bolivia

Acadêmicos do Vasco da Gama

Ja é quinta-feira.  Chove no Rio de Janeiro como há tempos não chovia. Falta luz, o transito está um caos, há indícios de alagamento e até em show já deu merda.

Há dois lugares na cidade em que não falta luz, não alaga, não há qualquer preocupação e essa “garoa” é só pra refrescar: Nilópolis e São Januário.

A primeira comemora mais um título. O segundo comemora ainda sem saber se já pode. Mas pode. É claro que pode.  Deve.

O Vasco encontrou sem Nenê uma forma de jogar coletiva, que não obriga a equipe a ir numa direção.  Se com saudades do ídolo ou não, outros 500. Mas é fato que o time ficou mais leve.

Fez 10 gols em 3 jogos, não sofreu nenhum.  Está com os pés na fase de grupos, aterrorizando a noite daqueles que juravam que seria um fiasco.

Zé, o “culpado” de lá, pouco pede holofotes. Mas merecia. Seu time sabe exatamente até onde pode ir, como e joga perto do limite.

Não dá pra dar show. Mas dá pra entender que o coletivo é a única salvação deste Vasco. E através dele o time se encontrou, destroçou os dois adversários e segue firme na Libertadores que pra muitos era tombo certeiro.

A luz voltou. A chuva diminuiu.  Não há nada alagado e só não vai abrir o sol porque não tem como.

Avisa lá que altitude é distância do nível do mar. Grandeza é a distância que separa o Vasco do tal do Jorge.

abs,
RicaPerrone

“Bad” boys

O futebol é um universo paralelo onde quem manda somos nós, seus devotos. O mundo clama por gente chata, padrão, muda, que não erra. Nós, no futebol, somos o único mundo possível de não nos rendermos.

Aqui ainda podemos rejeitar a idéia de que um drible bem dado é humilhação, mesmo com 5×0 no placar. Podemos ainda achar que não é errado um jogador que apanha o jogo todo devolver com um leve pontapé na no tornozelo de quem o agrediu.

Podemos e nos permitimos ser coerentes e misturar a saudades do futebol do Romário e do Edmundo a gostar de quando Neymar vai pra noite, pinta o cabelo, sacaneia geral, compra um carrão, mete o dele e toma amarelo por revidar. Sim, gostamos.

Me perdoe o exemplo, porque é um jogador que adoro, mas a seleção brasileira ou qualquer time brasileiro não vai conseguir jogar e representar o tamanho da marra que nossas camisas exigem com um “Oscar”  com a 10.  É o carisma de um pão integral em campo.

Precisamos de Neymar. Gostamos de Neymar. Se não hoje, porque é moda criticar e rede social é pra isso, amanhã quando ele parar falaremos pros nossos filhos num facebook qualquer da época: “Aquilo que era jogador. Não esse fulano ai que nem gosta de mulher e apanha calado”.

É a real.  Somos um universo paralelo que ainda se permite andar fora da linha. Não condene o bom futebol, a falta de gols pela firula com 5×0, o drible humilhante e menos ainda o chutinho pra bola bater no rosto do agressor após a marcação da falta.

Precisamos disso. Somos isso. E não podemos deixar que o futebol perca pro mundo chato e politicamente correto. Simplesmente porque a única coisa maior que o mundo é o futebol. Logo, nós podemos tudo.

abs,
RicaPerrone

Hoy, se puede!

E não precisa nem olhar a camisa. O futebol chegou num nível de competitividade, força, tática e inteligência em campo que qualquer time é capaz de enfrentar qualquer outro time, seja do nível que for.

Quando falamos de seleções, especialmente as que chegam a uma Copa, não existe mais o timinho, o timaço. Não existe na verdade quase nada além da mudança de cores nas camisas.

Todos jogam igual, correm tanto quanto e a técnica, onde se diferencia, não é mais o fator determinante do jogo. É coletivo, compacto e, depois, se der, técnico.

Peru e Bolívia fizeram um jogo com as estatísticas idênticas as de um Brasil x Argentina. Mesma troca de passes, mesmo percentual de acerto, chutes a gol.  É tudo muito parecido.

Não gosto. Acho que nos prejudica, já que nosso diferencial sempre foi técnico.  Acho que a FIFA tinha que rever regras com o passar dos anos.  Mas por outro lado eu não acho que o Chile na final da Copa América será menos favorito do que qualquer outro, seja Brasil ou Argentina.

Eu não acho um absurdo perder pra Colombia. Não entendo como “ganho” o jogo de sábado.

Porque se tem uma coisa que o futebol melhorou nos últimos anos é o equilibrio.  Você pode não ter 70 paraguaios bons de bola. Mas hoje tem 7. E bastam 11 pra formar um time.

Antigamente o Peru não tinha um jogador de qualidade. Hoje tem 4. E com 4 nesse futebol coletivo ele iguala qualquer partida.

Mais do que reclamar, acho que está na hora de revermos também a forma que analisamos futebol e o que esperamos de alguns times.

Ou você duvida a Colombia tirar a Argentina hoje?

abs,
RicaPerrone