Santos

Claro que faz diferença

Eu adoro o Robinho. Não o conheço pessoalmente, mas como personagem e jogador, gosto muito.  Carinhosamente o chamo de “Nego Robson” nas minhas postagens e não sei o quanto acredito num estupro envolvendo seu nome.  Mas, hoje, ele está condenado pela justiça italiana por isso.

Eu não tenho a menor condição de julgar, e tal qual 99,9% de vocês, só posso respeitar uma decisão da justiça e entender que mesmo cabendo mil recursos, há um processo bem ruim para o jogador em andamento.

Enquanto acusação, ok. Quando condenado, muda de status e sim, tem que mudar mesmo. Não é possível que a gente tenha que ser radical pra um lado ou outro e achar que ele é um estuprador, nem mesmo insinuar que uma condenação de estupro não interfira na sua imagem profissional.

É natural e aceitável que clubes rejeitem a idéia de ter Robinho, como era com o Bruno. Como talvez seja em outra proporção com o Breno, por não envolver terceiros em seu crime. Mas ter uma condenação muda sim o status de qualquer pessoa. E deve mudar. É natural.

Robinho é um jogador diferente. Caro, mas que vende, joga bem, é carismático. Eu sempre gostei da idéia de tê-lo no meu time. Hoje eu pensaria. Porque sim, amanhã você pode ter um condenado por estupro no seu time tendo que estampar a porra da foto em tudo que é jornal com a camisa de voces e seu patrocinador.

Sim, tem um peso.

Eu espero mesmo que ele seja inocente e que seja um erro da justiça italiana. Mas enquanto isso não mudar, é realmente complicado contratar o jogador.

E por mais que cobrem da imprensa um massacre como fizeram com o Bruno, é compreensível o pé atrás em falar sobre. Amanhã pode haver uma segunda decisão e ele ser absolvido. Mas falamos de hoje. E hoje ele foi condenado.

Que merda. Mas é isso. Hoje, é isso. Infelizmente.

abs,
RicaPerrone

Só o Grêmio se deu “bem”

O sorteio da Libertadores tem essa coisa de evitar confrontos entre times do mesmo pais. E nessa acaba equilibrando os grupos, considerando que os brasileiros estão num degrau acima de investimento, nível de elencos, etc.  Dos 8 brasileiros, só um pode “sorrir” após o sorteio.

O Vasco pra chegar tem um trabalho não tão duro. Mas chegando é com Cruzeiro, U. De Chile e Racing. Grupo dificílimo! Um dos piores, até.

O Cruzeiro, por consequência, idem.

O Santos tem um grupo “ok”. Mas vamos esperar sempre a lógica, e ela indica o Nacional do Uruguai por ali, o que torna o grupo de 2 vagas com 3 grandes.  Mais uma pedreira.

Corinthians tem um argentino campeão da Sulamericana e o atual campeão colombiano. Pedreira.

Grêmio tranquilo, só tem o Cerro com tradição ali. O resto é moleza.

O Flamengo terá uma baba vinda das fases anteriores e o River, que dispensa apresentações.  O Emelec é o divisor de águas em tese. Grupo não é mole não.  Também não chega a ser o inferno que se meteu o Palmeiras.

Boca, Alianza Lima e provavelmente o Olímpia…. O Palmeiras vai precisar estar muito bem já em fevereiro. Não dá pra vacilar. É o pior grupo junto do Cruzeiro, embora os dois casos ainda esperem a “lógica” não confirmada das fases anteriores.

Com uma “sorte” os dois recebem adversários mais fracos. Mas a tendência não é essa.

E o Grêmio, se focar, já sai dessa fase garantindo decidir em casa até a final.

abs,
RicaPerrone

99% torcem, mas aquele 1%…

A megalomania dos times brasileiros em apresentar números exorbitantes para indicar paixão são facilmente desmascarados por dados mais concretos.  Brasileiro gosta de futebol quando o time dele ganha. Caso contrário, não é um dos maiores consumidores do esporte.

Consome o clube. E conforme a fase.  O futebol em si, muito pouco. E ainda que pelo próprio clube, embora as vendas de camisas atinjam números expressivos como os 2 milhões por ano do Flamengo, os sócios engajados em ter facilidades de ir a jogos e contribuir com o clube são ridículos.

Com base na pesquisa Ibope de 2017 as maiores torcidas do Brasil tem números de torcedores menores do que ditos pelas massas. A maior delas estima-se ser de 32 milhões e é a do Flamengo.

Fizemos um calculo simples de % entre total de torcedores declarados e sócios de fato, auditados no site oficial da campanha de socios torcedores (Futebolmelhor.com.br).

O Grêmio é o time com maior engajamento. 2,27% dos seus torcedores são sócios.  O Inter em segundo, com 2,01%.

Os cariocas Flamengo e Vasco são os piores na proporção torcida/sócios. Embora o rubro negro até tenha mais de 100 mil sócios, sua torcida é muito maior e portanto o % não acompanha.

Imagine você se cada time conseguisse 10% de sua torcida como sócios ativos. Será que precisaríamos vender nossos garotos pra Europa?

Em média apenas 1% dos torcedores de times grandes no Brasil são sócios torcedores. Segue a lista % de torcedores x sócios.

Time Torcida Socios %
Gremio 6.000.000 136.283 2,27%
Inter 5.600.000 112.752 2,01%
Sport 2.400.000 43.288 1,80%
Atletico MG 7.000.000 100.732 1,44%
Palmeiras 10.600.000 122.923 1,16%
Botafogo 3.400.000 35.132 1,03%
Cruzeiro 6.200.000 64.017 1,03%
Fluminense 3.600.000 37.095 1,03%
Sao Paulo 13.600.000 117.894 0,87%
Santos 4.800.000 24.692 0,51%
Vitória 2.600.000 13.157 0,51%
Corinthians 27.300.000 125.471 0,46%
Bahia 3.400.000 14.762 0,43%
Flamengo 32.500.000 106.938 0,33%
Vasco 7.200.000 17.065 0,24%

Minha seleção do Brasileirão

É muito difícil sair de Corinthians, Grêmio e Botafogo. Os três jogaram um futebol muito acima dos demais, e embora o Bota tenha despencado no fim, teve um grande ano.  Hernanes e Dourado entraram ali por terem carregado seus times nas costas. Especialmente o saopaulino.

Que tal?

abs,
RicaPerrone

 

11 “crises” e uma reflexão

Tente imaginar que dos 12 grandes do futebol brasileiro 11 deles estejam terminando um ano conturbado e com “crise”.  É quase inacreditável, mas é real.  Com a fase do Corinthians e as cobranças, apenas o Grêmio tem um ano de paz. Todos os demais conseguiram curtir suas crises e terminar o ano com alguma insatisfação.

Veja a tabela. O líder hoje é contestado. O segundo colocado há 2 semanas vivia crise e anunciava seu terceiro técnico no ano. O terceiro colocado mandou o treinado embora sábado.

O quarto, o Grêmio, nem sequer disputa o Brasileirão. E é quarto.

O quinto há 2 semanas teve pressão de torcida no aeroporto e cobranças. O sexto até agosto era “fora mano” o dia todo e o time não prestava. Salvo pela Copa do Brasil.

O Flamengo tem na avaliação de sua torcida “um ano ruim”. É sétimo. O Vasco, também com 3 treinadores no ano, chegou a falar em rebaixamento por diversas vezes.

São Paulo, Galo e Fluminense, nem precisamos desenvolver o assunto. Anos ruins.  Crise.

O Inter, subindo, tomando vaias e com o time rachando com a torcida a um jogo da volta à série A.

E assim vamos encerrando a temporada. Com 11 dos 12 times grandes tendo suas torcidas insatisfeitas com o desempenho de seus clubes.

E eu lhes pergunto com a absoluta certeza disso não ser normal: Seria o reflexo de um ano onde todo mundo vai mal ou de uma nova mentalidade equivocada que compara o desempenho aos grandes da Europa e  esquece-se que aqui não tem 2 times ganhando 90% dos jogos?

O que estamos vendo é um erro de avaliação ou um padrão de exigência que não aceita apenas os pontos, mas também cobra desempenho?

Qual a leitura afinal?  Eu não tenho ainda certeza do que isso significa. Mas sei que algo está muito errado. É inaceitável que todos os times tenham tido um ano contestável, mereçam trocar seus treinadores, viveram crises em determinados momentos e que sejam ainda assim os protagonistas da temporada.

Trata-se de uma nova cobrança, uma forma burra de ver futebol ou de um imediatismo sem fundamento?

Não sei a resposta. Sei que vamos terminar 2017 com todos os torcedores insatisfeitos, menos o do campeão brasileiro e o do Grêmio. Com boa vontade também o do Cruzeiro, que deve ter engolido o festival de “fora todo mundo” com o caneco da Copa do Brasil. E isso se não inventar uma nova crise até dezembro, é claro.

abs,
RicaPerrone

Sobre “reconhecer” e unificar

Quando a CBF dá aos campeões da Taça Brasil o mesmo rótulo do Robertão, ela comete um erro de direito para ser aceita politicamente.  Quando a Conmebol não dá ao Vasco o rótulo de bicampeão da América, ela comete um erro parecido.

Quando a FIFA diz que os campeões mundiais são todos campeões mundiais, ela acerta. E acerta porque ela mudou muito pouco, baixou o nível do torneio e mais nada.  Tivesse a FIFA feito uma Copa do Mundo de Clubes, por exemplo, com 32 times, e dali saísse um campeão… pobres dos campeões anteriores.

Seria sim um torneio diferente. Hoje também é. Mas é pra pior.

Você adiciona times de merda na condição de franco atirador para eliminar numa zebra qualquer e fazer uma final ainda menos interessante. Tem no campeão cada vez mais a óbvia potencia européia rica que vai lá de férias e joga toda a carga de responsabilidade no sulamericano, que leva a sério e não é levado.

A FIFA é burra. Mas dessa vez ela é razoável.  Se fosse inteligente daria mais prestígio a quem valoriza seu torneio, não a quem o ignora.  E nós, sulamericanos, mandamos na parte técnica do futebol do mundo desde que o inventaram. Os craques são quase todos nossos, mas a grana não.

Um dia haverá um mundial de 32 times e seremos massacrados por aqueles 5 que ganham sozinhos  num ano o que a liga do Chile inteira ganha em 3 nos. É natural. Triste. Podre. Mas é o que se tornou o futebol.

Os campeões do mundo de hoje são tão campeões ou menos do que os anteriores. Porque antes era briga de cachorro grande, frente a frente, ida e volta, sem caô.   Hoje é um europeu fingindo que nem liga, o sulamericano se matando pra não passar vergonha, um convidado local pra encher estádio, outros campeões de franco atiradores.  E finais cada vez menos possíveis.

Eu queria saber era se os campeões do mundo das décadas de 80 e 90 reconhecem os atuais, isso sim.

abs,
RicaPerrone

Mascotes modernos

O ótimo ilustrador Eddie Souza fez uma releitura dos mascotes dos times brasileiros.  E olha que maneiro ficou! O do Bahia tem um detalhe genial! 

Curtiu? Eu também!

Boa, Eddie!
https://www.eddiesouza.com.br/

abs,
RicaPerrone

Entre o clubismo a hipocrisia e os fatos

Há o rubro-negro que está puto com a suspeita e que a rejeita embora saiba que se fosse ao contrário teria a mesma desconfiança dos santistas.  Há o santista, que acha que é justo um não penalti ser marcado porque é um erro legítimo do juiz e isso torna o lance penalti.

Há toda a mídia fazendo de desentendida como se não soubesse e não fosse fonte desde a invenção do replay.  Juizes, bandeiras, treinadores e jogadores sabem, segundos após o lance, se houve ou não um pênalti. Basta olhar pra cara do repórter de melhor relacionamento.

Há interferência externa há algumas décadas. Elas só estão ficando mais rápidas, mais discutíveis e com mais arbitros em campo ficam mais fáceis de ser repassadas.

Foi o caso na Vila? Não sei. Mas desconfio que sim. Pelo histórico, pela distância, pela raridade que é um juiz 15 metros mais perto do lance consultar alguém que estava a 40 pra saber o que aconteceu. Enfim.

Não importa. Fosse o contrário o flamenguista estaria fazendo exatamente o que o santista está fazendo hoje. E no clubismo se perde a noção de que na real pouco importa pra que lado foi, mas que é preciso que seja claro todo jogo.

Ou pode ou não pode. E enquanto não puder será velado. Mas acontecerá.

Se você, juiz, sabe em 5 segundos que há um erro que muda o jogo e ainda pode evita-lo, você evita. E não oficializar isso com 30 reporteres atrás de cada gol e o replay quase instantaneo das tvs é hipocrisia.

Entre o clubismo de acusar ou negar conforme o lance, a hipocrisia de fingir que a tv não interfere e os fatos, prefiro me ater ao último e buscar a solução.

Há interferência. Há décadas. Cada dia mais.

Vamos assumi-las ou fazer do futebol o mesmo teatro que é a F-1 quando se finge que não há mais jogo de equipe.  Só se atrasa o pit stop “sem querer” de um e escolhe-se da mesma forma o vencedor.

Pra que mentir quando todo mundo sabe a verdade?

Quando a amante e a esposa sabem, aceitam, se conhecem… tenta um menage.  É melhor do que tentar continuando a mentir pras duas.

abs,
RicaPerrone

Onde o Flamengo está, os 11 podem estar

Talvez pra muita gente de fora seja novidade, mas sim, é verdade: temos um clube carioca levado a sério administrativamente.  E obviamente isso não implica em “perfeição”, portanto, dizer coisas como “é sério mas erra aqui, ou ali” é apenas mais do mesmo.  Diferente é o que está acontecendo lá.

Mas pouco me importa o que você acha do Flamengo e seu futuro. O meu ponto aqui é que hoje o Flamengo fatura alto, paga em dia, monta estrutura, paga dívidas e tem um grande time.  E isso sem o estádio como fonte de renda.

Onde quero chegar?

Quero que você note que aqui, onde o Flamengo sequer atingiu 60% do seu potencial, dá pra todo mundo chegar. E chegando, está bom pra todos.

Se todos os 11 grandes tivessem 100 mil sócios (e podem ter), uma receita de TV alta, uma diretoria de fora pra dentro sem muitos vícios e vinculos com politica do passado, uma direção um pouco mais profissional e focada em regularizar a situação financeira, teríamos o melhor campeonato do mundo.

E então logo alguém diz que “o Flamengo ganha mais da TV”, e eu lhes digo que não importa. Quanto mais o Flamengo ganhar, mais o seu time pode ganhar.

E se seu time hoje não ganha bem, acredite, a culpa é inteiramente dele. Porque as vendas são individuais, logo, repito, insisto, até cansar: se os 10 insatisfeitos dizem “não”,  Flamengo e Corinthians não jogam sozinhos o ano todo. Portanto, a decisão está sempre nas mãos de quem prefere chorar do que agir.

O patamar Flamengo atual, que não é o seu limite, mas é um avanço, é atingível por todos os grandes. E é extremamente importante que você, torcedor, entenda que tudo que há de bom hoje no Flamengo deve acontecer no seu time. E você deve esperar e cobrar por isso.

Não há nenhum resultado do Flamengo inatingível ainda. Todos os grandes podem sonhar com 100 mil sócios, com diretorias focadas e responsaveis financeiramente. Todos, portanto, podem ter em seus times com salários em dia, um time com Diego, Diego Alves, Everton Ribeiro, Conca, Guerrero e etc.

Talvez em 5 anos não possam ter. Aí estamos falando de um Flamengo que almeja Neymar. E sim, ele pode. Ele é maior que o PSG, que o City, que o Chelsea.  O seu time também é.

Ali, naquele momento, você não poderá ser Flamengo por não ter o número de torcedores dele. Mas será que o patamar atual de gestão dele não é suficiente para que o equilíbrio seja no alto e não permita que seu dinheiro a mais (merecido por ter mais gente)  seja tão determinante?

Dá.

O Flamengo atual é sucesso e é possível. Para qualquer um dos 12 é possível.

O de daqui alguns não será. Então corram atrás desse, ou a “espanhonalização” acontecerá mais por incompetencia alheia do que pelo Flamengo ter descoberto a roda.

abs,
RicaPerrone

Que Santos é esse?

Você tem alguma facilidade pra olhar um time e entende-lo.  Seja pela proposta, pela ruindade, pela qualidade, é razoavelmente fácil achar um rótulo pra um time durante um campeonato.

E esse Santos? Me explica.

O time não é um puta time, nem um time ruim. Já trocou de treinador, o que significa que algo não ia tão bem assim. Agora está na vice liderança do Brasileirão vindo de empatar com o lanterna e perder em casa pro Sport.

Dá pra explicar?

Ele está, afinal, em boa fase, voando ou devendo?

A vitória contra o Galo é fruto de um daqueles jogos que poderia ter tomado 3×1, feito 3×1. Tanto faz. Jogo aberto, bem mais pro Galo que era mandante, é claro, mas com espaço para os dois lados, penaltis, chances de gol bem claras.

O ponto é como analisar esse Santos.

É o mesmo time que empata com a Ponte, perde do Sport e do Cruzeiro em casa. Mesmo time que ganha fora do CAP e do Galo.

 

Um Santos absolutamente imprevisível.  Como quase sempre em sua história, o time que você não precisa conhecer o elenco pra saber que vem coisa boa.  Vocação para protagonista. Brigando no alto de novo. E pasmem, quase ninguém sabe o que falar desse Santos….

 

abs,
RicaPerrone