abad

Fique, mas fique grande

O Fluminense conseguiu se segurar pelas mãos de Julio César na série A do Brasileirão. Quando o jogo estava 0x0 fez uma defesa absurda e pegou um pênalti. É o herói da permanência.

Os vilões da possível queda você sabe bem quem seriam. Mas não é porque o Julio foi espetacular que os responsáveis deixam de ser “vilões”.

Que fique o Fluminense, que fez esforço pra cair e não conseguiu. Mas que fique pelos jogadores que correram e tentaram mesmo com meses sem receber. Que fique pela torcida que foi lá acreditar até mesmo depois do soco no estômago que levou na quarta.

E que fique grande. Porque se repetir a receita mediocre de quem se olha como um nanico a tendência é seguir brigando como pequeno. Pra muita gente é preciso explicar que um time grande não se faz do faturamento, pra garotada é preciso explicar até o que é futebol, imagine como se separa grandes de pequenos.

Mas pra diretoria do próprio clube?

Não, meus caros “sócios”. O Fluminense não economizou um real vendendo o Fred. Perdeu muito dinheiro e tamanho. Você não salva um grande o apequenando, mas sim planejando e sendo pontual nas decisões que mantém acesa a chama dentro do torcedor.

Tem que ter ídolo, referência, peso, respeito. Você ficou sem nenhum deles e terminou o ano devendo do mesmo jeito. O Cruzeiro apostou na camisa, contratou, meteu um caneco no bolso e sai do ano maior do que era em janeiro.

Futebol não se faz com calculadora. O Fluminense é muito maior do que o próprio clube acredita ser.  É hoje uma espécie de Flamengo as avessas.

Se vocês só conseguem carregar X, não tentem diminuir o peso pra conseguir levar. Troque quem o carrega.

RicaPerrone

Afinal, que diabos é o Flu Samorin?

Uma das perguntas mais comuns ao tricolor é “Porque diabos o clube foi investir num time na Eslováquia?”. Então, lá vai.

O motivo do projeto

A idéia começa em 2011, com a Unimed ainda no clube. Era muito difícil dar oportunidade aos meninos no time principal. Muitos talentos não tinham espaço para jogar e no Brasil não tem um torneio B ou um sub-23 decente como em toda a Europa. Foi criado um projeto no Flu (Plano de Carreia Internacional) de emprestar as jovens promessas, que não estavam tendo oportunidades imediatas no primeiro time, para equipes de fora do Brasil.  A ideia era simples: O menino se destacava lá fora e voltava melhor ou era vendido por lá mesmo.

Xerém teve jogadores emprestados para Itália, Espanha, Portugal e Espanha e percebeu que estes meninos pouco jogavam nestas Ligas. Acabavam ou não atuando, ou jogando em Times B.  O foco mudou e o Flu começou a emprestar para Bélgica, República Tcheca, Áustria, Bulgária, EUA, etc… Nestes centros mais fracos os meninos começaram a atuar e voltaram muito melhor para o clube. Então o Flu achou que este seria um caminho.

“Melhor pessoa, melhor jogador”

Mais do que atuar em Ligas com uma intensidade de jogo diferente e sistemas táticos melhores do que o que encontramos na base brasileira e nas séries inferiores do Brasil foi percebido em Xerém que os meninos que voltavam do exterior estavam diferentes, mais confiantes, com uma postura mais profissional. Algo tinha mudado ali. Em debates com as psicólogas, assistentes sociais e técnicos de Xerém chegou-se a conclusão de que ao fazer o menino se afastar do péssimo ambiente em que vivem a maioria dos jovens do Brasil, apresentar uma nova cultura, outra língua, uma rotina mais profissional, estava fazendo aqueles meninos evoluírem não só como pessoas, mas também como jogadores.

Flu internacional

Com isso, o Plano de Carreira dando o retorno esperado, o próximo passo era simples. Era preciso achar um clube parceiro fora do Brasil para conseguir, o Flu mesmo, cuidar da evolução destes jogadores. Controlar a vida deles fora e dentro de campo, ensinar uma nova lingua e dar mais oportunidade para eles atuarem. Acompanhar o projeto, ser uma evolução, a fase final da formação dos atletas de Xerém. Algo que já é realizado em outros clubes pelo mundo, como os dois Manchesters, o Ajax, o Chelsea, Zenit, Monaco, etc. Inicialmente se pensou nos EUA. O Flu chegou a ficar muito perto de fechar com um clube nos EUA. Só que os custos, na época, já eram muito altos . O pensamento era vamos para a Europa, um continente com um futebol forte e com a UEFA e a ECA que dá suporte aos clubes.

Além de evoluir os jogadores, o Fluminense vê neste projeto a oportunidade de capacitar os profissionais de Xerém. Hoje, infelizmente, não existem no Brasil, grandes cursos para isso. Tem apenas os da CBF, que ainda não são reconhecidos pela UEFA e são muito caros.

STK Samorin

A base do Flu sempre disputou muitos torneios na Europa. Com uma grande rede de contatos, por conta destas participações em torneios, o Flu começou a procurar um lugar e um clube para fincar a sua bandeira. Surgiram alguns clubes, mas ou eram em ligas caras como Portugal e Alemanha, ou o clube tinha dividas e queria alguem para ajudar, ou eram clubes duvidosos, comandado por pessoas duvidosas, etc.

Em 2015 em um torneio na Republica Tcheca surgiu a oportunidade do Samorin. O presidente e dono do clube estavam no torneio e conversaram com a diretoria do Flu. STK Samorin é um clube pequeno, na época da terceira divisão da Eslováquia, sem dívidas e que queria uma parceria para poder crescer. O dono é um cidadão de Samorin, com uma vida confortável, que gastava dinheiro do próprio bolso com a sua paixão, que era o time da cidade dele. Só que com o que ele podia investir, o time jamais sairia da terceira divisão.

O Fluminense foi ao local, conheceu o clube, a estrutura, conversou com a federação eslovaca, com dirigentes do Zenit e com uns investidores holandeses.

O Fluminense gostou e viu uma grande possibilidade ali. Primeiro emprestou alguns jogadores e mandou um auxiliar tecnico, apenas para conhecer a Liga, mapear o local, etc. Posteriormente indicou um treinador, que havia ministrado cursos da UEFA para os treinadores da base de Xerém, ele assumiu o time e o clube subiu para a segunda divisão.

Mas por que a Eslováquia serviria para o projeto?

– O Flu entende que é uma liga em evolução e que exige curso de treinador da UEFA.

– Baixo custo do futebol no país: possibilidade grande de crescimento esportivo com baixo investimento. Hoje o Fluminense gasta quase nada para ter controle total de um clube na Europa. Menos de 8% do dinheiro investido em Xerém é dedicado a todo o Samorin.

– Dimensão reduzida do país: diminui os custos operacionais e facilita a logística para locomoção da equipe por conta de distâncias pequenas que podem facilmente ser percorridas de ônibus.

– Possibilidade ilimitada de estrangeiros no elenco: cinco jogadores de Xerém em campo no primeiro time, mais cinco na equipe sub-19. Conseguiram colocar pelo menos 10 jovens jogadores por final de semana em campo.

– Liga eslovaca é de jovens atletas: a Eslováquia tem uma das ligas com mais jovens na Europa. Isto facilita a adaptação dos Moleques de Xerém.

– Possibilidade de captação de atletas europeus baratos para compor o elenco, dentro da região que engloba quatro países (Eslováquia, Rep. Tcheca, Austria e Hungria).

– País sem histórico de racismo. Os eslovacos estão muito acostumados com estrangeiros pela forma que seu país foi construído.

– Localização geográfica: a Eslováquia fica localizada no centro da Europa e fica próxima das principais cidades do Velho Continente. Áustria (40km), Hungria (50km), República Tcheca (62km), Croácia (280km), Polônia (330km), Alemanha (350km), Itália (500km), Ucrânia (550km) e Suíça (600km). Em 1h30, chega-se a Samorin de qualquer grande cidade da Europa.

– Infraestrutura de apoio de boa qualidade: STK Samorin tem estádio próprio com custo anual bancado pela prefeitura e parceria com a Xbionic Sphere, um dos maiores CTs da Europa.

Xbionic Sphere

Por força do destino, em Samorin, foi construído o maior Centro Esportivo do leste europeu e o terceiro maior da Europa. O Xbionic Sphere, que hoje é a casa do Comitê Olímpico da Eslováquia, e também parceira do Fluminense Samorin. Os jogadores de xerém treinam e utilizam as instalações de um nível que não existe na América do Sul. É um complexo esportivo de 1 milhão de metros quadrados.

Em apenas uma temporada e ainda na segunda divisão, o Samorin já proporcionou ao Fluminense o acesso a UEFA e a ECA (Flu hj tem um treinador de Xerém fazendo o curso UEFA) e o Samorin, assim como qualquer clube europeu, tem acesso a todo acervo de estudos da UEFA e da ECA.

4 jogadores já retornaram ao elenco principal do Fluminense

6 jogadores já retornaram para Xerém (dois deles hoje são titulares no Sub-20)

4 treinadores de Xerém já estiveram pelo menos seis meses acompanhando de perto o trabalho de um treinador que tem a UEFA Pro.

Hoje o Flu tem 10 jogadores lá no Samorin, 1 treinador (como auxiliar) e 1 fisioterapeuta.

Então, meus caros, acho que não resta mais dúvidas sobre o projeto Samorin.  Goste ou não dele, ele está explicado acima.

abs,
RicaPerrone

O que vocês estão fazendo?

Normalmente acho que torcedores exageram quanto ao desespero. Dessa vez, eu também estou tentando entender e não consigo, o que me faz compreender o pânico.

A diretoria do Fluminense conseguiu perdeu uma ação de milhões pro Levir porque não foi na audiência. Teve um ano “ok”, diz estar quebrada, sem grana, culpando a gestão anterior que por acaso foi a “situação” que a elegeu. Não entendo.

Sabe que sua maior chance de ganhar dinheiro se chama Scarpa. Adivinha qual o jogador do grupo que eles deixaram ter meses de atraso suficientes pra ir na justiça e sair “de graça”?  Ele mesmo.

Feito isso, perdem a chance de receber 30 milhões e ainda deverão 10.  É uma das maiores cagadas da história do clube. Um “prejuizo” de 40 milhões por algo que todo clube pequeno sabe fazer: Não atrasa mais do que a justiça permite para rescindir.

O Scarpa tem razão.  Não em sumir, achei um absurdo! Mas em entrar na justiça e sair de graça? Ele tá certo. Ele tem propostas, o clube atual não paga, ele usa os recursos legais e vai pra onde quiser. Todos nós faríamos isso. Provavelmente sem sumir, é claro.

Em meio a dever pra elenco, proposta por Fred.  Com o jogador já na justiça, pagam o que devem e deixam o elenco que ficará a ver navios.  Piora o ambiente. O time se desfazendo, jogadores se recusando a vir pro Flu com medo de não receber e rebaixamento.

E vocês querem que o torcedor não esteja em pânico? Aí vem o Corinthians e manda oferta pelo Dourado, o único que sobrou. E o clube pode vende-lo porque a situação que era ruim se tornou ainda pior com a “perda” do Scarpa.

É surreal.

Não tem explicação. Como você pega um jogador de 30 milhões e o transforma numa dívida de 10?

Eu não sei o que a diretoria do Fluminense está tentando fazer. O problema é que desconfio que ela também não saiba.

abs,
RicaPerrone

Diminuído

Eu vou escrever algo que não vai soar familiar aos não sócios, talvez agressivo aos sócios. Mas eu sinto tanta falta de escrever sobre a mística do Fluminense que me incomoda muito vê-lo cada vez mais longe dessa pauta.  Reclamam que passei a falar mais desse ou daquele, mas na real é o Flu que não me dá pauta alguma.

Eu não conheço o Abad, conhecia o Peter, tinha ótimo relacionamento com ele e tenho com o Mário.  Na real eles são todos pedaços de um processo de anos que cobrou deles uma postura individual após a saída da Unimed. E então separaram idéias.

Não quero concordar com um ou com outro, pois na real são anos de gestão, anos de diretoria e meses de um trabalho. Situações muito diferentes as dos três, mas que refletem muito do que o Fluminense tem por valor institucional.

Algumas pessoas na diretoria do Fluminense consideram o Flu um time menor. Essa frase não é uma coisa minha, já foi comparado ao Fulham da Inglaterra internamente dito em conselho. Parte concorda por conta da receita, outra parte discorda. Eu sou a segunda parte.

O Fluminense não pode “não ter 20 mil pra pagar” conforme áudio vazado. E mesmo se tiver, tem que fingir ter. Parte da grandeza é parecer grande o tempo todo.

O Fluminense não pode vender seu maior ídolo pra um rival e ele dizer na cara do presidente “eu não estou saindo porque quero”.

O Fluminense não pode negociar seus jogadores top com times brasileiros. Isso o inferioriza. O sucesso no Flu representa a ida pra Europa, não pra um outro time brasileiro antes desse estágio. Os clubes procurarem o Flu pelo Scarpa já me incomoda.

O clube não pode ter alvos e metas tão tímidos. Por menor que seja a condição financeira, ousar não é “loucura”. Loucura é tratar o Fluminense como Figueirense.

O clube precisa de ídolos, expectativa, movimentação de mídia, casa cheia.  Outro dia o Flu tinha a Unimed mas mais do que a grana deles, a loucura e megalomania do Celso, que não via o Fluminense como um time “menor”.

Na saída, o racha se dá muito em virtude de alguns tentarem ousar sem a Unimed e outros quererem o Flu conservador ao ponto de ser coadjuvante.

Nem um, nem outro.

É fim de ano morno, o Flu não promete nada pra 2018, nem sonda nomes que possam coloca-lo na briga. Sugere negociar com times internos seus jogadores. E o torcedor ainda vê seu ídolo negociar com o rival porque há pouco tempo o clube quis se desfazer dele.

A auto estima do torcedor é parte do patrimonio do clube.

Pés no chão é bom, mas quem tem os pés no chão não voa. E time grande tem que voar.

abs,
RicaPerrone

Cuidado com a “culpa” dos dirigentes

É mais um dia onde um enorme tumulto foi causado por uma organizada num estádio. E mais uma vez vemos debates vazios e pouco fundamentados sobre.  Um dos que mais gosto e me preocupa é a do “dirigente que dá o ingresso”.

Clube algum deveria ajudar esses caras, menos ainda facilitar ingressos. Mas clube é clube, dirigente é dirigente. Fulano, na figura de presidente ou seja lá o cargo que for, não vai ser o machão de ir na frente de uma gangue e dizer que ele é o cara que está dizendo não pra eles sozinho.

Esse cara tem filhos, mulher e cu, pra ser grosseiramente claro.

Se os clubes todos fecham numa de ninguém dá mais nada, com o Ministério Publico ajudando a proibir, vá lá. O cara pode dizer que tá proibido. Agora, esperar que um sujeito num cargo alto do clube peite um grupo de marginais que nem a polícia é capaz de segurar, é um pouco utópico.

Entre a realidade e a teoria há muita coisa. Uma delas é o bom senso.  É mole ir no dirigente e condená-lo por dar ingressos. O duro é perguntar qual dirigente tem coragem de dizer “não” pra um grupo terrorista que há 30 anos brinca com a polícia, a justiça e com os clubes que tomaram de assalto pelo medo.

Não individualize uma decisão que um homem só, de clube algum, tem tamanho pra tomar.

abs,
RicaPerrone

Que situação

Imagine você se um dia o Fluminense decidir que o treinador não está bem e não deve continuar. Esse treinador é o Abel, símbolo hoje de algo maior do que um cargo. A diretoria do clube pode considerar, como todas as demais, que é preciso trocar.

E aí? Como ela faz isso?

Existe um sujeito indemitível no futebol mundial hoje. Chama-se Abel Braga. Por tudo que fez de bom, por tudo que passou de ruim. Por tudo que representou há pouco. Abel é o que a torcida respeita.

Você pode me dizer que o Abelão está 100% ali. Nem o conheço pessoalmente, mas duvido. E se estiver, trata-se do super-man.  Ele quis ficar, é digno, lindo, interessante. Mas suponha que pro Flu não seja o ideal.

O que você faz? Demite o Abelão?

Não. Não dá. A saída numero um para crises está descartada. Ele além de estar blindado por todo o enredo triste que passou, é o único cara que a torcida respeita.

Mas torcedor é foda. Ele vai esquecer o drama do Abel assim que o Flu pisar no Z4.

E aí vai sobrar em quem? Qual a saída que terá o Fluminense para “tomar alguma medida” para tentar interromper a ladeira abaixo?

Que situação.

Eu não tenho o diagnóstico, e nem essa intenção. Tenho por mera curiosidade a idéia de que seja qual for a ” doença”, vai ser muito difícil o Fluminense achar a cura por meios convencionais.

Que a sorte guie o Flu por onde quem deveria não puder guiar.

abs,
RicaPerrone