6×1

Compreensível

O rubro-negro sempre foi megalomaníaco. Sua postura nunca foi proporcional aos resultados e a graça do Flamengo é exatamente essa. A facilidade com que se vai do céu ao inferno e a injustificável confiança em momentos não tão favoráveis.

Ser Flamengo é esperar o improvável como tendência.

Nunca o flamenguista foi tão “insuportável”.  Também pudera, se nunca tiveram estrutura, contas em dia, dinheiro em caixa e ainda assim já mantinham o otimismo acima da taxa do explicável, imagine agora.

Como você racionaliza e contém o rubro-negrismo do sujeito diante de um time de milhões, reforços de valores inimagináveis há poucos anos, um treinador europeu, jóias surgindo da base… enfim. O mais pessimista dos flamenguistas hoje almoça olhando passagem pra Dubai.

Vai? Não sei. Mas hoje, com esse time, uma goleada dessas, casa cheia, reforços chegando, é muito pouco provável que algum argumento ou “porém” tire do torcedor a euforia natural de um Flamengo que rascunha ser o que nunca foi, embora já tenha sido dono do mundo.

Jesus ainda não pode ser julgado. Mas o fato de ter tirado do futebol brasileiro a obrigatoriedade de escalar um time com 3 na frente e uma formação espelhada nos rivais já lhe dá algum crédito.

O Flamengo hoje jogou o que dele se espera. Pelo time que tem, pela mobilização que a torcida está fazendo, pelas condições de treino que jamais tiveram.

Estamos falando de alguém que  esperava picanha, comia cupim, as vezes “passava fome” e hoje está sentado no melhor rodízio da América do Sul ajeitando o talher pra começar a comer.

Você pode até duvidar se ele vai matar a fome. Mas não pode condena-lo pela expectativa.

RicaPerrone

O dia em que a Terra parou

E quem não parou, perdeu.  Porque era improvável, era futebol, ,mata-mata, logo, seria épico.

Eu não torço pro Barcelona. Na verdade eu não consigo torcer de verdade pra time nenhum de fora, no máximo simpatizo e invariavelmente torço pelos brasileiros da seleção irem bem. Logo, torço pro Neymar.

Nada tenho contra o PSG, mas sei bem que trata-se de um novo rico que comprou uma cobertura, um carrão e já acha que sabe se comportar na alta sociedade. Não sabe.  Jogou feito um moleque, acuado, assustado, gritando pro adversário que era o azarão mesmo com 4×0.

Tomou. E bem tomado.

Quando Neymar fez o quarto gol, algo me chamou atenção. Ele já era o único jogador do time a tentar lances individuais.  Os outros estavam tocando, tocando, buscando a culpa coletiva pela eliminação. Neymar queria ser o herói da classificação.

Ele marca, grita, puxa a torcida, parece convencer o time que “dá”.   E deu.

Esse menino pode não ser o Kaká que você sonhou como genro, pode não viver na igreja e nem ter casado virgem. Pode adorar festas, baladas, mulheres, como aliás eu estranharia se não fosse assim nessa idade.

Mas é o jogador que o Brasil precisa. O ídolo, o cara que chama a responsabilidade, o que não dá ouvido pra mídia, o que faz o que quer, como quer e cala regularmente a boca de quem o coloca em dúvida.

Temos um ídolo nacional no futebol, o que há muito não acontecia.

Renê, criamos um monstro!

abs,
RicaPerrone

Frouxos!

Há pouco mais de um ano a seleção tomava um 7×1 bastante “inexplicável”.  Só que naquela goleada houve um ponto considerável que foi o  “apagão” de 5 minutos onde tomamos 4 gols.   Ainda assim, uma tragédia.

A diferença dos 7×1 da seleção para o 6×1 do Corinthians é que o segundo foi construído durante 90 minutos, o que torna o placar muito mais significativo.  Com reservas, em casa, jogo festivo, contra um SPFC que tinha que jogar a vida pela vaga.

Eu reagi muito mal ao 7×1, por isso esperei 2 dias pra esfriar a cabeça pra falar do São Paulo, meu time do coração.

Num dos casos nos incomoda a falta de preparo emocional. No outro, a falta de envolvimento emocional.

Ninguém gritou, ninguém se desesperou, nem mesmo tentou algo maluco para evitar.  Aceitaram como covardes, como frouxos a goleada e sequer levantavam a cabeça pra discutir após mais um gol do Corinthians.

Você talvez tenha raiva do que fez o David Luis no 7×1, e eu teria muito menos raiva do jogador do São Paulo que, não aceitando a situação, cometesse uma burrice por ação.  Mas não. Os 11 foram omissos.

“Nosso 7×1” teve um sétimo gol de goleiro, que foi a defesa do Cássio.  Mas pouco importa na real, pois tal qual com a seleção um jogo muito ruim não muda em nada a história e a grandeza de uma camisa. O que deve mudar é a forma de enxergar o próprio clube.

Eu tenho comigo a idéia de que um clube se perde quando tenta ser tudo.  O SPFC é o exemplo clássico disso. O time da organização, do planejamento e do bom futebol resolveu ser “do povo”, “guerreiro”, “raçudo” e ganhar a qualquer custo.  Transformou soberania em soberba, inverteu o rótulo de invejado e respeitado para odiado.  E deixou de ser São Paulo.

Claro que pra uma geração de moleques ganhar é a única coisa que importa no futebol. Mas até moleques evoluem, e um dia estarão repetindo o mesmo discurso sobre identidade, alma, etc.

O São Paulo é o clube que joga bonito, pra frente, organizado, planejado e correto. É o bom moço, o time das meninas loirinhas de olhos claros, dos playboys da capital.  Ponto.

O time “maloqueiro” da organizada, o time que expõe seus problemas em mesas redondas, o que coloca “vermelho cor da raça”  acima da técnica e que nega sua origem pra parecer popular não existe. É uma farsa.

O São Paulo criado por Muicy, alimentado por Juvenal e Aidar, prestigiado por um bando de oportunistas que só querem dizer que são campeões no facebook não existe, e se existir, a mim não interessa.

Esse time de frouxos que perdeu domingo da forma que perdeu é apenas uma consequência da soberba que inclui uma torcida mimada e sem noção que se contém ao idolatrar Cafu, Muller e outros tantos porque vestiram outra camisa e berram o nome de Luis Fabiano, o símbolo de um São Paulo egoísta, medroso, sem atitude.

Uma torcida vendida a placares magros e futebol insuficiente por não conhecer a própria história.  O São Paulo é tão grande, tão forte e auto suficiente, que mesmo diante de toda a merda que foi feita no clube desde 2006/07, está em crise, no seu pior ano, em quarto lugar prestes a ir pra Libertadores.

Isso talvez diga a estes jogadores que “tá tudo bem”.  Mas na real deveria mostrar a eles o tamanho da camisa que eles vestem e o quanto é inaceitável a postura do último domingo.

Vocês foram frouxos.  Vocês aceitaram a maior goleada da história pra um time reserva de férias de cabeça baixa sem sequer gritar um com o outro.

Mas frouxos bem vestidos. E isso lhes dá a chance de sair daqui ainda respeitados apenas confirmando uma vaga que, a 2 rodadas do fim, está na sua mão.  Embora injusta, indigna a vocês, a vaga na Libertadores é sim uma forma de contornar o ato covarde do domingo.

Mas eu não me importo com a vaga, juro.  Acho até injusta se vier.  Mas se vocês forem perdê-la, por favor, percam como homens.  Caiam atirando e não fugindo. Tomem 7 porque se desesperaram como David Luis, não porque não se importaram como fizeram no domingo.

Esse time de “Dodôs” nos envergonha.

abs,
RicaPerrone

Manchado!

O campeão em sua casa, sua casa em festa. Esperando o coadjuvante favorito a seus feitos, a Fiel se deu conta de que poderia não ser tão divertido assim quando o placar lhe informou: jogam os reservas!

No ar um clima que misturava um delicioso “foda-se” com o amargo gosto de não ter uma vitória para coroar sua campanha quase inacreditável.

Inacreditável. Esse é o termo que encontro para falar de um time que muda peças e não muda a forma. Que perde a dupla titular de ataque e faz o melhor ataque do campeonato.  Que foi piada quando eliminado de outros torneios após tanto “exagero” de alguns os comparando a times europeus de primeira linha.

Ah, Corinthians… que ano!

Talvez o último de uma série, talvez o primeiro de outra.  Aqui não temos essa triste rotina de rever os mesmos clubes brigando pelos mesmos títulos ano após ano. Talvez por isso não lhe caiba o rótulo de favorito sequer ao próximo campeonato.

Pouco importa.

A fé do corintiano não costuma dialogar com a lógica e talvez por isso dessa relação saiam tantas histórias inacreditáveis.

Quem diria? Hoje não.  Com reservas, de férias, “nem aí”…?

E numa constrangedora atuação que fere a história da vítima, o Corinthians reserva faz o mesmo que faziam os titulares e atropela o seu rival com dó e piedade.  Sim, pois após o sexto, nao tentaram mais um.

Se reservaram ao direito de se divertirem com “olé” e um pênalti defendido.  O sétimo gol foi do Cássio.

Já não há mais o que dizer.  Enquanto os juizes chamavam a marcação o time jogava o que ninguém jogou.  É baile, a mais contundente conquista dos últimos anos tendo sido por um bom período uma das mais contestáveis.

Hoje, dia 22 de novembro, não tem um só cidadão que tenha a coragem de dizer que foi “injusto”, “no apito”, ou insinuar qualquer outra baboseira.

O Corinthians de 2015 é a melhor notícia do futebol Brasileiro desde o maldito 7×1.

Tal qual aquele pesadelo do  Mineirão, o que se viu hoje era inédito.  Nunca um time de reservas fez a maior goleada de um clássico num jogo festivo contra um rival que jogava pra valer.  Me arrisco dizer que nem aqui, nem em lugar nenhum do mundo.

E se me permitem o uso devido a mais insuportável das frases de 2015…. “6×1 foi pouco”.

abs,
RicaPerrone