andre

Fidelidade


Enfim, o Grêmio voltou a jogar como funcionava. Foi fiel ao seu estilo de jogo, a posse de bola, a não queimar pro gol de qualquer jeito. E também por fidelidade, parou na defesa do Bahia.

Renato tem no André um desafio, não um centroavante.

Antes do jogo falavam que o Luan seria o “falso 9”.  Me desculpem mas “falso 9” é o Andre, que nem faz o gol nem o pivô.  Ou seja…

Renato hoje errou na escalação e mais ainda em insistir no erro. Mas ao final dos primeiros 45 minutos o Grêmio era merecedor da vitória e dos aplausos. Tomou um gol absurdo no começo do segundo tempo e desde então bateu na barreira do Bahia.

É muito curioso ver como o futebol passa longe da lógica. Bahia e Grêmio tem, respectivamente, os melhores jogadores da Libertadores 2016 e 2017. Ambos hoje no banco.

Empate é ótimo pro Bahia, que decide em casa. E o espaço que o Bahia vai ter que dar na volta é ótimo pro Grêmio, que não tem conseguido furar as defesas coletivamente.

Nada decidido. Apenas que a fidelidade as convicções as vezes ajuda, em outras atrapalha.

RicaPerrone

Não vale nada

O campeonato Gaúcho “não vale nada”.  Todo torcedor diz isso durante meses até que a óbvia final aconteça. Quando frente a frente Grêmio e Inter o que menos importa é pelo que estão brigando, mas sim quem ganhará a briga.

Briga é um termo feio. Mas Grenal nem é esporte.

Aos 8 minutos era claro que intimidar era mais importante que jogar. E que portanto ninguém jogaria.  Existe jogo truncado, jogo catimbado e o Grenal. Esse último nem jogo é.

Todas as expectativas foram atingidas. Sem gols, porque em Grenal destruir é o ato mais comemorado. Com cartões, porque tem que chegar mais duro que o normal. Com polêmica, porque mesmo se tivesse sido pênalti hoje haveria metade do Sul dizendo que não.

E com um final apoteótico. Porque Grenal é Grenal.

O Gauchão nada mais é do que um pretexto pra esse jogo acontecer decidindo algo. São meses protocolares até que se chegue o dia do confronto final, que as vezes sequer acontece.

Pois quando acontece, há um ritual. E nele já está incluso a provável expulsão do Dalessandro.  Provável e merecida. Porque no caso dele não é preciso ver o que ele fez pra saber que o cartão é justo. Dalessandro entra em campo merecendo a expulsão todo jogo. As vezes consegue, as vezes não.

Justo? Sim. O Grêmio é melhor ainda do que o Inter. Embora esteja bem abaixo do Grêmio dos últimos 2 anos, esse time fez um campeonato melhor do que o rival e jogou um pouco melhor ontem também.

Em boas mãos. Nas do cansado Portaluppi, que já virou ditato no céu. Por lá, meteoros e cometas brincam dizendo que “essa Estrela tem Portaluppi”.

Agora o Grêmio volta pra sua Libertadores sofrida. O Inter pra sua Libertadores tranquila. Em dias estarão dizendo que “isso é o que vale”.

Mas valeu. O estadual é briga de dois irmãos em casa de portas fechadas.  Pouco importa o que o mundo vai ver de nós. Desde quem a gente saiba aqui em casa quem bateu em quem.

RicaPerrone

Clássico é clássico e vice-versa

Era 2015, sorteio da Copa do Brasil. O Flamengo estava muito bem, o Vasco capengando. Parecido com o cenário atual.  Alguns amigos do Flamengo acompanharam o sorteio e comemoraram quando deu o rival na sua chave.

Imediatamente eu lhes disse: “Vocês serão eliminados”.

Eles não entenderam e eu disse que aquela sensação de “oba, é o Vasco!” não pode existir nem se o Vasco tiver com 11 juniores no time. Clássico é clássico, e um dos times que melhor nos ensinou isso ao longo do século é o próprio Flamengo vencendo até campeonatos com times que ninguém esperava.

Na era onde pergunta-se o faturamento mais do que a camisa que estará do outro lado, não me surpreende que o time de menor capacidade técnica tenha entendido o jogo melhor do que o favorito.

E fora de campo era igual a sensação. Rubro-negros falando em obrigação, goleada, enfim, tudo que leva um time melhor a perder um clássico. Ensinaram tantas vezes, mas eles mesmos não aprenderam.

O Vasco foi perigoso, jogou bem, teve no Max Lopes tudo que o Flamengo sonha em ter num atacante e não acha. E poderia ter ganhado a partida não fosse seu próprio gol contra.

O Flamengo é melhor. É favorito. Mas assim como fez uso diversas vezes do “Aqui é Flamengo porra!” pra peitar um cenário adverso, deveria saber que o “Aqui é Vasco” também funciona.

Jogão! Mas o Flamengo só entrou nele quando já estava 1×0 e notou que era um clássico.

abs,
RicaPerrone

Brasileirão 2018 – Cruzeiro 0x1 Grêmio

Se não é novidade pra ninguém que o Grêmio é o melhor time da América do Sul, chega a ser o fato dele atuar sem Geromel e Luan e ainda assim dominar completamente o jogo no Mineirão contra um Cruzeiro que também é apontado como um dos principais times do país hoje.

Primeiro tempo morno, sem graça, com os dois querendo não tomar o gol. Muito passe lateral, nenhuma chance real de gol. Jogo ruim.

Na volta, um Grêmio irritantemente decidido a propor o jogo e manter a posse de bola. O adversário simplesmente não consegue se manter no ataque para uma eventual pressão. Calmo, sem arriscar passes a toa, o Grêmio ganhando é muito difícil de virar.

Só nos acréscimos o Cruzeiro conseguiu alguma pressão. A expulsão do Kanneman foi justíssima. A não expulsão do Ariel, bem contestável. Por trás e sem visar a bola. Se quisesse, o juiz poderia ter deixado o Cruzeiro com 10.

Se tivesse com os 11 titulares diria que o Grêmio fez uma grande estréia, especialmente pelo resultado. Sem Luan e Geromel, não dá pra considerar críticas ao time gaúcho hoje.

Já o Cruzeiro, com uma a mais em boa parte do jogo e sem criar nenhuma situação de gol antes dos acréscimos, há muito o que ser cobrado.

Quadro de tempo de posse de bola individual na partida:

 

Quadro de percentual de passes certos indidual:

 

Quadros individual de dribles no jogo:

abs,
RicaPerrone

Atípico sim senhor!

Por favor, mais cautela e menos manchetes. O Corinthians que perdeu pro Cerro é um time pouco discutível, sem nenhuma polêmica e ser avaliada com estardalhaço e que mesmo se tivesse os 11 em campo, não poderia considerar esse resultado um absurdo.

Quando é Corinthians se joga pro alto na mesma proporção que se atira na lama pra vender. Mas senhores, tenhamos um pingo de equilibrio: Desde junho de 2015 o Corinthians perdeu pro Santos na Copa do Brasil, pro Inter em Porto Alegre, pro Sport lá quando já tinha sido campeão e cumpria tabela, e pro Santos domingo com time reserva.

Aí acontece de por erros individuais o time perder no Paraguai pro Cerro Porteño por dignos 3×2 e vamos discutir tática, Tite, mudanças, posicionamento?

Por favor, estamos falando de um jogo entre dois times grandes, tradicionais, na casa dos caras, com 2 jogadores a menos.  Com 11, fosse um 3×2 pro Cerro, nada demais teria acontecido. É normal perder lá.  Com 9, chega a ser absurdo qualquer tipo de discussão sobre algo tático e técnico.

Não há indícios de crise, de problemas consideráveis, nada. O Corinthians se vira muito bem até aqui com a brutal perda em relação a 2015, ainda é um time muito organizado taticamente, mas ainda é um time de seres humanos que tem dias ruins.  Ontem André e Rodriguinho tiveram o seu dia.

Eu trabalho com futebol há 20 anos. Eu nunca vi um treinador treinar uma equipe para jogar com 9.  Com 10 até vi uma vez ou outra, mas com 9… não existe.

Tite é um grande técnico. Não um mágico.  O Corinthians titular, com 11, segue invicto há muito tempo. Não cabe a este trabalho qualquer princípio de contestação.

abs,
RicaPerrone