HomeFórmula 1Max e o drama de não vencer

Max e o drama de não vencer

Tenho acompanhado com algum constrangimento o diagnóstico sobre a possível saída de Max da F-1.

Eu respeito, óbvio. As pessoas têm que fazer o que elas querem e não o que esperam dela. Burro é quem agrada os outros pra terminar sozinho numa cama lamentando o que não fez.

Em meio a comentários e criações midiáticas existe uma narrativa que eu fico realmente constrangido de ver. A de que Max deve sair porque a Red Bull não fez um bom carro.

Ou seja, ele ganhou os títulos dele todos sozinho com carros ruins e a Red Bull deve isso a ele? Não seria mais o contrário do que isso tendo em vista que a F-1 vence o melhor carro invariavelmente?

Nessa narrativa há uma falha. A ideia de que Max está “perdendo” não tendo o melhor carro do grid.

Pra mim é justamente o contrário. Em 2025 Max fez sua melhor temporada e foi comparado aos maiores de todos os tempos… perdendo.

Porque foi na Lotus que vimos o quanto o Senna era foda. Foi na Minardi que vimos o Alonso primeiro. Foi em momentos de chuva que vimos quem era ou não acima da média.

Sempre foi claro ser uma corrida de carros e não de pilotos primordialmente. E quando Max abre 20 segundos do companheiro com carro abaixo, ele mostra mais do que vencendo de ponta a ponta.

É óbvio que ele quer ganhar. Mas o entendimento de que está sendo “ruim” pra ele não ter um carro em condições de ganhar eu acho um erro.

Max nunca foi tão indiscutível. E se tivesse uma McLaren em 2025 seria mais discutível do que é hoje estando em oitavo.

Talvez, em 2050, quando falarmos em Max vamos falar mais de 2025 onde ele quase venceu sem ter o carro pra isso aposentando 2 companheiros de equipe numa só temporada do que das vezes que ele venceu com 30s de vantagem.

A gente nunca saberia. Prova disso é que até hoje existem campeões mundiais que não são reconhecidos porque “seria fácil” naquele carro ou “qualquer um ganharia”.

O que Max está fazendo claramente não é qualquer um que faz. Os números são importantes mas ele já os tem. E quando fala em se aposentar diz que não os busca. Portanto, não deve ser esse o ponto.

O ponto é que, talvez, Max esteja escrevendo suas mais incríveis páginas na F-1 perdendo. E isso não tá nos números. Tá na memória.

Rica Perrone

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