3×2

Jesus, juiz e juízo

Jesus corrigiu com inteligência o problema ofensivo que o Flamengo tem hoje com a perda de 4 jogadores de frente de alto nível. Voltou Gerson pra onde ele não deveria ter saído, colocou Cuellar e deu liberdade pros laterais.

O Botafogo tem uma proposta muito consciente do que pode fazer com esse time. Toca, prende a bola e não vai pro risco. Mas a diferença dos dois times é muito grande, e quando isso acontece ou o rival é tão conservador quanto (Cruzeiro) ou a pressão vai existir, tal qual os espaços.

O Botafogo jogou bem. Tentou usar os espaços dados, fez 2, mas, aceitemos, o time do Flamengo é bastante melhor.

Ao ponto: arbitragem.

Erros decisivos. Rafinha e Cuellar mereciam o vermelho e dificilmente o resultado seria o mesmo com 9 x 11. Portanto houve grande interferência no resultado.

O que não muda o bom jogo do Botafogo, nem a boa virada do Flamengo que o empurra pros braços do torcedor pra quarta-feira.

Ambos tem que virar algo no mata-mata. A vida do Flamengo ficou mais promissora. Pudera. Um está  atrás de sobreviver e o outro ostentando. O fato do jogo ter sido equilibrado e ter tido erros de arbitragem refletindo no resultado é um elogio ao Fogão, não muito pro Mengão.

Seguimos. Porque é a quarta 21h30 que ambos saberão se vivem um crise ou uma lua de mel com seu torcedor.

RicaPerrone

Se eu fosse o Abel…

Se eu fosse o Abelão hoje pediria demissão ao vivo após o jogo. Juntava a imprensa, olhava pra eles todos, agradeceria o time, a diretoria e faria o anuncio antes mesmo de avisar aos chefes. Chocante, desconcertante, redentor.

Iria pra casa e me aposentadoria. Épico.

Querem outro? Pois que coloquem. E se é pra eu sair, quero ouvindo os aplausos. Quero com o abraço do elenco num Maracanã lotando se postando contra a própria torcida.

Certos, errados? Não importa. Me refiro ao Abel, não a razão ou não das vaias e críticas. Eu achei as alterações erradas, mas devemos concordar que ele foi convicto no que acredita e não mudou pra agradar torcedor mesmo vendo o mundo desabar.

Deu certo? Mais ou menos. Virou, venceu, mas jogou mal de novo. Talvez por essa situação onde é improvável que se reverta a pressão com a falta de qualquer necessidade de passar por isso por parte do treinador, eu pularia fora.

Não estamos falando de um novato. É alguém que ganhou tudo já, que não precisa mais e está ali por amor a profissão ou por mero desafio.

A coisa já era complicada, a pressão existia e é exagerada, embora seja válida. As vitórias do rival Fluminense e o futebol apresentado pioraram muito a situação do Abel.  Na sexta e no sábado, enquanto as imagens do toque de bola do Flu rodavam a web, se tornou uma reação padrão entre os rubro-negros mais influentes no clube comparar e atrelar.

“É inaceitável que eles tenham um padrão com esse time e nós não”.

E sim, é. Não que eles tenham, mas que o Flamengo não tenha nada a mais pra apresentar do que apresentou hoje, por exemplo.

E por mais que ganhe força, por mais que haja a parada e que venham reforços, eu não consigo imaginar um ambiente de paz na Gávea. Assim sendo, o vilão está eleito. E hoje, vingador, herói do cenário que desenhou como vilão, seria uma grande oportunidade para os três.

Flamengo tem a Copa América pra buscar, ele sai por cima e vai descansar e a torcida pára de encher o saco.

Mas o cara é cascudo. Talvez o “alívio” que eu imagino estar sugerindo pra um competidor seja um tormento. E a tal “paz” que eu sugiro seja a taça nas mãos e não as férias em casa.

RicaPerrone

Ao menos o DNA

Mal em campo por boa parte do jogo. Claramente não funcionando como esperado e prestes a rever o treinador. Esse é o Galo que transformou uma boa classificação na pré-Libertadores em uma campanha de alto risco.

Em casa desde sempre o time joga menos do que pode. Fora, com espaço, mais. Mas time grande não pode viver de contra-ataque pois a iniciativa é dele.

Levir? Não sei se só ele. Mas com certeza ele é um dos que eu não apostaria para um time em 2019.

Se a bola não apareceu, se o time não funcionou e o jogo foi bem pior do que o esperado, ao menos o DNA atleticano na Libertadores foi respeitado.

O senhor dos milagres fez mais um. Ok, não era o Boca, era o Zamora. Mas virar um 2×0 em meio tempo na Libertadores ainda é coisa de raros clubes.

Amanhã? Demitiria comissão, mudaria peças, sei lá! Mas hoje o Galo quase morto respira. E respira com peito estufado. Não pelo desempenho, mas pela alma.

As vezes o torcedor perdoa um resultado quando vê seu clube representado em campo. As vezes ele sente um vazio numa vitória por não enxerga-lo ali.

A bola não foi de Atlético. Mas a virada, muito!

RicaPerrone

 

O medo também é um “risco”

Primeiro registrar que independente do foco do texto o jogo entre Vasco e Avaí foi um jogão! Dois times dispostos a vencer, buscando o gol, razoavelmente organizados e bem intensos.

Dito isso, vamos ao “drama”.

Do inferno ao céu, do céu à Terra. Isso define os 90 minutos do Vasco.

Saiu perdendo, se recuperou logo, cresceu muito no jogo e fez 3×1.  Neste momento, com boa atuação e uma virada, São Januário flertava com a euforia.  E então Valentim correu um risco.

Na verdade ele já havia corrido um quando mudou no intervalo em busca da virada. Virou, se consagrou por ousadia (e necessidade). Quando vencendo por 3×1 podia manter, arriscar matar ou recuar.

E recuar também é um risco.

Pode acontecer o que aconteceu. Uma bola do Avaí entrou, a vantagem ficou pequena pro jogo de volta e o ambiente favorável virou vaias.

Merecidas? Não diria. Mas compreensíveis.

Além da frustração do gol no final, houve também uma boa atuação, uma grande virada e um time em evolução.  A vantagem não é muito boa, mas o que o Vasco apresentou é.

Eu sairia de São Januário confiante se fosse vascaíno. Mas não nego que também sairia puto com o resultado da “prudência” do treinador.

RicaPerrone

O eterno “vexame”

Todo ano acontece a mesma coisa. Nós olhamos a tabela, os elencos, achamos que estamos na Espanha e decretamos que tal time não vencer é vexame.

Ignoramos o fator “formador”, que nivela muitas vezes pelos jovens talentos, o fator campo, a pressão, o estilo de jogo em cada país das Américas e no final tentamos jogar pros clubes a “vergonha” que fizemos ao avaliar o cenário.

Passa o Galo? Sim. Todos achavam. Mas aí começa a palhaçada de achar “vexame” se não passar. A mídia transforma a glória em alívio, a vontade em pressão e o jogo se torna um inferno.

Vamos sim perder algumas vezes em pré Libertadores e em semi de Mundial. Porque? Porque somos passionais, a mídia transforma nossos jogos em obrigação e quando erram ao invés de reconhecer que “não era tão fácil”, dizem que “quase foi vexame”.

É uma puta tática. Funciona. Mas de covardia ímpar.

Jogo de Libertadores é duro. Sempre foi, e embora hoje seja menos do que já foi um dia em virtude dos campos padronizados, a proibição das festas e a palhaçada de se achar europa que a mídia sempre apoiou (essa pica ninguém assume né), ainda há um fator de equilíbrio muito forte.

Há favoritos, mas não “vexame”.

O Galo foi só o primeiro a ver uma “conquista” virar  “obrigação” e virar um quase “vexame”. Outros virão.

Porque pode até ser uma “zebra” perder pra um time menor. Mas repetir a mesma avaliação arrogante e equivocada ano após ano eu chamo de “vexame”.

RicaPerrone

Roteiro de campeão

Eu tenho uma mania de procurar uma história foda pra contar em um jogo, imagine num título. Pra mim time campeão tem sempre algo a mais. Nem que seja uma história bizarra, mas ele tem algo que os outros não tinham.

Significa dizer que o vice não tenha nada pra contar? Não. Apenas me refiro a quem vencer. E ainda faltando um jogo, ou seja, podendo haver em 90 minutos o roteiro mais incrível de todos, temos até aqui duas histórias para contar e uma delas é disparado a mais cinematográfica.

O Botafogo fez um bom campeonato, passou por uma troca de treinador, uma eliminação absurda na Copa do Brasil e altera bons jogos com jogos ruins. Não tem acontecido nada de muito anormal, embora ser campeão sendo considero o time mais fraco dos 4 no papel é algo bem bacana de registrar.

O Vasco começou o ano com eleições e tirou o Eurico, embora ele tenha saído vencedor da eleição.  Sem planejamento, sem presidente, o time entrou na Libertadores com um misto de goleada e humilhação. Mas entrou.  No estadual não venceu turnos, mas é o time que ganha jogos pra lá do Deus me livre. No mínimo o mais emocionante de assistir.

Elimina o Flu aos 49, ganha a primeira final ais 48.  O primeiro título sem Eurico. Não há dúvida que essa história está pronta para ser  contada, especialmente do tal ” time da virada”.

Domingo que vem talvez o Botafogo faça 90 minutos que mereçam mais do que os diversos momentos improváveis do Vasco no campeonato. Mas se não o fizer, a história estará em boas mãos.

abs,
RicaPerrone

Indiscutivelmente discutível

Quando um juiz comete um erro o torcedor fala em “assalto”, a imprensa tenta repetir frases como “o arbitro não tem 20 cameras”, “está na hora da tecnologia…”, blá, blá, blá.

Não há qualquer discussão. O lance acima está impedido. É indiscutível. É uma imagem.

O que se discute, e deve-se discutir é o direito ou não de induzir a paixão do torcedor a rotular um profissional que erra como um sujeito mal intencionado. Um ladrão.

Erro é erro, roubo é roubo.  Você desconfia de erros grotescos, e com bom senso trata erros complicados.

A TV levou mais de 15 minutos pra perceber que havia impedimento. O lance pausado em camera privilegiada mostra um joelho e um ombro a frente.  Repito: impedido!

Daí a considerar a hipotese de sugerir ou insinuar um roubo, que me perdoem os corações machucados deste domingo, mas pra “roubar” 30 cm tem que ser de uma competência inacreditável.

O pênalti é também polêmico. Embora eu também tenha dúvidas, acho que daria.  E sendo duvidoso até as 20h de domingo, não é roubo.

O arbitro errou. Por 30 centimetros. E essa é a unica coisa que temos para dizer sobre o jogo de hoje em arbitragem.

Ou, como sempre digo, se acha mesmo que isso tudo é armado e ainda assiste e discute, és um tremendo idiota.

abs,
RicaPerrone

Saber amar

Todos os clubes passam por momentos ruins dentro de uma temporada.  Alguns passam a maior parte do tempo, outros um curto período. Seja qual for, é suficiente para inflamar a torcida contra ele.

Em 99% dos casos se “cobra” mesmo diante de um time que não merece. Em 1% dos casos se faz diferente, e por isso faz diferença.

Quando o corintiano meteu 30 mil pessoas pra ver o treino há 4 jogos sem vencer, deixando o maior rival encostar na tabela foi o entendimento do cenário que só raras relações de cumplicidade são capazes de proporcionar.

Entre o “não entreguem essa taça pra eles ou eu mato vocês” e o “NÓS não vamos entregar”, o corintiano escolheu a segunda. E talvez por isso a taça esteja tão mais perto agora.

O primeiro tempo do Corinthians não foi de um time pressionado a não errar, mas sim de um time empurrado a acertar.

“Vamos, vamos Corinthians…!”, e eles indo.

Tiveram tudo para perder hoje pressionados pela mídia e ver o rival chegar. A crise rondou, bateu na porta, mas a chave estava com a fiel torcida.

Hoje é dela. Os 3 pontos de hoje vieram de Josés, Matheus, Andrés, Leonardos, Priscilas, Fernandas, Rodrigos… e também de Jôs, Romeros e Cassios.

Quando a vida pergunta de que lado você está, ela só quer saber se você é oportunista, traira ou fiél.

E alguns rótulos não existem a toa.

abs,
RicaPerrone

Tudo pode quando é “só futebol”

Veja você, torcedor do futebol não caramelizado e sem flocos crocantes, como ainda é fácil reviver uma legítima tarde de futebol.

Mesmo que longe do meio a meio do Maraca, que é meu cenário ideal para clássicos, os dois times se enfrentaram sob a dignidade mínima exigida do bom futebol que é permitir a entrada das duas torcidas no estádio.

E assim, com o mandante recebendo o visitante com deboche, sem bombas e pontapés, tudo volta a ser como gostávamos.  “Ah, mas é homofobia!”. Não fode.  Brincadeira é brincadeira e normalmente o errado quando alguém se ofende é o ofendido.

No saudável Vasco x Fluminense raiz, o futebol se fez presente porque é assim que ele gosta de aparecer.

Os dois pênaltis aconteceram. O Fluminense, embora não criasse chances de gol, virou o jogo em 2 lances que nem seriam de tanto perigo, talvez. Mas virou com justiça porque os pênaltis aconteceram.

E o Vasco que “briga pra não cair”, se viu diante do cenário infernal das contestações novamente. Era levar o jogo pra São Januário e perder que tudo viraria problema.  Desde o ônibus.

Aliás, agora, com a vitória, lhes pergunto: Que ônibus?

Seria capa se Nenê não tivesse saido do banco pra buscar o que é dele. Jogadores como Nenê não estão bem o tempo todo, mas tem uma qualidade especial não identificada pela ciência que é de seduzir a cena pra si.  Nos acréscimos, como quem escreveu o próprio roteiro da volta, Nenê vira o jogo e dá a merecida vitória ao Vasco.

Marcou melhor, anulou os principais jogadores do Fluminense e teve mais intensidade o tempo todo.  Foi melhor, e talvez nem mesmo um 3×0 fácil faria desde jogo tão especial ao Vasco quanto o sofrido 3×2 com gol do ídolo no fim.

Teve zoeira, drone, onibus quebrado, chegada de taxi, bom público, jogão, lance polêmico e gol no fim.

Dizem que “é preciso limites para brincar com futebol”.  Então me promete que eles não estiveram sob risco hoje, porque o que vi das 10 da manhã até o fim do jogo foi futebol em estado puro em São Januário.

“É preciso cuidado porque esse tipo de brincadeira gera violência”.  É só bla bla bla protocolar de uma geração que acha que time vencedor é o que tem banheiros de mármore, contas em dia e não bola na rede.

Hoje, ao Vasco, tudo. Amanhã a gente discute o que tá ruim. Porque hoje vascaíno que achar defeito é burro.

Abs,
RicaPerrone

Jogai por nós

Pela nossa honra, dignidade e tradição. Pelo verde que ostenta e pelo amarelo hoje representado sem uniforme. O Palmeiras moralizou o futebol brasileiro em diversas categorias numa só partida. E daqui, deste blog, saem apenas os aplausos.

Se quiser uma dose de ar condicionado, hipocrisia e o conceito de que a vida é uma rede social, passeie por elas. Está cheio de gente julgando Felipe Melo, dizendo que ele não deveria dar o soco, ou que o treinador não pode falar assim com a imprensa.

Ora, meus caros. Olha nos olhos de quem vos fala. É o Palmeiras, não um qualquer. Um time que acabara de virar um 2×0 do Penarol lá! Que teve o mesmo final previsivel de quase toda vitória brasileira nos países vizinhos: pancadaria e intimidação.

E então surge Felipe Melo, que é o vilão mais heróico do mundo, e senta a porrada na cara do poodle que corria em sua direção.  O coitado do rapaz estava só correndo porque tinha um time atrás dele. Sozinho, óbvio, não faria. E quando se aproximou, não bateu. Levou.

Quando eu tinha 12 anos meu pai me ensinou que “se a briga fosse inevitável, desse a primeira”. Eu não ousaria imaginar que essa cambada de retardado de rede social que acha que pode pautar o mundo por ali possa entender, até porque para essa gente quando se briga é só dar block.  Mas na vida real é diferente.

Felipe Melo fez o que eu faria. Diante de iminente agressão, se defendeu.  Aliás, só um covarde não faria o que ele fez. E tá cheio.

Covardes como os meus colegas que mentem sob o uso da “preservação da fonte”. A lei mais estúpida das leis, que permite um sujeito denegrir outro sob o argumento de ter uma fonte sem ter que revela-la.  Ou seja, é casa da mãe Joana.

Quero que se dane se foi Juca, alguém da Sportv ou da Globo. Não faz diferença. Assim como generalizamos todos os dias há décadas “o jogador brasileiro”, “o treinador brasileiro”, “o dirigente brasileiro”, eles também podem.  “A imprensa esportiva” é uma merda.  Sim, é.

E a noite palmeirense foi tão memorável, hiponotizante e contagiante que eu diria que há alvinegros e tricolores hoje indo dormir de verde.

Pois eles jogaram pelos 3 pontos deles. Mas brigaram por muito mais do que isso depois. A causa é nossa, o futebol brasileiro é vítima desses dois terroristas: o descaso da Conmebol com nossos times fora de casa e a imprensa que cria problemas e destrói pessoas para sobreviver.

O Palmeiras ganhou as 3 batalhas numa só noite. E com esse volante, essa torcida engajada, esse treinador com sangue nos olhos e os incríveis jogos da primeira fase… quem dirá que não dá pra ganhar a guerra no fim?

abs,
RicaPerrone