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Frescobol?

Frescobol? 1Futebol já foi um esporte “de macho”, como diziam nossos avós. Hoje poderia até mudar de nome, tamanha frescura que o envolve. Já não pode xingar, não pode tirar a camisa, não pode comemorar o gol, não pode quase nada. Agora querem proibir o “olé”.

Por isso que o futebol carioca me atrai mais do que o paulista, sabe? A frescurinha é menor.  O que o Valdívia fez de tão grave? Não gostou? Toma a bola dele e faz de volta, uai!

Me lembro da maior resposta da história do futebol moderno que deveria ser exemplo pra todos os atuais “craques” e jornalistas chorões.

Botafogo e Vasco decidiam o campeonato carioca. O Edmundo pára na frente do Gonçalves, beque do Fogão, e rebola. Uma torcida comemora, a outra não gosta, e a imprensa ameaça o nhe nhe nhe.

Gonçalves, que mostrou ser mais inteligente que todos eles juntos, ficou quieto e não deu pontapé e ninguém. Nem saiu chorando de campo.

Passou uma semana, a outra final. Gonçalves anulou o Edmundo em 90 minutos e, campeão, juntou o elenco todo no meio do campo, correu na direção da torcida adversária e fizeram a reboladinha pra eles.

Pronto!!!! É isso, só isso! Divertidíssimo, sem violência e, principalmente, sem frescura.

O beque que tome a bola do Valdívia e ameace tirar dando uma caneta nele. Não sabe? Então fica quieto.

O que não pode, ao meu ver, é o pontapé do sujeito se tornar “justificável” porque o Valdívia sabe jogar bola e ele não.

Existe uma diferença entre deboche, que foi a palhaçada do Edílson no Morumbi, e firula de jogo. O Valdívia fez uma graça, sem dúvida, mas não parou o jogo ou deixou de tentar cruzar na área. Se ele faz aquilo e devolve pro zagueiro já fica mais estranho.

Ainda assim, acho que cabe ao adversário guardar e devolver. Não fazer nhe-nhe-nhe e ir na imprensa chorar. Menos ainda dar um pontapé.

Mais Gonçalves, mais Edmundos, menos hipocrisia e intelectuais modernos.

É só futebol. Tem que continuar sendo, mesmo sendo claro a qualquer paulistano que isso já seja passado por aqui, onde a bola virou argumento de guerra e mera justificativa para compensar frustrações pessoais.

Começa por você, torcedor. Eu não posso sair com a camisa do meu time em dia do jogo do outro time. E mesmo morando a uma razoável distancia do evento, sei do risco que corro.

É futebol isso? Que moral tem o torcedor paulista, que faz guerra no metro e na mídia por qualquer elogio ou citação ao adversário, para cobrar que o futebol seja mais divertido?

Você, torcedor, sabe levar isso como diversão?

Se mídia, torcida e jogadores não conseguem mais transformar isso num lazer, mudemos o nome para “Frescobol”, aí sim, a frescura estará ao menos justificada.

abs,
RicaPerrone

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