Santos

O dia seguinte

Hoje é quinta-feira, dia 30 de janeiro e pela primeira vez no ano o futebol paulista teve assunto pra discutir. O primeiro clássico, o primeiro grande resultado e então, o primeiro “agora vai”.

Não, não vai.

 Não vi o jogo ontem, só hoje por VT. E notei, apenas tendo visto o jogo todo, que o Santos venceu por goleada.

Eu juro que cheguei a desconfiar durante o dia que o Corinthians tinha treinado contra cones de branco e eles tinham feito 5 gols por falhas da zaga corintiana. .

Mas não. Quando vi, vi uma baita partida do Santos. Bem mais importante do que a má partida do Corinthians.

O copo está sempre meio vazio. Quando 2 grandes se enfrentam, ninguém vence. Só há um derrotado a ser questionado e condenado a todos os fracassos e culpas possíveis de se dizer em algumas horas de programa ou numa coluna de jornal.

Pobre Santos, assistiu a goleada sofrida pelo Corinthians de camarote. E nem foi notado.

Thiago Ribeiro não marcou gols. O Corinthians e sua zaga os sofreu. E é por isso que futebol cada dia encanta menos.  Só há derrotados, erros, vilões e culpados.

Aos heróis, o papel de coadjuvante.

Hoje é quinta-feira, dia seguinte a derrota do Corinthians na Vila Belmiro. E mais nada.

abs,
RicaPerrone

Terrorismo no caso Neymar

11dez2013---neymar-faz-comemoracao-parado-na-esquina-apos-marcar-seu-terceiro-gol-na-partida-entre-barcelona-x-celtic-pela-liga-dos-campeoes-1386796296984_1024x683

Você já ouviu esse termo 200 vezes, todas elas com um tom “criminoso”.  Como se “aliciar” alguém fosse um tremendo absurdo ou uma falta de respeito.

O que é “aliciar”, afinal?

Seduzir, convocar, convidar, angariar, atrair.  Em alguns casos, “subornar”.

Não é o caso. Neymar não foi subornado pelo Barcelona, mas sim cobiçado, contactado e em seguida contratado. Algo que acontece com qualquer profissional de grande valor o tempo todo.

Alguém te liga e tenta te seduzir com algo.  Você aceita ou recusa. Simples assim.

Em 2011, Neymar tinha 19 anos. Portanto, é adulto pra responder pelo que escolhe. Se aceitou uma grana do Barcelona por uma preferência de compra, qual problema?

Ele deu um golpe no clube e acabou não indo?

Alguém realmente acha que o menino facilitaria o jogo pro Barcelona no mundial sendo que o Santos nem passou do meio campo?

Quanta bobagem. Insinuações idiotas, destrutivas. Desnecessárias.

Se o Barcelona escondeu internamente o valor do Neymar pra alguém se beneficiar, problema deles. Porque temos sempre que pegar um caso de eventual corrupção e procurar um brasileiro pra assinar o BO?

Aceitem. O Barcelona também tem dirigente ruim, também faz merda, fecha no vermelho HA 5 ANOS e ninguém acha a administração deles uma porcaria.

Porque falam outra lingua.  Afinal, ganhando o que ganharam em campo, não fechar um ano no lucro me soa como um tremendo amadorismo. Sem contar as dívidas enormes do clube.

Mas não. São perfeitos! Lindos. Fofinhos.  Vamos investigar e questionar o Neymar.  Este sim, brasileiro que é, deve ter algo escondido.

Né?

Haja paciência.

abs,
RicaPerrone

Tá fácil?

rafaelsobis_arouca_jogo_nelsonperez_85

Eu vi o Vasco jogar ontem, esperava um Fluminense, no mínimo, aplicado e comendo grama.  Não vi.

Aliás, do Flu, não vi absolutamente nada neste domingo. E não se engane, o Galo pode vir com titulares e ainda Ronaldinho, o que transformaria o jogo “amistoso” num verdadeiro inferno.

Faltam 2 jogos. Pouco importa o que o Flu vai fazer neles. A questão, hoje, era aproveitar o “campo neutro” e pelo menos arriscar algo a mais.

Nem correu pra isso, quanto mais criar algo que pudesse sugerir uma vitória.

Um time apático, triste, sem a noção exata do tamanho da responsabilidade que tinham nesta tarde.  Foi o que pareceu.

A situação que era “quase confiável” volta ao patamar de perigosa.  E sábado, no Maracanã, pode se tornar um pesadelo se o time repetir a postura de hoje.

Pode até morrer, mas morra atirando.

abs,
RicaPerrone

Desenhei!

Entendo a dificuldade de algumas pessoas com a planejada. Não justifica 1% da reação de alguns, mas… vamos lá. A quem interessar possa.

Vamos usar a do Cruzeiro, que gerou muito surtinho em BH.

O que ela diz pra você? Jura que parece ser o que EU, Rica, ACHO que vai acontecer?

Errou. Feio.

Ela simula uma forma de você atingir os 73 pontos de um possível campeão sem ter que vencer jogos absurdos. Ou seja, ela planeja uma forma de buscar os 73 pontos de forma mais provável.

No primeiro turno ela indicava que o Cruzeiro teria “problemas” com Atlético PR lá, Botafogo lá, SP lá, Galo, Flu lá e Grêmio fora.

Em 4 dos 7 jogos onde a vitória não era “prevista”, aconteceu exatamente isso. Em outros 3, o Cruzeiro venceu. Porém, em outros 3 que era pra vencer, empatou. A planejada disse que pra ser campeão o Cruzeiro teria, até aqui, que ter 45 pontos.

Tem 46. O que significa ter ido um pouco melhor do que o esperado. Significa também que o dobro de 46 é 92. E que, portanto, a campanha mais fácil era a do turno, não a do returno.

Esta “planeja” 7 derrotas pro Cruzeiro. Não significa que ele vá perder. Significa que ele PODE perder. É uma vantagem, não um problema.

Leitura simples: É mais difícil o returno. Mas é exatamente pra isso que planejamos a “gordura” do turno. Ou seja, se o Cruzeiro fizer o simples e conseguir surpreender um destes 7 adversários fora, está perto de ser campeão.

Não há uma linha onde eu ” ACHE ” alguma coisa. É uma simulação feita na perspectiva dos treinadores de futebol quando olham pra tabela. Acredite, é assim que eles planejam chegar aos 73 pontos.

Mudando um empate aqui, outro ali. Mas a grosso modo, em maio, é isso.

O Cruzeiro faz campanha de campeão. A planejada só alerta pra ele dizendo que o  Botafogo TAMBÉM faz, mesmo com pontos a menos. E que o returno é mais difícil pro Cruzeiro que o turno.

Só isso.

abs,
RicaPerrone

Tudo igual

Tirei o dia pra ver futebol. Da partida da seleção ao jogo do Grêmio, último que terminou, vi quase a mesma coisa. Mudaram as cores, os estádios, mas a cara de amistoso era a mesma.

Eu odeio pontos corridos. Você já sabe. E se não sabia, acostume-se. Bato nessa tecla o tempo todo.

Tenho a nítida impressão de ver dois times entrando em campo em busca de “algo que se não rolar depois ajeitamos” até a rodada 25. Quando então resolvem jogar porque não tem mais jeito e fica claro o que está em jogo pra cada um.

Os bons jogos do Brasileirão até lá são quase sempre os de casa cheia com algum apelo extra-tabela. Estréia de alguém, promoção de torcida, clássico, enfim.

O Santos e o Vasco pareciam rezar pro jogo acabar. Flamengo e Goiás disputaram, mas é uma coisa tão “sem fim”, perdida em meio a 38 jogos, não sei explicar.

Vem aí a Copa do Brasil e os mesmos times que ontem e hoje achamos mediocres jogarão grandes partidas. É óbvio, pois serão cobrados por um objetivo a curto/médio prazo na cara deles.

Se cultural, técnico ou mental, tanto faz. Sei que no Brasil time joga bola quando precisa ou quando tem casa cheia.

Se os ingressos quase proíbem casa cheia, esperamos os jogos que decidam. E estes, só daqui umas 15 rodadas.

Nossa quarta-feira vai virar domingo, e vice-versa.

O dia do futebol, com a Copa do Brasil e a Libertadores, é quarta-feira.

Domingo, cumprimos tabela.

abs,
RicaPerrone

Vergonha!

Eu vi muitas vezes os nossos times ganharem dos europeus e serem tratados como “surpresa”. Vi, e lamentei.  Hoje, no pior momento da história da mídia esportiva brasileira, somos os campeões do mundo de clubes, os campeões (quarta vez seguida) da Libertadores, campeões das Confederações goleando Itália e Espanha, alem de termos na lista de melhores do mundo um goleiro, dois laterais, dois zagueiros, um meia e um atacante.

Temos o jogador mais badalado do mundo no momento. E temos isso tratado como uma crise.

Crise há. E é de identidade, gravíssima! Mas gerada muito pela péssima influência que a despreparada mídia esportiva tem sobre o produto que comercializa.

Sim, comercializa. Jornalistas esportivos são intermediarios de um entretenimento. Não aceitam isso por falta de preparo, falta de noção dos departamentos de uma empresa de comunicação.  Mas são.

O endeusamento ao futebol europeu fez o incrível caminho do futebol mais copiado do mundo ter chegado lá e o nosso ter copiado o deles. Ou seja, imitamos os vices, eles o campeão.

E então, diante de um ou dois times num continente inteiro, tratamos o nosso futebol como um lixo. O deles, genial.

Senhores, qualquer imbecil que não tenha um empregador sustentado pelo direito de transmissão do campeonato espanhol sabe que o Santos joga mais bola que o Levante, o Getafe e o Almeria.

Nenhum destes times toma 4×0 em 30 minutos sem passar do meio campo contra o Barcelona em jogo válido. Imagina em amistoso.

Assim sendo, há um motivo além da diferença técnica, que sim, neste caso, é grande.

Estamos falando do que há de melhor entre 50 países de um continente contra um time que hoje não fica entre os 12 primeiros do nosso campeonato nacional. Mas, infelizmente, até pra isso somos covardes.

Comparamos a soma de 50 paises com o nosso. E ainda assim, discutimos qual melhor futebol.

Perde. Faz parte. Foda-se.

Outro dia o São Paulo foi la no Camp Nou e meteu 4 no Barcelona. Ninguém de lá deve ter colocado o Barcelona como lixo e nem comprado os direitos de transmissão do Brasileirão pra dizer pro povo local que foda era o Flamengo, não o Real e o Barça.

Porque, talvez, neste aspecto, sejam mesmo melhores do que nós. Não são tão burros pra vender um produto.

O Santos está neste momento tomando de 4. Escrevo no intervalo, puto! Revoltado.

Porque olham pro Barcelona como crianças em seu playstation. Porque tem medo! Acham que a camisa do Barça quer dizer algo mais do que a do Pelé.

E não, não quer.

São gigantes do futebol mundial, igualmente bicampeões do mundo.

Diferença técnica de momento é uma coisa. Medo e falta de vergonha na cara é outra.

Nós, jornalistas, temos culpa. Os clubes tem culpa. Os jogadores tem culpa.

Mas nós, da mídia, somos os maiores criadores deste mito.

Liga a tv, assista por meia hora, veja a vibração dos profissionais de futebol do Brasil com a derrota do Santos e tente entender a revolta com a demissão do ótimo Mauro Beting por crise na emissora.

É fácil. Qualquer estagiário que nao goste de futebol entende.

Mas aqui, quem é que não gosta de futebol?

Exaltar um grande time é uma coisa. Usa-lo como motivo de menosprezo aos nossos, ou endeusar o que fazem hoje e faziamos ha 30 anos me parece complexo de vira-latas.

Salve Nelson Rodrigues.

Que vergonha.

O Santos escreve neste momento uma das páginas mais vergonhosas da nossa história. O dia em que o futebol brasileiro foi encontra com um clube europeu pra pedir autografo e não pra jogar futebol.

Perdemos. E juro, o jogo foi o que de menos importante perdemos nesta sexta-feira.

abs,
RicaPerrone

 

“Tô nem aí…”

ganso_rib-2

Quando um time vem jogando mal e na queda do técnico passa a acertar tudo, acho indício de falta de caráter.  Quando o time não anda com um treinador, ele cai e o time segue olhando o jogo em campo é falta de vergonha.

Ninguém vai me convencer que um time que tem Jadson, Ganso, Luis Fabiano e Oswaldo não possa trocar 3 passes certos no ataque. Nem que Lucio e Rodolfo, até outro dia exaltados, possam formar uma zaga ridícula.

Aí você me diz que o adversário é um avião. E não é o caso, pois o Santos usou 6 recem promovidos dos juniores em campo.

Perder pro Santos não é um resultado anormal, ao contrário.  Mas perder olhando a bola passar, como se não se importasse com aquilo, é de se preocupar.

Isso dois dias após um presidente reunir o grupo e demitir o técnico, é mais assustador ainda.

Tá fácil demais jogar no São Paulo. O resort de Cotia forma médicos, engenheiros, advogados, mas jogador, só se der. No CT é o paraíso. A imprensa não pressiona, crise no SPFC não vende, a torcida faz mais barulho na web do que no estádio e não há oposição no clube.

Salário em dia, campos perfeitos, pássaros cantando, o mundo da terra encantada.

Jogar no São Paulo é uma grande moleza.

O futebol não é uma ciência que responde ao fato de estar “tudo funcionando”. Precisa algo mais.

Esse time passa a impressão de não se importar com o resultado. Amanhã tem treino, salário, campo bonito e flores no ct.

Dane-se o resto.

abs,
RicaPerrone

Clubes tem alma

Muricy-Ramalho-Santos-Ivan-Storti_LANIMA20121109_0065_26Cruel, Muricy nunca se importou em olhar pra camisa que veste antes de ignorar sua história. Para ele, no Santos de Pelé ou no Nautico de Kuki, vale uma zaga fechadinha e um “Deus me ajude” lá na frente.

Foda-se o futebol. Me dê 3 pontos, doa a quem doer.

O Santos é um clube mágico por natureza. Não se faz de algo encantador um robótico sistema de resultados que sequer aparecem.

Muricy é cozinheiro de comida congelada. Sempre foi.

Todos os trabalhos que o fizeram ser campeão foram times montados que herdou e foi destruindo ao longo dos anos.  O SPFC campeão do mundo que assumiu, o Palmeiras do Luxemburgo líder do Brasileiro, o Flu com um timaço montado pelo Cuca, o Santos de Ganso, Neymar, Arouca e cia.

Todos voam no começo, estão prontos. Com sua filosofia, acabam, passam a jogar o mais detestável futebol que existe.

E sem um ou outro gênio lá na frente para encobrir isso com gols, a casa cai.

Caiu.

Caiu sozinha.

Muricy é o único tecnico do país que não é questionado por trabalhos ruins, contratações bizarras e escalações inacreditáveis. Tem o dom de colocar medo nos jornalistas através de respostinhas grosseiras.

Eu não tenho medo de quem ainda “dibra” e resolver “pobremas”.

A mascara vai caindo aos poucos. E todo glamour de quem acreditava ter no Muricy um montador de times campeões vai virando lenda.

Ele não monta nada. Só desmonta.

Agora é olhar, ver quem tem um elenco promissor ou um time já quase no ponto e fazer contato.

Como os que faz com Juvenal, amigão.  Amizade que condenou o Cuca publicamente por também manter.

Muricy tem amigos, os outros tem segundas intenções.

Muricy não teve as peças que pediu. Os outros contrataram jogadores ruins por esquemas com empresários.

Muricy precisa de elenco. Os outros precisam deixar de ser burros.

Muricy é parte do maior caso de amor e fidelidade da história do futebol brasileiro.  Entre ele e a imprensa há um relacionamento invejável. Se cutucam na frente dos outros, nada grave. Mas não se questionam, se respeitam, se olham com ternura até hoje.

Confiam um no outro. Sabem que podem contar um com o outro.

Qualquer treinador com metade do que Muricy fez no Santos estaria sendo massacrado há meses. Ele não é sequer citado como eventual culpado.

Blindagem, marketing de dizer que não faz marketing, saber escolher o próximo passo e cara de “vítima” quando deixa um clube. Eis a receita do maior cozinheiro de comida congelada do mundo.

Amanhã, em todos os canais, aquela entrevista com cara de cansado, dizendo não ter culpa que o time se desmachou, que não tem peça de reposição e que “no Brasil é assim. O time perde a culpa é do técnico”.

Mas quando ganha, Muricy… você nunca disse que era do Neymar e não sua a responsabilidade.

Né?

É.

Podem vir Diego e Robinho.  O futebol voltou a Vila Belmiro.

abs,
RicaPerrone

Estréias e despedidas

O torcedor brasileiro é confuso. Ele reclama, diz que vai, reclama de quem não vai. Quando vai, reclama que foi. Diz que não volta.

Quando volta, reclama por ter voltado. E se ganhar, aplaude. Se perder, vaia. Se estiver empatando, ele escolhe com o direito a ter razão sobre qualquer opção.

Sob o argumento de ver de perto o time que nunca chega tão perto, o valor perde a importância. É raro, único, pode nem se repetir.

E em Brasília o Flamengo comprova, de novo, ser o mais brasileiro de todos os clubes.

Onde for, quando for, jamais é o visitante.

Todo time carrega uma multidão. O Flamengo pode andar pro lado que for sem carregar ninguém que, ao estacionar, a encontra.

Casa nova, pra Brasília, pro futebol, pra Neymar.

A abertura com “adeus”. O ” adeus”  com a estréia de uma nova estrela da Vila.

Estrelas mudam de lugar, mas continuam brilhando.

Algumas por reflexo da luz alheia, outras por brilho próprio.

Muricy vai correr pro primeiro time que lhe oferecer uma chance de disputar algo a curto prazo. Sem Neymar, pelo que o Santos tem apresentado há mais de um ano, ele será demitido em questão de semanas, ou morrerá abraçado com essa idéia de dar um bico pra alguém resolver lá na frente.

Enquanto isso, sem tanta gordura pra queimar, Jorginho prepara um time que não encanta, nem promete.  Mas surpreende.

Você não achou que aquele time que usava 5 jogadores diferentes por partida no estadual teria algum entrosamento e um padrão tático no Brasileirão.

Pois teve.

Não foi ameaçado, teve a bola, criou chances e não dependeu de uma só jogada.

O frágil Flamengo pensado em janeiro de 2013 não pareceu tão frágil assim. O poderoso Santos de Neymar e Montillo, sim.

Neymar foi a máscara de um trabalho ruim. Agora a máscara saiu, a verdade vai aparecer.

Muricy tirou do Santos mais do que correria, pontos e algumas conquistas. Sugou a alma do clube que por natureza dá espetáculo e joga pra frente.

O Santos que revela, encanta e sorri enquanto joga, hoje faz cara de mau. E nem joga.

abs,
RicaPerrone

Obrigado, Neymar!

Neymar-600x326Obrigado pelos gols, pelos dribles, pelos passes.

Obrigado por ter ficado tanto tempo.

Obrigado por respeitar a camisa do Santos como respeitam por aqui a de um europeu.

Obrigado por não ter parado de cortar o cabelo como bem entende.

Obrigado por sorrir enquanto joga. Obrigado por dançar enquanto trabalha.

Obrigado por não ter brigado com a imprensa que tantas vezes te perguntou o que não era digno de resposta.

Obrigado por não ter odiado a torcida brasileira por terem te xingado no Mineirão.

Obrigado por ser inteligente o suficiente pra notar que seu maior defeito é fazer sucesso num país onde ser peão e se foder é motivo de exaltação.

Obrigado por não ter tratado a idéia de ficar como uma frustração.

Obrigado por reconhecer que errou. Obrigado por ter errado lembrando-nos ser um mero mortal.

Obrigado por fazer 6 gigantes europeus virem “fazer de tudo” por um garoto que não se rebaixou pra ir correndo atrás deles.

Obrigado por ter valorizado nosso futebol e mostrado que, com talento e bom comportamento, se ganha aqui o que se ganha lá.

Obrigado por não ter vergonha do carrão, das conquistas, do barco e das lindas mulheres.

Obrigado por ser garoto propaganda e não faltar no treino.

Obrigado por ser um craque brasileiro com mercado publicitário internacional possível e não uma idéia mirabolante.

Obrigado por jamais ter menosprezado a seleção ou o país onde atua.

Obrigado por ter ficado, por estar indo não só pelo dinheiro e por ter colocado “sonho” na decisão final.

Obrigado pelo suspiro de futebol brasileiro em meio a nossa perda de identidade.

E vá com Deus. Seja feliz, faça o que esperam de você e lembre-nos que o Barcelona é o que é por causa de brasileiros, não deles.

Desculpe a chateação. É que não sabemos lidar com a vitória do que é nosso. E você, na bola, no marketing, na postura e na personalidade, nos joga isso na cara.

Agora está tudo perdoado. Com a camisa do Barcelona 90% do que fizer passará a ser visto como “evolução no futebol europeu”.

Enquanto pagam para ter nosso futebol por lá, tentamos desmerece-lo aqui.

A real é que não te merecemos.

Um ídolo que aos 20 minutos perde um gol e ouve um coro de “vai tomar no cu” num jogo da seleção não tem mesmo porque fazer esforço pra ficar.

Já fez demais. E de longe, sabemos, vamos gostar muito mais de você.

Somos colônia. Não sabemos lidar com Reis, Principes e princesas.

Aqui só valorizamos os bobos da corte.

abs,
RicaPerrone