4×2

Saber reagir

As vezes nós esquecemos que estamos discutindo futebol e nos tornamos insensíveis chatos que só enxergam números na frente. 442? 352? É centroavante? É o goleiro? Onde está o problema?

Em vários lugares. É óbvio.

Mas além de todo trabalho do elenco e comissão técnica, o futebol requer algo mais. E esse “algo mais” pode aparecer de onde nada se espera.

O “algo mais” torna o dia a dia especial. Transforma uma noite comum em drama, o drama em euforia e muitas vezes muda o rumo das coisas.

O Corinthians tomou 2 gols e viu na sua frente o fantasma da crise. Deu 25 chutes a gol até conseguir o empate, e saiu do estádio com uma goleada.

Quem vê pensa. E quem pensa nem imagina o que perdeu.

Um jogo onde a tática não foi avaliada, nem mesmo a crise e a má fase foram ponderadas.  Apenas o fator “Corinthians” foi colocado a prova e, com toda fragilidade do adversário, acabou sendo bem executado.

Torcedor vai pro estádio pra viver algo especial. E quando vive as vezes nem se dá conta. Um 4×0 seria bem menos importante pro ano do Corinthians do que essa virada, porque seria óbvio.

Não se trata de “saber sofrer”. Se trata de saber reagir.

Coisa de time grande.

RicaPerrone

O mico, o mito e o burro

Mico foi o River Plate conseguir repetir o mesmo cenário que há décadas lhe deu o rótulo de “galinhas”.  Mito que hoje mais uma vez foi justificado através de sua considerável incompetencia em ser campeão sem que haja um escândalo de algo extra campo para lhes acompanhar.

Burro foi o técnico do Lanus, que mesmo sabendo não ser verdade, menosprezou o Grêmio e se colocou como favorito na decisão antes mesmo dela existir. Agora depois do jogo já meteu um pano quente, diz que não era bem isso, etc, etc.

Mas meu caro, agora aguenta. Diriges um time pequeno, faz história e antes dela se completar avança etapas e se coloca como favorito perante um time 10 vezes maior que o seu.  É uma burrice sem tamanho, embora eu goste dela por motivos óbvios.

O jogo, épico! Não vi esse espetáculo tudo do Lanus, ao contrário, vi muito mais um segundo tempo ridículo do River do que um show de bola do Lanus. Mas é merecido, incrível, surreal, inimaginável.

A decisão será na Argentina. Talvez em outro estádio que não o do Lanus, inclusive. Seja onde for, cabe ao Grêmio ser Grêmio. Deixar claro de amanhã as 23h45 minutos até o apito final do último jogo que há um time grande nessa final e um time disposto a ser a zebra.

Não gosto de time grande que se iguala ao pequeno pra dividir responsabilidades. Nem do pequeno que se acha maior do que é. Gosto das coisas limpas e claras, como são.

O Grêmio não precisa ser burro como o técnico do Lanus de expor em palavras, mas deve saber o tempo todo quem manda neste confronto.

A surpresa são eles. O grande é o Grêmio.  Os dois querem igualmente a taça, e nenhum deles tem obrigação de nada numa final.

A obrigação que o Grêmio tem é de não tentar se colocar no nível deles, saber que é melhor e tentar fazer disso uma taça. Mas em momento algum, seja campeão ou vice, se colocar como Lanus.

Simplesmente porque não é.

abs,
RicaPerrone

Entre o clubismo a hipocrisia e os fatos

Há o rubro-negro que está puto com a suspeita e que a rejeita embora saiba que se fosse ao contrário teria a mesma desconfiança dos santistas.  Há o santista, que acha que é justo um não penalti ser marcado porque é um erro legítimo do juiz e isso torna o lance penalti.

Há toda a mídia fazendo de desentendida como se não soubesse e não fosse fonte desde a invenção do replay.  Juizes, bandeiras, treinadores e jogadores sabem, segundos após o lance, se houve ou não um pênalti. Basta olhar pra cara do repórter de melhor relacionamento.

Há interferência externa há algumas décadas. Elas só estão ficando mais rápidas, mais discutíveis e com mais arbitros em campo ficam mais fáceis de ser repassadas.

Foi o caso na Vila? Não sei. Mas desconfio que sim. Pelo histórico, pela distância, pela raridade que é um juiz 15 metros mais perto do lance consultar alguém que estava a 40 pra saber o que aconteceu. Enfim.

Não importa. Fosse o contrário o flamenguista estaria fazendo exatamente o que o santista está fazendo hoje. E no clubismo se perde a noção de que na real pouco importa pra que lado foi, mas que é preciso que seja claro todo jogo.

Ou pode ou não pode. E enquanto não puder será velado. Mas acontecerá.

Se você, juiz, sabe em 5 segundos que há um erro que muda o jogo e ainda pode evita-lo, você evita. E não oficializar isso com 30 reporteres atrás de cada gol e o replay quase instantaneo das tvs é hipocrisia.

Entre o clubismo de acusar ou negar conforme o lance, a hipocrisia de fingir que a tv não interfere e os fatos, prefiro me ater ao último e buscar a solução.

Há interferência. Há décadas. Cada dia mais.

Vamos assumi-las ou fazer do futebol o mesmo teatro que é a F-1 quando se finge que não há mais jogo de equipe.  Só se atrasa o pit stop “sem querer” de um e escolhe-se da mesma forma o vencedor.

Pra que mentir quando todo mundo sabe a verdade?

Quando a amante e a esposa sabem, aceitam, se conhecem… tenta um menage.  É melhor do que tentar continuando a mentir pras duas.

abs,
RicaPerrone

De virada e goleada

O otimista é aquele cara que espera sempre o melhor. O mais otimista dos tricolores esperava uma noite no mínimo difícil.  E o mais comum temia pela “lei do ex” diante de um dos mais implacáveis ex de toda a história.

Jogando mal, o Flu chegava aqui olhando pro G4 só sendo muito otimista.  O Galo, no pior dos seus sonhos, se mantém nele.  Distintos, com potenciais absolutamente desproporcionais no momento, mas que quando colocados frente a frente pareciam ter invertido as perspectivas.

Que Flu é esse que jogou hoje? Não é o do final de semana passado.  E esse Atlético que oscila e depende quase que o tempo todo do talento individual dos seus jogadores, pouco produziu, pouco mereceu, muito preocupou.

Agora, o corte é com 40 pontos. O Flu tem 37, o Galo 42. Nem lá garantido, nem cá descartado.  E a tomar o jogo de hoje como referência as previsões até poderiam se inverter. Mas não. Sejamos pés no chão.  O Flu jogou no seu limite, o Galo nem conseguiu enxergar o dele.

Mas é do que apresenta que a tabela se alimenta, não do que se poderia apresentar.

Hoje o Tricolor dorme sorrindo, fantasiando uma Libertadores que até as 20h desta segunda-feira nem ele imaginava ser viável. O atleticano, se dormir, dorme vendo o título longe e a Libertadores também não tão certa.

Porque perder hoje era improvável? Não. De forma alguma. Até porque ganhar do Fluminense no Rio é muito difícil.  Do Fluminense, do Palmeiras, do Flamengo e do Cruzeiro numa mesma partida, quase impossível.

abs,
RicaPerrone

Jogando como nunca…

Se eu te disser que foram 21 chutes a gol contra 12,  500 passes contra 290, 84% de precisão nos passes contra 65% e um placar de 4×2 você sabe que estou falando do Palmeiras, é claro.

Mas errou.

Os números são do Flamengo que hoje jogou uma partida muito superior e foi goleado. Parte por erros da arbitragem bastante decisivos no começo do jogo, é verdade, e parte pela enorme incompetência defensiva do time.

O ponto é que nem o mais “doente” dos palmeirenses dirá que não houve pênalti. E mesmo ele pode confirmar o fato do Palmeiras ter feito um jogo ruim até fazer 4×2.

Mas meu Deus, quem faz 4×2 de virada jogando mal?!

O Palmeiras.

Jogo exemplar didático do porque amamos futebol e não tanto outros esportes.  Não tem roteiro, tendências, justiça, lógica.  O Palmeiras goleou e fez mais uma vez uma partida preocupante.  O Flamengo fez um jogo empolgante e segue brigando pra não cair, em situação preocupante.

É claro que o torcedor vai olhar o placar e fazer 90% da sua avaliação em cima dele. Mas a real é que o Palmeiras conseguiu uma grande vitória numa grande partida do Flamengo.

Hoje, pela primeira vez, não tem tanta gente colocando no Cristovão a derrota. Talvez pelos pênaltis não marcados, talvez pela boa partida do time. Mas o ponto é que sua alteração foi um sucesso desastroso.

Jonas é o jogador que protege a defesa. O que fica.  Ederson entrou e resolveu na frente. Mas pra isso o Flamengo perdeu seu setor defensivo. Tomou 3 gols como que numa pelada.

E é aí, saindo do óbvio de determinar que “meteu volante é retranqueiro e meteu atacante é bom” que os treinadores devem ser avaliados.

Hoje o Flamengo fez um grande jogo. Não merecia perder. Mas perdeu muito também porque seu treinador não soube equilibrar o time.

O Palmeiras jogou mal, só se encontrou já vencendo, mas com as mexidas que fez parou qualquer tentativa de nova reação rubro-negra.

E o Brasileirão ganhou outro jogaço de 40 mil pessoas pra sua vasta coleção deles em 2015. E tome “menosprezo”…

abs,
RicaPerrone