0x1

O inexplicável Fluminense

Jogos de puro massacre. 200 chances de gol, 900 finalizações, euforia da torcida, e derrotas. A bola não entra.

Troca-se o treinador. A torcida reclama.

O futebol cai de produção consideravelmente. O rebaixamento bate à porta. No jogo seguinte, fora de casa, o Flu não pressiona, não joga daquela maneira que jogava e é, inclusive, inferior ao adversário. Algo que não acontecia em jogo quase nenhum.

Faz um gol e vence.

Nessas horas eu me lembro que futebol não tem lógica, e o Fluminense desafia até mesmo o futebol.

Dirão precipitadamente que é melhor assim. Outros entenderão que foi um golpe de sorte. Muitos irão ponderar a boa frase que Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter me disse uma vez: “Ou você tem a bola ou espaço. Os dois não existe”.

E o torcedor dirá que prefere assim. Vencendo.

Como se jogar mal fosse premissa de 3 pontos e bem um risco de derrota iminente.

Se tivesse lógica nem haveria campeonato.

O Fluminense inexplica o futebol.

RicaPerrone

Um chute os separa

Fosse o Grêmio a optar pela estratégia palmeirense, venceria. Fosse o Palmeiras a optar pela estratégia do Grêmio, não sei. Fato é que os dois times tem tantas diferenças conceituais que era o tipo de jogo onde uma bola resolveria a partida. E resolveu.

Os dois times se defendem muito bem. Um escolheu se defender, o outro escolheu jogar.  No mata-mata uma bola fora de casa resolve tudo. Embora seja o Grêmio o mais copeiro do Brasil, do outro lado estava Felipão, o técnico mais copeiro do mundo.

Uma falta. Um gol, e o Grêmio ficou diante do seu atual grande drama: jogar contra times fechados.

Há algum tempo o Cebolinha sozinho não é suficiente pra vazar uma zaga inteira. Um contra-ataque de Dudu, Scarpa e cia, sim.

Agora inverte.

Se fosse o Grêmio na defesa puxando contra-ataque com Cebolinha. Seria mortal? Provável.

Mas pra isso se ganha em casa e faz fora. O Palmeiras acertou o golpe fora, não dará ao Grêmio o espaço que ele previu na volta, e portanto transformou 2 jogos duros em 2 jogos onde ele dita o ritmo.

Os dois times teriam dificuldade em criar sobre as defesas postadas. São ótimas defesas. Mas aí vem a bola parada, o chute feliz, o 1×0 fora e tudo se transforma. Coisas do futebol.

Palmeiras não fez um grande jogo. Fez uma grande estratégia e funcionou porque a bola desviou e entrou. O Grêmio não consegue furar defesas postadas. E contava com ela não estar postada no jogo de volta.

Estará. Mão na vaga pro Palmeiras. Mas só uma. Porque clássico é clássico e a bola parada que entra cá, entra lá.

RicaPerrone

Imponderável?

É óbvio que em 2 jogos contra o Bahia em casa o São Paulo deveria fazer 6 pontos. Não se trata de um clássico nem mesmo de um jogo entre dois gigantes. Ainda mais hoje em dia onde a diferença entre os clubes do nordeste e sudeste aumentou absurdamente em virtude dos valores envolvidos.

Mas nos dois jogos o São Paulo cometeu o mesmo erro. E o Bahia, disposto a fazer cera e achar uma bola, achou. Esse papo de “o Bahia foi melhor” é brincadeira, média com torcida de time vencedor. O Bahia não fez quase nada em 90 minutos, só esperou, fez cera e deu alguns pontapés.

A tática é deles, aceitável, mas dizer que isso é “jogar bem” me soa como estupidez. Jogar bem é ter a bola, criar, não ser muito ameaçado. O Bahia não fez nada disso. No máximo evitou o jogo e conseguiu bloquear o SPFC de chegar ao gol.

São Paulo que passou de um time coletivo pra um time com talentos individuais tentando fazer jogadas individuais. Não há mais tabelas, mas sim a busca pelo drible que resolve. E hoje em dia, não sendo o Messi nem o Neymar, não resolve.

Além disso tem o fator imponderável chamado “Copa do Brasil”. O São Paulo precisa parar de comprar meia e atacante e ir buscar um pai de santo ou um técnico da NASA pra explicar que diabos acontece com esse clube nesse torneio.

O bom do São Paulo até o jogo com o Goiás era a troca veloz de passes. Os passes acabaram, o time afunilou e quer resolver driblando. Não me parece uma mudança tática, mas sim o ímpeto dos meninos em resolver o jogo.

Mal? Não chega a tanto. Jogou por exemplo bem mais que o Bahia. Mas perdeu um jogo decisivo. A diferença de outros momentos é que agora o SPFC tem um treinador que eu confio e que vai corrigir. Antes eu não tinha essa esperança.

RicaPerrone

Corinthians 0x1 Flamengo: Sobrando

Talvez seja só a questão técnica, mas não me convenço disso. O criticado Abel tem um time que atuou de forma madura e capaz de vencer bem contra o Peñarol e repetiu contra o Corinthians, ambos fora de casa, ambos decisivos.

Outra decisão foi a do estadual contra o Vasco. Em ambos os jogos o Flamengo passeou.

Talvez estejamos falando de um time que sabe onde correr, não necessariamente de um time que mereça as absurdas críticas que recebe como se estivesse jogando mal, perdendo todos os jogos e disputando a série B.

A megalomania faz parte da cultura de Corinthians e Flamengo. E ontem notamos que há um clube cumprindo a risca sua mania de grandeza e o outro um tanto quanto conformado com o mínimo possível.

O Corinthians não propõe. É facilmente controlado e colocado na condição do “menor que contra-ataca”. E não, não dá. O Corinthians não pode aceitar essa condição de jogo. Carille não chegou há 2 semanas e, embora tenha pouco tempo pra treinar, a camisa que ostenta merece mais.

Em 3 decisões o Flamengo em 2019 sobrou nas 3. Acho que as críticas são apaixonadas, não necessariamente justas. Algumas até desonestas.

Não joga o futebol que você rubro-negro espera. Mas alguém no mundo é capaz de suprir as necessidades apaixonadas e megalomaníacas do flamenguista? Fosse o Real Madrid de vermelho e preto haveria uma faixa: “O espanhol é obrigação”, após “vexame”  na Champions.

Com todas as críticas e crises exageradas do mundo, me parece que até agora o Flamengo vai muito bem, obrigado.

RicaPerrone

Nenhum absurdo

Abro a Globo.com e leio “crise”.  Quando digo que a Flapress é nociva ao Flamengo é disso que estou falando. O céu e o inferno tem 1 centímetro de distância na Gávea, e não é pra tanto.

Jogou mal. Bem mal.  Tomou um gol no final e perdeu.  Nenhuma raridade em Libertadores, ainda mais considerando o ignorado fato de que do outro lado havia um time muito grande.

Sim, esquecem. Mas era o Penarol. E se eventualmente houver alguma dúvida sobre não ser um absurdo perder para um dos maiores clubes do Uruguai, consulte o google.

A oportunidade era boa de se firmar na liderança. Era jogo pra vencer, ainda mais tendo poupado o time titular pra isso.  Gabigol foi expulso num lance desnecessário.

Nem o céu de domingo, nem a “crise” de hoje.

O Flamengo segue bom ano alternando momentos e sem atingir em momento algum o que dele se espera. Com o fato de que ninguém atingiu ainda sendo considerado, é claro.

É mais time. Favorito ainda ao grupo.

Talvez o que seja o grande e eterno problema do Flamengo: a obrigação.

RicaPerrone

Sofre porque quer

Esperei a noite passar porque sou radicalmente contra ser o esfriador de paixão alheia. A noite do rubro-negro deveria ser de festa e não de análise. Líder é líder, e vencer no Horto é altamente comemorável.

O ponto é que não consigo fazer um texto cheio de elogios e paixão num jogo que me reflete exatamente o que penso sobre futebol. Um time que sofre porque não tem nada coletivo e outro que joga mesmo não tendo nada especial individualmente.

O resultado? Ora, você viu o jogo. O resultado aconteceu. Não foi construido. E isso não pode mudar a avaliação que faço de mais um jogo ruim do Flamengo. Mais um bom jogo do Galo, embora o placar me desminta num lance incomum.

“Ah tinha desfalque!”, não se engane. O Flamengo joga mal com ou sem eles. Não faz nem 3 dias vocês, rubro-negros, diziam a mesma coisa que eu.

Você não tem porque sofrer com Diego, Everton, Paqueta e Vinicius em campo.

“Aprendeu sofrer”.

Porque?! É pra sofrer que se investe tanto em reforços caríssimos mesmo tendo na base as soluções mais óbvias e de bons resultados da história do clube?

O Atlético tem um time com limitações bem maiores que as do Flamengo, especialmente na frente. Mas não considero o time do Galo ruim, não. Até gosto do time.

Mas é dele o papel de apresentar um jogo coletivo, bem estruturado, com posse de bola e mais que o dobro de finalizações?

O Flamengo é líder porque tem time, uma boa tabela e jogadores que resolvem jogos. O  coletivo do Flamengo é ruim. O time não joga bem, cria pouco e não condiz com o que se espera desses jogadores.

Mas hoje é líder. Então todos são ótimos. Se quarta-feira não for, ninguém presta. E esse é o lado delicioso de ser o Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Brasileirão 2018 – Cruzeiro 0x1 Grêmio

Se não é novidade pra ninguém que o Grêmio é o melhor time da América do Sul, chega a ser o fato dele atuar sem Geromel e Luan e ainda assim dominar completamente o jogo no Mineirão contra um Cruzeiro que também é apontado como um dos principais times do país hoje.

Primeiro tempo morno, sem graça, com os dois querendo não tomar o gol. Muito passe lateral, nenhuma chance real de gol. Jogo ruim.

Na volta, um Grêmio irritantemente decidido a propor o jogo e manter a posse de bola. O adversário simplesmente não consegue se manter no ataque para uma eventual pressão. Calmo, sem arriscar passes a toa, o Grêmio ganhando é muito difícil de virar.

Só nos acréscimos o Cruzeiro conseguiu alguma pressão. A expulsão do Kanneman foi justíssima. A não expulsão do Ariel, bem contestável. Por trás e sem visar a bola. Se quisesse, o juiz poderia ter deixado o Cruzeiro com 10.

Se tivesse com os 11 titulares diria que o Grêmio fez uma grande estréia, especialmente pelo resultado. Sem Luan e Geromel, não dá pra considerar críticas ao time gaúcho hoje.

Já o Cruzeiro, com uma a mais em boa parte do jogo e sem criar nenhuma situação de gol antes dos acréscimos, há muito o que ser cobrado.

Quadro de tempo de posse de bola individual na partida:

 

Quadro de percentual de passes certos indidual:

 

Quadros individual de dribles no jogo:

abs,
RicaPerrone

Quando vamos sair do armário?

Toda vez que vou fazer alguma reflexão sobre a imprensa esportiva uso o “nós” pra não soar arrogante, mas eu não sou parte dela. Por opinião, acho uma bosta o que é feito. Por coerência faço diferente e por consequências trago resultados que sustentam minha opinião.

Nada pessoal, apenas um negócio.

Algumas vezes me irrita muito acima do normal, como hoje.  Corinthians x Palmeiras é um clássico, uma decisão e ninguém pagou ingresso pra ver espetáculo. Pagaram pra viver uma tarde memorável de disputa e óbvia tensão.

Espetaculo você vê contra o Novorizontino. Clássico é outra coisa.  Aí vem alguém e diz que esporte não é isso, e blá, blá, blá.  Mas vende NFL que tem por um dos seus maiores atrativos a pancada.

Vende Hockey no gelo, que é quase um UFC. Vende Nascar, onde os torcedores vão pra ver acidente, não a corrida.

Torcedor gosta de ver cenas épicas e ter história pra contar. Toda vez que um time perdendo um clássico não se destemperar, é fraude.  Vai alegrar o comentarista da tv? Vai. Mas a torcida, que é quem importa, não.

É NATURAL que numa decisão de futebol haja momentos de descontrole emocional. Estão pressionados, decidindo futuro, milhões vendo e cobrando, inclusive nós.  Algumas pessoas são sangue de barata, outras não. E quem jogou meia partida no condominio sabe disso.

Quem não jogou, nem sei porque comenta futebol.

É lamentável, é ruim, “nós odiamos ter que ver e relatar isso”. Aham! Olha as capas dos sites. Olha as perguntas das coletivas. 99% briga, 1% jogo.

Quem é que odeia o combustivel que te leva adiante?

Deixem de ser hipocritas. Todo mundo quer ver o circo pegar fogo. Não queremos morte, facada, briga de torcida. Mas um belíssimo empurra-empurra com leves tapas e cenas lamentáveis para esquentar o jogo de volta é sempre muito bem vindo.

Não?

Então desafio a imprensa que acha lamentável a promover o jogo de volta sem focar 99% na briga e sim no título.  Quer apostar?

abs,
RicaPerrone

Nós sabíamos

É muito fácil agora fazer cara de susto e ver o Vasco perder pra atual campeã do Clausura do Chile.  Vai continuar sendo estranho se amanhã ou depois o Vasco, de surpresa, virar chacota. É um hábito estúpido que temos por aqui e que não vai mudar tão cedo, parece.

O Cruzeiro é campeão da Copa do Brasil reforçado. O Racing foi quarto no Argentino 2016/17 e agora é quinto disputando paralelamente a Libertadores, tendo negociado essa semana um jogador por 100 milhões.

Ou seja, o Vasco é a surpresa. Mesmo com a camisa igual ou maior que os citados, o time se classificou já de forma pouco provável, fez uma pré Libertadores assustadora com goleadas aplicadas e sofridas e, sabemos, é um time limitadíssimo.

Poderia vencer ontem? Poderia. Mas da mesma forma que poderia e perdeu o jogo.

Essa Libertadores não cabe a Vasco ser cobrado. Não é um time pra estar ali e brigar por isso. Se o fizer, será como o Botafogo de 2017: surpreendente.

Teve virose, falhas individuais, uma atuação acéfala do ataque. Mas não é possível que isso tudo cause a reação de espanto e “fracasso” do pós jogo.

Sejamos coerentes. O Vasco nunca planejou estar nessa Libertadores. E quando soube que estaria, mal sabia quem seria seu presidente, imagine os reforços, o time, etc.

Qualquer coisa nessa Libertadores é lucro. E quando nada se espera, não tem porque se decepcionar.

abs,
RicaPerrone

O mundo podia acabar amanhã

Amanhã é sexta-feira, 7 de julho e não tem futebol. Dia ideal para que o mundo fosse atingido por um meteoro enorme e a humanidade fosse destruída parcialmente. Que ficassem poucos, os bons, e especialmente os dispostos a contar sobre este Botafogo.

Não sabemos se haverá uma quarta de final, uma semi, uma final. Talvez um jogo em Dubai. E hoje eu digo com todas as letras: porque não?!

A dúvida sobre o futuro nos faz querer eternizar o hoje. E hoje, meus amigos, ninguém é mais feliz que o botafoguense. O mundo explodiria em pedacinhos e ele sorriria pensando “foda-se!”.

Foram 4 títulos (3 do Olímpia, 1 do Colo Colo) para entrar na fase de grupos.  Ele passou.

Foram 6 títulos (4 do Estudiantes, 2 do Atlético Nacional) na fase de grupos, ele eliminou os dois e entrou.

Agora enfrenta mais 3 canecos, e foi lá e ganhou na casa dos caras.

“Ah mas os caras são…  “Cala a boca, viado! Tu sabe quem é Nacional do Uruguai, pivete?  Não tem no youtube não. Nem no FIFA.  É a história, um gigante, um time que carrega 3 mundiais nas costas e 46 campeonatos uruguaios. Não é Chelsea não.

Jogar lá com eles é ponto perdido. E num mata-mata, sempre foi “perder de pouco pra reverter”.  Aí vai o time do Roger e do Lindoso e volta com a vitória.  Outra, memorável, inacreditável, estonteante, promissora, eterna, foda.

Esse time não pode ser eliminado. Talvez seja, e se for estará sendo já muito acima de qualquer expectativa.  Mas ele não merece ser. Por ninguém, nem mesmo por alguém que mereça a vaga mais do que ele amanhã.

E por isso eu lhes digo que se houver alguém olhando por nós lá em cima e for de fato justo, que acabe com tudo agora ou lhes dê o título! Porque esse Botafogo não merece ser eliminado de nada. Nem mesmo se chegar a hora.

abs,
RicaPerrone