O cenário mais contraditório dos últimos anos foi visto hoje no Pacaembu. O clube que leva a alma do nosso futebol na camisa, comandado pelo sujeito que competentemente descaracteriza nosso futebol, pelos pés de um raro talento que ainda nos dá esperança de termos este mesmo futebol de volta.
Muricy é o anti-futebol. O Santos é a imagem do futebol. Neymar o resgate, o suspiro e a esperança do fim de uma era covarde e pragmática.
Você pode buscar uma característica neste título e, ao fazer isso, cairá na dúvida comum entre Neymar e Muricy. Mas você não pode mistura-los porque, separados, são inimigos mortais. Juntos, invencíveis.
O que há de mais esclarecedor do que este time do Peñarol na final? Outra prova viva, clara e pouco discutivel que hoje, pra vencer, basta marcar, correr, correr, correr. Na frente, se acha um gol. Assim jogam os covardes, assim jogam, hoje, os vitoriosos.
Os uruguaios não tem culpa de serem mediocres. Culpa temos nós de, as vezes, aplaudir a busca pela mediocridade quando podemos ser brilhantes.
A diferença entre o Santos e o Peñarol era Zé Love. O Santos tinha 1. O Peñarol tinha 11.
Mas o que vale é gol, é título, é resultado. Assim sendo, Muricy segue sua rotina irritante de conquistas incontestáveis e surtos de soberania.
Do seu jeito, aquele que condeno, que você pode gostar ou não, mas que inegavelmente dá certo.
O Santos de Muricy venceu pelos pés do anti-Muricy.
Aquele que dribla, cai, levanta, se joga, tenta, sorri, tira sarro, inventa, chama, chuta, erra, acerta, faz dancinha e não foge do jogo.
Aquele que corre o risco. Aquele que não se contenta em ser “o esperado”.
Neymar é o oposto extremo do que o futebol, hoje, glorifica.
Neymar é o que de mais valioso e legítimos temos no futebol. Muricy o que de mais competente e afrontoso há por aqui.
No fim do jogo, Neymar chorou como um garoto. Porque é um garoto.
Muricy disse, como suas primeiras palavras, que “EU MERECIA ESSE TITULO”. Porque é, de fato, um sujeito de pouca humildade.
Na boca de outros seria um crime. Na dele, uma lição de vida.
Aquele menino abusado que outro dia era firulento e cai cai só deixou de ser porque venceu. E aquele covarde de jogo mediocre e empáfia desnecessária não se tornará questionável enquanto não perder.
Dane-se o Muricy, viva o Santos e o Neymar.
Viva os passes de Ganso, viva o talento do Arouca, excluído do seu ex-clube pelo mesmo que hoje viu, dos seus pés que não se contentavam em recuar, o lance do gol salvador.
Viva nosso futebol. Viva a ousadia e a manutenção dos nossos valores e características.
Obrigado, Neymar.
Hoje você deu um título ao Santos, esperança aos brasileiros e um tapa na cara de quem exalta o “não futebol” em troca de resultados.
Com você os dois são possíveis, mesmo sob a tutela de quem não quer assim.
Apenas “ele” não. Vocês mereciam demais!
É preciso saber perder. E também saber ganhar.
Um brinde ao nosso futebol! Um brinde ao Santos! Um brinde ao Neymar!
abs,
RicaPerrone
Hoje, véspera da decisão da Libertadores, ouço santistas eufóricos e com medo. Natural, é uma decisão e por mais que insinuem estar “praticamente ganha”, existe uma partida pra ser disputada. E o meu “medo” em relação a decisão está exatamente neste discurso.
Não me refiro ao Santos, nem ao Peñarol. Achei que hoje, na decisão, eu tiraria minha dúvida sobre quem merece ser o “campeão da América”. O que vive de sorte ou o que vive da genialidade de um só jogador.
Não, mil vezes não! Não posso aceitar tamanha injustiça no nosso futebol. Você pode nem gostar do Muricy, é um direito de cada um. O que não dá pra aceitar é desmerecer os feitos de um sujeito de competência incontestável.
Muricy fala em “sorte” nos torneios de mata-mata. E sorte, como bem disse uma leitora minha no twitter, é ter Neymar no time. Em mais uma partida dramática, o Santos sai vencendo pelos pés do garoto.
Não satisfeito em fazer o “Muy Amigos” toda segunda-feira, agora o blog também tem seu podcast voltado apenas para a Taça Santander Libertadores! São 30 minutos de informação e debate semanal sobre o torneio mais importante das Américas.
O Santos ainda está num meio termo interessante entre o futebol espetácular e natural deste time e a retranca do Muricy. Por enquanto, ainda no começo do processo de Muricyzação do time, a coisa tá equilibrada.
Para alguns, euforia, para outros, decepção. Não pelo título, aposto. Apenas e somente pela rivalidade, que é maior do que os estaduais hoje em dia. Ser campeão sobre um pequeno não tira ninguém de casa as 18h pra comemorar. Contra um rival, alguns.
Discussão pra duas horas, sem verdades absolutas. Mas que é um risco, é. Porque usar meu time titular no estadual se eu posso, com isso, perder uma Libertadores? Eis a discussão da semana.
Dizem que não é possível e hoje vimos, de novo, que é. Um zero a zero pode sim ser o placar de uma grande partida. Hoje, no Pacaembu, Corinthians e Santos criaram, brigaram, fizeram uma partida cheia de alternativas e lances de perigo. Ninguém fez, mas valeu o ingresso.