0x3

Time de mocinhos

Eis o Flamengo menos Flamengo de todos os Flamengos.  Após a queda na Libertadores, nem a crise, nem as demissões.  A paz, a vitória, a vida seguindo e os horizontes clareando.

É mesmo o Flamengo?

Gosta? Não sei. Acho que prefiro a versão Romário a versão Sandy. Mas o campeonato que restou é o que premia a Sandy(pontos corridos), então é hora de colher os frutos de ser o time de mocinhos.

Unidos, focados, em rápida reação sem crises desnecessárias, o Flamengo venceu, esfriou o oportunismo de maus rubro-negros que foram do céu ao “demite todo mundo” em 3 minutos de acréscimos.

E junto, fazendo questão de mostrar um time compacto “fora de campo” e não só dentro dele. A questão de dizer que está tudo bem, que não vão enfiar uma crise ali e que se para muita gente “o ano acabou”, o deles começou hoje.

Eliminado da Libertadores antes dos demais “melhores times do país”, o Flamengo é o primeiro favorito ao Brasileiro focado nele. Logo, hoje, é um dos favoritos a ele.

Apoiaram times bem menos comprometidos que esse.  Esse não corre pouco, apenas não sabe brigar.  É um menino esforçado, mas é um nerd. É melhor que o marginal, melhor que o gênio vagabundo. Não o ideal, mas é um bom “filho”.

Adote-o.  Ele perdeu a briga na rua mas pode passar de ano com média alta e poucos atos de indisciplina.  Talvez não seja esse o Flamengo dos seus sonhos, mas é bem melhor que os que já te causaram pesadelos.

abs,
RicaPerrone

Madeirada

Aos gritos de “Ei, Eurico, vai tomar no cu!”, o Vasco assistiu o primeiro tempo do Fluminense.  2×0, poderia ter sido 4. Era um passeio.

Na segunda etapa, mais vontade, menos apatia, alguma “pressão” e os contra-ataques ali para lembrar que não basta sufocar, é preciso saber como fazer isso.

Poderia ter sido 5×0?  Poderia. O Fluminense teve a goleada nas mãos toda vez que retomava a bola na intermediária e não fez.  Por exagero, por gracinha ou erro mesmo, a bola não entrou. O que não isenta o time do Vasco de ter dado a um grande rival uma oportunidade de golea-lo la primeira rodada do campeonato.

Orejuela é um volante incrível. Corre, marca, sai jogando, antecipa meia adversário e se apresenta para o contra-ataque. Talvez tecnicamente não seja um fora de série, mas sabe exatamente tudo que precisa fazer em campo.

O Sornoza vai levar mais fama. Joga adiantado, e habilidoso, bom jogador. Mas olhe 20 metros atrás dele. Tem um equatoriano sem tanta grife jogando uma barbaridade.  Hoje, pra mim, o melhor em campo.

E segue o enterro. Ou o baile. Tanto faz.

O Vasco do Eurico tem a sua cara, e o time do Cristóvão a cara do treinador.  O Fluminense, nada com isso, deus as caras e fez o que quis no Engenhão.

abs,
RicaPerrone

Sem manchas

Na frente de uma loja dois sujeitos se apaixonaram por uma linda camisa.  Quase que ao mesmo tempo entraram e perguntaram ao vendedor o preço.  Constrangido, ele os informou que só tinha uma.

Os dois homens começaram a se empurrar, dizer que um chegou primeiro, que outro era mentiroso, etc. Um era mineiro, o outro paulista. Embora a preferência por cores e vestimentas fossem tão semelhantes, os dois se pareciam muito pouco.

Após breve discussão, o paulista levou a camisa.  Enfurecido o mineiro disse que era um absurdo, que só havia acontecido aquilo por ele ter menos relacionamento com a loja, etc, etc, etc.

O paulista saia da loja quando o mineiro, irritado, jogou café na camisa que ele acabara de comprar.  Manchou. Mas cansados e sem mais o que discutir, foram cada um pra sua casa.

Meses depois se reencontraram em clima mais amistoso, desta vez em Belo Horizonte. O paulista tinha ido a trabalho e por isso usava sua bela camisa que comprara naquele dia.

O mineiro lhe foi cordial, aceitou o fim daquele blá blá blá e até lhe ofereceu um café.  Desta vez, na xícara.  Educadamente se sentaram e conversaram por quase 2 horas.

Ao final, tendo explicado durante todo este período o porque dele ter conseguido aquela camisa e não o mineiro, parece que os dois se entenderam.  Cabisbaixo o anfitrião lhe abriu a porta para que pudesse ir embora e, como que num impulso, lembrou-se do café que havia atirado na última vez.

  • Esta é a mesma camisa que falamos?
  • Sim, estou com ela por coincidencia.
  • Eu não havia jogado café nela?
  • Sim, você estava nervoso. Tá tudo bem.
  • Mas não machou?
  • Não. Ainda assim, tive o cuidado de lavar de novo hoje.

abs,
RicaPerrone

O raio-X de um time

Flamengo e Corinthians tem times bem diferentes, lutam por coisas diferentes e ainda não tiveram como confrontar hoje os “ex-novos” jogadores que trocaram de time.

Aliás, acordo bem estúpido, diga-se.

A Opta tem o melhor sistema de estatísticas do mundo e o blog tem exclusividade em poder mostrar algumas dessas estatísticas no Brasil. A que mais gosto é a de “posicionamento médio”. Ela calcula onde o jogador atuou de fato na partida e te dá uma formação tática.

Nela você sempre tem algo mais pra lá, pra cá, depende do jogo, de alguns lances específicos. Mas são raríssimos os times que conseguem reproduzir neste gráfico algo muito parecido com o desenho pré-jogo.

Veja a do Flamengo por exemplo.

Claro que por agredir e ter a bola em casa os laterais aparecem mais a frente. Mas num geral, o Canteros não devia ser o meia armador. São dois volantes presos, um improvisado na armação. Temos um time? Temos. Mas é um time pra se interpretar.

Agora olha o gráfico do Corinthians de hoje…

É um desenho tático quase simétrico! Um esquema formado, pronto, incontestável, fácil de desvendar mas bem dificil de anular.

Os 3×0 talvez não tenham uma explicação apenas tática. Mas a diferença entre ter um time muito bem treinado e um time em formação é simples.

E se não entender, dessa vez ta desenhado na tela.

abs,
RicaPerrone