Lendas do futebol

A coletiva

Terminou o jogo, o treinador se fechou numa salinha dele e ficou. A imprensa esperando lá fora, o time tinha perdido e estava fora do campeonato. Todos acharam que o professor ia demorar, e ninguém quis incomoda-lo, até porque, era um puta mal criado.

Passados 40 minutos a imprensa já estava preocupada, pois os programas pós jogo iam encerrar e nada do técnico. Foram cobrar, e os assessores disseram: “Deixa ele, deve estar esfriando a cabeça. É melhor assim”. E esperaram, esperaram, até que deu uma hora e meia de espera.

Torcida no portão xingando, o time saindo pelos fundos e nada do técnico. Um dos assessores foi lá, preocupado que ele pudesse ter passado mal ou algo assim.

Abriu a porta da salinha e lá está o cretino, dormindo, roncando.

Chega na coletiva, onde todos achavam que ele estava muito nervoso e por isso demorou, o cara solta: “Eu tava vendo o jogo do XXX. Precisamos pensar no outro campeonato agora, e já comecei a estudar o proximo adversario.”.

Saiu elogiado, porque estava “calmo”, sereno apos a derrota e equilibrado, ja pensando em um novo foco.

E assim se forma uma fama ne? rsss

abs,
RicaPerrone

Ziriguidum de craque

Era brasileiro, mas jogava na Italia. Seu treinador não o liberou pro carnaval até o dia que sua escola desfilava. Ele podia vir ao Brasil, mas tinha que voltar segunda. Voltou na quarta de manhã, e o seu time jogava no mesmo dia a noite.

Ao chegar na concentração, exaltado, quase bebado ainda, ouviu um sermão enorme do treinador. Mas, com ajuda do tradutor, conseguiu negociar. E, perante o grupo, se deu bem.

Os jogadores ficaram rindo da cena, já que o sujeito era um “bom camarada” no elenco. O treinador, puto, gritando no refeitorio.

– Voce não vai jogar! Eu mandei voltar na segunda! Quem voce pensa que é?
– Olha, eu tinha que desfilar. Mas ja estou aqui e jogo hoje.
– Não joga não! Aqui não é sua casa. Vai ser punido…
– Perai professor. Deixa eu fazer uma proposta?
– Fala…
– Se eu jogar e fizer 2 gols você me libera e nem fala pra imprensa do que aconteceu?
– Voce não vai jogar!
– Então faz melhor! Se eu não fizer os 2 gols você me afasta do elenco!
– Não vou aceitar suas condições…
– To te oferecendo 3 pontos no campeonato em troca de não ser punido. É pegar ou largar.

O grupo pressionou, rindo, e o treinador aceitou.

O jogo terminou 4×1, ele fez 3 gols.

No vestiário, ao final do jogo, o jogador arrumou a mala correndo e fingiu que ia saindo. O treinador, irritado e desconsertado, gritou:

– Onde voce pensa que vai?!?!
– Ao desfile das campeãs, é sábado, não posso perder.

E o grupo caiu na risada, inclusive o treinador, que acabara de ganhar 3 pontos em troca de um desfile de escolas de samba.

abs,
RicaPerrone

Baggio e o Flamengo

Já em fim de carreira, Roberto Baggio recebeu um telefonema de empresários brasileiros tentando coloca-lo no Palmeiras. Seria um marketing enorme, até pela questão da Itália e tal. O jogador ouviu, mas a conversa não evoluiu.

O clube não insistiu, pois ele queria mesmo parar e vir pro Brasil era fora de cogitação para a maioria dos craques europeus. E Baggio era um deles. Mas, essa historia toda teve “bastidores” interssantes, que fiquei sabendo hoje.

Pra quem nào sabe, Roberto Baggio só virou jogador de futebol porque um dia o Zico foi jogar no time dele, a Udinese. O garotinho ia todo dia ver os treinos e repetia em casa o que o ídolo fazia. Baggio se tornou não apenas jogador como um conhecedor de futebol brasileiro, capaz de escalar times e dar informações precisas sobre o que acontece no campeonato daqui.

Até hoje é assim. Em seu blog, as vezes comenta o Brasileirão com propriedade.

Mas, Baggio tinha um time lá, e outro cá. Afinal, fã que é fã segue o ídolo em tudo.

Nesse momento em que tentaram leva-lo pro Palmeiras, Baggio revelou a empresários um desejo pouco conhecido, e que na verdade é um boato, lenda, não sabemos até que ponto é verdade. Mas, está em “lendas do futebol”, logo… foda-se.

Ele teria digo aos empresários o seguinte:

– Então não tem acerto pra vir pro Palmeiras?
– Não, infelizmente não. Eu estou parando, não quero mais, ainda mais fora do meu país…
– Uma pena, adorariam voce aqui.
– Tem o penalti da Copa também, eu aguentaria muita gozação por isso, não sei se é o que quero.
– Tudo bem, se um dia quiser retomar a carreira e jogar no Brasil, só entrar em contato, nós providenciamos um grande clube, etc, etc, etc.
– Muito obrigado. Ja sonhei em jogar no Brasil quando garoto, mas não no Palmeiras…
– Ah é? E voce queria jogar onde?
– Queria vestir a camisa que foi do Zico. Mas a minha carreira foi andando e virou apenas um sonho de garoto.
– Quer que falamos com o Flamengo? Quem sabe?
– Não, não. Eu estou parando mesmo. Mas, há 2 anos… eu teria pensado com carinho.

E assim terminou a breve negociação entre empresarios e Roberto Baggio, que seria jogador do Palmeiras por vontade deles e, quem sabe, do Flamengo por sonho de infancia, influenciado pelo seu idolo maior.

Ja pensou?

abs,
RicaPerrone

Tá doendo!


Canindé, e já faz tempo. Um jogador fazia sua segunda ou terceira partida pela Lusa e simplesmente acabou com o jogo. Correu um absurdo, driblou, fez gol,  fez o diabo.

Quando tinha 20 do segundo tempo saiu o anti-doping e ele ouviu passando pelo banco que era ele. Dois minutos depois, em pânico, caiu do lado do campo e começou a esfregar a perna esquerda como se tivesse quebrado.

Ele berrava de dor, e o médico correu pra ver, o arbitro e quem mais estivesse perto. Os médicos chegaram e começaram a fazer o tratamento, enquanto ele gritava e rolava.

Até que o médico viu que não melhorava e perguntou:
– Dói o que afinal?
– O joelho direito!!! Muito! Eu quebrei…
– Mas você tá segurando a outra perna….
– Porra doutor, tá achando que eu corri tudo isso como? Me tira dessa porra logo!

O médico fez que não ouviu nada de novo e tirou o jogador. Em pânico, o avisaram que ele faria o anti-doping do mesmo jeito. Ele passou o restante do jogo desesperado no vestiário ao lado do médico. Até que o time desceu e, já quase tendo um ataque de nervos, ouviu do técnico:

– O “não sei quem”, vai pro Doping que você foi sorteado.

Não era ele… e a Lusa sofreu o gol de empate depois que ele saiu.

abs,
RicaPerrone

Não confunda as coisas

Vila Belmiro – Não vou dar o ano pra que ninguém nem imagine a reporter e nem o jogador.

Uma grupo de jornalistas se aproxima do craque do time ao final do treino e pede entrevista. Gentilmente ele diz;
– Não, hoje não, tudo bem? Valeu…

E sai andando.

Uma “repórter”, com alguma intimidade com o craque, dá dois passos a frente e diz:
– Ei… fala comigo um pouco vai? Só uma perguntinha…

Diante do pedido e com alguns jornalistas que ouviram a recusa inicial do lado, o craque solta sem dó:
– Não é porque eu comi o seu cu que vou te dar entrevista toda hora. Vai se foder!

Metade dos jornalistas segurando a risada, a outra metade com dó da mocinha, e ela, coitada, nem levantava a cabeça depois dessa.

Bom, dar uma ligadinha no dia seguinte tudo bem. Mas entrevista todo dia é sacanagem né… rsss

abs,
RicaPerrone

Demitido por SMS

O técnico dirigia um time paulista e andava na corda bamba. Ao final de uma cacetada em casa, o treinador sabia que dificilmente continuaria, mas mesmo assim aguardou para falar com a imprensa.

Caminhando para começar a coletiva, o técnico recebeu um SMS que dizia algo como: “Assim fica dificil”. vindo do diretor de futebol. Rapidamente ele respondeu a mensagem: “Estou fora né?”

Enquanto formulavam a primeira pergunta, o SMS chegou: “Sim, o presidente não tem mais como segurar”.

E ele abre a coletiva: “Bom, conversei com a diretoria e mesmo eles pedindo calma, acho que é melhor sair. Eu peço demissão do clube porque não quero atrapalhar, etc, etc, etc….”

A diretoria, afim de dar um migué, aceitou a coisa toda e confirmou que ele se demitiu. Burro, porque ficou sem receber nada em virtuda da sua declaração. Quando foi pedir pra receber, ouviu: “Não, ué! Você se demitiu… não tem multa”.

Sifu! rsss

abs,
RicaPerrone

O gênio!

Já que gostaram, vai outra do mesmo tipo.

Palmeiras x um time do interior, jogo fora de casa. Fazia um calor absurdo e no intervalo o Palmeiras perdia por 2×0. Quando o time entrou pro vestiário dois reporteres ficaram encostados na parede por causa da sombra. Mas, a porta ficou aberta porque não tinha ventilação e fazia 50 graus. rs

O técnico ficou mudo o intervalo todo, enquanto o time tomava banho frio pra aguentar o calor. Quando tocou a campainha para voltarem do intervalo, o treinador juntou o time e disse:

“Porra! Caralhooooo! Porra! Que isso? Vamo lá porra! Porra…  Coração gente! Porra! Entra o “Joãozinho” e sai o “Manézinho”. Porra! Vamo lá!!!”.

3×2 pro Palmeiras, 3 gols do “Joãozinho”.

No outro dia o treinador estava num Mesa Redonda da vida e dizia: “Sim, sim… eu observei este detalhe que você também viu (a um jornalista) e passei pra eles no intervalo. Veja bem, a função do treinador não é só ficar berrando ali na beira do gramado. Tem que enxergar o jogo, sabe…”

Imagem é tudo…

abs,
RicaPerrone

Coraçao de boi


2007 – Campeonato Brasileiro. O time jogava fora de casa e o treinador, motivador, resolveu inovar.

Não vou ficar dando nomes e tal porque essas coisas a gente preserva, afinal, são assuntos informais no futebol e que não gosto de dar ”nome aos bois” porque depois rotula.

O time precisava vencer para reagir e o técnico teve uma idéia genial. O time ouviu a preleção e se aqueceu. Quando foi entrar no tunel que dava acesso ao campo, sentiram um cheiro forte.

O treinador estava com um coração de boi sangrando nas mãos e dizia: “Vocês tem que ter isso aqui!!! Hoje é coração!!! Vamos assar essa porra no fim do jogo, caralho!!!”.

O time ficou olhando aquele sangue sem entender nada e começaram a sentir vontade de vomitar. A equipe entrou toda “embrulhada” em campo e alguns ate passaram mal. Um deles, ironico, disse ainda no vestiário: “Eu não vou comer essa porra aí  não!”.

O jogo terminou empatado, e ninguém teve que comer o coracão do boi.

PS – Vocês gostam dessas histórias? Se curtirem eu vou começar a contar (sem nomes) aqui. A gente conhece umas 800 dessas, mas não dá pra publicar dando nome. Se gostarem, continuo.

abs,
RicaPerrone

O marrento

20 do segundo tempo. O atacante deitou e rolou em cima do zagueiro o jogo todo. 3×0, dois gols dele. O zagueirão já tinha amarelo, faz outra falta feia e o juiz corre na direção dele com a mão no bolso. Enquanto todo time pressiona para o arbitro expulsa-lo, o atacante levanta e começa a gritar:

“Não, não!!! Não expulsa não!”. O juiz pára e fica sem ação. Como um cara que tomou o pontapé está defendendo o agressor adversário?

Os dois times em volta do juiz ficam sem reação nenhuma. E o atacante segue gritando.

– Não tira o cartão! Não expulsa!

O juiz não aguenta e, na frente do time e do zagueiro, pergunta.

– Tá maluco caralho? O cara quase te racha no meio e você quer que ele fique?
– Porra, é mais fácil jogar com esse merda no time do que contra 10. Deixa ele ai que eu to humilhando.

Rapaz….. o beque ficou nervoso, muito nervoso. Mas não foi expulso porque o juiz riu da situação.

Os dois times se estranharam, se empurraram, e o juiz segurou a briga.

Segue o jogo.

Dois minutos depois o marrento pega a bola e parte pra cima do zagueiro. Finta, toma uma no meio do joelho, e o zagueirão levanta gritando com o juiz:

– Pode expulsar! Agora eu quero o vermelho! Expulsa!
– Que isso!? Você tá maluco?! (e saca o vermelho)
– Tô! Eu saio, mas ele também sai!

Virou as costas e saiu antes mesmo de tomar o vermelho.

O atacante ficou 4 meses fora dos gramados com um problema no ligamento cruzado.

Quando voltou, encarou de novo o mesmo zagueiro no jogo da volta dele. Marrento, entrou em campo fazendo tipo, todo cheio de onda, olhando feio.

Na primeira bola que pegou, o zagueiro foi correndo e enfiou a perna no cara. Falta até que normal, no maximo pra amarelo. O atacante levanta berrando com o juiz:

– Expulsa!!! Expulsa esse filha da puta!

Deu amarelo. E o exaltado atacante ainda grita:

– Porra! Vai se foder! Só amarelo?

E tomou vermelho por desacato ao arbitro.

Eis que o beque grita: “Não expulsa não porra… é a unica mocinha que tem pra eu bater e você tira o cara!?”.

Nem preciso dizer que virou briga, das boas. Os dois terminaram expulsos. Junto com mais uns 3 que se envolveram na discussão.

Um ano depois eles foram companheiros de time. Passaram 2 anos juntos, nunca se falaram, nunca se olharam na cara e há quem jure que jamais aconteceu um passe de um pra outro dentro do campo.

Ganharam 3 titulos, sem se olhar na cara.

abs,
RicaPerrone

Precipitados ou sem palavra?

A passagem de Renato Gaúcho no SPFC durou horas e só serviu pra torcida paulista pegar raiva do cara. É comum, quando julgado, ouvir coisas do tipo: “Ele não tem palavra”, etc. Tudo por causa daquele epsódio.

Até que um dia, dentro do Morumbi, eu ouvi a versão mais razoável de todas. Ela dizia mais ou menos isso:

O Renato foi ao Morumbi e acertou que, caso o Fluminense não cobrisse a proposta, pois a clausula dava este direito, ele jogaria no SPFC. A diretoria, euforica, quis anuncia-lo para apagar os resultados ridiculos do time e a fase digna de pena que o Tricolor vivia, contratando times bizonhos e pagando as reformas do Morumbi.

Um dirigente teria dito ao Renato:
– Entao vamos lá apresenta-lo!
– Não, perai… tem a clausula do Flu. A prioridade é deles. Se cobrirem, eu fico lá.
– Não, não vao cobrir nunca!!!
– Não vou vestir a camisa.
– Tudo bem, só segura. Amanhã a gente confirma tudo já com o Flu e você fala como jogador do SPFC com tudo assinado.
– Ok, mas eu não vou vestir a camisa ainda.

No outro dia, o Fluminense faz uma oferta que cobre a do SPFC. Por palavra, clausula ou sei lá o que, Renato liga no Morumbi e avisa:  Fico no Flu, conforme avisei, eles tinham a preferencia.

E para não assumir a merda que fez ao colocar o sujeito ali com a camisa e não deixar claro que era um pré-acordo, o Renato levou a fama mesmo tendo explicado algumas vezez isso em entrevistas.

Não vou dar o nome do dirigente, porque é uma versão da história. Mas, pela riqueza de detalhes que ouvi, foi a que mais me convenceu. Afinal de contas… que diabos um jogador com contrato assinado não veste a camisa na apresentação? E que contrato é esse que no outro dia não existe mais?

É uma versão. Acredite quem quiser…

abs,
RicaPerrone