Santos

Santos do que restou de nós

O cenário mais contraditório dos últimos anos foi visto hoje no Pacaembu. O clube que leva a alma do nosso futebol na camisa, comandado pelo sujeito que competentemente descaracteriza nosso futebol, pelos pés de um raro talento que ainda nos dá esperança de termos este mesmo futebol de volta.

Muricy é o anti-futebol. O Santos é a imagem do futebol. Neymar o resgate, o suspiro e a esperança do fim de uma era covarde e pragmática.

Você pode buscar uma característica neste título e, ao fazer isso, cairá na dúvida comum entre Neymar e Muricy. Mas você não pode mistura-los porque, separados, são inimigos mortais. Juntos, invencíveis.

O que há de mais esclarecedor do que este time do Peñarol na final? Outra prova viva, clara e pouco discutivel que hoje, pra vencer, basta marcar, correr, correr, correr. Na frente, se acha um gol. Assim jogam os covardes, assim jogam, hoje, os vitoriosos.

Os uruguaios não tem culpa de serem mediocres. Culpa temos nós de, as vezes, aplaudir a busca pela mediocridade quando podemos ser brilhantes.

A diferença entre o Santos e o Peñarol era Zé Love. O Santos tinha 1. O Peñarol tinha 11.

Mas o que vale é gol, é título, é resultado. Assim sendo, Muricy segue sua rotina irritante de conquistas incontestáveis e surtos de soberania.

Do seu jeito, aquele que condeno, que você pode gostar ou não, mas que inegavelmente dá certo.

O Santos de Muricy venceu pelos pés do anti-Muricy.

Aquele que dribla, cai, levanta, se joga, tenta, sorri, tira sarro, inventa, chama, chuta, erra, acerta, faz dancinha e não foge do jogo.

Aquele que corre o risco. Aquele que não se contenta em ser “o esperado”.

Neymar é o oposto extremo do que o futebol, hoje, glorifica.

Neymar é o que de mais valioso e legítimos temos no futebol.  Muricy o que de mais competente e afrontoso há por aqui.

No fim do jogo, Neymar chorou como um garoto. Porque é um garoto.

Muricy disse, como suas primeiras palavras, que “EU MERECIA ESSE TITULO”. Porque é, de fato, um sujeito de pouca humildade.

Na boca de outros seria um crime. Na dele, uma lição de vida.

Aquele menino abusado que outro dia era firulento e cai cai só deixou de ser porque venceu. E aquele covarde de jogo mediocre e empáfia desnecessária não se tornará questionável enquanto não perder.

Dane-se o Muricy, viva o Santos e o Neymar.

Viva os passes de Ganso, viva o talento do Arouca, excluído do seu ex-clube pelo mesmo que hoje viu, dos seus pés que não se contentavam em recuar, o lance do gol salvador.

Viva nosso futebol. Viva a ousadia e a manutenção dos nossos valores e características.

Obrigado, Neymar.

Hoje você deu um título ao Santos, esperança aos brasileiros e um tapa na cara de quem exalta o “não futebol” em troca de resultados.

Com você os dois são possíveis, mesmo sob a tutela de quem não quer assim.

Apenas “ele” não. Vocês mereciam demais!

É preciso saber perder. E também saber ganhar.

Um brinde ao nosso futebol!  Um brinde ao Santos!  Um brinde ao Neymar!

abs,
RicaPerrone

Vá buscá-la!

Hoje, véspera da decisão da Libertadores, ouço santistas eufóricos e com medo. Natural, é uma decisão e por mais que insinuem estar “praticamente ganha”, existe uma partida pra ser disputada. E o meu “medo” em relação a decisão está exatamente neste discurso.

Não é preciso mais do que 10 minutos de tv, rádio ou web pra você entender a decisão de amanhã como “uma chance que o Santos não pode deixar escapar”. E não é bem por aí.

A situação de disputar uma final de Libertadores, no Brasil, costuma ser contrária. Aliás, aqui tudo é ao contrário. Você chega porque é brilhante. Mas se não ganhar, é um “fiasco”.

Você empata fora porque é bom. Mas se não confirma aqui, não houve adversário. Foi você quem perdeu e só.

E este risco o Santos corre de forma até exagerada. Já é dito hoje, até por membros do elenco, que “não pode escapar”, que tem que confirmar, que dessa vez não “passa”, como se em 2003 o Santos tivesse errado e não o Boca ganhado.

Essa mentalidade só gera uma situação: “Medo de perder”.

Quando você entra numa disputa com a mesma responsabilidade do rival, você sente vontade de ganhar. Quando só você se vê pressionado a vencer, você tem medo de perder. E medo, numa final, é um prato cheio pro adversário, que se torna franco-atirador.

O Peñarol é uma porcaria de time tecnicamente. Eu não sou cego, sei e vi como eles chegaram. São sortudos, foram passando na base do “deus me livre” e com mais detalhes do “acaso” do que na base do grande futebol. Foram 3 frangos nas quartas, um pênalti perdido aos 40 do segundo tempo nas semi e sabe-se lá o que vem por ai.

Mas, se jogar a bola pra cima e mandar matar no peito, nem 3 ali dominam sem deixar escapar.

O que não coloca, no futebol atual, o time do Peñarol como zebra. Até pelo mesmo motivo que faz do Santos favorito.

Desde as oitavas o Peixe joga um futebol dependente do Neymar e ponto. Se defende, tem alguma sorte com gols perdidos dos adversários, marca bem e ataca quase numa “mono-alternativa”, que é a bola no craque.

Dá certo, pois o futebol hoje exalta e permite isso. O Peñarol faz a mesma coisa, só que sem o Neymar.

Os dois times se preocupam, hoje, muito mais em defender do atacar. A diferença entre eles é técnica, não filosofica.

O Santos precisa entrar em campo amanhã para BUSCAR o título e não pra defendê-lo, como insinuam.

Ele não pode defender o que não é seu. E se sua camisa merece respeito, a do outro lado idem. Numa final, com doses de sorte ou não, os dois tem possibilidades de vencer.

Os adversários do Peñarol, diga-se, foram melhores que os do Peixe até aqui. Só que ele passou “na sorte”. Os do Peixe, mais fracos, foram menos perigosos, mas ninguém levou um “baile” dos brasileiros.

Libertadores é luta, é guerra, é isso, é aquilo. Mas ainda é futebol.

E futebol o Santos joga mais do que o Peñarol.

A mais perigosa forma do Santos perder este título amanhã é encarar o jogo como uma defesa de título ou evitar um “vexame”.

Algo grandioso é buscado antes de ser protegido.

Não invertam as coisas.

Vá buscá-la! Essa taça não é do Santos, ainda.

abs,
RicaPerrone

Cadê o “melhor da América”?

Não me refiro ao Santos, nem ao Peñarol. Achei que hoje, na decisão, eu tiraria minha dúvida sobre quem merece ser o “campeão da América”. O que vive de sorte ou o que vive da genialidade de um só jogador.

Ficou pra semana que vem. Hoje, no Uruguai, não houve futebol.  Nem sequer uma sombra daquilo que esperamos chamar de “melhor da América”. Qual será, não sei. Hoje, ele não apareceu.

Não vou repetir o que muitos já estão dizendo porque nem mesmo eu,  confesso perseguidor do futebol mediocre e de seus “pastores”, entendo que com desfalques e lá, o Santos não poderia ir muito além do que foi.

Poderia, claro. Mas pro Muricy, acreditem, foi até uma surpresa o time não ter ficado na área dando bico pra frente tomando sufoco o tempo todo.

O Santos teve méritos em marcar na frente.  O primeiro tempo terminou com alguma pressão do Peñarol, mas durante a maior parte eles não conseguiram sufocar o Santos, que é a tática principal desses times sulamericanos.

Quando termina o primeiro tempo os uruguaios já poderiam estar vencendo. Mas, por sorte do Santos e incompetência deles, não estava.

No segundo tempo, vendo que a bola não saia redonda, o Peñarol passou a maior parte do tempo cozinhando o jogo e mostrando o quanto seu time é ruim tecnicamente. O Santos, que se faz menos perigoso do que deveria ser por escolha e desfalques, parou.

No fim, quando viu que o Santos abriu mão de tentar o gol, houve sufoco e novamente o Peñarol teve chances de matar o jogo.

No fim das contas o Santos deve ter tido uma chance de gol clara. Os uruguaios no mínimo 4.

Poderia ter sido o fim do sonho, mas não foi. Por sorte do Santos, a mesma que o acompanha desde as oitavas, onde o time passou a jogar bolas no Neymar e mais nada, e por muita incompetência do Penarol.

Os uruguaios tem camisa. Mas só camisa. Se colocar os 2 pra jogar em campo neutro, sem valer taça, sem pressão, o Santos enfia 5. Com Muricy, uns 2.

Valendo, com as camisas pesando, a coisa equilibra um pouco.

A vantagem do Santos é relativa. Existe, é técnica e gritante. Mas vai por terra se o Peñarol fizer 1×0. Torcida no Brasil não apoia, cobra.

E o Neymar, sozinho, nem sempre vai resolver. Hoje, por exemplo, ao marcarem o garoto, o Santos acabou ofensivamente.

Aguardemos porque ainda tem jogo. E quem sabe futebol, coisa que não teve na primeira decisão.

O Santos tem tudo pra ganhar a Libertadores. Basta esquecer o que está disputando e apenas encarar os 11 jogadores limitadíssimos do outro lado.

Agora em 1 semana saberemos se mata-mata é sorte ou se é talento e competência de quem trabalha, é sério, comprometido e vencedor.

Ou alguém duvida que vai ser oito ou oitenta conforme o resultado?

abs,
RicaPerrone

Eu, eu mesmo e Irene

Não, mil vezes não! Não posso aceitar tamanha injustiça no nosso futebol. Você pode nem gostar do Muricy, é um direito de cada um. O que não dá pra aceitar é desmerecer os feitos de um sujeito de competência incontestável.

Ao classificar o Santos pra final da Libertadores, devo discordar de algumas teses que li recentemente.

Dizem que “ninguém mostra trabalho em 1 ou 2 meses num clube sem pré-temporada”. Eu acho que não, o Muricy tem méritos sim. Ele fechou essa defesa, fechou esse ataque e não passou mais nada.  Parou de fazer também, mas isso não é culpa dele, afinal, chegou outro dia, dizem que “não dá tempo”.

Dizem também que não existe “sorte” no futebol. E eu devo discordar, não pelo gol do título estadual ou pelo bizarro segundo gol no Paraguai, mas pelo Santos ter perdido tantas chances nos últimos jogos. De fato, há sorte sim no futebol. Infelizmente não pro Santos, parece.

Discordo também de quem diz que o Muricy é um sortudo. Há quem defenda que “Mata-mata é sorte” e que “apenas nos pontos corridos você vê o trabalho de um técnico”.

Quem disse tal absurdo? Onde já se viu? Quer dizer então que técnico bom é aquele que soma pontos em jogos comuns e não aquele que se prepara pra decisão? De forma alguma, os dois tem seus méritos.

Discordo novamente. Acho que o Muricy foi muito importante nessa “conquista” do Santos e não é justo que frases como estas e pessoas com essa cabeça desmereçam seu trabalho.

Eu não sei onde essas pessoas que perseguem o Muricy querem chegar. Fato é que o sujeito ganha tudo que disputa e não é porque ele troca de clube invariavelmente indo sempre pro melhor time do país que ele conquista títulos.

Tem trabalho também, poxa! Que baita perseguição com o sujeito.

Ele deixou o Flu porque o Fluzão foi traira! Onde já se viu não retirar o Mickey de lá? Eles prometeram que ele seria expulso. Não foi, fez bem o Muricy em sair.

Quem foi o babaca que disse por ai que “Eu respeito contrato. Quando eu começo vou até o fim. Tem que ser parceiro. Eu sou diferente, comigo é assim”?

Seja lá quem for, não sabe nada. Está apenas perseguindo o Muricy.

Se pra muitos clubes do país o mês tem mais de 30 dias, Muricy dá exemplo de novo e lembra, quando saiu do Flu e assumiu o Santos, que o dele é tão acima da média que tem 20.

A torcida do Flu é ingrata! Se não fosse Muricy jamais teriam conquistado a Copa do Brasil, feito boas campanhas em brasileiros e ido a final da Libertadores e da Sulamericana. Só em 2010, quando ele chegou, que o Fluzão passou a disputar títulos. Ou seja, “ele deu o caneco ao Flu”.

Aceitem, é isso!

Quem diz que “técnico não ganha jogo. Comissão técnica é 20% de um time” não pode jamais estar falando sério. Muricy só 20%? Que isso… o sujeito leva nas costas! É mais de 80% de um elenco.

De que adianta futebol bem jogado? Quer espetáculo? Vá ao Municipal!

Eu me rendo. Muricy é tão bom, mas tão bom que consegue desbancar e calar a boca dele mesmo.

Não há adversários a altura.

Parabéns! Vaga merecidíssima, sem nenhuma ironia.

Muricy sabe perder. Precisa, agora, aprender a ganhar.

Se não saisse ditando tanta regra e se auto-promovendo ao ponto de se contradizer na mesma linha algumas vezes, a antipatia que alguns, inclusive eu, tem por ele seria bem menor.

Fora isso, no campo, segue seu trabalho altamente competente.  Feio, pragmático, até covarde as vezes. Mas, sem dúvida, competente.

Parabéns ao Santos que, contradizendo tudo que os planejadores pregam, começou o ano, errou o planejamento, ficou sem técnico, trocou o técnico, estourou jogador e… tá na final.

Diriam: “foi sorte!”.

Com Muricy lá, dirão: “Foi ele!”  Duvida alguém dizer que ele “superou a força das pedras com a cabeça”?

Muricy me irrita 50%. O restante vem das suas “paquitas”.

E o Santos, que não tem nada com isso, chega onde merece chegar.

abs,
RicaPerrone


Neymar e mais 10

Muricy fala em “sorte” nos torneios de mata-mata. E sorte, como bem disse uma leitora minha no twitter, é ter Neymar no time.  Em mais uma partida dramática, o Santos sai vencendo pelos pés do garoto.

O Cerro viria pra se defender, não veio. O Santos pra matar o jogo, não fez. O que a gente imaginou que aconteceria era o Neymar desequilibrando tudo, e aconteceu.

Pode achar 1×0 pouco, pode até achar que está ótimo. Seja qual for sua avaliação do resultado, não dá pra dizer que os paraguaios vieram ao Pacaembu pra não jogar, pra catimbar ou apenas pra se defender.

Ao contrário, buscaram o jogo quando tiveram a bola, tiveram mais iniciativa que o Santos e só mereceram perder porque quem tem Neymar já sai na frente de qualquer prognóstico.

Poderia até colocar na conta do Santos essa “falta de ousadia” do time hoje. Mas entendo que o Peixe não jogou sozinho e que o Cerro teve muitos méritos na “dureza” que foi. Enquanto um técnico tirou um volante e colocou um meia, o outro, em casa, foi com 3 volantes.

O resultado, pra mim, é muito bom. Sem tomar gols em casa a coisa fica muito favorável pra quem tem o que o Santos tem lá na frente.

Méritos do Cerro a partida ter sido tão equilibrada.

O Santos não jogou sozinho. O Neymar sim.

abs,
RicaPerrone


Jogando Junto

Não satisfeito em fazer o “Muy Amigos” toda segunda-feira, agora o blog também tem seu podcast voltado apenas para a Taça Santander Libertadores! São 30 minutos de informação e debate semanal sobre o torneio mais importante das Américas.

No primeiro eu recebo Fabiano Tatu, o apresentador do “Papo CSL” no @JogandoJunto, que hoje discute as semifinais comigo.

Santos x Cerro Porteño, Peñarol x Velez. Qual será a decisão?

Neymar aguenta ser “o cara” neste momento decisivo?

Ouça, divirta-se dê sua opinião no @JogandoJunto!

Jogando Junto by ricaperrone

abs,
RicaPerrone


Fecha e joga “nele”

O Santos ainda está num meio termo interessante entre o futebol espetácular e natural deste time e a retranca do Muricy. Por enquanto, ainda no começo do processo de Muricyzação do time, a coisa tá equilibrada.

Bem armado atrás, pouco cria coletivamente na frente. Mas pra que? Quem tem Neymar não precisa de poder coletivo ofensivo. É só jogar nele, ele faz tudo sozinho.

E note, nem chega a ser uma crítica. O Santos tem chegado com perigo no gol do adversário em mais de 60% dos casos em lances de genialidade do Neymar, não em uma troca de passes ou num “nó tático” ofensivo.

É uma característica do Muricy. Ele fecha tudo e arma um jeito de aproveitar as chances que tem. E se isso dá certo com Aloísio, Leandro, Obina e Rafael Moura…. com Neymar é sacanagem.

No Pacaembu tive a sensação de ter visto um time recuado por covardia. Agora sabendo que o Patrick sentiu a coxa, tudo faz mais sentido.

É um sistema de jogo bem simples, onde a maior obrigação está sem a bola. Quando perde, imediatamente o Santos já tem 10 marcadores em campo. É duro pegar o time do Muricy de surpresa.

O Once Caldas não fez o segundo hoje pelo mesmo motivo que não tomou mais gols. O Santos optou pela “segurança” de buscar o gol sem correr riscos e assim saiu com a vaga.

E dirão, é claro: “Viu? É melhor fechar e passar de fase do que ir pra cima e tomar, igual o Cruzeiro”.

É, até é.

Eu não acho. Mas se os fatos estão contra mim… azar meu.

Não, Nelson?

abs,
RicaPerrone


Aos campeões e vices, Feliz 2011!

Para alguns, euforia, para outros, decepção. Não pelo título, aposto. Apenas e somente pela rivalidade, que é maior do que os estaduais hoje em dia. Ser campeão sobre um pequeno não tira ninguém de casa as 18h pra comemorar. Contra um rival, alguns.

Hoje escolheremos heróis e vilões, pois mesmo incompativeis com o futebol atual, os estaduais tem final, o que já torna qualquer campeonato mais interessante.

Na Vila, um jogo chato. Mas o Santos foi melhor, porque é melhor.  Mas lá, sabemos, mesmo sendo exagero, será o “título que o Muricy deu ao Peixe”, porque gostam dele.

Mas não é! Aliás, quero parabenizar o Muricy pela sorte que o acompanha. Não?
” Mata-mata é sorte. é um jogo lá outro aqui…vc depende de o goleiro naõ falhar..de o juiz não dar um pênalti mal marcado… ..pontos corridos não, é o trabalho do treinador…”, Muricy, dezembro de 2010.

No Rio, onde um sujeito não faz o tipinho da mídia, “O Flamengo foi campeão”, jamais o “Wanderley deu algo”.

Aqui, como lá, se perder na quarta, será vaiado. Porque o estadual é um clássico com troféu, mais nada.

No Sul, como o Renato é mais “fanfarrão” e o Falcão elegante, fatalmente terá sido um título de técnicos, pois o grande atrativo deste gre-nal óbvio e anunciado desde a primeira rodada são os grandes ídolos no comando.

Em Minas, a justiça de ter colocado este time do Cruzeiro numa listinha de campeões. O Galo poderia ganhar pela camisa, até jogando mais, se fosse o caso. Mas por merecimento, este Cruzeiro, infeliz contra o Once Caldas, não podia sair sem nada.

Saiu com “quase nada”, mas é melhor do que nada.

Agora voltemos a realidade. Tudo que vivemos até hoje foi apenas um ensaio para o que interessa. Ninguém quer ganhar do Boavista, do Caxias, do Ipatinga e do Mogi Mirim. Ninguém aguenta, ninguém paga pra assistir, e os clubes quase pagam pra jogar.

É a pré-temporada de luxo brasileira, que dura 5 meses e só agrada dirigentes e times pequenos. Mas é assim que é, sem choro.

Nas quartas da Libertadores, semifinais da Copa do Brasil e diante de um Brasileirão cheio de grandes jogadores, podemos comemorar nosso reveillon nesta madrugada.

Enfim, teremos ao menos futebol. Pois só há futebol quando clubes grandes se postam em campo buscando vencer. 5 meses batendo em nanicos franco atiradores tentando os 10 minutos de fama. Pode isso? Ô se pode. Eles votam nas eleições de federações…

Se os estaduais não valiam nada até outro dia, não valem também hoje.

Para os vencedores, passou a valer as 18h. Para os derrotados, surge a “coerência” de quem disse, desde sempre, que não ligava pra “essa porcaria”.

Com algumas baixas consideraveis, casos dos brasileiros na Libertadores e dos grandes na Copa do Brasil, podemos imaginar um Brasileirão com força máxima desde o começo, menos pra Vasco e Santos, sobreviventes do semestre.

Aos demais, Feliz 2011!

abs,
RicaPerrone

Vale a pena?

Discussão pra duas horas, sem verdades absolutas. Mas que é um risco, é. Porque usar meu time titular no estadual se eu posso, com isso, perder uma Libertadores? Eis a discussão da semana.

E aqui, pra variar, vou aliviar o Muricy. Acho que a decisão é do clube, não apenas do técnico. Ele também palpita, é claro! Mas duvido que seja sozinho neste caso. E o Santos quer tudo. Terá perdão se ficar sem nada?

Não pelo Ganso. Ele foi apenas a vítima.  A sequência que abre a discussão é mais simples do que parece.

O Santos usa titulares contra o São Paulo, numa semifinal com um jogo na terça, lá, com viagem longa. Ele ganha do SPFC, perde Elano e só volta com a vaga do México porque deu muita sorte.  O América teve algumas chances claríssimas de gol e que poderia ter feito uns 3×0 sem a menor cara de espanto.

Volta, tem a decisão. Quando entra em campo já sem Arouca, também sentindo a “maratona”, perde o Ganso. E quando perde, ao invés da fatalidade, dizem ter “estourado”. E aí cabe, a pedidos do próprio clube, a dúvida: Se estava pra estourar… porque jogou?

Porque quer ser campeão paulista, é claro! Mais vale um título estadual do que uma vaga nas semi da Libertadores.  Um título é algo consolidado, uma vaga é apenas uma vaga.

Agora Muricy está sem Arouca, Ganso e talvez Léo. Com Elano cansado e com problemas físicos. Se fosse no Flu, culpa do gramado. Na Vila, culpa do calendário.

Mas note que, jamais, a culpa é de quem decide as coisas.

Você pode se perguntar: “Mas então deve-se chegar a decisão do estadual e colocar reservas?”.

Não.  Nem se deve assinar o regulamento do Paulistão como foi feito. E quem fez, lembre-se, foi a diretoria do seu clube. Antes de chorar, lembre-se de que o erro partiu do seu clube, seja ele qual for.

A sequencia de decisões requer, as vezes, escolhas. Cansei de ver times perderem 2 campeonatos por não optar por um só. E também cansei de ver perder um tendo feito a escolha e ouvir que “poderia ter jogado ambos”.

A pedrada virá seja qual for a decisão do clube. O importante não é fugir das pedras, mas sim chegar inteiro perto delas. O Santos vai, de novo, viajar sem um jogador fundamental. Pode perder uma Libertadores, como mereceu perder na terça passada, e ficar com a obrigação de ganhar do estadual.

Dirão que o título paulista apagaria uma possível eliminação num torneio maior. E o Flamengo esta ai pra desmentir. Invicto, campeão antecipado, 3 dias depois tomou vaia porque perdeu um jogo da Copa do Brasil, que é o que de fato importa.

Os estaduais são campeonatos falidos, quase Ongs pra ajudar clube nanico a não morrer de fome. Só prejudica os grandes, não atrai o torcedor e não vende patrocinador. Enfim, uma enorme porcaria ainda em pé em nome da tradição e de muita politicagem.

A decisão foi tomada e o Santos vai responder por ela. Se passar na Libertadores e for campeão será ousado, corajoso e brilhante. Se não passar, será o “burro” da vez.

Riscos calculados e que não podem ser chamados de “injustos”.

Neste caso, tanto quem exalta quanto quem reclama tem argumentos.

Como disse ontem, só saberemos pra quem foi bom essa primeira final na quarta, quando o Santos sair da Colômbia.

abs,
RicaPerrone

Um grande 0x0

Dizem que não é possível e hoje vimos, de novo, que é. Um zero a zero pode sim ser o placar de uma grande partida.  Hoje, no Pacaembu, Corinthians e Santos criaram, brigaram, fizeram uma partida cheia de alternativas e lances de perigo. Ninguém fez, mas valeu o ingresso.

Eu confesso que nem esperava. O Corinthians vinha jogando mal e se classificou sem uma boa partida contra o Palmeiras. O Santos, que sofreu no México, está com a cabeça na Libertadores.

Num Paulistão que tem importância cirurgica pro Timão e terá apenas efeito moral pro Santos, era perfeitamente imaginável que o Corinthians tomasse mais a iniciativa.

No primeiro tempo, onde ninguém se lançou demais ao ataque, o Timão foi um pouco mais equilibrado em campo. Mas o Santos marcou bem, teve lá sua chance de gol até.

Perdeu Ganso, mais uma baixa que, assim como Elano na semana passada, pose custar caro na Libertadores. E quando todo mundo pensa: “Sem o Ganso complica”, surge Neymar e toda sua “marra” vira personalidade.

Pediu a bola, lançou, criou, driblou, chutou, fez o diabo!  O jogo que caminhava pra ser dominado pelo Corinthians foi novamente equilibrado. Nem diria pelo Santos, que pouco produziu, mas por Neymar, que foi o autor de 10 das 10 jogadas mais importantes do time no jogo.

Bolas na trave, chances claras, poucas faltas e uma arbitragem perfeita.

Assim foi o grande clássico do Pacaembú, que na minha opinião só terá sido um resultado “favorável” ao Santos se o time não perder na quarta. Até lá fica em aberto a idéia de quem se deu melhor com este 0x0.

A princípio, o Santos.

abs,
RicaPerrone