arão

O maior dos problemas

Claro que pro rubro-negro o problema do Flamengo é a bola entrar e ponto final. Mas entre os mil acertos que essa diretoria tem, comete seus erros. E longe de ser o Zé Ricardo ou algum reforço, considero o maior erro o conceito de auto suficiencia.

O Flamengo levou ao flamenguista a idéia de que é a locomotiva do futebol brasileiro e assumiu essa condição.  Ótimo. Perfeito. Justo.  Mas não há locomotiva se não houver nada atrás.  E se não carregar ninguém pra frente, não é locomotiva.

Não é obrigação do Flamengo pensar no melhor pra A ou B.  Mas é burrice, e das grandes, achar que o Flamengo pode sobrevier sem seus rivais, ou se colocando tão acima deles.  Vou a exemplos práticos: Hoje joga e se orgulha de jogar num estádio de time de série C.  Porque?

Porque comprou o Arão.

E porque comprou o Arão? Porque havia brecha.  E então, leva-se vantagem na interpretação do contrato. E ok! Segue a vida, segue o Arão, segue a rotina de dar ao jogador o alvará para amanhã fazer o mesmo com ele se assim entender que vale a pena.

Quando um time contrata um jogador que não se resolveu com seu clube, ele está fortalecendo os jogadores e empresários, enfraquecendo os times. Mas na cabeça do Flamengo só há o Flamengo. E ele não consegue notar, nem sob forte argumento do óbvio, que se domingo ninguém jogar contra ele, ele não existe.

O Geuvânio é o novo Arão. Se o Santos tem um problema pra resolver com ele, como um co-irmão do mesmo produto, o Flamengo devia mandar os dois se acertarem e então ir no jogador. Mas vai peitar, brigar, se fazer valer do “eu e mais nada”.

Até que por objetivo o Flamengo um dia consiga de fato ser o “Real Madrid”  do Brasil.  O problema é que não tem Champions League, talvez não haja um Barcelona. E então o Real Madrid não fará sentido algum.

Acima do Flamengo e de qualquer clube há o futebol. Eles vivem do futebol. O Futebol segue sem Flamengo, e o Flamengo afunda sem futebol. Essa logica tão simples aos esportes americanos por exemplo passa longe dos dirigentes do Brasil.

E que venha o Geuvânio. Que se foda o Santos. O Botafogo. O Vasco.  Quem vier. “Aqui é Flamengo!”. Então… que assim seja.  Mas locomotiva puxa vagões, não tenta solta-los.  Ou então, deixa de se fazer importante.

abs,
RicaPerrone

São vocês que “querem” assim

O campeonato Carioca chega a um momento dramático. Fla-Flu, última rodada, vem aí as semifinais da Taça Rio e nenhum dos jogos vale alguma coisa.

É surreal. Mas é real.

E se você acha que subindo uma hastag está fazendo a diferença, está pensando como eles. E eles, no caso, são os clubes. Vou morrer insistindo que as federações e confederações apenas refletem a vontade política do futebol. E estão lá pra isso.

Quem pode dizer “não”  são os 12 grandes e mais ninguém.

Eu fico comovido com o clubismo do sujeito que defende seu clube quando ele briga pela FERJ e esse regulamento.  Tem que ser muito apaixonado para não se emputecer com o próprio time, afinal, insisto, quem tem a força de propor uma reviravolta é ele.

Ah mas o Flamengo…. Pára! O Flamengo propõe uma resistência sim, mas o conceito do Flamengo de coletividade e grandeza é absurdo. Ele não tem NENHUM direcionamento para o melhor do esporte. É apenas Flamengo. E como tal, suas propostas não seduzem parceiros para a guerra.

O Flamengo fez a Primeira Liga, ele mesmo acabou com a credibilidade dela. O Fluminense entrou na dividida com o Fla, e na calada da noite mudou de idéia.  Eurico é fechado com os amigos, não com o melhor pro Vasco, imagine pro Futebol. E o Botafogo se abstém de posição.

Ninguém vai a lugar algum.

Domingo tem semifinal que não vale. Depois final que não vale.

Aí os jogos que valem por um torneio que pouco vale.

Mas valeu 200 reais de alguns otários que foram assaltados hoje em Cariacica.  Mas você, cheio de marra, acha que está protestando certo contra CBF, FERJ e outros representantes da mentira bem contada que é o vitimismo dos clubes diante dessa merda toda.

abs,
RicaPerrone

Porque Márcio Araújo?

Pode parecer indiscutível a “não titularidade” do Márcio Araújo a qualquer rubro-negro que espera dos seus um talento mínimo para estar entre os 11. Mas quando se fala de tática, é simples e quase provável que Márcio Araújo seja titular do “Flamengo ideal”.

Tá maluco, Rica? Tô, não.

O cara tem 32 anos, não joga grande coisa de fato. Tem poucos títulos, embora tenha jogado em 2 times grandes antes do Fla, é um jogador comum em fim de carreira. E só.

O ponto não é “a qualidade do Márcio Araújo”, mas sim a “função do Márcio Araújo”.

É aplicado, faz o que o treinador manda, não tem a vaidade de tentar buscar uma jogada de ataque por 90 minutos se necessário.  O Flamengo hoje joga numa linha de volantes com 2 caras que sabem jogar, mas que marcam pouco. Não são daqueles jogadores cujo a função número 1 é brigar pela bola. Arão e Rômulo seriam, 10 anos atrás, dois “segundos volantes”.

Um dos zagueiros do Flamengo, seja o Rever ou o Juan, é um cara bem lento de mais idade. Não dá pra correr o risco. Precisa proteção.

Quando joga o Marcio Araujo, você não apenas protege os zagueiros com um “falso terceiro zagueiro” – Um Jailton em 2017 – como também devolve a Arão e Rômulo seu melhor posicionamento.

Dá mais tranquilidade para os laterais, dá mais condição pro Diego estar perto da área sem tanta obrigação de recompor. Márcio Araújo, talvez, seja um “mal necessário”.

O Flamengo com ele jogou um primeiro tempo muito bom no Chile e não saiu vencendo por detalhes. Não porque ele mudou o time tecnicamente, mas porque sua posição tática devolve ao time alguns talentos se sacrificando menos pra recompor.

Eu apostei em janeiro, vocês se lembram, que o Flamengo rodaria, rodaria, e terminaria com ele no time.  Por isso. Ninguém no elenco do Flamengo faz a função Márcio Araújo.

Ou vocês acham que alguém joga anos no Palmeiras e no Flamengo de titular sob o aval de variados treinadores sendo fraco tecnicamente porque?

Márcio Araújo não joga muita bola. Mas sua presença melhora o futebol do resto do time. E isso as vezes compensa.

abs,
RicaPerrone

Tuas idéias não correspondem aos fatos

Willian Arão é a mais nova prova viva de que nosso futebol jamais dará passos relevantes com o sistema de clubes sem dono.

A falta de dono envolve também a falta de filosofia e de um “amanhã”, afinal, amanhã nenhum deles será presidente de clube e dane-se o que vai ser do futebol.

O Flamengo, que prega ser o diferenciado, profissional e “novo”, acaba de assinar mais um atestado de que é mais um clube brigando pelo dele e foda-se o resto.

Não me importa se Arão está dando sopa ou não. Quando ele não cumpre um acordo que fez com o Botafogo e arruma algo no Flamengo o malandro se deu bem. E quando ele se dá bem todos os demais jogadores entendem que podem fazer o que for, inclusive com o Flamengo, que sempre haverá uma porta aberta ali do lado.

Burrice. O Flamengo está fomentando uma atitude que amanhã com absoluta certeza alguém usará contra ele.  É um ciclo, e ninguém sai ganhando, só o Arão.

Esse assina com o Bota, muda de idéia sobre o que assinou, muda de camisa e foda-se. “Malandro”, o Flamengo levou de graça.  “Mané”, o Botafogo perdeu o jogador.  E o futebol brasileiro segue assim, com um bando de gente fazendo discurso profissional agindo ainda pela malandragem da década de 80.

Ninguém é santo. Mas também podiam ser menos burros.

Parabéns, Arão! Tem dois clubes brigando por você, “malandrão” que descumpre o que assina.

abs,
RicaPerrone