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Os “menos piores” do povo

Esse Rio de Janeiro atordoado e sem opções escolheu a que achou “menos pior”.  No domingo de eleição pouco importam as propostas, o ideal,  ou mesmo a carreira de cada um dos candidatos. O que importava era a discussão filosófica sobre “diga-me com quem andas e te direi quem é”.

Nós passamos 2 meses de terrorismo virtual lendo acusações, vendo fotos de quem é amigo de fulano, uma tentativa desesperada dos próprios candidatos em dizer pra nós que o outro é pior que ele.  Não há qualquer tentativa mais de nos convencer que ele vale a pena. O que se vê na política é tão tosco que a briga é claramente pra destruir o oponente, não pra eleger o seu.

O Crivella, que sequer conheço, foi “acusado” de ser evangélico.  Porra, peraí! Eu odeio religião mais do que todos vocês, não tenho nenhuma, já estive bem perto de umas 4.  Tenho uma opinião bem formada e fundamentada sobre.  Mas … “porque ele é da Universal”  é argumento?

Quer dizer então que preconceito da Universal com algumas pessoas é um absurdo, de pessoas com a Universal é legitimo? Não se contra-argumenta nada fazendo igual.

Eu gostaria de ter lido por meses que o Dória não servia porque o projeto dele era ruim, talvez porque não tivesse um bom plano na saúde, enfim.  Não. Só tentaram me convencer a não votar nele porque ele era rico. E em momento algum um oponente tentou me convencer a pelas suas qualidades. É 90% diminuindo o outro e se tornando a opção “menos pior”.

O que você espera de quem se vende como “menos pior”?

As eleições terminam e todos nós, leigos como sempre, temos mil conclusões formadas por tudo que ouvimos para desmoralizar esse ou aquele. O projeto do vencedor? Não fazemos idéia.  Sabemos que o derrotado era isso, isso e aquilo! E basta!

Ou melhor, bosta!

Tudo que sei é que o Rio de Janeiro agora é “da Universal”.  Ora, meus caros, não sejam tão índios. Ninguém vai catequizar essa porra e fazer você de escravo. Somos civilizados, grandinhos, e não me soa muito maduro se fazer de uma criancinha nas mãos do lobo mal.

Quando nós vamos impor que eles lá fazem o que nós queremos e não o contrário? Quando vamos passar as eleições pro lado certo, que é de quem decide o que quer e não de quem evita o pior?

O Crivella, o Freixo, não faz diferença. São apenas dois Marcelos que representam ideais e principalmente oposição.  No cenário atual é melhor você não ter um ideal.  Quanto menos opinião e lado você tiver, maior sua chance. No mundo, hoje, vende e vence quem fica de boca fechada.  Sobe de cargo quem não contesta nada.

Eu não estou discutindo política, planos de governo e sequer validando esse ou aquele candidato. Mas me tornei uma pessoa bem menos tolerante durante os últimos dois anos, especialmente nos últimos dois meses, onde vi pessoas se agredindo na web por um voto “contra”.

Eu nunca votei em ninguém. Faz 38 anos que voto contra o “pior cenário”.  E você? Votou em alguém ou contra alguém?

abs,
RicaPerrone

 

Nós, eles, todo o resto

Eu fui a muitos jogos. Eu andei em várias sedes e conheci muita gente. Eu não vi um turista sequer disposto a causar algum tipo de problema conosco ou querer provocar. Todos eles queriam ver a Copa, ganhar e serem bem recebidos.

Foram. Todos. Menos um.

É inacreditável o que presenciei nos jogos que fui da Argentina.

Você talvez não tenha idéia do que foi aquilo e ai do seu pc diga: “Não, são só alguns… Tá exagerando”.  Mas pergunte a quem foi.  É impressionante. Fora do aceitável.

E não, eu não estou falando do argentino maloqueiro da organizada. Eu estou falando de pessoas de classe média alta com filhos, roupas caras, gente que em tese deveria ter ao menos educação.

Eu cai no chão na saída do estádio porque 20 deles desceram derrubando a mim a mais 2 senhoras que estavam do meu lado.  Eu vi um grupo de argentinos cuspir na camisa de um garoto de 11 anos que se vestia de brasileiro. O pai, quando foi tomar satisfação por ter seu filho cuspido, encontrou 20 deles em bando protegendo o agressor.

Eles não tem o senso do “Isso não!”.  Quando um deles faz besteira, os outros fecham com o cara esteja ele certo ou errado. E portanto quando um mais exaltado agride alguém, os demais o protegem e não separam.

É um ambiente de vandalismo e ignorancia que jamais presenciei em mais de 900 jogos assistidos em estádios na vida. E só conto os de arquibancada, que fique claro.

Vi cusparadas, ofensas, racismo, coisas que jamais imaginei sair daquele mundinho de organizadas onde provocar e sair na porrada é mais importante que o futebol. Enquanto todos confraternizaram, eles vieram aqui pra conseguir confusão.

Queimaram nossa bandeira diversas vezes ontem em Copacabana. Humilharam nossos negros, agrediram pessoas e se postaram como invasores, não visitantes.

“Não são todos”.  Claro que não, porra. Mas quando dizem que “brasileiro é alegre” também não são todos e ninguém reclama. Então aceite a generalização como uma facilidade de expressão.

Eu nunca gostei de argentinos. Por causa do futebol, é claro. Após conhecer pessoas de outras 31 nacionalidades eu posso afirmar que só uma delas não veio de férias.

A quantidade de relatos de problemas causados por eles é incontável. Eu, só eu, ontem assisti a mais de 10 agressões de argentinos a brasileiros a troco de absolutamente nada. No máximo um grito de “pentacampeão”.

“Ha mas os brasileiros também são assim”.

Não são. Se fossem, porque não houve problema em nehum dos jogos sem ser os da argentina?

Comecei a Copa com um “ódio” esportivo. Terminei com raiva de um povo.  E lamento. Pensei que ia reconsiderar muita coisa por aqui. Piorou.

abs,
RicaPerrone