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O tiro no pé

O tiro no pé 1

Cristovão é um treinador como muitos outros. E isso não se refere a sua cor.  Sua forma de montar time, teimar nos erros e fazer alterações ruins causa rejeição. E isso não tem a ver com sua cor.

A torcida o chama de burro porque entende que comete burrices. E isso novamente não tem a ver com sua cor.

Quando o chamam, e nem sei quem chamou, de “Mourinho do Pelourinho”, é uma brincadeira muito mais por ele ser baiano do que negro, aposto. E assim sendo, porque te soa como menosprezo cita-lo como “do Pelourinho”?  Acho que o preconceito aí é de quem se ofendeu.

O Mourinho, “Celso Roth de terno”, nunca se ofenderia pelo terno. Talvez pelo Roth.

Um líder pode ser qualquer coisa menos vítima. Treinador de futebol é líder de um grupo e tem como papel primordial se impor diante deles. Um líder não deve acusar esse tipo de golpe. É pequeno, sem importância, coisa de meia dúzia.

Até porque o  Cristovão, em algum momento da sua vida, no futebol, já deve ter se dirigido a alguém como “gordo filha da puta”, “viado do caralho”, “anão de merda”, entre outros que fazem parte do dia a dia do futebol. E que embora sejam formas agressivas de tratar alguém, são tão preconceito quanto e nunca gerou revolta.

A sociedade vai se aproveitar pra julgar isso de forma escrota até porque eles não entendem o que é um campo de futebol e o quanto aquilo nos tira do sério. Vão massacrar e colocar Cristovão como um ícone do fim do racismo no futebol.

Ok, tanto faz. Já estão fazendo nosso futebol virar cinemark, não será uma novidade se proibirem que o sujeito fale palavrão na arquibancada.

O relevante nisso tudo é que ontem foi segunda-feira, o Brasileirão pegando fogo, estádios cheios, vários bons jogos, belos gols e….  qual foi a pauta? Um “possível” racismo da torcida do Flamengo com o treinador. Menos mal que ele acusou só parte do golpe e minimizou, dando só importância pra algum racismo por parte da imprensa, que aliás, discordo.

De todos os preconceitos do mundo o que eu preservaria e incentivaria é a fobia a burrice. E então essa pauta nem seria cogitada.

Cristovão, meu caro baiano negro, ajeita teu meio-campo que o torcedor rubro-negro se tornará menos “racista” em 2 semanas. E aí, ganhando, a mídia vai buscar preconceito, crise e alguma bosta pra falar em outro clube.

abs,
RicaPerrone

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