Santos

Quem são vocês pra reclamar?

Na história fica a verdade e para a história fica o que vocês quiserem contar.  Um dia os clubes TIVERAM que se unir para fazer um Brasileirão e formaram nossa primeira e sonhada Liga.

A Copa União de 87 foi seguramente o melhor campeonato brasileiro que já tivemos. Durante o processo político com a CBF, os clubes se uniram e disseram “não”  a um documento assinado por Eurico Miranda, que é um dos que também reconhecem o título óbvio, claro e pouco discutível do Flamengo.

O ponto aqui não é o Flamengo. Podia ser o Inter, podia ser o Vasco, tanto faz. Naquele ano os clubes apertaram as mãos e feito homens disseram que estavam juntos e não jogariam o cruzamento político que a CBF pedia para autenticar a taça. Natural, nem condeno a entidade, pois é um conflito juridico.

Pra ser oficial, tem que ser seguindo os rebaixados e promovidos do ano anterior. E a CBF só poderia fazer isso criando essa fórmula. Só que o campeonato não era dela, e os clubes bancaram isso. Foi lindo. Um momento raro que não mais se repetiu de união e caráter.

Passados 30 anos, onde vocês estão?

Se escondendo pra evitar polêmica, rasgando documento para fingir que não viram ou com vergonha da época em que foram homens de prometer e cumprir mesmo podendo passar a rasteira no outro de madrugada?

Cadê os 12 dos 13?  Porque vocês estão se omitindo diante de algo que todos vocês criaram juntos e, porque só um ganhou, perderam o interesse em bancar?

Meu São Paulo, enorme, criador da Copa União, um dos pilares daquele acordo… você vai rejeitar pra pedir taça de bolinhas? É sério? Agradar um bando de conselheiro fanático é mais importante do que honrar sua história, seus feitos e sua assinatura?

É mais importante e melhor pro seu marketing ter uma taça idiota sem sentido dentro da sua sede do que pega-la e mostrar palavra e postura pro mundo levando pro dono?

O clubismo das pessoas é aceitável, porque o futebol é isso. A gente enxerga qualquer merda pra ver nosso time certo e o rival fodido. Mas quando pedimos caráter, postura, um país mais honesto e transparente, a gente vai apoiar que se vire as costas pra tudo que foi feito e acordado em troca de tacinhas, birrinhas e memes?

Eu não sei bem quem se posiciona de que lado nisso. Mas sei que esses clubes não podem reclamar da CBF, das Federações, da Globo, da puta que pariu.

Nós fizemos o campeonato! Nós não temos o direito de rejeitarmos o campeão do que criamos. Sejam maiores.  Tá na hora da gente crescer.

abs,
RicaPerrone

¿Hablas español?

Dois mil e dezesseis. Lá se vão mais de 40 anos de Campeonato Brasileiro, um século de futebol neste país e ainda tem gente que acha que mora em Madrid.

O Santos vence o Fluminense na Vila, sendo quarto colocado no campeonato, e alguns jornalistas chamam de “tropeço” do Flu.  No mesmo dia em que o Galo, cheio de desfalques (embora esse seja o padrão desde a estréia) empata com o Corinthians na Arena e é “mau resultado”.

Dos últimos 36 jogos o Corinthians perdeu 2 ali dentro, além do simples detalhe de ser o Corinthians, o que por si só o torna favorito em jogos em casa.  O Galo empata o jogo e como quem deixa de fazer uma “obrigação”, vê “o sonho acabar”.

Ora, quanto exagero.

Flamengo e São Paulo no Morumbi. Empate.  O Flamengo “vacilou” pra alguns.  Onde está a básica noção que deveríamos ter do que estamos tratando?  Não é campeonato espanhol. É Brasileirão, e a Chapecoense em casa é duríssimo adversário.

A expectativa Bayern que se cria dos favoritos é um fenômeno “Tyson” do Boxe. Ou você ganha todas por nocaute e vai invicto por 10 anos, ou você “não é tudo isso”.

Ah mas a fase do Corinthians…. E alguém aqui considera a fase do Boca quando vai lá e acha um empate?

É quase desrespeitoso achar que alguém tenha obrigação de ganhar de um dos grandes na casa do adversário como “obrigação”.  Atlético e Flamengo conseguiram bons empates fora e o Fluminense perdeu o jogo mais normal do mundo.

Aí vem o colega jornalista e diz: “perdeu pra ele mesmo!”.  Ora, que absurdo! Se perdesse pra ele mesmo levaria os pontos.  Perde-se para um adversário qualificado e grande.  Sob o olhar do tricolor, considera-se as chances que perdeu. Sob o olhar santistas, “poderia ser mais”.

É assim todo jogo. Embora alguns ainda tentem achar um Barcelona x Málaga pra encontrar um massacrante 8×0 no nosso campeonato, ele ainda não se rendeu a vergonha que é ter dois times voando e 18 tomando goleadas.

abs,
RicaPerrone

O perrengue é fundamental

Ontem estive no Fluminense. Mário Bittencourt lançou a candidatura dele a presidente e e fui abraçar o amigo neste dia especial pra ele. Antes de qualquer coisa, quero registrar que sequer conheço os candidatos do Fluminense, não estou nem aí pra disputa eleitoral, e me senti sim na “obrigação” de prestigiar um amigo. Portanto, se você acha que eu não deveria ter ido, foda-se.

Esclarecido este ponto, vamos ao que importa.

 

Eram centenas. Senhores, jovens, mulheres, torcedores fanáticos, amigos dos candidatos que talvez nem fosse tricolores.  No salão nobre, cercado de história por todos os lados e de gente que briga, discute e perde horas por semana tentando melhorar aquilo que ama.

Eu olho em volta, vejo exatamente o mesmo cenário de qualquer clube grande do país. Mudam as cores, o local, mas as pessoas são quase as mesmas. Senhores que ajudaram a fundar o clube, netos entrando na política, turma jovem engajada, esposas que fizeram turmas, gente de terno, gente de camiseta. Todos apaixonados por aquele clube.

E naquele cenário caótico onde disputa-se um cargo não remunerado que destruirá sua vida pessoal, eu tenho mais e mais certeza de que os clubes, hoje, deveriam ter dono. Sim, ser vendidos como empresas. Embora odeie a idéia, é o que tenho hoje como sustentável.

E então eu no mesmo momento que penso isso com a razão, meu coração olha para aquelas pessoas todas e se pergunta “o que as moverá se alguém que não elas puder gerir este clube?”.

A razão logo me diz que torcedor quer ganhar e, portanto, se estiver ganhando ele não quer saber de nada. Mas eu fui um torcedor desses. Nas mais diversas esferas desde os meus 93 dias de vida, onde entrei no meu clube pela primeira vez e nunca mais sai.

Eu costumo defender uma tese racionalmente indefensável. Mas que todo torcedor de arquibancada acima de 30 anos me entenderá. “O perrengue é fundamental”.

A fila, o caos, o aperto. A participação, a oposição, a perda de tempo. A briga com a esposa, a dificuldade de estacionar. Sem isso, não suamos para vencer. Apenas assistimos alguém fazer isso por nós. O que nos faz parte é exatamente “o perrengue”.

Como isso pode coexistir? Profissionalismo é o fim do perrengue.

Mas quem disse que eu não quero pegar a fila? Que graça tem se esses caras não tiverem que ser voluntários numa campanha que acreditam numa terça-feira a noite na cidade? Será que é mesmo um problema pra mim essa dificuldade de estacionar meu carro?

Ser “parte” é o que move muita gente. A crença de que o clube “precisa de você” é o que nos faz passar o perrengue, e toda vez que invertemos essa lógica para algo “teatral” onde devemos ir se “o espetáculo for bom” e ponto final, estamos minando essas pessoas e dando espaço a um futebol que funciona, que dá lucro, mas que não sei se eu amaria.

abs,
RicaPerrone

O saldo de 2015 dos 12 grandes

Embora os resultados oficiais divulgados pelos clubes só seja apresentado no mês de abril, o Itau BBA entregou um balanço dos 12 grandes em 2015 já neste mês.

Segundo o BBA, os 12 grandes faturaram 2,58 bilhões em 2015.  Gastaram 2,41 bilhões, o que determina um raro ano onde o futebol brasileiro “lucrou”.  E este lucro está bastante baseado na gestão de recuperação financeira do Flamengo.

Só o clube carioca, segundo estimativa do Itaú BBA, teve um saldo positivo de 114 milhões.

Outros clubes que se destacam pelo saldo são Fluminense, Palmeiras e Cruzeiro. Sendo que a saúde financeira do tricolor carioca esteve colocada em dúvida desde a saída da Unimed em janeiro de 2015.

Curiosamente ou não, os 4 saldos devedores são Galo, Corinthians, São Paulo e Grêmio.  Os 4 clubes conseguiram vaga para a Libertadores.

abs,
RicaPerrone

Esporte Interativo comprova a culpa dos clubes

Todo santo dia alguém diz na tv que a culpa do futebol brasileiro ser tão atrasado é “da CBF” ou “da Globo”.  Na verdade essas pessoas pouco percebem que o discurso repetido é baseado em informação quase nenhuma, mero comodismo de procurar a verdade.

Pois a verdade vos libertará. E é hora dela ser explícita.

A Globo, na dela, fazendo seu papel claro de empresa que busca lucro e ponto final, oferece e compra os direitos de tv dos clubes brasileiros há 200 anos.  É assim, e ponto.  Em nenhum momento da história os únicos interessados e capazes de mudar isso abriram o bico. Sempre disseram “amém”, assinaram, anteciparam e se fizeram reféns para manter a porra dos mandatos de seus presidentes ao longo dos anos.

Vale 50.  Mas eu mando só até dezembro. Então antecipa 20, eu assino por 30, salvo meu ano, foda-se o próximo. Clubes quebrados. Dívidas enormes. E mais do mesmo.

Então chega ao Brasil Fox e Turner, duas das maiores empresas do planeta no ramo. E então a Globo perde a Libertadores no cabo, que é onde as empresas atuam, e em menos de 3 anos vê o Brasileirão ser ameaçado.

Agora vem comigo, vou simplificar:

A Globo faz uma proposta unificada pros clubes. Ela oferece X para ter PPV, TV fechada e TV aberta. Eles assinam, todo mundo sai feliz.  Quanto é? Depende. Tem clube que ganha 150, outros ganham 50.  Concorde você ou não, sendo as negociações individuais desde o fim do clube dos 13, o seu clube concordou e assinou.

Porque?

Porque deve. Precisa de adiantamento. A Globo dá, joga o jogo falando em “audiência”, porque de fato no cabo era Sportv contra o vento, já que a Espn e o Band Esportes nunca deram audiência.  Agora tem Fox e EI.  A audiência virá, é fato. Um tem a Libertadores, o outro a Champions. Não haverá traço.

Quando a Globo compra os direitos de tv ela faz os clubes, bobos ou se fazendo de, acreditarem que não há outra saída.  Eles nunca pensaram, por exemplo, em vender os direitos coletivos com primeira escolha, segunda escolha. Simplesmente porque não há “coletivo” no futebol brasileiro. E enquanto não venderem os clubes, não haverá.

Quando o EI vai aos clubes e oferece 550 milhões por ano de TV fechada, a ficha cai.  “Se a Globo paga 1,1 bi pros 20 clubes nos três (tv, cabo e ppv), como pode o cabo pro EI valer 550?

Simples. Você vende mal o produto.  Agora tem quem pague 550 por um dos três, que conforme o CADE deve ser vendido separadamente.

E então seu clube fica na dúvida.

A Globo joga com o que tem. Faz o que eu, você ou até a EI faria. Ameaça com menor exposição na aberta, lembra o acordo de anos e anos, antecipa cotas e etc.

O EI, esperto, mandou pros clubes uma proposta com a mesma antecipação da Globo.  Pra alguns, não adiantou. Assinaram mesmo assim, perdendo a chance de ganhar 9x mais a troco de que? Vai saber. Ou melhor, sabemos.  É um misto de burrice com política.  Um pensamento raso sobre dinheiro e como fazer o produto crescer.

Você, sócio torcedor, dá seu dinheiro pra sustentar um time que normalmente deve até mesmo os salários. E quando um dinheiro aparece pra inflacionar e dar ao clube poder de barganha, a política atrapalha e mostra o quanto o jogo não é claro.

O direito de tv no Brasil só funciona quando os dois clubes do jogo tiverem vendido pra mesma emissora. Ou seja, ao assinar com o Santos (e outros que já assinaram) o EI impede que o Sportv transmita qualquer jogo do Santos e vice-versa, quando o rival não for da emissora.

Quem ganha? Ninguém.

Perde a Globo, que terá meio evento. Perde o EI, que terá comprado parte dele. Perde o evento que terá vetos de exposição. Perdem os clubes que não foram atrás da maior receita.

Sócio, seja ao menos honesto com o seu dinheiro.  Se seu clube optar por A ou B, pergunte a ele os motivos. Não a CBF ou a boa vontade da Rede Globo. Entenda: O que se negocia é o direito de TV FECHADA. Na Globo continua passando, não há concorrência.

Aguardem. Essa novela está só começando.

abs,
RicaPerrone

O clássico que cada um quer ver

Passei bem mais longe de achar um jogo chato ou ruim do que a bola de ter entrado hoje no Allianz. Contrariando a muita gente que diz ter sentido “sono” assistindo ao clássico, achei o segundo tempo quase didático.

Um Santos que ressuscita Dorival ao mercado tocando bola no chão, evitando a todo custo a ligação direta e abusando do direito de prender a bola.  Gosto. Acho que o futebol se divide em 3 momentos: Retomada de bola, criação e finalização. Nas 3 delas ter a bola é fundamental. E na única que não tem, tê-la é seu objetivo principal. Logo, porque queimá-la?

O Palmeiras é um time que Muricy e Celso Roth assinariam.  Com toda qualidade que tem, nenhum padrão que não seja “achar” um gol no talento individual, ligação direta ou bola parada.

É pouco. Muito pouco pro que foi investido e para o que se espera desse elenco. Marcelo Oliveira, que no primeiro ano de Cruzeiro apresentou algo bom de se ver, terminou sua passagem por lá – mesmo campeão – já vivendo de cruzamentos.

Não era impressão. Parece ser mesmo seu estilo.

O Palmeiras vai tentar se virar a moda antiga. Joga em alguém que ele resolve. O Santos, ainda que apostando no talento de garotos, tem um jogo coletivo e bem mais treinado que o Verdão.

O resultado é injusto. Ao Santos, que merecia ganhar a partida.

abs,
RicaPerrone