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Confia!

Escrevo durante o jogo. Está 0x0, a seleção não está jogando muito bem hoje. Mas a reação das pessoas, especialmente nas redes sociais, é inacreditável.

O Tite assume a seleção, muda tudo, joga bem e ganha uns 20 jogos. Convence, apaixona o povo, forma um time e faz muito mais do que dele se espera. E então chega a hora da Copa, 45 minutos de um amistoso sem tanta intensidade e criatividade, pronto: estamos fodidos.

Nada presta. O Tite é burro. Sem Neymar não dá. O Willian é ruim. O Fernandinho é retranca. O 7×1 vai se repetir. Somos um lixo. E “perder tempo” torcendo pra seleção é burrice.

Porque diabos o Brasil rejeita tanto o sucesso e o bom trabalho? Porque a gente não pode ver alguém fazer algo bom que nossa aposta é sempre que “uma hora ele vai se dar mal”?

Que merda de critério é esse que nos impede de vermos e darmos crédito a quem merece?

Qual motivo para não confiar e torcer pra esse time? Não existe. É a melhor preparação pra uma Copa que o Brasil já fez em todos os tempos. Sério, profissional, meritocrata. E ainda assim, procura-se motivos para desmerecer.

Eu sei que as redes sociais sao o muro de lamentações do mundo. Sei também que todas as pessoas sem amigos frustradas e amargas que há 20 anos viviam em casa escondidas hoje habitam com fervor as redes sociais. Mas a influência tem que ser oposta.

Não nos tornarmos amargos como eles, mas eles se tornarem mais leves como nós.

Gol do Neymar! Porra!

Tchau, vou ver o jogo. E sim, vou torcer, comprar camisa, chorar, comemorar, beber, gritar. Porque Copa é Copa! E quem não gosta de Copa não gosta de futebol. Simples.

abs,
RicaPerrone

Os macacos e a árvore

Embora não seja mais tão incomum olhar pra cima e ver um “Tatu” pendurado numa árvore, sabemos que ele vai cair dali assim como sabemos que alguma situação incomum o colocou lá.

Soa temporário.  Incomoda, mas não assusta. Uma hora a árvore estará lá sem ele.

Quando olhamos pra cima e vemos um macaco na árvore, soa mais natural. E mais do que isso, temos a impressão de estarmos de frente para o verdadeiro dono da árvore.

A natureza quis assim. A história atrelou macacos e árvores. Quem sou eu pra estranhar ele brincando de galho em galho?

 

Passam os anos, mudam as estações, mas são sempre os macacos que acabam dormindo na árvore.  Mesmo que as vezes dividam espaço com algum intruso, o lugar é meio cativo.

O Grêmio não tem um timaço.  Sequer entrou na lista de qualquer especialista antes da bola rolar como um dos favoritos, porque de fato não era.

E aí a bola começa a entrar. Uma vez, duas, três, e lá está o Grêmio dando seta.

Até que se chega num ponto onde os olhos que se negam a enxergar são colocados em situação constrangedora. Ou você nota ou ele te atropela.

E é hora de notar.

Eu não sei te dizer ao certo se temos um Guardiolla nascendo no banco, 5 neymares no elenco ou apenas uma fase onde tudo dá certo. O diagnóstico é precoce, embora possível.

Sei que a árvore ganhou um macaco.  E que macacos podem viver na árvore, ao contrário de tatus.

É hora de começar a respeitar quem já está pendurado lá em cima.

abs,
RicaPerrone

 

Te pegou

Fred é tudo que um ídolo pode ser.  Artilheiro, vilão, herói, piada, vítima, perseguido, polêmico, vencedor.   O torcedor do Fluminense odeia ter que amar o Fred, mas ama.

Até mesmo aquele mais rebelde Young Flu que se nega a aceitar estar diante de um dos maiores nomes da história de seu clube, no fundo, adora o Fred.

Porque ele não joga sempre. Mas quando joga, sempre resolve. E quando resolve raramente é num jogo qualquer. Fred é protagonista de todas as semanas do Fluminense desde que chegou. E por consequencia, do futebol brasileiro.

Não há segunda-feira sem Fred.

Hoje, acho que pra quem é de fora, não há um Fluminense sem pensar no Fred.  Pra eles, lá dentro, sei que Conca ocupa mais espaço no coração tricolor. Mas é mais fácil ser Conca, convenhamos.

Regular, firme, bom jogador, quase mudo, pouco contestável e imune a qualquer conflito.

Fred é Renato Gaucho moderno. Fala o que pensa, faz o que quer, assume a condição de capitão, lidera um grupo, divide a torcida, resolve jogos, se faz fundamental até pra que o descartaria facilmente.

Você pode não gostar do Fred. Mas tem que, no mínimo, reconhecer que nem todo mundo consegue sair do inferno na sexta pra ser ovacionado no domingo.

Ele te pegou, de novo.

abs,
RicaPerrone

Perto da final (Itália 2×1 Inglaterra)

Das 17 Copas que a Itália disputou, terminou 12 na final ou na primeira fase.  É disparado a maior “deixou chegar, fodeu” do mundo.  E hoje, no primeiro dos dois duelos que devem definir sua classificação, fez 3 pontos, deixou 2 para se matarem na semana que vem e ficou perto da vaga.

Por lógica, coerência, história e responsabilidade jornalística, devemos dizer que Brasil e Alemanha disputam a outra vaga na final.

Enquanto isso, Inglaterra e Uruguai disputam um último balão de oxigênio que estará disponível na Arena Corinthians na próxima quinta-feira, feriado, palco da primeira grande guerra sem aspas da Copa.

É vencer ou vencer. Especialmente pro Uruguai, que sabe que na rodada seguinte terá a Itália enquanto a Inglaterra pega a Costa Rica.

Tudo vale. Saldo, gols pró. Tudo!

Neste sábado o jogo mais esperado da primeira fase não decepcionou. Ao contrário, Itália e Inglaterra estão tão contaminados quanto os demais pelo ar brasileiro e jogaram no chão, sem bico, retranca e cruzamentos.

Os dois armadores são volantes, num curioso dado que pode explicar muita coisa no futebol moderno.

Mas serviu para adiantarmos o serviço. Salva alguma grande zebra, a Itália é a primeira finalista da Copa de 2014.

O exclusivo mapa que determina estatisticamente a posição de cada jogador em campo pela OptaSports:

abs,
RicaPerrone