0x1

Um raro prazer

Poucas coisas no futebol são tão prazeirosas quanto fazer um gol num time argentino, lá, numa decisão, quase aos 40 do segundo tempo.

Normalmente quem inventa gol no fim naqueles “abafas” na base do “Deus me livre” são eles. Nós, que não temos a vocação pra jogar esse esporte parecido com futebol que eles jogam, raramente decidimos jogos dessa forma.

Mas ontem o Cruzeiro foi sabendo o que queria fazer. Teve chances, sofreu perigo, um jogo aberto, bom de assistir, com cara de decisão. Enquanto o River Plate procurava uma forma de marcar seu gol, o Cruzeiro insistia na mesma que determinaram antes do jogo.

Passes da intermediária do Cuzeiro mostram pra onde o time direcionou o jogo

Passes da intermediária do Cuzeiro mostram pra onde o time direcionou o jogo

No quadro ao lado você vê a saída de bola do Cruzeiro no jogo. Sempre forçando pro lado esquerdo. Como se soubesse que seria por ali.

A jogada se repete insistentemente até que no final sobra pro Marquinhos fazer o gol da vitória.

Eu não tenho nem metade desse medo do River que se coloca por aí. Ao contrário do Boca, o River Plate é um time pipoqueiro que tem aproveitamento fraco em Libertadores.

Jogou 31, ganhou 2. O Cruzeiro mesmo jogou metade (15) e ganhou as mesmas 2.

Não estamos falando de um bicho papão, mas sim do time que carregado pelo Boca se torna a segunda potência da Argentina.

O Cruzeiro é mais time, mais forte em Libertadores, maior e tem a vantagem agora. Basta ser inteligente e estará na semifinal.

abs,
RicaPerrone

Vexame?

“Vexame”, dizem.  Eu não consigo concordar com tanta incoerência.

São os mesmos caras que após a Copa falaram em “arrogância” e prepotência da seleção brasileira e de todo o povo em relação aos outros times?

São os mesmos caras pregam uma crise sem fim no futebol brasileiro e que se espantam com uma derrota em mata-mata tida por falhas individuais possíveis num clube que não paga salários?

Claro que era o favorito. Ninguém viu coisas quando viu o futebol do Corinthians em fevereiro/março. Mas ninguém sabia que os salários ficariam 6 meses atrasados. Sejam eles em direito de imagem ou carteira, tanto faz. Isso mexe com as pessoas, o comando, o profissional e o ambiente.

Perdeu.

Ora, que susto! Num mata-mata pode-se perder um jogo assim? Pode, há uns 70 anos é assim.

Fracasso, zebra, desatenção… ok! Vexame?  Não.

O Racing campeão argentino não passou vexame algum ao perder pro mesmo Guarani. E com 11 caras atrás da linha da bola, consequência de 2 lances no Paraguai incomuns, era mais difícil ainda.

Com 2 expulsos, impossível.

Agora o Corinthians e o corintiano tem duas opções simples. Ou trata como o fim do mundo e desmonta tudo que até aqui foi feito, e bem feito, dentro de campo; ou entende como um acidente e busca quitar os salários sem mexer no ótimo trabalho técnico, tático e físico que está sendo feito.

O torcedor pode até surtar e querer que todos sejam demitidos e que o mundo acabe. Os dirigentes, não.

Nao há “vexame” com casa cheia. Pois se fosse tão óbvio assim não teria ninguém lá pra ver.

abs,
RicaPerrone

Eles sabiam

Parece mentira, mas é só auto-confiança. A impressão que se tem nos últimos confrontos entre São Paulo e Corinthians é que os alvinegros não tem nenhuma dúvida do que vai acontecer.

Do primeiro ao último minuto, com 11 ou com 10, pouco importa. O Corinthians controla o jogo sem a bola ou com ela. É o tempo todo parecendo saber o que vai acontecer e no final dos últimos jogos, quem dirá que não sabiam?

Rogério Ceni nunca cobra pênaltis baixos e no meio.  Cobrou, e perdeu.

O Danilo não vem sendo nem titular no Corinthians. Hoje foi, e resolveu.

Tudo dá certo. E o mais “irritante” é que eles nem esboçam perder o controle e a certeza disso. Estão o tempo todo olhando pro São Paulo como se pudessem escolher a hora para acertar o golpe.

O São Paulo, de tanto talento individual, enxerga do outro lado um conjunto muito melhor treinado que o dele. O 1×0 pro Corinthians, hoje, representa 80% do resultado final de um jogo.  Virar contra eles é quase incogitável.

Ao apito final, eles andam sorrindo pro vestiário. O São Paulo olha pro céu e se pergunta: “Porque?”.

Ora, “porque”?  Porque clássico se ganha com “algo mais”.  Tudo que esse time do São Paulo não demonstra é “algo mais”.  O objetivo é claro: fazer o mínimo possível pra ganhar um jogo.

Existem jogos e jogos. Queira o Muricy e sua petulancia de achar que “jogo é tudo igual” ou não.  Em jogos como esses ganha, invariavelmente, aquele que mediu menos esforços pra isso.

abs,
RicaPerrone

O favorito

Elevado a condição de favorito pelo passado recente, o Galo e seu torcedor entraram no Independência pra jogar uma partida que hoje não podem jogar.

O time fraco tecnicamente, sem referência, correndo pra todo lado sem idéia do que fazer e claramente sem confiança.

A torcida, que foi trunfo nos últimos anos, não percebeu que não havia mais um Ronaldinho, um Bernard e um Tardelli pra desequilibrar e pressionou o time. Não por ter calculado isso, mas por não ter entendido que o Galo que este ano disputa a Libertadores não é o mesmo que venceu em 2013 e que fez ótima Copa do Brasil em 2014.

Os milagres à la Galo terão que continuar, mas dessa vez com mais ajuda divina do que antes. O time é bem menos talentoso, muito menos seguro em campo e não tem referência.

É diferente o jogo estar complicado e você dar uma bola pro Ronaldinho do que pro Luan.

Se o Galo quiser qualquer coisa que não seja uma participação pra lá de discreta nessa Libertadores, a torcida vai ter que entender que é parte fundamental das possíveis vitórias.

Este time não se cobra. Se empurra.

Agora, com 2 derrotas, não tem nem o que pensar. Façam valer o caldeirão, mesmo que os ingredientes não garantam a receita.

abs,
RicaPerrone

Prontos!

É inegável o equilíbrio do clássico  em sua história tal qual a diferença dos times hoje em dia.

Pronto, o Corinthians encontrou um gol, trocou passes e não foi sufocado em momento algum na primeira etapa mesmo fora de casa e com time misto. O Palmeiras tem 20 caras novas e não tem nem como ter tido tempo de transforma-las num time ainda.

Se havia um favorito de véspera, era o Corinthians. Da compra de Dudu até a polêmica dos ingressos, amplificada pela escalação de alguns reservas, a situação foi se invertendo e dando ao Timão a condição de desafiado, não de desafiante.

Nada mais agradável do que ser franco atirador quando mais forte que seu oponente.

Se seria resolvido num detalhe, este detalhe acabou sendo mais do que o erro individual da defesa do Palmeiras. O detalhe acabou sendo, em todo segundo tempo, o equilíbrio de um time formado contra a tentativa pouco organizada de um time que ainda não se conhece.

Com 10, na justa expulsão de Cássio, o Corinthians teve não só um clássico pela frente como um teste pra Libertadores que já começou.

E a resposta é “sim”.  O Corinthians está pronto.

abs,
RicaPerrone

Acreditar ou confiar?

Você rubro-negro não pode dizer que “confia” neste Flamengo. Pode dizer que acredita.  É diferente.

Quando acreditou nele, especialmente nas últimas 5 semanas, ele encontrou seu limite e ultrapassou com muito esforço para tentar te recompensar. E conseguiu.

O Grêmio era um time que não inspirava confiança e nem fé.  Felipão trouxe, no mínimo, a fé de volta.

Desde então o Grêmio, se não for brilhante, é pelo menos competitivo.  Tal qual o Flamengo, usa o limite para encontrar no detalhe a diferença entre a  vitória e a derrota.

Pois então. Parecidos na recuperação e até nas limitações dos times, neste sábado não havia dois desafiantes, mas um desafiante e um desafiado.

O Flamengo , que até outro dia nada podia, hoje era o time a ser batido.  E com uma corrente de 60 mil pessoas confiando naquele time, acabou perdendo.

Longe, bem longe de ter sido um fracasso.  Mas um beliscão para colocar o sonho no lugar.

Este Flamengo, tal qual o Grêmio, é time pra “acreditar”, não pra “confiar”.

Neles você deposita esperança, empurra, assume a dificuldade e joga junto.  Em outros você espera um resultado, compra um ingresso e assiste ao jogo.

Iguais em 90 minutos, assim como nos últimos 40 dias.  Hoje, seguindo a lógica que os sustenta atualmente, ganhou o que menos se esperava.

abs,
RicaPerrone

Não. Hoje, não!

Que me perdoem os exaltados botafoguenses a beira de mais fracasso, mas “hoje não”.  Vaia é uma reação normal, quase automática ao final de uma derrota. Mas quando se perde como hoje, não.

Em campo um time desfalcado, com 2 meses de salário atrasado, jogando bem, correndo, até ter um pênalti contra inventado pelo arbitro. Dali pra frente não precisa ser mais do que médio conhecedor de futebol para saber que viria um festival de erros bobos, pressão, tensão e um jogo de ataque x defesa com poucas chances de empate.

Foi o que aconteceu.

Não justifica talvez algumas más atuações. Mas não é justo, pra mim, jogar nas costas de um lateral uma derrota por um pênalti que ele não cometeu.  Tocou a bola, claramente.  Não há pênalti algum no lance.

Se o Botafogo já cansou de se complicar por falta de postura em grandes jogos, desta vez não é o caso.  Jogou bem, soube se impor, mas infelizmente foi prejudicado por um erro do arbitro.

Acontece. Muitas vezes, diga-se. Mas acontece.

As vaias são legítimas, honestas, espontâneas e compreensíveis. Tanto quanto injustas.

Ainda dá.

abs,
RicaPerrone