ano novo

“Espera aí, vó!”

Era 23h59 minutos quando olhei em volta e vi um mar de celulares apontados pro horizonte.  Via também famílias, amigos, pessoas que pagaram uma nota para estarem lá, pela roupa que usavam e especialmente pelo celular que carregavam.

A primeira coisa do ano é registrar pros outros o que eu “vivi” com os meus.

E quando a contagem regressiva começa os celulares nas mãos aumentam ao invés de diminuir esperand0 o abraço.

Quatro, três, dois, um….

“Genteeee! Olha que lindo!”
“Feliz ano novo, Brasil!”

Brasil? E a sua mãe? Seu amigo?

Ah, também estavam filmando o céu ao invés de te abraçar. E então restou aquela senhora com seus 70 anos, sem nenhuma certeza de passar outro ano novo com os seus olhando para lá e pra cá esperando um abraço e, pasmem, recebendo filmagens dos amigos e parentes “olha a vovó!!!”, e ela de braços abertos constrangida sem recebe-lo.

Aos poucos os 15 segundos dos stories acabaram e os abraços começaram junto das selfies.  O que se dizia no ouvido de alguém a meia noite virou público. Falamos abraçados olhando pra camera.

Não sei se o que ouvi era pra mim mesmo ou pra mostrar. Que pena. No meu ouvido há alguns anos era certeza que era só pra mim e que era real.

Feliz ano novo, Brasil! Pra senhora especialmente, vó.  Não a minha, que se foi. Mas essa que em breve irá e que teve seu ano novo atrasado em alguns segundos porque as pessoas precisavam mostrar pros outros que estavam se divertindo antes de dizer a ela o quanto a amavam.

RicaPerrone

Feliz dois mil e hexa!

Em 2018 eu quero que você reuna seus amigos o máximo de vezes que puder. Que faça churrascos com muita cerveja, risadas sem noção e futebol sempre que puder. Quando não puder, dê um jeito.
 
Não precisa ser a picanha mais cara. Se não der, pega aquela de 30 reais. Tudo bem. Compra latão, tanto faz. Mas junta gente, brinda coisas sem sentido, abraça os amigos e promete qualquer merda mesmo que seja só um conhecido.
 
Sorria. Aliás, gargalhe. Morra de rir.
 
Não brigue com seus amigos por causa desses filhos da puta da política. Discuta, mas quando a chapa esquentar, muda de assunto. “E o Corinthians?!”. Pronto, foda-se o Lula, o Bolsonaro, o Doria….
 
Se veste de amarelo. Pinta a cara. Curta a Copa e não seja um idiota que reclama do pão e circo no mes de junho. A gente precisa de circo pra vida ter sentido e pão pra ela continuar. Uma coisa não exclui a outra.
 
Se juntas pessoas para celebrar, cantar o hino, sentir orgulho e confraternizar não é motivo para parar o país, cancela a porra do Natal.
 
Vai ter hexa! Tem que ter.  
 
Não importa onde, mas sempre com quem. E se for com os nossos, o lugar tá ótimo.
 
Um ano cheio de muita risada gostosa, amigos leais, romances surreais, jogos memoráveis do seu time, churrascos com mais pão de alho que picanha e, ainda assim, os melhores churrascos do mundo.
 
Pára de esperar ficar rico. Ser feliz custa menos de 100 reais.
 
Um 2018 do caralho pra vocês! Inclusive pra quem vive aqui só pra me encher a porra do saco.
 
Aos meus, em especial, e quem é sabe, um beijo enorme e obrigado por mais um ano de amizade e tudo que citei acima. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Agora pega o cavaco, bota a cerveja pra gelar, acende a churrasqueira chega de papo!
 
Feliz 2018
abs,
RicaPerrone

Vocês estão malucos

O dia que um alemão tem mais senso de humor que brasileiros chegou. E se a gente não parar de levar a sério que as pessoas do mundo virtual refletem a opinião das do mundo real, em breve eles vão começar a tocar pandeiro também.

Toni Kroos fez uma piada ótima, sacaneando o Brasil pelo 7×1 que fez na gente. Foi boa, convenhamos.

Aí temos que devolver como fez nosso Fenômeno, não com as toscas mensagens agressivas ao rapaz falando em guerra e o caralho.

Ele, mais uma vez, mostrou ser um cara que merece o futebol. Compartilhou a resposta e riu dela. Enquanto isso discute-se em redes sociais se a brincadeira do sujeito foi apropriada ou não.

Santo Deus, é sério que na cabeça de alguém um time que ganha do outro não deve brincar com isso?  Que “futebol é coisa séria”?  Vocês acreditaram nisso, fãs de esporte?

Pois saibam que não. Futebol é uma diversão e deve ser tratada como tal. E se nós, brasileiros, não conseguimos mais levar algo na brincadeira, é porque perdemos o pingo de identidade que ainda nos cabia.

Após comemorar Halloween, chamar time europeu de “meu”, fazer torcida organizada pra eles, entrar em campo juntos com musiquinha, padronizar campos, elitizar o futebol  e proibir a cerveja no estádio, faltava só sermos menos divertidos que alemães. Aí, realmente, é melhor parar tudo.

Parabéns, Kross.  Feliz 2054 também! Mas demora ainda. #paz

abs,
RicaPerrone

Reconhecimento e megalomania

O Flamengo é movido a sua grandeza e especialmente ao seu complexo de grandeza.  Dali de onde nada se espera, eles sempre esperam tudo. E de onde muito se espera, sai nada.

O time de 2016 começou o campeonato taxado pelos mesmos torcedores que hoje lamentam a “perda” do título como fraco. Se tornou razoável, foi virando timaço e terminou o ano “perdendo pra ele mesmo”.  Ora, rubro-negro, eu sei que as 21h de domingo, cabeça quente após o empate, nada vai te convencer. Mas quem sabe amanhã?

O Flamengo está onde está porque jogou acima do que poderia se esperar dele, e não “perdeu o título” porque vacilou.  O Palmeiras foi quem ganhou, não o Flamengo que perdeu.

O time jogou uma temporada turbulenta, sem casa, viajando o triplo dos outros, trocando de treinador e conseguiu Libertadores, brigando por título até a rodada 36.  Não é possível que isso seja ruim.

“Ah mas jogou 5 campeonatos e perdeu os 5”.  E amigo, desde quando no Brasil time é campeão todo ano? Se ganha o carioca, não vale nada. Se não ganha, entra pra lista de “títulos perdidos”. Esse abismo entre a realidade do Flamengo e a megalomania da sua torcida é o que faz dele diferente.

Eu gosto. Acho divertido, prefiro e me encanta muito mais o Flamengo que empata com o Coxa e ganha uma Copa do Brasil sem explicação do que esse regular “a là Cruzeiro”  de 2016. Mas respeito, porque infelizmente o futebol caminha pra essa homeopatia.

O que não posso me permitir é cair na pilha da desilusão do torcedor causada por ele mesmo. O Flamengo que o torcedor idealizou durante o campeonato não existe. É um time com limitações, com um técnico novato, sem uma estrutura ideal e neste ano ainda sem casa.

Quando perdeu pro Palestino o time já estava morto fisicamente. De lá pra ca “vacilou”.  Não! Na verdade ele chegou aqui se superando, e não sobrando.  Não tinha mais. Foram no limite.

Amanhã, mais calmos, vocês verão que o Flamengo termina o ano em paz como há muito não terminava. Que tem time base pro ano seguinte, tudo em  dia, perspectiva de receita ainda maior e mantendo comissão e diretoria de futebol, um rumo em andamento e não sendo desenhado.

O Flamengo de 2016 não é “Flamengo” como os anteriores. Mas essa diretoria prometeu um Flamengo novo. E isso significa também um time mais “regular” do que brilhante. E isso o time foi no campeonato.

Abs,
RicaPerrone