aeroporto

“Que homem!”

O rubro-negro quando feliz brinca sobre Diego dizendo “que homem!”.  Afinal, para elas ele é lindo. Para eles, se dedica, é profissional e joga muito.  Para uma dúzia de imbecis dispostos a quebrar patrimonio alheio por causa de futebol, não.

Esses acham o Diego um merda.  Para eles, por ser a personificação do “new Flamengo”, ele deve pagar a conta. Já escrevi sobre isso. E mesmo entendendo que alguns pensem assim, é absolutamente inexplicável o destempero humano que acompanha o Flamengo.

Seu torcedor é o mais fácil do mundo. Ele se convence que o Diego não presta na mesma velocidade que o pede na Copa do Mundo. Hoje, após o episódio do aeroporto, Diego fez o que a imprensa não consegue fazer há 50 anos. Separa-los.

Eu vou me usar de exemplo pra não atingir terceiros. Eu provavelmente no lugar dele mandaria a torcida tomar no cu após o gol. Não porque eu ache certo, mas porque meu nível de vingança e “fala agora seus cuzão!” estaria tão alto que eu seria incapaz de pensar em algo fofo, inteligente e de frutos imediatos.

O cara correu o campo e um destemperado como eu já pensava: “vai manda rola pra torcida…”.

Mas não. Ele foi lá e abraçou os caras. Porque?

Porque ele é assim. Ele pensa, as vezes até demais. Ele calcula, tanto que nem se identifica com a loucura que é ser Flamengo. Ele tem calma, coisa que rubro-negro nenhum no mundo tem.

Ele sabe que bastava um gol, duas vitórias e em 1 semana o Flamengo pode estar líder do Brasileiro, classificado na Libertadores e encaminhado na Copa do Brasil.

E aí é “aeroFla”, cheirinho, hepta, a porra toda.  Porque mais inteligente do que a maioria de nós, ele não quis desabafar. Ele quis ser o marco de qualquer possível conquista deste Flamengo católico de 11 filhos únicos.

Se funcionar, ele será o cara que abraçou a torcida na hora do racha. Se não funcionar, ele será aliviado porque não reagiu, ajoelhou e deu à nação o que ela mais adora: o status de soberana no clube.

Diego é um craque. Se não com a bola, com a cabeça. E não me refiro ao gol.

abs,
RicaPerrone

Cada vez mais sozinhos

Há 20 dias um grupo de botafoguenses, estes sim torcedores, foi ao aeroporto aplaudir o time eliminado pelo Grêmio na Libertadores. Hoje outro grupo, só que esse a gente sabe de onde vem, foi lá protestar.

Nessas horas eu costumo dizer que fica claro quem é quem e quais as suas intenções.  Que tipo de pessoa razoável pode vaiar ou cobrar o Botafogo sexto no Brasileirão, nas quartas da Libertadores, semifinalista da Copa do Brasil com um time que eles mesmos acharam que seria rebaixado há 1 ano e meio?

Direcionados? Mal intencionados? Ou apenas desocupados?

Sim, pois mesmo muito apaixonados, não justifica.

As organizadas são suicidas tais qual partidos políticos. Quando alguém de dentro faz algo estúpido, ao invés da entidade punir e afastar, eles blindam. E então assinam um acordo com o lado errado.  Pronto, é o fim.

Não a toa estão sumindo. Porque são burras, vendidas, sem noção e sem direção.

Se tem algo que o Botafogo merece em 2017 é aplausos. Onde for. Quando for.  E mesmo se não entrar na Libertadores de 2017, aplaudam-nos.  Porque o Botafogo é seguramente o time que mais joga acima de seu limite e não é de hoje.

Essa duzia de “torcedores” que foram ao aeroporto cobrar do time são apenas os mesmos caras que amanhã ou depois serão responsáveis por um jogo de torcida única.  Pela proibição da bandeira. Ou do que for.

Simplesmente porque são maus torcedores e, especialmente, burros. Tão burros que estão matando as proprias organizadas aos poucos e fingindo que não estão vendo.

Pq até pra “morrer” eles querem morrer “machos”.

Vaiar o Botafogo hoje não é uma opção. É falta de caráter.

abs,
RicaPerrone

Arena Congonhas

Sabe o que tem de tão especial nas imagens de Congonhas com o Palmeiras partindo pra Belo Horizonte? A liberdade.

A liberdade do torcedor em ser torcedor sem se tornar um cãozinho adestrado por um país que pune a arma e não quem atirou.  A liberdade de festejar, agitar uma bandeira e até usar fogos para deixar mais bonito o espetáculo.

Uma área livre, próxima ao seu time e com o direito de poder dizer do ladinho deles que “confio em você”.

Congonhas foi o que gostaríamos de ser nos estádios. Foi a casa do palmeirense sem regras estúpidas de “segurança”.  O saldo? Ninguém se feriu.

Quando tratado feito um idiota, a tendência é agir feito um.  Quando tratado como adulto, o ser humano tende a agir como adulto.

Isso que vocês viram em Congonhas é o que está dentro de nós, torcedores apaixonados por futebol, que nos foi tirado porque a justiça no Brasil tem vídeos, fotos e até o endereço de quem comete os crimes, mas prefere punir todos nós, que no fundo somos vítimas.

O Palmeiras viajou conhecendo uma torcida plena, sem proibições. E teve que fazer isso só no final do ano e, pasmem, tendo um estádio incrível, foi ver num aeroporto.

O abraço foi dado. O time viaja muito mais forte do que se encontrasse esse saguão vazio.  Torcida não ganha jogo, dizem.

“Só se for a sua”.

abs,
RicaPerrone

Desculpe o transtorno, preciso falar da nação

Foi mal, Gregório! Roubei porque você é o protagonista da semana a ser substituído nesta terça-feira, quando milhares de rubro-negros tomaram as ruas para também declarar seu amor.

Roubei porque tal qual você, é preciso alguma coragem pra expor tantos sentimentos num mundo rude e babaca onde priorizar a paixão, para alguns, torna pessoas “vagabundas”.

Porque é mais preocupante pela web nesta terça-feira pessoas tentando questionar e policiar a exaltação ao feito do que exaltar a alegria alheia.

Um mar rubro-negro parando a cidade em paz, cantando, brincando, levando com eles quem tivesse por perto para exaltar o time que sequer entrou em campo.  Um time que outro dia sofria com esses mesmos caras a pressão de “ser Flamengo”.

É foda “ser Flamengo”.  Mas também é “do caralho”  ser Flamengo.  Depende dos resultados.

Não cabe aqui qualquer comparação vazia sobre “qual torcida levou mais gente ao aeroporto” em determinada ocasião.  Cabe a exaltação simples de registrar que pessoas continuam loucas e apaixonadas por seus clubes ao ponto de ir ao aeroporto dizer “tchau”.

Talvez os últimos parentes que visitaram o Rio foram sozinhos ao Santos Dumont de taxi para voltar pra casa. Mas o Flamengo, não! E coisas como as que vimos hoje explicam muito do nosso futebol, da nossa paixão, da nossa cultura e da minha profissão.

Do porque estamos falidos. Do porque eles estão se reerguendo. Do porque o Flamengo anda crescendo e pagando dívidas, enquanto a imprensa se afunda nelas.

Não somos rivais. Deveríamos ser parceiros, afinal, somos sócios do mesmo evento. Mas a burrice ideológica ainda reina de cá. E enquanto eles festejam de lá, fazemos cara de especialista para avalia-los de cá.

Ah, nação… dizem que puxo seu saco. Aliás, dizem que a mídia toda o faz.

E entre fotos e vídeos daquele Santos Dumont… não me resta alternativas que não te exaltar mais uma vez.

Agora é contigo, palmeirense! O Flamengo treinou “zebra” e embarcou quase “favorito”. Melhor entrar em campo aí, porque aqui, juro, eles ganham jogo as vezes.

abs,
RicaPerrone

Justifica-se a euforia?

Ontem a discussão era se a festa no aeroporto e toda a atenção dada pela mídia a Diego era justificável, proporcional a sua chegada.  E sem pestanejar, lhes digo que sim. Diego merece esse status, sim.

Nós temos uma mania complicada – talvez seja no mundo todo – de avaliar o filme pelo que esperávamos dele, e não pelo que o filme foi.  Se nós criamos expectativa de ver o Diego ser o melhor do mundo, é um problema nosso. Ele foi um grande jogador em clubes europeus de médio pra cima, ganhou títulos, jogou na seleção, optou por não ser um homem-marketing e timidamente fez o seu.

Tá rico, consagrado, com 31 anos e joga mais que todos os meias que atuam no Brasil hoje.

Pronto. Justifica-se. Diego é  “melhor 10” do Brasil e isso merece festa, oba-oba, expectativa, aeroporto cheio e o que mais for de vontade do torcedor fazer.

Primeiro porque trata-se MESMO de um puta reforço. Depois, porque contestar festa é algo que me recuso a fazer por princípio. Se querem ser felizes, que sejam! Eu contesto violência, intensidade de protestos, raiva. Mas condenar o tamanho da alegria alheia?

Jamais.

Se é pra chegar, que chegue carregando multidões, gerando expectativa, frustrando e surpreendendo pessoas nos próximos meses. É disso que vive o futebol. Aliás, é disso que eu vivo, inclusive.

Diego é um grande jogador. Não foi o gênio que esperávamos, mas passa longe de ser um jogador mediano ou comum.  Merece todo o oba-oba criado sobre ele.

E sim, eu iria no aeroporto se fosse flamenguista. Falaria em hepta, compraria a 35 e ai de quem me disser que estou sendo exagerado!

Exagerado é quem tenta medir a alegria alheia e dosa-la.

abs,
RicaPerrone

La vuelta de Dios

O momento onde você mais ouviu falar de Orlando City não foi num jogo ou numa eventual conquista. Foi na apresentação de Kaká.  As maiores festas descontroladas e portanto espetaculares do Rio de Janeiro foram protagonizadas pelas chegadas de Romário e Ronaldinho ao Flamengo.

Os três maiores eventos do SPFC nos últimos anos foram apresentações, recordes e despedidas de ídolos.  Não exatamente grandes jogos.

Talvez para muitos de nós ainda seja difícil compreender o que leva um torcedor a consumir futebol. Talvez esse tipo de aviso se repita insistentemente até que se perceba que ninguém com dinheiro próprio (clubes com dono)  “gastam” dinheiro com ídolos. Eles investem.

Gasto é um time com 10 bons jogadores que chegará em sétimo. Esse não causa nem dor pra não cair, nem alegria ao brigar pelo título. Esse está morto. É melhor ser quase rebaixado do que sétimo colocado.

Lugano é mais uma prova de que o futebol não precisa apenas de técnica. Precisa de identidade.

Dios voltou. Parou um aeroporto como poucas vezes esses centroavantes enlatados conseguiram fazer com seu carisma de prostituta beijador de camisas.

Dios voltou. E trouxe com ele mais do que uma proteção à zaga sãopaulina. Mas auto estima, vontade de estar no Morumbi e de acompanhar a temporada.

Ídolos não são caros. São raros.

Que Dios nos abençoe.

abs,
RicaPerrone