tal de Lolinha, todos riram. É “lólinha” que se fala. Convenhamos, um nome engraçado e meio bichistico.

Esqueceram, foi so uma risada antes do jogo.

Aos 30 do segundo tempo, jogo morno, o placar anuncia: “Sai não sei quem, entra Lolinha”. E aparece um baixinho na beira do campo.

Pronto! Gargalhadas pra todo lado, porque o nome dele anunciado era realmente engraçado. E aquele clima de jogo amistoso foi pegando, e o Lolinha virando atração.

Aplaudiram, ironicamente, a entrada do sujeito. Ele se assustou. Lembro que olhou pra arquibancada meio que sem entender porque os aplausos.

Minutos depois ele toca na bola e a torcida explode comemorando! Ele nao entendeu nada, e meteu uma bola no peito do atacante. Motivo suficiente pra torcida se exaltar e começar a aplaudir, ironicamente, o tal do Lolinha.

O cara se encheu de moral, achou que era sério o que estava acontecendo e começou a pedir a bola. Ele tentava driblar, batia de longe, até os jogadores do Palmeiras já riam da situação, menos o tal do Lolinha, se achando craque.

44 e ele mete um chutão la na arquibancada. Vaias? Que nada!!!  O Palestra começa a gritar: “Lolinha! Lolinha!”, em coro. A gente cantava e ria, ele achava que era a consagração.

Fim de jogo, Lolinha vem até perto da torcida trocar de camisa com alguem do Palmeiras. No que ele pega a camisa na mão a arquibancada começa a pedir: “Coloca! Coloca!”.

Ele vai na direção da torcida, cheio de moral, emocionado e mete a camisa! Beija o simbolo, o Palestra Italia explode em risadas e aplausos, só que ele não tinha notado que era piada…

A Band chega no cara e vai entrevista-lo, achando tudo aquilo engraçado. A torcida começa a cantar: “Zagallo cuzão, Lolinha é seleção!”.

Ele se emociona, diz que sempre esperou reconhecimento e solta a perola, com lagrimas nos olhos:

“Eu sabia que um dia ia acontecer. Espero que o Zagallo também esteja vendo e quem sabe um dia eu possa vestir essa camisa aqui pra retrubuir todo esse carinho”.

Foi sensacional! O dia que um jogador desconhecido, que não jogava porra nenhuma, achou que a piada era seria e saiu do Palestra Italia acreditando que pediam sua convocação pra seleção as vesperas da Copa.

O que eu estava fazendo na arquibancada do Palmeiras? Fui ver Lolinha, oras!!! rsssss

Mais historias de futebol, aqui!

abs,
RicaPerrone

Telê, o vilão de 92?

1992, Libertadores da América.

Telê não gostava da competição porque o jogo era muito marcado, pegado, enfim, não fazia seu estilo. Ele não queria priorizar aquilo, mas o clube queria.

Um dia, após um jogo fora do país na primeira fase, o mestre deu uma entrevista metendo o pau na Conmebol e na competição. Insinuando que tinha esquema e tal.

O SPFC recebeu uma carta da Conmebol dizendo que se o treinador não pedisse desculpas e retirasse o que tinha dito em algunas horas, o clube estaria eliminado da competição.

A diretoria correu no Tele e pediu que ele assinasse uma carta pedindo desculpas.

– Não assino!!!
– Pelo amor de Deus, Tele…. assina isso. Vão eliminar a gente.
– Que bom, não quero jogar essa merda!
– TELE! Assina ou voce está demitido!

E assim, na base da briga, Telê assinou e pediu desculpas a Conmebol, mantendo o SPFC na competição. Aquela mesma que o consagrou meses depois.

Coisas do futebol…. meio lenda, meio verdade. Vai saber…

abs,
RicaPerrone

A Copa que Zico ajudou a ganhar

Na década de 80 um garotinho torcedor da Udinese ganhou um ídolo. Morava perto do clube e ia assistir ao treino todos os dias. Olhava tudo que seu ídolo fazia e repetia em casa até acertar.

Cobrava faltas até derrubar a camiseta pendurada no angulo, como seu ídolo.  Andava igual, tocava a bola parecido e estava sempre de cabeça erguida em campo.  Resolveu seguir carreira motivado pelo seu novo herói.

Foi treinando até se tornar jogador. Apaixonado pelo futebol brasileiro, Roberto cresceu e talvez tenha sido um dos italianos que mais tenha se aproximado do toque de bola que temos aqui. Sua influencia vinha em quase 100% de um tal de Zico, que jogou no seu time quando era pequeno.

Roberto foi se tornando profissional e brilhando cada vez mais. Chegou a seleção, disputou uma Copa em seu auge. Levou o time até a decisão quase sozinho, destoando da maioria com sua brilhante capacidade técnica de resolver jogos dificeis. Nunca fugiu de ser o craque, pelo contrário, chamou e resolveu quando precisou.

As coincidencias com o ídolo não param por ai.

Baggio tinha em sua mente a imagem do seu heroi perdendo um penalti e eliminar seu país da Copa. E penalti era uma das especialidades de Zico, como também sempre foi de Roberto.

Em 1994, na final contra o Brasil de Zico, Baggio teve sua experiencia mais próxima do ídolo: A culpa de ser “o cara”.  E “o cara” não pode errar, mas é aquele que sempre erra, porque o futebol quer assim.

Como seu ídolo, perdeu um pênalti e tirou seu país da Copa. Ali, todos esqueceram que ele levou seu time até ali e só o rótulo de ter “perdido”  ficou na história. Baggio, naquele dia, sentiu o que era ser Zico.

E assim, com essa história que poucos conhecem, dá pra dizer que o Zico ajudou o Brasil a ganhar uma Copa. Coisa que a vida quis que ele não conseguisse em campo, e que tenho fé de ver acontecer como técnico. Afinal, se existe alguém que merece ganhar uma Copa do Mundo e não ganhou, se chama Arthur Antunes Coimbra Júnior.

O segundo, talvez, seja um tal de Roberto…

abs,
RicaPerrone