bahia

Espera-se muito mais

O ano do Flamengo não é fácil. Ao contratar um timaço e no meio do ano ir buscar um “renomado” treinador portugues caríssimo, espera-se dele o que não se espera de mais ninguém.

A cobrança cresce desproporcionalmente na medida em que isso acontece num time de massa onde o “8 ou 80” é regra. A fase de esperar está no limite. O torcedor do Flamengo quer resultado e com alguma razão em virtude do cenário.

O resultado contra o Emelec lá foi fruto de uma dose de azar. O de cá, nem tanto. Embora não tenha sido pênalti, o time tenha passado o segundo tempo quase todo jogando de igual pra igual.

A eliminação na Copa do Brasil, “a grama”. Não foi só isso, pois houve jogo no Maracanã. O 3×0 do Bahia também não pode ser ignorado, é uma puta derrota.

O problema talvez seja essa mania de ter que estar lá ou cá. Ou você acha Jesus, Jesus. Ou acha ele uma enganação. E não é uma coisa nem outra. Apenas não há revolução alguma no futebol do Flamengo ainda.

Melhorou? Algumas coisas. É uma curva ascendente notável? Ainda não.

Esse Flamengo que optou por comprar um sonho ao invés de construí-lo é uma tentativa ousada de brigar com sua história. E mesmo vivo em dois campeonatos, em momento algum o torcedor se convenceu do que está vendo. E já estamos em agosto…

Tá na hora de firmar um padrão, uma postura e alguma regularidade.

RicaPerrone

Fidelidade


Enfim, o Grêmio voltou a jogar como funcionava. Foi fiel ao seu estilo de jogo, a posse de bola, a não queimar pro gol de qualquer jeito. E também por fidelidade, parou na defesa do Bahia.

Renato tem no André um desafio, não um centroavante.

Antes do jogo falavam que o Luan seria o “falso 9”.  Me desculpem mas “falso 9” é o Andre, que nem faz o gol nem o pivô.  Ou seja…

Renato hoje errou na escalação e mais ainda em insistir no erro. Mas ao final dos primeiros 45 minutos o Grêmio era merecedor da vitória e dos aplausos. Tomou um gol absurdo no começo do segundo tempo e desde então bateu na barreira do Bahia.

É muito curioso ver como o futebol passa longe da lógica. Bahia e Grêmio tem, respectivamente, os melhores jogadores da Libertadores 2016 e 2017. Ambos hoje no banco.

Empate é ótimo pro Bahia, que decide em casa. E o espaço que o Bahia vai ter que dar na volta é ótimo pro Grêmio, que não tem conseguido furar as defesas coletivamente.

Nada decidido. Apenas que a fidelidade as convicções as vezes ajuda, em outras atrapalha.

RicaPerrone

Foda-se o Leco

Se o presidente do SPFC fosse o Lula, a diretoria toda formada por empreiteiros e o departamento de finanças orientado pelo Eike Batista, ainda assim não justificaria.

Uma coisa é um clube perdido, outra coisa é um time desinteressado. Se encontram em algum momento da discussão, é claro, mas num geral podem se isolar um do outro.

Basta ver que alguns dos maiores times da história do futebol ganharam tudo enquanto péssimas diretorias estupravam seus clubes.

O São Paulo como time parece tem elenco, bons jogadores, CT pra treinar, estrutura, torcida, camisa e até onde a gente sabe pagam em dia.

O técnico é bom. Aliás, foram vários treinadores nos últimos anos buscando absolutamente a mesma coisa: um pingo de comprometimento.

Uns ofensivos, outros retranqueiros. Todos esperando o time se doar de fato. Entra ano, sai ano, entra reforço, sai promessa, nada muda. O São Paulo caminha em campo quando decide. Assiste passivamente derrotas e empates exatamente nos jogos onde o torcedor mais espera que, no mínimo, alguém rasgue a cara na grama por nós.

Morre. Mas morre atirando. Não nos dê a vergonha de ter que olhar os tiros que te mataram nas costas e nenhuma pólvora nas mãos.

Hoje após o gol do Bahia eu senti vergonha.

Num dos lances, o time precisando fazer dois, os volantes parados atrás do meio campo, um meia carregando a bola, os 3 lá na frente plantados pedindo um lançamento longo e o resto do time todo atrás da bola, no campo de defesa sem que nenhum deles sequer saísse de sua posição.

Parecia um time de botão.

Não é a primeira nem a décima eliminação sem luta. É uma rotina, uma humilhação constante. Perder é do jogo e, aliás, parabéns ao Bahia. Mas não brigar, fazer dessa camisa um “tanto faz” é inaceitável.

Um dia um funcionário antigo e competente do SPFC me encontrou após uma dessas eliminações recentes. Perguntei: – O que acontece, irmão?

“Tem que mandar embora todo mundo, inclusive eu!”.

E não, ele não se refere ao trabalho dele ser ruim. Mas ao ciclo, ao ambiente, a barriga cheia. Um clube acomodado em suas glórias que, como diz o hino, vem do passado. E ao que tudo indica, lá ficarão.

RicaPerrone

Imponderável?

É óbvio que em 2 jogos contra o Bahia em casa o São Paulo deveria fazer 6 pontos. Não se trata de um clássico nem mesmo de um jogo entre dois gigantes. Ainda mais hoje em dia onde a diferença entre os clubes do nordeste e sudeste aumentou absurdamente em virtude dos valores envolvidos.

Mas nos dois jogos o São Paulo cometeu o mesmo erro. E o Bahia, disposto a fazer cera e achar uma bola, achou. Esse papo de “o Bahia foi melhor” é brincadeira, média com torcida de time vencedor. O Bahia não fez quase nada em 90 minutos, só esperou, fez cera e deu alguns pontapés.

A tática é deles, aceitável, mas dizer que isso é “jogar bem” me soa como estupidez. Jogar bem é ter a bola, criar, não ser muito ameaçado. O Bahia não fez nada disso. No máximo evitou o jogo e conseguiu bloquear o SPFC de chegar ao gol.

São Paulo que passou de um time coletivo pra um time com talentos individuais tentando fazer jogadas individuais. Não há mais tabelas, mas sim a busca pelo drible que resolve. E hoje em dia, não sendo o Messi nem o Neymar, não resolve.

Além disso tem o fator imponderável chamado “Copa do Brasil”. O São Paulo precisa parar de comprar meia e atacante e ir buscar um pai de santo ou um técnico da NASA pra explicar que diabos acontece com esse clube nesse torneio.

O bom do São Paulo até o jogo com o Goiás era a troca veloz de passes. Os passes acabaram, o time afunilou e quer resolver driblando. Não me parece uma mudança tática, mas sim o ímpeto dos meninos em resolver o jogo.

Mal? Não chega a tanto. Jogou por exemplo bem mais que o Bahia. Mas perdeu um jogo decisivo. A diferença de outros momentos é que agora o SPFC tem um treinador que eu confio e que vai corrigir. Antes eu não tinha essa esperança.

RicaPerrone

Não precisava

O Airton não pode levar essa sozinho, embora tenha partido dele a péssima atitude no final do jogo no Maracanã. Outros jogadores participaram do lance e não vimos ninguém em campo pedir pra que o lance parasse e a bola fosse pra fora.

O Fluminense é um clube enorme e tradicional. Se a algum de seus torcedores o possível último ataque valer mais do que a sua digna imagem mundial – porque essa merda vai rodar o mundo – é porque esse torcedor não sabe o tamanho do clube que torce. 

Fair Play é palhaçada contra time que faz cera, com lances onde alguém se joga, etc.  Quando um jogador seu cai, o adversário lhe dá a bola e você não devolve não é hipocrisia. É covardia. 

Lances como esses elevam o torcedor no estádio. Eu entendo. Ali, na arquibancada, também faria isso. Mas não podemos de cabeça fria achar que o clube ser representado dessa maneira é algo legal. 

O Bahia jogou bem, o Flu nem tanto hoje. O resultado é justo, embora eu ache o gol impedido por milímetros. O que não é justo é o Fluminense ter sua imagem manchada por uma atitude idiota de alguns jogadores mais afim de agradar torcida organizada do que os filhos em casa.

O Fluminense não precisa disso.

abs,
RicaPerrone

Um recomeço

Se havia um cenário ideal era o 3×0, os pênaltis, a vitória e São Januário em êxtase vibrando com a virada do Vasco.  Era improvável, se tornou possível, passou pelo provável e terminou como um sonho quase alcançado.

A vaga não veio, mas hoje o Vasco buscou mais do que 2 gols de diferença.

Não por um jogo brilhante, mas por uma atuação digna da camisa que ostenta. E quando bem ostentada ela reage através de sua torcida. Os aplausos no fim são merecidos porque o Vasco é um clube que pode perder, desde que perca de cabeça erguida.

Já quase pisoteado na Bahia, o time conseguiu se reencontrar, mostrar algo bem melhor hoje e terminar em pé, mesmo que eliminado.

Clubes não vivem de vitórias. Vivem de grandeza, história, paixão e poder de reação.  Se o Vasco é hoje um clube estuprado pelos seus ex-presidentes e conselheiros, mais importante do que ganhar ou perder é se aproximar do clube que ele foi e deve ser sempre.

O time da virada. Pra hoje, faltou pouco. Pro Vasco, falta muito.  Mas é bom vê-lo recomeçar a temporada com cara de Vasco e não aquele saco de pancadas que entrou de férias em junho.

abs,
RicaPerrone

É a história

Eu sei que você espera mais um texto cheio de clichês sobre “a humanidade não deu certo”, “cenas lamentáveis”, “até quando…?”, etc. Mas não vai rolar.

Primeiro porque qualquer sujeito por mais estúpido que seja sabe que “lamentamos” a briga. Gostaríamos de um jogo sem a violência, embora ela seja tradicionalmente parte do show. E sim, toda vez que houver uma disputa de muita rivalidade e contato físico, haverá o risco de briga.

Na sua rua, no seu colégio ou na Copa do Mundo. Pessoas são pessoas e não há cargo ou faculdade que faça alguém ter total equilibrio sobre seus sentimentos e instintos.

A cara de “Ohhh que surpresa!” da mídia me irrita um pouco. Não é a primeira, nem a última. E qualquer pessoa que viva futebol sabe que isso acontece de vez em quando. Talvez não com tantos expulsos, mas eu já vi umas 10 brigas bem piores que essas.

Sou a favor do direito do jogador em provocar. E do direito do rival em reagir.

Como ele vai reagir? Não sei. Mas se ele agredir, cartão vermelho. Se só tirar satisfação, amarelo. Existem regras que protegem todos os tipos de reação. Basta arcar tanto com a provocação quanto com a reação.

Eu adorei as embaixadinhas do Edílson. E adorei o pontapé do Paulo Nunes. Simplesmente porque é parte do jogo você tomar uma atitude debochada, e também causar uma reação exagerada.

Não se trata de politicamente correto ou não. Trata-se de cobrar os cartões, condenar quem agrediu, JAMAIS condenar o direito a tirar um sarro na hora do gol, e segue a vida.

É feio. É lamentável. Mas em 10 anos expira o discurso de 100% das pessoas e numa mesa de bar todos dirão com a cerveja nas mãos: “Porra, lembra daquele Ba-vi?!”. E que esquecerá?

abs,
RicaPerrone

Mascotes modernos

O ótimo ilustrador Eddie Souza fez uma releitura dos mascotes dos times brasileiros.  E olha que maneiro ficou! O do Bahia tem um detalhe genial! 

Curtiu? Eu também!

Boa, Eddie!
https://www.eddiesouza.com.br/

abs,
RicaPerrone

Tudo sob controle

Uma vez eu cheguei na concentração da minha escola de samba na Sapucaí e parecia que o mundo ia desabar. Nada funcionava, as fantasias estavam incompletas, a luz do abre-alas não funcionava, e o carnavalesco estava ali, fumando, olhando pro nada calmamente.

Eu fui até ele em desespero e disse: “Oi! E ai? Vai dar? Quer ajuda?”.  Ele balançou a cabeça de um lado pro outro e disse: “É assim mesmo”.

Naquele momento eu não sabia ainda que faríamos um desfile “ok” e terminaríamos numa colocação “ok”.  Mas eu sabia que não sairia nada brilhante dali.

Tenho comigo que qualquer pessoa que mexa com entretenimento e portando reações de pessoas, deve ter os olhos brilhando, as veias saltando no pescoço e em algum momento sair do controle.

Não porque perder o controle é positivo. Mas porque ser parte do sentimento que envolve aquilo é tão ou mais importante quanto a frieza de administrar a situação.

Zé, eles não querem que você escale esse ou aquele. Eles querem que tu chute a porta.  Eles olham pra você e não enxergam o líder. Eles enxergam o Parreira.  Sempre a mesma cara, o mesmo tom, a mesma reação.  Tudo sob controle.

E quem é que quer controle no futebol?

Esses caras, e me refiro a torcida não ao time, querem você tão puto quanto eles quando não funciona. E veja que falamos de uma gente puta em terceiro lugar. Ou seja, não é resultado. É desempenho.

Não se trata de quantos gols, mas como eles foram marcados. Não se trata de ganhar apenas, mas sim de brilhar. O hino diz, ouça-o! Vencer, vencer, vence! Mas… o maior prazer é vê-lo BRILHAR!

E ninguém brilha com essa simpatia pela nota 6.

 

Arrumem as finanças, paguem em dia, estruturem o clube, mudem o Flamengo todo! Mas não tirem dele a graça de ser o que é.  E isso aqui não é Flamengo.

abs,
RicaPerrone

Os pés no chão levam além

O Vasco venceu o Bahia numa atuação “ok”  hoje pela manhã. Mas teve mais em cima desse jogo, bem mais.  E ao contrário do que o vascaíno pensa quando se revolta com as piadas sobre a imagem dos “45 pontos” vazadas pelo Douglas na preleção, ele deveria ficar feliz.

Quando um time entende o cenário, as chances dele errar diminuem.  O Vasco não precisa se desesperar por 45 pontos, mas a sua primeira meta é sim a de fazer 45.

Depois, quem sabe, sonha-se mais alto, como fez brilhantemente o Botafogo em 2016.  Mas ele não entrou no campeonato pra buscar 60 pontos. Se tivesse entrado, talvez não tivesse nem evitado o rebaixamento.

O senso de realidade, somado ao apoio do torcedor fará do Vasco mais forte do que ele pode ser naturalmente.  A torcida não foi ao estádio hoje porque esperava um espetáculo, mas sim porque concorda com os 45 e sabe que pode ajudar.

Esse ambiente, esse entendimento podem fazer o Vasco ir além dos 45.

A cobrança, o medo do que “vão pensar” quando se assume essa condição, podem leva-lo ao quarto rebaixamento. Não é time pra cair, nem pra ser campeão. Mas por tudo que envolve o Vasco hoje, é bom evitar a queda primeiro.

E não, não há nenhum problema em reconhecer isso. Problema seria o torcedor ir a Sao Januário encher estádio pensando em título.  Não foram. Não haverá surpresa.  É só amor. Sem cobrança, com pressão, perdão, mas uma motivação: manter o Vasco vivo até que os “sequestradores” o devolvam.

abs,
RicaPerrone