brasileirao 2016

Corinthians perde para o vento na Arena

O Corinthians jogou hoje. E pelo que notei, só ele.

Estou confuso.  O time que perdeu, a torcida que protestou, o goleiro que errou, a zaga que falhou, o técnico que deve cair e “o que faltou” ao derrotado.

Essa é a pauta única desde as 16 horas.

Crise! Terrorismo! Ameaças! Até quando? Afinal, o mediocre time do Corinthians é … quinto! E em casa, perde pro líder isolado por 2×0. Oh meu deus! Que absurdo! Como?

As bolas entraram empurradas por espíritos zombeteiros anti-corintianos que puniam os atuais representantes do “manto sagrado”.  E nada disso me faz imaginar não ser altamente questionável o momento, os reforços, as saídas, o treinador, a diretoria. O que não entendi ainda é como a mídia não notou o Palmeiras.

O protagonista da tarde é o time comum que perdeu o jogo, não o líder isolado que ganha um jogo fora de casa contra o maior rival se torna ainda mais líder.

A pauta é alvinegra.  Não há mérito, só falhas.

Quem perdeu? Porque perdeu? Como perdeu? Onde errou?

As vezes no Brasil ninguém vence. Especialmente quando o massacre a um clube vende mais do que a exaltação a outro.  Mas hoje, onde todos os problemas do Corinthians continuaram iguais, o Palmeiras conseguiu vencer o Corinthians após 34 jogos invictos na Arena e….  ninguém viu.

abs,
RicaPerrone

“Mato um, mato cem!”

Ó, que surpresa! Torcedores organizados foram ao CT sábado de manhã e quebraram, roubaram, agrediram e invadiram.  Quem diria?

A camisa de uma torcida organizada no Brasil representa o direito a ser julgado coletivamente e, portanto, livrar-se de qualquer punição por suas atitudes enquanto cidadão.

Você se veste de organizada e vira “a torcida do”.  Mas não. “A torcida do” São Paulo sequer vai no jogo, imagine num CT sábado de manhã. Vamos falar a real, é molezinha!

Uma turma que berra pra quem quiser que mata, que cheira, que é isso, que é Talibã e mais não sei o que não pode ter transito livre em lugar algum. Diria eu que nem nas ruas.

Aí esses caras vão com hora marcada e uniformizados para um protesto e surpreendentemente invadem, agridem e roubam.  Oh! Quem diria?

Senhores, individualizem os crimes e punam TAMBÉM a torcida. Não dêem aos caras o direito de ser “a torcida do”. Eles não são. Saopaulino somos nós, que putos ou não, jamais destruiríamos o patrimonio do clube, menos ainda agrediríamos pessoas por futebol.

Isso aí é gangue. Marginal. Bandido. Gente que tem que ser presa mas que sob o argumento de “eles fazem festa” ficam com direito a tudo.

A polícia vai lá, separa, não prende um e coloca mais um episódio na conta da “torcida do”. A mídia diz “lamentável”, não acha o nome de um boi e segue a vida.

Sabe na real porque?

Porque pro clube é bom que isso aconteça. O jogador reage, a mídia tem pauta negativa que é o que vende e em bando a polícia não tem que caçar ninguém.  É só culpar “a torcida do”.

Amanhã tem jogo no Morumbi. Eu duvido que esses caras vão pagar ingresso pra ir lá. Duvido!

abs,
RicaPerrone

Não fosse o placar…

Nada é mais mentiroso num esporte do que placar de uma partida de futebol. Ele ignora tudo que de fato aconteceu e nos devolve uma avaliação que nos faz sermos apaixonados exatamente pela falta de lógica dele.

Veja você.  O Flamengo, que tem menos qualidade técnica individual do que o SPFC, deu 31 chutes a gol. O SPFC deu 8.

O Flamengo trocou 500 passes, média altíssima, e acertou 89% deles, o que significa um índice de acerto acima da média dos maiores times do mundo. O São Paulo trocou 300, acertou 81%.  Na média.

Os cariocas fizeram 9 faltas. O Tricolor, 19.

O primeiro gol do São Paulo foi irregular e aos 48 teve pênalti pro Flamengo.  Isso tudo só pode resultar numa não vitória rubro-negra no futebol. E é por isso que aqui estamos, domingo, fim de tarde, discutindo essa coisa.

Hoje o Flamengo fez o melhor jogo que vi em 2016. Jogo pra efetivar treinador, eu diria. E o São Paulo, infelizmente, não fez um jogo tão diferente assim do que costuma fazer fora de casa.

O futebol conceito do Bauza é antigo, catimbeiro, de resultado e nada mais.  É o Muricybol porteño, o que não quer dizer que não funcione. Quer dizer que, quando a seleçao perder e houver discurso sobre “mentalidade atrasada”, “forma de jogar” e o caralho, lembre-se que você esteve se fazendo de cego enquanto a bola entrou no contra-ataque. Tal qual o periodo de tosco futebol de 2007/2009 com o Muricy.

Mas é o que importa. De tudo que menos se tira do jogo de hoje, o que realmente importa é o placar. E nele diz que foi tudo igual.

Sabemos que não foi. Mas que graça teria se fosse?

abs,
RicaPerrone

O mais previsível dos jogos

Se o Brasileirão é um campeonato absolutamente encantador pela falta de previsibilidade, o jogo deste domingo na Arena do Grêmio não seguiu a média.

Pelo contrário, se esperávamos algo deste jogo era uma vitória dos mandantes, sem grandes espetáculos, placar magro, um Flamengo mais esforçado porém ainda insuficiente.

Era exatamente o esperado.

Diz o rubro-negro mais apaixonado que é “vacilo”, como se o normal fosse ganhar do Grêmio lá. Não é. O resultado é comum pra este Flamengo, pro de 2009, pra qualquer Flamengo.  A forma de jogar, nem sempre.

Mas como digo desde janeiro, prevendo um cenário de simples vislumbre, o Muricy tentaria adequar o time ao seu esquema. Treinador bom adequa o esquema ao elenco que tem.

O Flamengo, ao contrário do Grêmio, é mal treinado e tem algumas peças.  O Grêmio tem poucas, mas sabe onde consegue ir com elas.

Em 2015 o Grêmio foi onde foi por entender sua limitação técnica. Em 2016 o Brasileirão começa sugerindo algo parecido ao tricolor gaúcho.

Até terça decide-se o futuro do Flamengo na questão Muricy. Mas seja ele, Jayme ou quem for, é mais do que claro que o Flamengo precisa ter mais de uma forma de jogar. Ou, pra ser ainda mais objetivo,  que tenha sequer uma. Porque não tem.

abs,
RicaPerrone

Quem trocou mais passes no Brasileirão?

De todas as estatísticas possíveis, tirando as óbvias de gols, vitórias e pontos, a que mais aproximou a classificação real de um outro dado foi a dos passes trocados.

Os 4 primeiros são, não por acaso, os 4 primeiros do campeonato. Tal qual os dois últimos são os 2 últimos dos grandes na tabela.

Embora não pareça tão relevante num primeiro momento, a troca de passes não está exatamente ligada a posse de bola.  Quase todos eles oscilam entre 50 e 54% de posse. O único que destoa é o Galo, com 57%.

O Fluminense é o campeão da ligação direta.

abs,
RicaPerrone