brasileirao 2017

Cobrando errado

Eu vou insistir, pois toda vez que parte da torcida do Botafogo faz de um momento ruim uma auto-crise, eu fico incomodado pelo tanto de espaço que se cria para ela de fato existir.

Nunca fui contra a vaia. É um direito de quem  VAI AO JOGO. De quem não vai, no twitter, no facebook, de nada adianta. Hashtag não faz efeito em vestiário.

O fato que me faz combater essa vaia é a auto-crise.  É olhar o corintiano viver um momento turbulento no ano e perceber que ele pode dar a crise de presente à mídia ou evita-la. Ele mete 30 mil pessoas num treino e a evita.

O saopaulino, longe de ser referencia de torcida ao longo dos anos, hoje juntou todo mundo pra não cair, e não caiu.

Não vou tentar fazer uma torcida acreditar no poder dela mesma. Mas vou morrer tentando explicar que futebol não é video game. Eles cansam, sentem, perdem, ganham, se machucam e não conseguem jogar sempre a mesma coisa. Em um ano TODOS os times grandes do país oscilaram momentos bons e ruins. O do Botafogo veio agora.

E quando vem, após um ano calando a boca do mundo, o time é cobrado por “fazer corpo mole”.

Senhores, um minuto de sua calma. Corpo mole? Esse time extremamente comum que fez algo muito acima do comum por 14 meses agora vira um time de “vagabundos” em meia duzia de jogos?

Faltam alguns pra acabar o ano. Você pode ir cobrando deles, protestando até dezembro e no dia 4 dizer “eu sabia que ia dar merda”, ou repetir  o apoio da Libertadores e evitar a merda.

Meu ponto é simples: Não é hora.

E esse grupo tem a credibilidade conquistada de não ser acusado de não correr. E aí logo vem um botafoguense e me diz:

– Mas Rica, Corinthians e São Paulo são campeões sempre! Eu não aguento mais …

Ok, tem razão.  Mais um motivo pra fazer como suas torcidas fizeram.

Neste momento você tem meia duzia de jogos pra decidir se cobra ou empurra.  Eu acho uma burrice cobrar, uma injustiça insinuar corpo mole. E o resultado disso é uma crise batendo na porta e vocês ajudando a abri-la.

Seis jogos de apoio não vão matar seus ideais. A Libertadores na vida do Botafogo não é comum, tal qual o G4, algo que de 95 pra cá aconteceu uma vez só.

Estão cobrando do Botafogo atual algo que outros bem melhores não fizeram. E ajudando que neste final não o façam.

Eu vaiaria dia 3 de dezembro. Correndo risco de aplaudi-los. Vaiar agora é a certeza de vaiar dia 3.

abs,
RicaPerrone

Indiscutivelmente discutível

Quando um juiz comete um erro o torcedor fala em “assalto”, a imprensa tenta repetir frases como “o arbitro não tem 20 cameras”, “está na hora da tecnologia…”, blá, blá, blá.

Não há qualquer discussão. O lance acima está impedido. É indiscutível. É uma imagem.

O que se discute, e deve-se discutir é o direito ou não de induzir a paixão do torcedor a rotular um profissional que erra como um sujeito mal intencionado. Um ladrão.

Erro é erro, roubo é roubo.  Você desconfia de erros grotescos, e com bom senso trata erros complicados.

A TV levou mais de 15 minutos pra perceber que havia impedimento. O lance pausado em camera privilegiada mostra um joelho e um ombro a frente.  Repito: impedido!

Daí a considerar a hipotese de sugerir ou insinuar um roubo, que me perdoem os corações machucados deste domingo, mas pra “roubar” 30 cm tem que ser de uma competência inacreditável.

O pênalti é também polêmico. Embora eu também tenha dúvidas, acho que daria.  E sendo duvidoso até as 20h de domingo, não é roubo.

O arbitro errou. Por 30 centimetros. E essa é a unica coisa que temos para dizer sobre o jogo de hoje em arbitragem.

Ou, como sempre digo, se acha mesmo que isso tudo é armado e ainda assiste e discute, és um tremendo idiota.

abs,
RicaPerrone

Quase iguais

Corinthians e Botafogo tem bem mais do que as cores em comum. Pelo menos em 2017 os dois foram movidos por combustível semelhante, atingiram o auge em momentos semelhantes e não conseguem que as pessoas entendam os preços a se pagar.

Os dois eram desafiantes. Ninguém esperava nada deles. Os dois fizeram um grande começo de ano, os dois inverteram a curva física, um deles por obrigação (pré-Libertadores) e o outro por inteligência, quando viu que seus concorrentes a título estavam focados em outros torneios.

Os dois fizeram a coisa certa.

Quem não está fazendo é quem os cobra pela exceção. Sim, nós estamos falando de dois times que você mesmo achava que não iam a lugar algum.  E que hoje os cobra pelo que apresentaram acima.  Mas pra ir acima é preciso ultrapassar limites, inclusive os físicos.

E mesmo que faça de conta que não há uma curva física que tende a ser diferente dos demais, há um fator psicologico determinante a times comuns: ser a surpresa.

Cada ponto dos dois era comemorado porque não eram cobrado. Era surpreendente. Então um dia eles passam a ser, com o mesmo time, já cansados, com os rivais se aproximando, cobrados por algo que fizeram acima do esperado.

E então o seu “algo mais” não é mais especial. É o mínimo exigido. E ele não virá, porque o físico não permite mais. E então você sabe que entra em campo para, na melhor das hipoteses, decepcionar pouco.

Acabam os sorriso, vira dever. Só cobrança. E a bola de neve gira ao contrário.

O Corinthians não tem time pra estar onde está. Nem o Botafogo pra ter feito a Libertadores que fez. Mas fizeram. E então, no final da reta, quando eles se penduram pra tentar manter, são cobrados como quem está em crise.

Entenda-os. Você está cobrando sua família pela festa surpresa do ano anterior. Só que se não fosse surpresa você tinha reclamado da falta de balões, do seu doce favorito e ainda teria se dado conta de cada “convidado” que não foi.

Aplauda-os. Empurre-os. Ou vão ter que levanta-los no fim.

abs,
RicaPerrone

Flu letal

Não precisa da posse, nem mesmo de muita pressão. O Fluminense tem sua proposta pronta e bem definida.  Joga com velocidade, por um lance de contra-ataque e não se arrisca a querer ser dono da bola e empurrar o adversário.

O Galo é um dos times que mais se posta com posse de bola e em cima do adversário. O encaixe dependeria muito do primeiro gol. Dois em seguida, então… letal!

É bem complicado falar de um jogo que o juiz tentou evitar. Foram 40 faltas, menos de 40 minutos de bola rolando. Uma vergonha, um jogo que não existiu. Os dois times cheios de recursos e sem o direito de encostar no adversário. Uma aula de como se estragar uma partida.

Mas dentro do que ainda teve de jogo, o Fluminense se defendeu bem, postou seus jogadores de frente de forma a impedir o Galo de se atirar com os laterais e volantes pra cima e não recuou na escalação. Dois gols decisivos em sequência, uma vitória rara e empolgante.

Ninguém, ou quase ninguém, ganha no Horto. O Flu ganhou. E por mais que o Galo tenha tido uma tarde ruim, o foco na Libertadores e todos os demais “poréns” possíveis que não anulam o fato dele ser um dos favoritos ao título, a vitória do Fluminense dá uma perspectiva ao torcedor que nem ele esperava.

Agora o teste é propondo o jogo, em casa, talvez contra alguém disposto a só se defender. Esse eu imagino ser a grande dificuldade do Fluminense. Não for essa, não resta muita alternativa a não ser aceita-lo na listinha de possíveis protagonistas do Brasileirão.

abs,
RicaPerrone

Aquele jogo que você respeita

Os mais de 50 mil torcedores no Maracanã para ver um jogo de abertura entre dois times que tem algo mais importante na temporada indicavam: é clássico.

E por mais impossível que seja cravar o maior dos interestaduais, é sem dúvida um deles. O Galo tem o melhor time do país, o Flamengo um dos melhores e a maior pressão de todas.

Em campo a rivalidade, os titulares, Fred, Robinho, Elias, Guerrero, a jóia de 150 milhões, Vaz redentor e tantos outro figurantes. O roteiro não decepcionou.

Empate, um tempo de cada time, quatros bolas tiradas quase em cima da linha, dois belos gols, casa cheia, apenas 17 faltas no jogo.

Rubro-negro “frustrado” pelo empate, feliz pelo que jogão que viu. Atleticano “sem euforia” porque apenas empatou, mas sabendo que lá é um grande resultado.

E mais do que o resultado. Quando dois times fortes assim jogam de igual pra igual o recado é dado para os dois lados.  Flamengo e Atlético MG abriram um campeonato do qual espera-se deles o protagonismo do inicio ao fim.

abs,
RicaPerrone

O raríssimo Thiago Neves

Entre ser um craque de seleção e ficar rico, Thiago escolheu ficar rico.  É pouco condenável sua escolha, já que os desejos de carreira são individuais. Pelo que joga, eu teria tentado Real Madrid e seleção, não a grana fácil da Arábia. Mas, estamos falando de um jogador de agora 31 anos, que teve um trauma na carreira bem considerável.

Pouca gente cita, mas Thiago passou muito perto de se tornar o maior ídolo da história de um clube grande.  Em 2008, na épica Libertadores do Fluminense, esse sujeito fez 3 gols na decisão, além de um na primeira final.  Se nos pênaltis o jogo terminasse pro Flu, Thiago teria dado uma Libertadores pro clube. Seria Deus.

Por erros de arbitragem e por azar, não foi. E naquele dia ainda viu seu pênalti ser anulado e voltar até que errasse, talvez lhe dando considerável motivo para “vou ganhar dinheiro e foda-se”, já que o futebol é bem injusto com as pessoas.

Mal escalado no Flamengo, sempre aberto, não foi o mesmo cara, mas foi bem. Thiago é diferenciado. E não só pela técnica e bom chute, mas porque tem uma característica raríssimas que adoro: Ele gosta de jogo importante.

Talvez ele não faça nada contra o Ipatinga. Mas o Galo que se cuide, porque é nesse jogo que ele se cria.

Cruzeiro contrata um dos melhores meias possíveis. E que se ainda quiser, volta até pra seleção.

abs,
RicaPerrone