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Se eu fosse o Abel…

Se eu fosse o Abelão hoje pediria demissão ao vivo após o jogo. Juntava a imprensa, olhava pra eles todos, agradeceria o time, a diretoria e faria o anuncio antes mesmo de avisar aos chefes. Chocante, desconcertante, redentor.

Iria pra casa e me aposentadoria. Épico.

Querem outro? Pois que coloquem. E se é pra eu sair, quero ouvindo os aplausos. Quero com o abraço do elenco num Maracanã lotando se postando contra a própria torcida.

Certos, errados? Não importa. Me refiro ao Abel, não a razão ou não das vaias e críticas. Eu achei as alterações erradas, mas devemos concordar que ele foi convicto no que acredita e não mudou pra agradar torcedor mesmo vendo o mundo desabar.

Deu certo? Mais ou menos. Virou, venceu, mas jogou mal de novo. Talvez por essa situação onde é improvável que se reverta a pressão com a falta de qualquer necessidade de passar por isso por parte do treinador, eu pularia fora.

Não estamos falando de um novato. É alguém que ganhou tudo já, que não precisa mais e está ali por amor a profissão ou por mero desafio.

A coisa já era complicada, a pressão existia e é exagerada, embora seja válida. As vitórias do rival Fluminense e o futebol apresentado pioraram muito a situação do Abel.  Na sexta e no sábado, enquanto as imagens do toque de bola do Flu rodavam a web, se tornou uma reação padrão entre os rubro-negros mais influentes no clube comparar e atrelar.

“É inaceitável que eles tenham um padrão com esse time e nós não”.

E sim, é. Não que eles tenham, mas que o Flamengo não tenha nada a mais pra apresentar do que apresentou hoje, por exemplo.

E por mais que ganhe força, por mais que haja a parada e que venham reforços, eu não consigo imaginar um ambiente de paz na Gávea. Assim sendo, o vilão está eleito. E hoje, vingador, herói do cenário que desenhou como vilão, seria uma grande oportunidade para os três.

Flamengo tem a Copa América pra buscar, ele sai por cima e vai descansar e a torcida pára de encher o saco.

Mas o cara é cascudo. Talvez o “alívio” que eu imagino estar sugerindo pra um competidor seja um tormento. E a tal “paz” que eu sugiro seja a taça nas mãos e não as férias em casa.

RicaPerrone

Quando a derrota é o menos importante

São 23h46 quando ligo pra um amigo tricolor para falar do jogo que acabei não indo por outros compromissos. Ele atende bem melhor do que eu esperava, sem voz de enterro, com alguma dose de sarcasmo no tom.

Não lamenta, nem defende o time. Só xinga uma vez e muda de assunto.

Eu insisto no jogo. Ele concorda, não reage, muda de assunto.

Então eu faço uma piada, que é pra causar a irritação e a resposta. Ele ri, aceita o golpe e não se importa. O pergunto se está tudo bem, pois sei o grau de fanatismo. Ele diz que sim, que “esperava”, e que será rebaixado domingo.

Eu digo que não, que tem que acreditar, que é só um empate. E ele explica sem ironias que “acha que merece o rebaixamento”.

Desligo. Devo ter ligado errado.

Abro meu instagram e lá na direct tem uma mensagem que diz o seguinte: “Talvez você não leia isso, mas hoje o Fluminense perdeu um torcedor. Não merecemos o que a administração fez com o clube. O apequenou. Prefiro parar de torcer pra essa vergonha e me ocupar com outras coisas. Hoje perdi a vontade de acompanhar futebol”.

Não sei quem é. E sei que ele vai mudar de idéia. Mas sei que de todos os sentimentos do mundo que um clube pode gerar num torcedor esse é o último. A indiferença ao ponto do abandono.

Desistir. Repensar o que você dedica a ele.

A Sulamericana que se foda. Até mesmo a série A, sendo bem honesto. O problema da torcida do Flu hoje não é com a divisão ou com a final. É com a honra.

Eles nem queriam a vaga. Queriam a vitória. Ou um empate injusto de quem merecia vencer.  Sair gritando “guerreiros!”e não sair mudo porque nem protestar dá vontade.

Um dia um dirigente do clube disse no Conselho que, para ele, o Flu era o Fullham do Brasil. E então trabalhou até transforma-lo nisso.  Quem não sabe o tamanho o peso do que vai carregar quase sempre derruba.

Que merda vocês fizeram com o Fluminense.

RicaPerrone

Aguirre é mais do mesmo

Nunca gostei, reconheci o bom começo mas também nunca me iludi com o futebol jogado. Resultados as vezes não são o que estamos assistindo.

Aguirre é um treinador comum, covarde, motivador, sem nenhuma característica surpreendente ou extremamente negativa. É apenas “mais um Silva”.

Hoje no Morumbi tirou o melhor do time, enfiou um 442 convencional com 2 linhas de 4 e esperou que Reinaldo e Rojas dessem uma bola na cabeça do Diego ou do bom Carneiro.

Tão bom que foi substituido. Parece proibido jogar bem.

O São Paulo não tem um timaço, nem um timinho. E se em momentos do ano teve classificação de timaço, o futebol apresentado em momento algum deixou de sugerir um timinho.

O campeão não pode jamais aceitar ser mais do mesmo. E o Aguirre é isso.

abs,
RicaPerrone

Insistam!

O rubro-negro vai dormir puto, é natural. Perdeu na Libertadores e mesmo sendo bem razoável a derrota lá como foi no Chile, há um sentimento de frustração nos dois jogos pelo que foi apresentado.

E então eu lhes digo: insistam!

Não desistam, não procurem vilões, nem atormentem o clube por resultados absolutamente comuns. Não transforme a rede social na “torcida do”.  É uma micro parte dela. Respeite, mas não aceite. O Flamengo jogou outra boa partida.

Ah mas perdeu…!

Calma aê, irmão! Perdeu foi gol pra cacete. Time que cria, é pouco ameaçado, tem a bola e perde 4 gols embaixo da trave não tem nada que reclamar além da pontaria. O resto todo funcionou.

Posse de bola maior que a do rival, jogando fora. 18 chutes a gol, apenas 10 faltas cometidas, 400 passes trocados, 90% de acerto. Os atacantes todos tiveram a bola do jogo, e hoje nenhum acertou. E o time não tinha seu principal jogador.

Zero críticas ao treinador. Quem armou o time pra jogar a boa partida do Chile e a de hoje foi ele. Se a bola não entrou, na conta de quem finalizou.

Desempenho é o que o profissional analisa. Resultado é o que o torcedor analisa.

Insistam! O Flamengo tem um bom time, joga um bom futebol e por detalhes técnicos não está conseguindo vencer jogos bem relevantes como esse. Mas a bola vai entrar. Uma hora ela vai entrar.

abs,
RicaPerrone

A estréia da nação

Eu seria capaz de contar o jogo de hoje sob a reação de uma torcida ainda viciada em estaduais e torneios de futebol convencionais. O Flamengo sofreria o 2×1, perderia o Diego, surgiriam as vaias ao Cirino, o pânico na arquibancada, a insegurança no time e… 2×2.

Arrisco até que seria gol do Grafite. De cabeça, numa falha do Rever, talvez.

Crise. Zé Ricardo ameaçado, a vaga nas oitavas “por um fio”, o Rodrigo Caetano na corda bamba e “O Brasileiro é obrigação”.

Ah, Flamengo… você as vezes é tão previsível.  Mas não é que, “hoje não”?

Talvez pelos anos passando vergonha no torneio, talvez pelos exemplos recentes de Galo, Corinthians e outros brasileiros, o rubro-negro pela primeira vez na vida jogou uma partida de Libertadores.

Sim, “jogou”. Porque a idéia de que torcida em Libertadores assiste jogo é ignorância. Torcida joga, empata, perde, vira, sofre falta, toma cotovelada e também dá.

Faz 38 anos que eu vejo o flamenguista não entender a diferença de um torneio pra outro.  A cobrança é na mesma proporção do apoio, e isso faz do Flamengo uma bomba relógio pro bem e pro mal.

Hoje, repito, pela primeira vez, eu vi a torcida do Flamengo jogar uma partida de Libertadores.

É Cirino? Então aplaude! É Gabriel? Então é craque!  Tá feio? Foda-se! É 2×1, no sufoco, com emoção, alterando bons e maus momentos.  É Libertadores!

Vaia domingo. É estadual, dá tempo.  Faz analise na terça que vem. Tanto faz.  Mas em dia de Libertadores, apenas jogue. Porque quando você quer jogar, flamenguista, você joga pra caralho.

abs,
RicaPerrone

Alguém vai ter que fazer

Eu não sei se é claro pra vocês quanto é pra mim que o futebol brasileiro começa a pedir união, profissionalismo e liberdade.  Sei que o que CAP e Coxa fizeram ontem foi um passo importante, mas que não me convence pela estrutura.

Explico.

Coxa e CAP são rivais. E a Federação, a tv, seja lá mais quem for, sabe que em algum momento seus dirigentes vão soltar as mãos e rachar. Simplesmente porque os dois lados tem torcedores apaixonados comandando seus clubes, não gestores isentos de paixão.

A Liga prova isso quando em 86 foi criada em 2007 renegada por um de seus criadores (meu time) pela taça escrota de bolinhas. E em 2015 mais uma vez, quando o Flamengo fez tudo que fez pela Primera Liga e entrou com time reserva na semifinal dela pra priorizar o estadual.

Ou seja, todos tem um indício de revolução, mas esbarram no clubismo.  Ontem eles foram “fortes” e não jogaram. Mas se amanhã a tv der 200 pro CAP e 180 pro Coxa, o CAP deixa de jogar por achar que os dois merecem o mesmo? Sabemos que não. E sabendo disso a TV e as federações deitam e rolam nas nossas costas.

A única saída possível é a venda dos clubes. Simplesmente porque onde se privatiza algo o dono zela pelo NEGÓCIO dele e não pela vontade de ser campeão apenas.  Não há profissionalismo com paixão acima da razão. E estatutariamente o futebol brasileiro impede o profissionalismo.

Quem tinha que fazer o que Coxa e Cap fizeram ontem era Flamengo, Corinthians, Galo… os que ganham muito mais. Os que “podem”  dizer “foda-se” e bancar isso. Óbvio que CAP e Coxa não podem e nem tem mídia pra segurar isso muito tempo, o que aumenta a dignidade da postura e da coragem de ambos.

Mas tem que ser todo mundo.

Enquanto um fizer e os outros assistirem, nada muda. A TV e a Federação sabem que tem vocês nas mãos no momento em que vocês apertam um calendário de um ano pra jogar um torneio falido como o estadual de 20 datas.  Eles sabem que pagando vocês aceitam tudo e que o máximo que farão é mentir pra torcedor reclamando em novembro do calendário que você assinou em janeiro.

Só os clubes podem mudar isso. Não tem CBF, Federação e Globo. Apenas os clubes grandes do Brasil pode sentar numa mesa e dizer: “agora é assim”.

Mas não vai acontecer. Porque eles morrem brigando por uma fatia maior de um bolo pequeno, ao invés de brigarem pelo aumento do bolo todo.

abs,
RicaPerrone

Devotos de Portaluppi

O gremista tem seu super herói.  Renato não usa capa, nem tem super poderes, mas é o maior exemplar da espécie masculina alpha plus já encontrada.

O cara tem mais de 50 anos, campeão de tudo, ídolo de 3 ou 4 clubes grandes num só país, bonitão, vive tomando chopp em Ipanema, pai da Carol, trabalha quando quer, e quando trabalha faz história.

A história o persegue, eu diria.

Hoje a Arena tinha tudo para viver uma noite comum, até melancólica. Até que Grohe assumiu parte do roteiro pra si e falhou.  Pronto, estava desenhado o drama.  E nada poderia ser mais marcante do que Renato e Espinosa juntos de volta ao Tricolor, com pênaltis épicos e intermináveis na Arena.

O vilão virando herói, o herói de lá virando vilão.  Grohe deu ao Grêmio uma vaga que sua má fase quase tirou. E Renato já chegou fazendo do Grêmio mais Grêmio.  Suado, sofrido, quase impossível.  Copeiro! Classificado.

Salve Portaluppi! O quanto ele é bom treinador, não sei.  O quanto ele é parte do futebol brasileiro, incontestável!

abs,
RicaPerrone

Sem direção

Se me mandassem apostar os meus últimos reais num clube que estaria priorizando uma competição no país, diria “Flamengo e a Liga”.  É óbvio, ele que brigou pra ela existir, ele que fez o maior barulho pra ela valer.  Ninguém quer mais que essa Liga exista do que o Flamengo.

E então, numa quarta-feira qualquer, de olho num Volta Redonda x Flamengo do sábado seguinte, Muricy resolve poupar jogadores titulares.

Perdeu, está fora. Não haverá Fla-Flu na final e não fosse o Paulo Vitor o final da partida poderia ter sido ainda pior, desta vez já com os titulares em campo.

Eu não vou entrar no mérito do Muricy e sua filosofia de trabalho que prejudica seu desempenho em mata-mata.  Ele é contra qualquer motivação extra e portanto seu time entra igual em todos os jogos.  Em jogos decisivos, costuma jogar como outro qualquer, logo, leva desvantagem.

Mas se não bastasse essa preferencia contestável, porque diabos o Flamengo entrou com alguns reservas hoje?

Sob qual argumento aceitável isso aconteceu? Vou além: Orientado por que tipo de liderança essa decisão foi tomada?

Em que momento numa hierarquia profissional alguém permitiu que o “gerente” tivesse escolha sobre as prioridades da empresa determinadas pelo presidente e diretoria?

Que merda foi essa que o Flamengo pregou e fez durante os últimos 3 meses para chegar onde queria e “poupar” time?

Não faço idéia de quem foi a decisão, mas desconfio que a autorização seja do chefe. E sendo, me soa um tanto quanto fora de rumo tudo que foi dito até aqui sobre a temporada, as prioridades e o que o clube tem como objetivo.

Hoje, taticamente, tecnicamente, tanto faz. Não entendi nada. Apenas a eliminação, por sinal, justa.

abs,
RicaPerrone

Queiram muito!

Quanto vale a conquista da “Primeira Liga”?

Um título que merece volta olímpica? Festa na cidade? Torcedor emocionado?  Ou mais uma Copa Conmebol que vai ensaiar e morrer em breve?

Nem eu, nem você, nem mesmo os clubes sabem o que será da Primeira Liga.  Fato é não sabiam o que seria o Robertão, e virou Brasileirão, com enorme justiça atrelando os títulos dos dois campeonatos.  O mesmo não digo da Taça Brasil, que deveria ser atrelada a Copa do Brasil e não ao Brasileirão.

Seja lá como for, o primeiro campeão da Liga não tem idéia da importância do que estará ganhando. É um título de gaveta. Talvez, em 10 anos, você seja o grande campeão de 2016 da Liga. Talvez, um torneio de verão que deixou de existir.

Eu faço todos os votos do mundo pra que os paulistas se juntem a isso e acabem de vez com federações e esse sistema antigo e que nos prende a velhas jogadas políticas ao invés de evoluirmos pro óbvio.

Mas não sei. Nem ninguém sabe.

Na dúvida, o queiram muito! Você pode estar perdendo tempo, ou ganhando um título que hoje você não sabe nem como comemorar, mas em 10 anos saberá como jogar na cara de todo mundo se conquista-lo.

abs,
RicaPerrone

Um péssimo resultado

Pouco importa a atuação quando nela faltam tantos titulares e o melhor do time surta e vai expulso. Fica difícil avaliar qualquer coisa relevante nesse cenário.

O que importava, então, era o jogo e o campeonato. Em “casa”, num grupo onde deu o azar de enfrentar o grande fora (Cruzeiro)  o Fluminense tinha esse jogo como chave.

Era vencer o CAP, tentar algo com o Cruzeiro e vencer o Criciuma, também em casa.  É curto, tipo Copa do Mundo, daquelas onde a Costa Rica passa no grupo da Itália e Inglaterra, sabe?

Pois é.

Sem Fred, suspenso, o Fluminense volta a jogar pela Liga no Mineirão contra o Cruzeiro, onde pode selar sua eliminação ou encontrar forças para retomar a condição de um dos favoritos.

Hoje, a pior das estréias deixaria o Flu sem pontos, o Criciúma vivo e o Fred fora do próximo e mais difícil jogo do torneio.

E foi exatamente o que aconteceu.

abs,
RicaPerrone