2020

Carta ao Flamengo

Flamengo, meu caro Flamengo;

De tanto te defender levei fama de te amar. Durante décadas acreditei que sua glória era lutar, que sua grandeza era ser o povo e sua graça ser imprevisível.

“Um dia eles se organizam e aí, fudeu!”.

Quem não disse ou ouviu essa frase? E aconteceu.  Foram anos pra que se tornasse real, mas aconteceu.

O homem que liderou o clube no processo que o levou até o atual status sequer foi convidado para um “obrigado” na hora das conquistas.  Tudo bem, politicagem é foda. A gente entende e o torcedor corrigiu o ato egoísta no próprio estádio em Lima.

Os seus torcedores, em maioria pobres, com sonhos, condições e expectativas semelhantes aos meninos do ninho já não se sentem confortáveis com tanta estima por dinheiro apenas.

Das arquibancadas, sumiram. Hoje só se você tiver financeiramente em “outro patamar”.  Na hora de clamar pelos 40 milhões e vender a marca, fundamentais. Quando pra inclui-los, pague quem puder e que se dane o povo, o DNA, a “nossa gente”.

Flamengo, Flamengo… rico que esquece de onde veio acaba voltando.

Na mesa da CBF, diante de quem já fez o que com enorme atraso hoje você merecidamente conquista, esnobação e soberba.  “Somos o único que…”. E voto vencido.

Na FERJ, chegou falando em dinheiro com o mundo em pânico clamando por saúde. A noite, teste positivo do seu treinador.

Nem assim, com a vida dando sinais?

É fácil “saber tudo” quando se herda o trabalho quase pronto. É mole botar a cereja e vender o bolo, mesmo que você tenha ajudado a escrever a receita.

Querem vender pro torcedor que o Flamengo está brigando contra tudo e todos como vítima.  Na real o que está havendo nos bastidores do futebol é um clube tentando jogar sozinho, vender treino, ignorar todos os rivais, viver de títulos fáceis e destruir o produto que o sustenta em pé.

Não sou eu. São os clubes, as competições, a TV, os demais dirigentes e até parte dos rubro-negros não hipnotizados que estão assustados com tamanha soberba.

As faculdades de administração que ostentam os dirigentes do clube não ensinam a gerir paixão e sim negócios. Talvez aí esteja a falha brutal.

Um Flamengo que beira a perfeição no futebol.  Que patina na própria arrogância fora de campo.

Mengão, olha só.

Tua grandeza está em quem você carrega, não no caneco que você levanta.  Tua empatia com essa gente está em identificação, não em saldo bancário.

Tua glória não é lutar. É representar a luta. Representar sua gente que auto proclama-se favelada.

Favelado quer sair da favela mas não quer esnobar quem ficou.

Favelado tem orgulho de onde veio.

Favelado não deixa os outros na mão.

Favelado quando fica rico não humilha pobre nem esquece de quem ajudou na dificuldade.

Favelado se diz “comunidade”. E comunidade é um todo, não a idéia do bem estar de um só em troca da destruição alheia.

Favelado é Flamengo. E o Flamengo, ainda é favela?

Dá pra ser vencedor sem ser odiado. Dá pra ser referência sem pisar nos outros. Dá pra ser minimamente inteligente em vender suas glórias como glórias e não obrigação.

Não é inveja do mundo pelo resultado. Todos os outros já os tiveram, inclusive mais vezes e antes de ti. Mas saber perder é fácil. Duro é saber ganhar.

Contra tudo e todos, não há outra alternativa se não perder. Sem todos, você não existe. Logo, contra todos, você não tem como vencer.

Há um bolo pra ser repartido e esse bolo é pequeno. Você pode tentar aumentar o bolo coletivamente ou tentar ter a maior fatia de um bolo cada vez menor.

Se és tão grande, seja a locomotiva do futebol brasileiro, não o trem descarrilhado.

RicaPerrone

2020: PES ou FIFA?

Crianças, controlem-se. É apenas um video game e a escolha de um jogo, não o fim da Amazonia.

Jogo FIFA desde 2010. Joguei PES antes dele por muitos anos. Todo ano testo o PES na expectativa de um equilíbrio e volto aqui pra dizer que não é melhor nem que a versão anterior do FIFA.

Esse ano fiz duas coisas que todos deveriam fazer: Joguei 50 partidas de PES até parar de tentar intuitivamente reproduzir o FIFA nele. E então conheci o jogo como ele é, com seus defeitos e qualidades.

A segunda coisa que fiz foi jogar algumas vezes os dois jogos em sequencia, desligar e coloca num jogo na TV.

Essas duas coisas juntas me fizeram trocar de jogo.

PES, voltei! E como estou feliz em ter voltado.  Além de ser o melhor jogo, é também o único que acha que a América do Sul não é uma tribo pouco importante pro mercado.

Vamos aos detalhes rapidamente, porque quem analisa muito é especialista e eu odeio especialista em diversão.

Jogabilidade:

O FIFA é mais solto, você tem a sensação rápida de que é muito melhor pra controlar. Mas basta um tempo jogando os dois e você notará que num jogo de futebol tem em média 6 ou 7 dribles. No FIFA, 30. É divertido, mas é brincadeira.

O Fifa te diverte. O PES simula um jogo real.

Se você gosta de fazer 5×4 num jogo, dar um voleio de fora da área e driblar 4 numa arrancada com um jogador mediano, vá de FIFA.  Se o que te seduz é um jogo parecido com o real, e isso inclui ser mais lento, bem menos bonito e com mais facilidade de defender do que atacar, é o PES.

Gráficos:

Nem deveríamos discutir isso. O PES é um filme.  Sem comparação.

Defeitos:

O PES me parece um pouco limitado ainda quanto aos movimentos. O FIFA me parece solto demais. Enquanto um é quase um FIFA street em campo, o outro é um jogo de bem menor desenvoltura. Mas, insisto, faça o teste do jogo real. É o PES.

O goleiro do PES melhorou. A coisa de ter replay em tudo enche o saco e o juiz dá muita falta.

No FIFA, o defeito pra mim é a velocidade, a facilidade com que se passa pela marcação e o quanto um jogador mediano é capaz de brilhar com a bola.

O tiro de misericórdia:

Se ainda há dúvidas, eu me livrei dela quando comprei o patch. Sim, o PES não é burro e permite que usuários pelo mundo editem o jogo, como nos antigos patchs do Winning Eleven. Você compra, aplica e está com todos os times atualizados, uniformes, campeonatos.

O FIFA te prende a aquilo que vendeu. E se está errado, permanecerá.  A edição de times clássicos do PES é surreal. Você compra no mercado livre e vem os melhores times da história. Além de poder jogar com eles, os jogadores épicos do futebol ficam na sua Master League como opção.

Modos:

O MyClubs do Pes é uma porcaria. Você entra e tem Cristiano Ronaldo, Marcelo e meia seleção sem fazer esforço. O FUT é muito mais interessante na medida em que você luta pra ter um bom time.

O MyClubs te dá um time e manda você ir brincar com ele. Achei bobo.

Não me importo muito com modos de historinha. Quero jogar futebol contra outra pessoa e só. A Master League é boa. Difícil ganhar do computador nos modos mais avançados.

Enfim

Eu decidi voltar pro PES. Achei o jogo melhor, a opção de patch avassaladora e o ambiente da partida muito mais real que o FIFA. Virou, eu diria, um jogo divertidão contra um simulador.

E sim, o FIFA é mais divertido tendo em vista que a maioria dos jogos de futebol tem poucos gols, poucos dribles e defesas anulando ataques.

Se você quiser brincar, vá de FIFA. Se quiser simular o futebol, até pelos patchs podendo deixar tudo 100% real, vá de PES.

Mas um aviso importante: Não tente jogar FIFA no PES. Se você quiser mudar, tire o preconceito, insista e jogue PES em sequencia até entender que é outro jogo, com outros comandos e outra forma de te levar ao gol.

Ou fique no FIFA fazendo malabarismo.

RicaPerrone